As 5 viagens mais romanticas que jà fizemos

Seguindo na cola da Mirella do exxxxxxcelente blog Mikix, para comemorar Valentine’s Day, eis as 5 viagens mais romanticas que jà fizemos:

1 – Istanbul: foi uma surpresa que meu entao namorado, atual marido, me fez. Eu sò fui descobrir para onde estava indo no aeroporto… 🙂

2 –  Carnaval em Veneza: apesar de carnaval nao ter nada de romantico, o marido entrou no clima do personagem e se transformou num verdadeiro galanteador e, com Veneza como pano de fundo, nao poderia ser mais romantico!

3 – Saint Emilion: um chic nic a base de queijos e vinhos num hotel perdido no meio de vinhedos.  Tem programa mais romantico que esse?

4 – Ushuaia: “fin del mondo, principio de todo”, onde fui pedida em casamento.

5 – Ngorongoro: a nossa lua de mel na Tanzania foi maravilhosa, mas Ngorongoro foi um dos lugares mais fantasticos e romanticos que visitei na vida.

Como sao sò 5, vou parando por aqui, mas daria pra fazer um top 10 facil! E vc? Quais foram as suas viagens mais romanticas?

Punta Norte

Punta Norte

Nosso último dia na Península Valdez foi memorável. Tomamos um café da manhã maravilhoso no Rincon Chico e, como o nosso voo era somente no final da tarde, aproveitamos para rodar um pouco de carro pela Península até chegarmos na “loberia” de Punta Norte.

A estrada, de terra é claro, era aquela monotonia de sempre: alguns arbustos, árida e parecia completamente sem vida. Só parecia! Depois de dois dias rodando por ali, aprendemos a visualizar os animais pelo caminho e dá-lhe maras, ñandus e lhamas passando pela gente! Paramos numa praia para avistar, de longe, uma colônia de pinguins, sempre desengonçados e, em outra parada, também de longe, pudemos ver alguns elefantes-marinhos. A quantidade de vida que existe na Peninsula é mesmo impressionante!

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Chegamos em Punta Norte e, no estacionamento, fomos recepcionados por um tatu peludo! Que bicho engraçado! Ele deve estar mais do que acostumado a receber comida de turistas pois é muito amistoso e basta dar uma “abaixadinha” que ele vem correndo ver o que vc trouxe de bom pra comer! Como é contra os meus principios dar de comer para animais selvagens, eu me abaixava só pra poder tirar umas fotos mais de perto, mas o peludo não era bobo nem nada e percebeu logo o meu esquema. Na terceira vez que me abaixei, ele nem me deu bola!

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Punta Norte abriga uma colonia de leões marinhos numa praia de tirar o fôlego de tão bonita!  Os turistas, por questões óbvias, não podem nem chegar perto da praia, mas mesmo assim dá pra observar bem os animais.

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Nós estávamos ali na época que os filhotes tinham acabado de nascer, então os leões marinhos estavam todos separados por “familia”,  e dava pra identificar bem o leão marinho macho com a juba imponente, a fêmea (às vezes tinha mais de uma, não sei se esses animais são monogâmicos ou não…) que mais parece uma foca e uns filhotinhos correndo pra lá e pra cá.

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Aliás, no quesito elegância, os leões marinhos ganham disparado dos elefantes-marinhos. Os leões conseguem se apoiar nas patas da frente pra caminhar e andam com imponência, já os elefantes, coitados, se arrastam como vermes, mas são tão fofos!

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Punta Norte também é um dos lugares preferidos pra rodar documentários da National Geografic. É que ali também moram algumas orcas que fazem verdadeiros banquetes quando os filhotes de leão marinho já estão mais grandinhos e começam a se aventurar na água .  Vi algumas fotos de orcas que chegam até a areia pra abocanhar os “petiscos” e  fiquei horrorizada, não sei se gostaria de ver isso ao vivo…  A foto da baleia eu peguei da internet, nem lembro mais de onde.

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Rincon Chico

Rincon Chico

Depois do susto de Puerto Piramides, seguimos para a Estancia Rincon Chico e parecia que estávamos entrando em uma outra dimensão! A paz, a tranquilidade e a beleza que eu queria tanto encontrar estavam ali, elevadas à décima potência!

