Art Cologne 2013

A Art Cologne (na Alemanha) è a feira de arte contemporanea mais antiga do mundo, e por causa da propaganda feita por amigos que moram em Dusseldorf, fazia tempo que tinhamos vontade de visita-la. E aì calhou  – como dizem em Portugal – que o marido se inscreveu em un site e acabou ganhando 2 bilhetes VIP para essa feira.

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Nao vou entrar no merito de que os bilhetes para a Art Cologne eram a coisa mais barata e mais facil de se arranjar numa viagem dessas para a Alemanha, mas encaramos a sorte como “um sinal” e isso foi o “empurraozinho” que precisavamos para fazer as malas.

Os preparativos todos dessa viagem foi feito nessa “vibe” de sorte, mas eu devia desconfiar: pra quem nunca ganhou nem rifa na vida, alguma coisa tinha que dar errado… E voilà!

A viagem começou com o pè esquerdo e aconteceu tudo o que podia dar errado: pra começar o voo atrasou mais de 1 hora, o carro que alugamos nao tinha o bebe conforto que haviamos reservado, no hotel deram uma cama de solteiro para a herdeira de 5 meses ao inves do berço, os bilhetes vip valiam sò para a preview da feira (dois dias antes e ninguem tinha avisado, è claro), a filhinha dos nossos amigos pegou uma doença contagiosa e nao pudemos encontra-la…

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Fazia poucas horas que haviamos saido de casa e a impressao jà era de “que viagem mais inutil, nao vamos conseguir fazer nada do que planejamos”. Mas depois do stress inicial, as coisas começaram a se ajeitar e no final das contas conseguimos ver nossos amigos (sem a filha) e compramos na hora os nossos bilhetes nao-VIPs-para-reles-mortais-pobres para visitar a feira. 

E o que dizer da feira? Uma feira de arte quando è boa consegue ser melhor que muito museu, no que ser refere à qualidade das obras em exposiçao e a Art Cologne è uma dessas, com a diferença de que tudo ali tem um preço.

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Nao posso negar que uma das coisas mais interessantes na feira è a atmosfera de um “mercado turco velado”. O lugar tem tudo para ser um museu comum: com obras de arte importantes sendo expostas, pessoas olhando cada quadro com atençao, e atè grupos de turistas (ops, sao estudantes de arte) com seus guias (professores, imagino eu)…

E nao obstante tudo isso, fica evidente de que nao estamos em um museu e que o objetivo principal da feira è fazer negòcios. Ao contrario de um museu, as pessoas que frequentam a feira estao muito mais interessadas no “mercado”, preços e tendencias, do que na “cultura” propriamente dita.

Entao as descriçoes das obras nao eram sobre a tecnica e nem sobre significados metafisicos para a escolha de cores/desenhos, mas sim que uma obra do mesmo autor alcançou um preço X no leilao em Londres ou NY, que aquele artista expos suas obras num lugar importante, e por isso ele è mais valorizado… 

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E’ muito interessante ver obras famosas por esse outro angulo, e no começo eu atè tentei me misturar um pouco com os compradores e pedia informaçoes aos galeristas, mas nao consegui manter por muito tempo a minha cara blasé quando me deparava com os preços dos quadros.

E assim, por questoes “alheias a minha vontade”, eu achei melhor encarar a feira como um museu mesmo e deixar as negociaçoes para quem pode, o que nao me impediu de me divertir horrores.

Alem poder ver algumas das obras de artistas que admiro como Richter, Vik Muniz, Botero, ainda tem muita coisa a ser descoberta de artistas novos e tambem muitas obras de gosto duvidoso que me impressionaram de algum modo (no bom e no mau sentido, como esse rato morto com mosquitos voando, cujo artista nao me recordo).

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Pra mim, a visita valeu a pena por ter sido apresentada às obras de Hughes. Saì de là encantanda com a sua “reverspective”, uma ilusao de otica tridimensional onde a parte que parece mais longe è, na realidade, a que està fisicamente mais perto do observador.

E coraçao de mae fala mais alto: como nao gostar de uma feira de arte contemporanea, cheia de obras de arte grandes e coloridas, que fizeram a alegria da herdeira. Nunca tinha visto a mocinha tao agitada e estimulada, sem saber para onde olhar primeiro, com mil gargalhadas numa felicidade que sò ela!