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Chegamos na estância e fomos recepcionados por um filhote de um bicho parecido com um avestruz, muito engraçado e, pra variar, desengonçado. Aliás, eu tô começando a achar que todos os bichos que vimos na Patagônia têm um “quê” de desengonçado… Deve ser característica da região…

O proprietário nos recebeu sorridente, nos apresentou ao filhote de “ñandu”, deu uma explicação geral sobre a estância e uma funcionária nos levou ao nosso “quarto” a exatos 8km de distância da casa principal.

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A viagem demorou uns 20 minutos e, aquela paisagem desértica e monótona se revelou com mais vida do que eu imaginava. De vez em quando a funcionária parava o carro para nos mostrar algumas as espécies da região e como eu ficava surpresa em ver bichos como as “maras” (um animal parecido com um porquinho da india super desenvolvido), surgindo do nada.

Esses bichos se misturam tão bem com a paisagem que, se não fosse a funcionária nos mostrar, acho que não me daria conta nunca da existência deles!

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Quando chegamos no nosso “quarto”, não acreditei nos meus olhos: uma casa inteirinha só pra nós dois, no alto de um “penhasco”, de frente pro mar e com vista para uma praia lotada de elefantes marinhos! Eu até tentei manter a pose, mas não deu 2 minutos e eu já estava saltitando como uma criança, de um lado pro outro na varanda, morrendo de rir dos “espirros” nada discretos dos elefantes marinhos.

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Enquanto isso a funcionária tentava nos explicar que, para nossa segurança e para a segurança dos animais, não era permitido ir até a praia visitar os elefantes marinhos por conta. Mas que ela passaria mais no final da tarde, quando o sol desse uma trégua, para nos levar para um passeio seguro na praia.

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Só sosseguei quando a cozinheira (isso mesmo, nós tínhamos uma cozinheira pra nós!) veio nos chamar para um “aperitivinho” antes do almoço e para combinarmos que horas gostaríamos que a janta estivesse pronta. Chique isso, né?

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Na hora combinada, a funcionária do hotel voltou para nos levar para o tal passeio na praia e já foi dando algumas explicações básicas sobre os hábitos dos animais. Segundo ela, uma vez por ano, os elefantes marinhos vem até a praia pra trocar de pele, por isso víamos uns bichos que pareciam “leprosos”, mas aquilo era normal. Os marrons ainda estavam com a pele velha e os cinzas já estavam com a pele nova.

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Como demora um mês mais ou menos para os elefantes marinho trocarem de pele e como eles passam esse mês todo sem comer, eles ficam ali, todos paradões, só dormindo na praia, pra gastar pouca energia. Então tínhamos que ser os mais discretos possível para não assustar os pobrezinhos e não fazê-los gastar energia à toa, fugindo da gente.

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Sentamos na areia, perto de um grupo de elefantes-marinhos e ficamos ali quase 2 horas, observando aquela leseira toda acompanhada de muitos espirros escandalosos. De vez em quando, algum deles resolvia tomar um banho de mar para se refrescar e aí era o máximo! Ver aquele bicho gordo, feio, perdendo pele e se arrastando como um verme era lindo demais!

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Esse hotel fechou com chave de ouro a nossa viagem até a Patagônia! Foi uma experiência e tanto! O único, digamos, “detalhe” é que, além de custar uma pequena fortuna, para garantir a reserva tivemos que depositar 30% do valor da diária numa conta do Uruguai, trâmite uma agência em New York e o restante deveria ser pagos em dólar no check out…

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Ah, no check out, após pagarmos o restante da conta, como exigido, pedimos um recibo para nossa contabilidade. Acredita que se quiséssemos o recibo teríamos que pagar 20% a mais de imposto?

Puerto Piramides

Puerto Piramides

Eu ainda estou inconformada comigo mesmo!  Errei feio em Puerto Piramides e duas vezes! Se eu não gostasse de organizar minhas viagens e não prestasse atenção nos detalhes, eu até entenderia meus erros, mas…

Explico: lendo sobre Puerto Piramides nos varios guias impressos e virtuais, descubro que é um bom ponto de partida para observar baleias, por causa das várias agências que oferecem o passeio, e também um bom lugar para  explorar o resto da Península, uma vez que Puerto Piramides é a única “cidade”  (seria melhor dizer centro habitado), dentro da Península, o que encurtaria os deslocamentos.

Vimos o site do único hotel do lugar e, nas fotos, parecia perfeito: hotel bonito, na frente de uma praia deserta e um preço honesto. Fizemos a reserva para 3 noites e aí veio o primeiro grande erro: esqueci completamente de pagar os 30% exigidos para confirmar a reserva na data estipulada! Uma semana antes de viajar para a Argentina, quando verifico todos os documentos, comprovantes e afins que me dou conta desse lapso!

Desespero! O hotel, obviamente, já havia cancelado nossa reserva e não tinha mais vaga para 3 noites. Teríamos que nos contentar com uma noite somente e, pra piorar, a disponibilidade desse hotel era a noite “do meio”.

Desespero 2! Encontrar em menos de uma semana outro hotel na região que tivesse vaga em pleno feriado de ano novo. Como não posso me lamentar da sorte, achamos um hotel em Puerto Madryn, mais perto do aeroporto de Trelew… E como chegariamos por volta das 18:30, tava valendo! E para a ultima noite, conseguimos uma vaga no carésimo Rincón Chico, que merece um post só pra ele.

E a partir daí, só pude agradecer o meu erro e a indisponibilidade do hotel em Puerto Piramides. O avião atrasou um monte e chegamos por volta das 23:00, mortos de cansaços. Perfeito o hotel em Puerto Madryn, 100km de estrada mais perto do aeroporto!

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Dia seguinte, finalmente chegamos a Puerto Piramides e eis o meu segundo grande erro. Eu estava esperando um lugarejo simples, com pouca gente e pouca estrutura e algumas agencias de passeios para ver baleias (talvez fechadas, porque não era mais época de baleias) . E estava esperando também, a praia deserta para, como dizia o site do hotel, desfrutar a harmonia da paisagem num estreito contato com a natureza.

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Mas… O que era aquela farofada??? O que eu encontrei em Puerto Piramides foi uma praia lotada de gente fazendo piquenique ao lado de um camping mais lotado ainda e bares que tocavam reggae num volume insuportável, para alegrar o piquenique do pessoal na praia. Farofa da melhor qualidade!

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Eu havia lido a opinão de algumas pessoas no Tripadvisor e vi muitas reclamações sobre a relação custo/benefício do hotel, que os quartos não eram bons, que o café da manhã era uma porcaria, mas todos falavam bem do lugar onde está localizado o hotel e, pra mim, o importante era a localização, o resto eu estava disposta a suportar sem reclamar e com conhecimento de causa.

Mesmo assim, eu me pergunto: como eu consegui errar tanto?  Tá certo que em toda viagem existem expectativas superadas e aquelas que não são atingidas, mas errar feio sobre as características do lugar é demais, né? Esperar ver a natureza e topar com aquela fauna… Não me conformo!

Dia seguinte de manhãzinha, seguimos rapido e felizes para o próximo hotel, agradecendo aos céus por não ter conseguido ficar as 3 noites por ali.

Punta Tombo

Punta Tombo

Eu estava toda contente com a quantidade incrível de animais estranhos que tinha visto em Ushuaia e achava que seria difícil visitar algum lugar com mais bicho ainda! Eu até havia lido que a Península Valdez possui uma fauna muito rica, mas, pra ser sincera, eu não estava muito confiante, não. A maior parte das pessoas que vão pra lá, vão para encontrar as baleias e nós estávamos indo fora da época certa para avistá-las.

Chegamos de noite e o transfer do hotel estava nos esperando. O motorista falava muito, não parou um único minuto de tagarelar e, pior, trabalhava para uma agência e tentava nos vender, a todo custo, os passeios da agência… Nós dizíamos que já tínhamos tudo programado, que iríamos por conta, de carro e ele nos encheu de medo sobre as condições da estrada, mas não nos convenceu a mudar nossos planos.

No dia seguinte, pegamos o nosso carro em Puerto Madryn e seguimos para a famosa “pinguinera” de Punta Tombo. Foi tranquilíssimo! Dos 180km de distância, apenas os ultimos 20km eram estrada de terra e, convém salientar, em muito bom estado de conservação e boa sinalização.

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Quando eu vi a paisagem da região, uns arbustinhos sem graça e meio secos, pensei logo: “Duvido que algum bicho queira morar num lugar assim…” Na minha imaginação, só lugares com vegetação e água abudantes que podem servir de casa a qualquer ser vivo! E ver pinguins num lugar seco, debaixo de um sol ardido e quase 40ºC me pareceu ainda mais impossível.