 

Castelo de Linderhof

Como nos empolgamos com os castelos do rei Ludwig, nao poderiamos voltar pra casa sem visitar Linderhof, que fica a apenas 20 minutos de Oberammergau.

Linderhof foi construido pelo rei Ludwig e ficou pronto antes que ele morresse. Isso significa que o seu interior è o mais suntuoso de todos os outros castelos, pois ele morou là e decorou tudo conforme seu gosto.

 A titulo de comparaçao, Neuschwanstein sò ficou pronto depois da sua morte, entao estava bem “pelado”, a sala do trono, por exemplo, nunca teve um trono… E Hohenschwangau foi construido pelo seu pai, o rei Maximilian II, entao apesar de todo mobiliado, nao revelava o gosto de Ludwig.

Jà Linderhof è super pequeno – considerando o tamanho standard dos castelos bien compris – mas è o mais rico e extravagante dos 3. As salas sao cheias de objetos de arte, joias, e atè altas tecnologias da època.

Na sala de jantar tem uma mesa com um aparato mecanico que permite que a mesa desça atè o andar de baixo onde os funcionarios a arrumavam, colocavam a comida e, em seguida, a mandavam de volta para cima para o jantar do rei.

Tudo isso sò para que o rei nao visse empregados andando pra là e pra cà carregando pratos e tigelas. Quem pode, pode!

E em Linderhof as visitas sao feitas do mesmo jeito, igual exatamente, que nos outros castelos. E foi aqui que senti mais pena de uma visita feita nesse eficiente esquema, pois sao tantos os detalhes para ver em cada sala e que acabam passando batido.

Castelo de Hohenschwangau

Olha sò que feio: eu estava tao empolgada e tao interessada em visitar o maravilhoso castelo de Neuschwanstein que sò fui descobrir a existencia do castelo vizinho quando fui comprar as entradas pela internet!

Para escapar das filas e economizar meu bem mais precioso numa viagem – meu tempo – eu sempre garanto todas as entradas possiveis pela internet e nesse caso nao fiz diferente.

Là estava eu tentando comprar os meus ingressos para o Neuschswanstein e eis que me deparo com a possibilidade de visitar 2 castelos no mesmo dia! E um do ladinho do outro! Quem diria…

No castelo de Hohenschwangau tinha bem menos turistas do que o seu vizinho mais famoso, e eu nao entendo o motivo. Mesmo que eu nao soubesse da existencia de Hohenschwangau, era sò chegar na bilheteria do Neuschwanstein e ver aquela construçao enorme num amarelo vivo, que eu nem pensaria duas vezes! A minha curiosidade nao me permitiria voltar pra casa sem visità-lo!

Ele nao tem a imponencia toda do Neuschwanstein, mas por dentro tem uma atmosfera mais “vivida” (nao sei por que mais eu gosto de perceber que alguem realmente jà morou num lugar daqueles)

Ali foi onde o rei Ludwig passou seus anos de estudos e foi tambem onde o rei encontrou o compositor Wagner pela primeira vez e onde passava grande parte do seu tempo ouvindo trechos das ultimas operas de Wagner.

Em uma das salas de Hohenschwangau ainda existe o piano que Wagner usava para entreter o rei.

Infelizmente, o esquema da visita de Hohenschwangau segue o mesmo eficiente , mas nada agradavel, sistema de visitas estilo vacinaçao de gado usado no Neuschwanstein…

Castelo de Neuschwanstein

Esse castelo de nome quase impronunciàvel è aquele castelo alemao que inspirou Walt Disney na construção do Castelo da Bela Adormecida, quer dizer, mais “conto de fadas” que isso è impossível!

Esse castelo foi construido em 1869, pelo rei Ludwig II da Baviera, um rei meio excentrico que, ao ser privado do exercicio concreto da monarquia, se isolou num mundo paralelo e resolveu criar para si a vida de um monarca medieval.

Para ele, a construção desse castelo representava um monumento à cultura e à realeza da Idade Media que ele venerava tanto.