Compramos as nossas entradas para o Parque e uma funcionária foi logo dando as regras da visita.  Entre as regras, ela mencionou que se um pinguim resolvesse atravessar o nosso caminho, ele teria toda prioridade e nós deveríamos esperá-lo.

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Eu já estava achando difícil encontrar algum pinguim naquele lugar quente e seco, imagina se passava pela minha cabeça que eu corria o risco de encontrar um pinguim atravessando o meu caminho! Quanto eu preciso aprender sobre a natureza… Punta Tombo é a casa para mais de meio milhão de pinguins!

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No início é uma grande supresa encontrar algum desses animais entocados em buracos no chão, cuidando dos filhotes. Mas conforme vamos andando, os pinguins começam a ficar cada vez mais numerosos e rumorosos!  E o mais interessante é que eles caminham livremente pra lá e pra cá e convivem felizes com os turistas, não estão nem aí para as pessoas que os observam.

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Mas o que eu gostei de ver é que os turistas respeitavam de verdade os pinguins! Apesar de os pinguins estaram tão perto e cruzarem o nosso caminho o tempo todo, ninguem chega perto, ninguem encosta, ninguem dá comida… Só sorrisos e fotografias!

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Falando em fotografia… Eis mais um lugar que não me dei conta da quantidade absurda de fotos que fiz! Cada pinguim que eu via na frente, eu queria uma foto! Eles caminham de um jeito tão desengonçado que é impossível de resistir!

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Ah, e mais estranho do que encontrar pinguins numa paisagem quente e árida, é encontrar pinguins dividindo território com animais parecidos com lhamas andinas e ovelhas!  A nossa viagem pela região só estava começando e eu já tinha certeza de que, mesmo sem baleias, a Península Valdez (e Punta Tombo que fica ali perto) seria incrível!

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Parque Nacional Tierra del Fuego

Parque Nacional Tierra del Fuego

Pra quem lê o meu blog com uma certa frequência já deve ter percebido que eu sou do tipo “urbana e fresca”, que não sou chegada a um contato muito próximo e prolongado com a natureza, mas me aventuro de vez em quando em Parques Nacionais.

Por conta dessa minha frescura toda, o Parque Tierra del Fuego estava me preocupando… Tudo o que eu lia a respeito falava que a melhor trilha era a “Senda Costiera”, uma linda caminhada de 8km e 3 horas pela costa marinha, atravessando bosques. Eu até gostei da parte da costa marinha e dos bosques, mas 8km e 3 horas no meio do mato!! E pra voltar? Mais 8km e mais 3 horas no mato?

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Bom, já que estávamos ali mesmo, fui com preparada e com disposição para encarar a trilha. Mas o meu santo é forte! Na entrada do Parque tem um centro de informações que distribui um mapinha do Parque com todas as trilhas assinaladas e uma pequena descrição sobre elas.

Graças a esse mapinha, descobri que tem uma região do Parque, chamado “Sector Lapataia”, com trilhas menores, de baixa dificuldade e cada uma com uma característica diversa. Melhor que isso, impossível!  Não tem como enjoar ou se cansar desse jeito!

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Para começarmos, escolhemos a trilha “Senda de La Baliza” , que possui pouco mais de 1km (só de ida, depois tem mais 1km pra voltar), fica no limite do que eles chamam de ” Reserva Natural Estricta” (um lugar com um grande valor “biológico” e, por isso mesmo, cheio de proibições entre elas o acesso ao público em geral) e ainda possui uma “castorera” ativa.

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Eu li em algum lugar que, no início do século passado, os europeus introduziram castores no Parque por causa do interesse econômico na sua pele. Acontece que os castores gostaram tanto da nova casa que viraram quase uma praga por ali, pois se tornaram selvagens num ambiente que não estava preparado para recebê-los.

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Eu não entendo nada de bosques, mas é muito evidente o impacto causado pelos castores na vegetação. Do nada, uma região cheia de árvores e tudo verdinho se transforma em um mar de tocos secos. É impressionante!

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Em seguida fizemos a trilha “Laguna Negra”, de uns 950m (tb só de ida) e muito facinha, onde poderíamos observar um “turbal” em formação. Um o quê? Pois é… fazer trilhas tb é cultura! O “turbal” são restos de vegetação, como musgos e gramíneas acumulados e comprimidos e que, por causa das características da região (umidade, temperatura, acidez do solo, etc…), a matéria orgânica leva muito mais tempo pra se decompor.