Mas Ludwig II nunca chegou a ver seu castelo pronto e para pagar as dìvidas feitas com a construçao do castelo, noventa dias apòs a sua morte, o governo resolveu abrir as portas de Neuschwanstein para visitaçao, com a respectiva cobrança de ingresso.

Por dentro Neuschwanstein è esplendido! Salas decoradas com cenas de sagas alemas e nordicas, tudo inspirado na cultura medieval, e tem atè uma gruta artificial com luz eletrica colorida e, diz a lenda, atè uma mini cascata!

A unica coisa que tira um pouco o encanto desse lugar màgico è a tal visita guiada no melhor estilo vacinaçao de boi: grupos de umas 30-40 pessoas entram nas salas a cada 5 minutos, e as portas do castelo vao se abrindo e fechando para que o grupo anterior possa sair e o seguinte possa entrar.

Uma visita milimetricamente calculada e que funciona com perfeiçao, aliàs como tudo na Alemanha, mas que elimina a possibilidade de permanecer um pouco mais em qualquer uma das salas e impede de ficar sonhando de olhos abertos diante da monumental sala do trono (que a proposito nunca viu um trono!).

Oberammergau

Quando estavamos organizando a viagem para o Castelo de Neuschwanstein (aquele que inspirou Walt Disney), queriamos tb aproveitar o clima de “conto de fadas” da regiao, para fazer um tour mais romantico.

Encontramos um hotel que se encaixava nos nossos planos numa cidadezinha ali perto chamada Oberammergau.

Mandamos um email para fazer a reserva e fomos informados que do dia 15 de maio ao dia 3 de outubro de 2010, as reservas só poderiam ser feitas atravès do site da Paixao de Cristo.

Paixao de Cristo? Mas o que o hotel tem a ver com isso?  E pq uma Paixao de Cristo tao comprida?

Foi entrando no tal site que eu descobri que a atè entao desconhecida (pra mim) Oberammergau, a cada 10 anos desde 1634, envolve a cidade inteira numa representaçao da Paixao de Cristo.

Diz a lenda que os moradores da cidade prometeram a Deus que fariam essa representaçao se a cidade fosse poupada da peste bubonica que estava assolando a regiao toda.

Como o numero de mortes diminuiu consideravelmente, os habitantes atribuiram o fato a um milagre de Deus e desde entao cumprem a promessa que fizeram.

Eu atè tinha ficado bem interessada em ver a Paixao de Cristo em Oberammergau, mas quando vimos os preços do pacote com hospedagem, desistimos da ideia e antecipamos a viagem para o final de semana anterior ao inicio da Paixao de Cristo.

No meio dessa confusao toda de recolher informaçoes sobre a Paixao de Cristo e ter que mudar a data da viagem, acabei me esquecendo de procurar o que mais Oberammergau tinha a oferecer, afinal, sò estava preocupada com o hotel. E que surpresa boa!

A cidade mistura a religiosidade da Paixao de Cristo com um toque kitsch das esculturas de madeira expostas em vàrias lojas da cidade.

Qualquer coisa pode ser encontrada feita em madeira: de relogios cuco e tampas para garafas, atè santos e presepios em tamanho natural. Pra quem gosta, è um prato cheio!

Mas, na minha opiniao, o que deixa Oberammergau fascinante sao as Lüftmalerei, a versao bavarese para a tecnica de pintura chamada trompe d’oeil, que enfeita a fachada de praticamente todas as casas da cidade. È de deixar qualquer turista de boca aberta!

A maior parte das imagens representadas nas fachadas sao de conteudo religioso, como nao poderia deixar de ser; mas no meio de tanta religiosidade tambem existem pinturas de cenas em uma cervejaria, de historias infantis como Chapeuzinho Vermelho e Joao e Maria…

Fiquei fascinada com Oberammergau! Nao poderiamos ter escolhido um lugar melhor para o nosso tour romantico pelos castelos de contos de fada da regiao!

Palacio de Augustusburg

Como já mencionei uma vez, todo ano o marido vai a Dusseldorf a trabalho e, invariavelmente, eu acabo indo tb para encontra-lo no final de semana. Com a época da viagem se aproximando, me lembrei do primeira (tragica) vez que fui para a Alemanha encontra-lo. Era final de novembro, fazia um frio danado e tanto Dusseldorf quanto Colonia já estavam com o mercadinho de Natal montado e vendendo litros e litros de gluwein.

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Como nem Colonia e nem Dusseldorf é uma novidade para o marido, ele sempre inventa um tour pelas redondezas para ocupar o nosso final de semana. Daquela primeira vez, o tour escolhido foi o Palacio de Augustusburg localizado na cidade de Bruhl, a 20km de Colonia.

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O Palacio de Augustusburg foi  a casa do arcebispo de Colonia, que mandou construir o palacio em 1725, sobre as ruinas de um castelo medieval e acabou se tornando uma obra-prima do rococo e, como toda obra-prima que se preze, era tambem um dos mais belos palacios da época em toda a Alemanha.

E isso é tudo que eu sei sobre esse palacio. As informacoes que estavam escritas num folhetinho em ingles, daqueles distribuidos em hoteis. Frustrante, né?

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Ocorre que nao existe a possibilidade de visitar o palacio por conta propria, com um folheto explicativo ou com um daqueles audio-guia; todo mundo deve necessariamente acompanhar uma visita guiada. O problema é que as visitas guiadas em ingles sao limitadissimas, quase inexistentes, e nao tinha nenhuma disponivel no dia em que fomos. Se quisesse ver o interior do palacio, o jeito era me contentar com a visita em alemao mesmo.

Mas é horrivel estar no meio de um grupo de umas 25 pessoas que riem de piadas em alemao que eu nao entendia, que ficavam impressionados com detalhes da arquitetura apontados pelo guia, que eu, é claro, nao reconhecia e que, muito provavelmente, ficaram sabendo como era a vida naquele palacio naquela época, coisa que eu nem imagino como poderia ser.

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E me dava mais raiva ainda pq o Palacio de Augustusburg é muito particular, possui uma decoracao pesadissima e colorida, e acho que foi um dos palacios mais bregas que já visitei! E por isso mesmo estava curiosa para entender o estilo do lugar… Mas que nada!

Pensei com os meus botoes: vou tentar memorizar tudo da melhor maneira possivel, já que fotografias no interior do Palacio sao proibidas, e depois pesquiso na internet, com certeza esse lugar tem um site oficial! Estamos na Alemanha, ora bolas!

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Sim, o Palacio de Augustusburg tem um site super bom! Inteiro em alemao! Só me serviu para copiar as fotos do interior do palacio para poder ilustrar o post…

E pra piorar, foi só sair do Palacio que comecou a chover muito. Nao deu nem pra visitar o jardim barroco e fiquei sem ver um dos mais autenticos exemplos de jardim europeu do seculo XVIII…

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Da proxima vez quando for encontrar o marido na Alemanha, estou pensando seriamente em retornar a Bruhl… mas dessa vez vou me garantir e levar as paginas da Wikipedia impressas!

Aachen

O namorado todo ano tem que ir à Alemanha a trabalho. Ele passa a semana toda ralando em Dusseldorf e, euzinha, aproveitando os voos low costs, vou encontra-lo no final de semana para um tour pelas redondezas.

Esse ano, o namorado propos uma viagem a “Aquisgrana” e eu nao tinha a menor ideia a qual lugar ele estava se referindo. Na Italia, varios nomes de cidades sao traduzidos e alguns ficam irreconheciveis. Como eu poderia saber que ele estava querendo ir a Aachen quando dizia Aquisgrana??

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Desfeitos os mal entendidos, decidimos passar o final de semana em Aachen (ou Aquisgrana, como preferirem), cidade que um dia foi a capital do Sacro Imperio Romano Germanico e hoje é famosa pela Catedral de Carlos Magno e pelos printen.

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 Printen é a especialidade local e é parecido com o nosso de pao-de-mel, mas feito com mais “especiarias” como canela, cardamomo, gengibre… Esses printen sao super famosos por la, em toda esquina tem um lugar que vende esses biscoitos e até no mercadinho de Natal colocaram um printen gigante decorativo, em formato de Carlos Magno.