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Então, as plantas morrem, se acumulam e não se decompõem por muitos anos, (tinha uma placa no parque informando que tem turbal de até 14 mil anos) o que resulta num super banco de dados de matéria orgânica, a alegria dos pesquisadores.

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Para finalizar o nosso ecoturismo, fizemos uma trilha curtinha, de 600m,  chamada “Paseo de la Isla”, que passa pela costa dos Rios Lapataia e Ovando e é , segundo a descrição do mapa, uma ótima oportunidade para observar aves aquáticas. Eu não vi tanta ave assim, mas me diverti um monte observando várias familias de patos, com patinhos desengonçados.

No final das contas, fiquei muito mais que 3 horas no Parque e caminhei muito mais que 8km no meio do mato! Até que não sou tão fresca assim…

Ushuaia

Ushuaia

Ushuaia se apresenta como a cidade mais ao sul do mundo e se auto-intitula “o fim do mundo”, para atrair turistas. E não é que essa tática funciona? Quer dizer… pelo menos comigo funcionou… eu estava super curiosa para visitar o fim do mundo. (Ás vezes eu sou pior que criança! Mente simples…)

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É claro que eu não podia dizer ao namorado que eu gostaria de ir a Ushuaia só porque é a cidade mais ao sul do mundo. Eu precisava encontrar alguma boa razão que justificasse uma viagem até lá. Ainda bem que nem precisou muito: a navegação no Canal Beagle, o Parque Nacional da Terra do Fogo e comer centolla no reveillon foram motivos mais do que suficientes.

Ushuaia, apesar não ter absolutamente nada de especial, me pareceu muito simpática, logo de cara. Não sei se é porque os dias estavam sempre cinzentos, mas achei a cidade linda, toda colorida e cheia de flores estranhas espalhadas pelos jardins. Mas, o ponto alto do fim do mundo, é claro, não é a cidade, mas a navegação no Canal Beagle e nós estávamos bem preparados para ela. Uns dias antes telefonamos para Agência Três Marias para reservar nossos lugares e estava tudo confirmadíssimo…

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Escolhemos essa agência porque era muito recomendada pela Lonely Planet, porque eles possuem exclusividade de passeio numa ilha e porque os barcos não levam mais do que 10 passageiros. Pois bem, chegamos na agência no horário combinado para retirar nossos bilhetes e pagar o passeio e eis que, com a cara mais deslavada do mundo, a fulaninha do balcão diz que vendeu os nossos lugares e que não podia fazer nada, o barco já estava lotado…

Eu queria esgoelar aquela ali! Não seria muito mais profissional se ela simplesmente me dissesse ao telefone: “Sinto muito, mas não fazemos reservas; quem chega primeiro leva!”?  Paciência… Fomos procurar outra agência que fizesse a tal navegação e, para a nossa surpresa, todas as outras agências localizadas ao lado dessa  possuiam funcionários simpáticos e que se esforçavam para garantir o cliente.

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Acabamos escolhendo uma agência meio ao acaso mesmo (nem lembro o nome, acredita?), simplesmente porque o atendente foi muito simpático e atencioso e nos explicou com detalhes como seria o passeio e também porque nos barcos cabiam apenas 16 passageiros. No dia seguinte, fizemos um delicioso passeio acompanhados de um guia super preparado. Foi ótimo!

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O passeio começou com uma breve caminhada em uma ilha do canal Beagle, onde além de ter uma linda vista panorâmica, aprendemos um pouco sobre a estranha vegetação local e como as plantas sobrevivem com aquele clima! Pra ser sincera, eu queria era entender como as pessoas sobrevivem com aquele clima! Em pleno auge verão fazia uns 8ºC e um vento forte e gelado que cortava a alma!

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Em seguida o barco seguiu para a ilha dos cormorões, (que nenhum biólogo leia isso, mas cormorão é um bicho parecido com um pinguim, mas que sabe voar), onde ficou um tempo parado para contemplação, fotografias e explicações. Eu não tenho idéia de quanto tempo o barco ficou ali parado, pois perdi completamente a noção do tempo observando aquela ilha. Era incrível! Cormorão que não acabava mais. E todos juntos e quase amontoados!

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Em seguida, fomos visitar a ilha dos leões marinhos (Nota: o tico e o teco demoraram um pouco até descobrirem que o “lobo” marinho em espanhol é o leão marinho em português e não um outro bicho! Mas também, se tem leão marinho e elefante marinho, por que não poderia existir um lobo marinho?).