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Como eu dei um super azar com o tempo, (cheguei junto com o frio e com a neve repentina que assolou a Europa), nao sei dizer se Aachen é uma cidade bonita ou nao, pois passei quase a totalidade do meu tempo dentro de aconchegantes cafés, comendo printen, que eu adorei!

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E no intervalo entre um printen e outro, fomos visitar a Catedral de Carlos Magno, a atraçao principal da cidade. Hoje essa Catedral é um aglomerado de arquiteturas de vàrios periodos e, até quem nao entende nada de arte como eu, consegue notar, do lado de fora, a diferença de estilo entre as diversas partes.

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A parte mais antiga é o nucleo da Catedral e  foi construida por Carlos Magno, por volta do ano 800, como uma capela privada, no seu palacio. De todas as vàrias construcoes de Carlos Magno, essa capela, de forma octogonal, é a unica que se conservou por inteiro e é nela que estao os restos mortais do Imperador, dentro de um baù.

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 A entrada da Catedral é gratuita, mas o folheto explicativo (em varias linguas) custa 0,50 euro e, se quiser tirar fotos, tem que pagar 2 euros. Achei estranho quando paguei os dois euros e o fulano grudou uma eticheta na minha camera e me disse sério: “é valida por um ano!”. Fiquei imaginando se existem pessoas que deixam aquela etiqueta pendurada na maquina por um ano, esperando a oportunidade de voltar e nao pagar os dois euros…

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A parte chata da visita gratuita é que existem lugares na Catedral que sò sao acessiveis com uma visita guiada, como subir no segundo andar para ver o trono de Carlos Magno. Eu até estava animada com a ideia de fazer uma visita guiada, mas quando descobri que a visita seria em alemao (sao sò 2 visitas em ingles por dia) e que eu deveria ficar 45 minutos acompanhando um grupo sem entender nada, me dei por satisfeita com o que tinha visto até entao.

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Além disso, se esticar bem o pescoço, dà pra ver pedaços do famoso trono, que, pelo menos de longe, nao me pareceu muito imponente… (Sabe a fabula da raposa e das uvas? Pois é… 😳 )

E pra completar o passeio, fomos visitar o Museu com os tesouros da Catedral. Achei bem interessante, tem uns relicarios lindos, ricamente trabalhados em ouro e com pedras preciosas; mas, sinceramente, nao gosto muito de relicarios. Que me perdoem os religiosos, mas acho de extremo mau gosto esquartejar o coitado do santo e deixar pedaços do seu corpo à mostra para adoracao. Nesse museu tinha um relicario enorme com um femur dentro, é mole?

Trier

 Chegando no aeroporto de Frankfurt, fomos direto à locadora buscar nosso carro. Eu estava excitadíssima com a idéia de andar pelas famosas estradas alemãs, sem limites de velocidade. A primeira vez a gente nunca esquece, né?

Bom, o carro alugado não ajudava muito com o seu motor 1.6, mas mesmo assim era divertido estar a quase 200km/h e observar as várias BMWs que nos ultrapassavam como se estivéssemos a 40km/h. Mas o mais impressionante nas rodovias alemãs, não é a ausência de limites de velocidade é a educação do motoristas! Poder dirigir na velocidade que o carro aguenta, sem imposições de limites, na minha opinião, nada mais é do que uma consequência do modo como os alemães dirigem.

Pasmem, 1 – todos eles dão seta quando vão ultrapassar ou virar para algum lugar, (não é triste isso? Achar o máximo algo que deveria ser a regra?), 2-  ocupam sempre a pista disponível mais à direita e só usam as pistas da esquerda para as ultrapassagens (na Itália, a impressão que dá é que a pista da direita é só pra “losers”, excluindo os caminhões, ninguém mais as usa! Em uma autostrada com 4 pistas, invariavelmente as duas pistas da direita estarão vazias e as duas da esquerda “engarrafadas”…) e, 3 – a sinalização é respeitada!

As tais BMWs que andavam a 300km/h, diante de uma placa de “obras” com velocidade máxima permitida de 20km/h, não se faziam de rogadas, ainda que não existisse nenhum vestígio de obras por quilômetros de distância, iam a 20km/h (na pista da direita e dando sinal antes de que estavam mudando de pista, é claro!) Só voltavam à velocidade “normal” se alguma outra placa assim as autorizasse!

Aliás, sinalização nas estradas alemãs é o que não falta! Acabamos até nos perdendo por causa do excesso de informação, é mole? Pra chegar em Trier, existiam diversas placas indicando sempre “Trier-alguma coisa”… E esse “alguma coisa” era sempre um aglomerado que consoantes que variava conforme a saída indicada… Vai saber o que significa aquele “alguma coisa” depois do nome da cidade… Escolhemos ao acaso e, obviamente, fomos parar no meio do nada, sem ter noção de onde estávamos nem para onde deveríamos ir…

Paramos para pedir informação a uma senhora que passava, que não falava um “a” em inglês, mas que foi muito solícita e, através de gestos, nos ensinou direitinho o caminho.

A sua explicação, muito engraçada, foi mais ou menos assim: “vira a direita, depois à esquerda, direita de novo e “oh! Porta Nigra!”, fazendo uma cara de surpresa com as duas mãos no rosto, como quem brinca de esconder com crianças, dando a entender que teríamos chegado no nosso destino.

Não deu outra, dizer “oh, Porta Nigra!” com cara de espanto, até hoje serve como um tipo de “código” nas nossas viagens para indicar que chegamos em algum lugar importante.

Bom, já deu pra perceber que a tal Porta Nigra é a principal atração de Trier. Não é pra menos, é uma porta do século II, construída pelos romanos, com o uso de blocos de pedra e barras de ferro, sem o uso de argamassa. É uma obra-prima da engenharia porque está até hoje de pé graças à força da gravidade, uma vez que não existe nenhum tipo de “cola” para manter os blocos de pedra unidos. Show, né?

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Mas nem só de Porta Nigra vive Trier. Diz a lenda que Trier é a cidade mais antiga da Alemanha, foi fundada no ano 15 antes de Cristo e seis imperadores moraram por ali.

De fato, a cidade conserva uma enorme quantidade de ruínas romanas e uma outra atração da cidade é a Basilica de Constantino, uma construção enorme do ano de 310, que servia como a “sala do trono” do imperador Constantino. O curioso é que, mais tarde, por volta de 1760, agregaram à Basílica o Palácio Kurfürstliches, um edifício cor-de-rosa (!!!) em estilo rococó para servir de residência aos “príncipes-eleitores”. Quando vi as fotos nos guias, achava que eram dois monumentos próximos, mas não “grudados”! É super estranho ver esses dois lugares juntos, pois um não tem nada a ver com o outro!

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A foto eu “emprestei” do site http://cache.virtualtourist.com/3514439-Palais_der_Kurfursten_and_the_Konstantinbasilika-Trier.jpg

Trier também é famosa por ter sido a cidade de Karl Marx. A casa onde o autor de “O Capital” nasceu e passou sua infância é hoje um museu com documentos que ilustram sua vida e obra. Pra quem não é um entusiasta das teorias de Marx, o museu não tem muita graça, mas vale como curiosidade.

A cidade tem uma praça maravilhosa onde, segundo os entendidos, predomina o estilo barroco. Eu não entendo nada de estilo arquitetônico, mas amei as casas coloridas e o fato de ser um lugar cheio de vida, mesmo numa manhã fria e feia.

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Uma pena que eu não tenha muitas fotos de Trier para ilustrar o post… Em não bastando o tempo nublado, a minha câmera resolveu parar de funcionar logo no início da viagem… Até eu descobrir que o problema era com as pilhas que estavam com defeito, embora recém carregadas…

Bamberg

 Naquela minha viagem em busca dos Patrimônios da Humanidade da Unesco localizados nos arredores de Frankfurt fiquei surpresa porque a maioria deles, embora maravilhosos e interessantíssimos (não é à toa que foram tombados pela Unesco), não recebiam muitos turistas e os poucos turistas que encontrei pelo caminho eram alemães.

Já estava até me acostumando com isso… até a hora que cheguei em Bamberg…

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Mal chegamos no centro da cidade e nos deparamos com vários ônibus de turismo, grupos de turistas seguindo guarda-chuvas coloridos e japoneses com suas implacáveis máquinas fotográficas por toda parte! Confesso que não estava esperando encontrar tanta gente! Achei que também ali seria mais um desses lugares maravilhosos, interessantíssimos e desprezados pelos turistas não alemães… principalmente por que, assim como a maioria dos outros destinos perto de Frankfurt, eu nunca tinha ouvido falar em Bamberg! (Será que eu sou tão ignorante assim, geograficamente falando? Alguém já tinha ouvido falar dessa cidade? Por favor, não me deixem só!!!)

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De qualquer modo, Bamberg foi a cidade de que mais gostei e posso dizer que está entre uma das mais bonitas da Alemanha, principalmente porque é genuína, a maioria das construções são originais e não foram reconstruídas após a guerra.

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Chegamos em Bamberg por volta da hora do almoço, então, antes de começar a explorar a cidade, resolvemos experimentar uma das várias cervejarias que tem por ali. O guia ressaltava que a cidade era famosa pela cerveja, que só na cidade existem umas 10 cervejarias e, nos arredores mais umas 80! Escolhemos uma cervejaria ao acaso: a Ambräusianum e pedimos a cerveja da casa e um salsichão, que tinha um nome ininteligível, mas simpático.

Alguns minutos depois, eis que vem a nossa cerveja, um potinho com mostarda, alguns pretzels e uma cumbuca cheia de água fervendo com duas salsichas albinas boiando! Que coisa horrorosa de se ver! Eu e a minha mania de querer sempre experimentar pratos típicos!

Contrariando todas as expectativas, foi a melhor salsicha que comi na Alemanha e a mostarda era de lamber os beiços! Satisfeitos, lá fomos nós visitar a cidade!

A catedral de Bamberg é o máximo! Olhando de longe, parece uma catedral normal, com muita história, e particular importância porque tem um papa enterrado lá. Mas o que eu adorei nessa catedral foram os detalhes! Na fachada tem a “Porta do príncipe”, com uma escultura que representa o Juízo Final. Tá, e o que tem de interessante nisso? Toda igreja que se preze tem uma escultura ou pintura representando o Juízo Final!

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Pois é… mas só em Bamberg a cara das pessoas representadas são tão engraçadas! Parece até que estão fazendo caretas!

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Dentro da igreja a cena não é muito diferente, uma das esculturas mais famosas é a de um Anjo, que, como diz o guia, “tem um sorriso divertido”. Eu, particularmente, achei o anjo um debochado, isso sim! Adorei!

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Mas a escultura mais famosa da catedral não tem nada de religiosa. É um “rei-cavaleiro” não identificado que se tornou o símbolo da perfeição ariana para os nazistas. Que coisa, né?

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Outro lugar curioso é a Altes Rathaus, linda, localizada entre de duas pontes e  toda decorada com afrescos. O interessante é que, num dos afrescos, colocaram a escultura de uma perna de querubim balançando… Eu queria saber o que leva alguém a ter esse tipo de idéia…

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O fascinante de Bamberg é que, além de charmosa e de produzir cerveja boa, a cidade inteira tem esses detalhes curiosos para serem descobertos. O máximo!

Würzburger Residenz

 Eu estava ansiosíssima para conhecer a Residenz, pois em todas as informações que li, vem sempre definida como “um dos palácios mais lindos e importantes da Alemanha”. Ainda que eu tivesse plena consciência de que essa definição fosse nada mais que um exagero de sites que querem vender seu peixe, o fato de que a Residenz esteja localizada em Würzburg, um dos destinos da rota romântica (que um dia ainda hei de fazer!), me inspirava e, intimamente, me fazia acreditar na tal definição.

Chegamos cedo, uns 15 minutos antes da abertura do Palácio às 10h, e com isso conseguimos visitar a igreja,, porque sua entrada se dava de modo independente, diretamente pela praça, sem precisar entrar no Palácio.

A igreja é linda, ricamente decorada e com obras de Tiepolo, um famoso pintor italiano, nas partes laterais do altar. Alguém havia mencionado também que essa igreja era famosa pelas ilusões de ótica espaciais, mas eu não dei conta de percebê-las… (De repente aquilo que era ilusão de ótica, eu achava que era real… vai saber…)

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Depois de uns minutos, começam a chegar as pessoas para a missa e nós, ainda com mais expectativas por causa da beleza da igreja, fomos conhecer a Residenz.

Os 1o minutos que ficamos na igreja foram tempo suficiente pra já formar fila na entrada da Residenz.Compramos os nossos ingressos e fomos felizes para o passeio…

A Residenz é um palácio barroco que infelizmente foi muito danificada durante a Segunda Guerra Mundial, sobrando muito pouco do prédio original e restando alguns móveis e quadros que foram retirados do local antes da destruição. Mas os restauradores fizeram um excelente trabalho de reconstrução e hoje é possível admirar o símbolo da riqueza e do prestígio dos bispos de Würzburg, como se nada tivesse acontecido.

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Logo depois da entrada, nos deparamos com uma das principais atrações da Residenz: a escadaria e o afresco gigante de Tiepolo, que milagrosamente sobreviveu à guerra e que representa os 4 continentes.

Esse afresco é considerado um dos maiores do mundo e fica no teto exatamente sobre a escada. O afresco é lindo, mas tenho certeza de que quem teve a idéia de colocá-lo no teto, sobre uma escada, estava querendo provocar um acidente. É impossível não tropeçar nos degraus enquanto se admira a obra!

Logo após as escadas, entra-se na Sala Branca, assim chamada por ser toda branca e decorada em “stucco” (um tipo de “massa corrida”, eu acho…), com figuras de dragões mimetizados na decoração, e que também sobreviveu à destruição.

Após a Galeria Branca, vem a primeira decepção. A Sala Imperial, um dos cartões postais do lugar, estava inteira coberta para restauração, não dava pra ver nem um cantinho da sala, tinha só uma televisão mostrando um programa (em alemão, é claro) sobre a Residenz e as restaurações.

Mas, tudo bem, ainda tinha a Sala dos Espelhos, que, segundo o guia, é a mais “memorável” de todas! Andamos por todas as salas, uma mais maravilhosa do que a outra, mas nenhuma que se assemelhasse a uma Sala dos Espelhos… Pra não ter dúvidas, fomos até a lojinha de souvenirs procurar fotos da tal sala em cartões postais e, realmente, não tínhamos visto nada parecido. “Não é possível! Onde estará essa sala? Vamos perguntar!”

Eis então que o moço da lojinha nos informa que só é possível ver a Sala dos Espelhos com uma visita guiada!

Aquilo não podia ser verdade! Mas já que estávamos ali, fomos ver como funcionava a tal visita guiada… No caminho, passamos por diversas delas e fiquei prestando atenção: grupos de umas 30- 40 pessoas e guias que falavam alemão.

Eu não queria acreditar que teria que fazer todo o tour de novo, acompanhada de mais 30 pessoas e sem entender nada das explicações do guia, só pra poder ver uma única Sala.

Ainda bem que aquilo era “quase” verdade! Quando a minha mãe diz que eu tenho mais sorte do que juízo, ela tem razão! Existem na Residenz apenas 2 tours em inglês por dia, um pela manhã e outro à tarde, o tour da manhã começaria em exatos 5 minutos, contava só com mais 4 pessoas além de nós e, o que me deixou radiante, era um tour mais “compacto”, quer dizer, compreendia a Sala dos Espelhos que eu tanto queria ver, a Sala Imperial que estava em restauração e algumas explicações sobre a escadaria! Não podia ser melhor!!

A Sala dos Espelhos vale a visita guiada! É a sala mais rica de toda a Residenz, com espelhos decorados de cima a baixo e tudo muito dourado além de um enorme lustre de vidro de Murano que pesa mais de uma tonelada. Apesar de eu, particularmente, ter achado a Sala dos Espelhos de um gosto meio duvidoso, ela é realmente a mais impressionante e memorável de toda a Residenz!

Uma curiosidade sobre a pintura de Tiepolo contada pelo guia: boa parte das pessoas representadas na pintura existiram de verdade, como, por exemplo, o arquiteto da Residenz e até o próprio Tiepolo.

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Como não podia tirar fotos dentro do palácio, só tenho fotos dos jardins, que são uma atração a parte e na primavera devem ficar espetaculares!

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