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Outra ilha impressionante! Um pequeno pedaço de  rocha no meio do mar com dezenas de “leoas marinhas” enormes de grávidas e uns poucos leões marinhos que nem se dignaram a levantar a cabeça para olhar o nosso barco que se aproximava. Mais uma vez, perdi a noção do tempo observando aquele cenário, pra mim, tão insólito.

Em seguida passamos pelo farol Les Eclaireurs, curioso, mas nada demais. Gostei das explicações do guia sobre a “comunicação” marítima, e fiquei sabendo, por exemplo, que as cores com as quais os faróis são pintadados não são meramente decorativas, mas indicam de que lado do farol o navio deve passar…

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Ah, para desencargo de consciência, no final do tour perguntei ao guia o que tinha de tão especial naquela tal ilha exclusiva da outra agência. E  guia me explicou que a particularidade é que a ilha possui uma colônia de cormorões e que as pessoas podem passear no meio deles. Sinceramente, achei que não perdi grandes coisas!

Los Notros

Los Notros

O hotel Los Notros é lindo, acho que um dos mais bonitos onde já tive oportunidade de me hospedar! Mas fica no meio do nada a 80km da civilização mais próxima, o que significa que as suas opções são: ou vc fica preso no hotel, ou depende dos horários dos transportes do hotel, ou morre com 350 pesos de taxi para chegar na cidade (foi o que um taxista queria cobrar da gente…).

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Tá certo que quem vai pra El Calafate quer ver o glaciar e não a cidade, mas ficar isolado do mundo, ainda que com todo o conforto, não é pra mim. Na noite que ficamos hospedados ali, uma senhora espanhola estava cuspindo vespas de tão brava, porque ela estava no hotel há 3 dias, e não aguentava mais ver gelo! Ela queria simplesmente fazer compras na cidade e, segundo ela, não tinha como ir!

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Ainda bem que não tinha vaga quando eu estava fazendo as reservas! Acho que uma noite no Los Notros foi mais do que suficiente para curtir a paisagem e as mordomias do hotel.

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Falando em mordomias… O hotel vale o que custa! Nos quartos não tem televisão, mas quem se importa com isso quando se tem um janelão enorme na frente da cama com uma super vista do Perito Moreno?

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E para qualquer lugar do hotel para onde vc vá, a vista te acompanha! Os janelões estão por toda parte e sempre com poltronas cômodas estrategicamente posicionadas de frente para eles e um funcionário à disposição para trazer uns biscoitinhos com chá, para acompanhar o espetáculo.

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Aliás, os funcionários são impecáveis. É difícil encontrar um lugar onde sejam todos gentis, sempre disponíveis e ao mesmo tempo quase invisíveis de tão discretos. Dava a impressão de que tudo por ali era “autolimpante” e que a comida brotava na mesa do nada. Elegantérrimo!

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Mas mesmo com todas as mordomias e confortos, esse é um hotel para uma noite e nada mais! Acredito que, se ficasse ali mais dias, eu também enjoaria de ver gelo, além, é claro, de achar que seria muito desperdício de dinheiro.

Glaciar Perito Moreno

Glaciar Perito Moreno

Nós gostaríamos de ter feito o passeio de barco completo pelos 3 glaciares do Parque mas, por causa de um desmoronamento grande de gelo, a entrada do Glaciar Upsala estava bloqueada.

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Então, por causa desse desmoronamento e principalmente porque os barcos mostrados nas fotos do passeio estavam sempre apinhados de gente se acotovelando tentando um lugarzinho melhor para tirar foto, decidimos por um passeio menor, também de barco, mas com umas 20 pessoas, para ver a parte norte do Perito Moreno.

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O passeio é do tipo “UAU!!”.  O gelo é de um azul tão intenso que chega a ser inacreditável! Quer dizer, “um” azul, não! São vários azuis! Do mais claro ao mais escuro, com partes fosforescentes até. E na minha ignorância eu achava que gelo fosse branco…

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Mais uma vez, o vento e a chuva fina nem se fizeram notar! Na realidade, estava tão ocupada em contemplar o glaciar que eu só fui me lembrar que estava ventando e chovendo quando revi as fotos: várias delas saíram com aqueles pontinhos típicos de máquina fotográfica molhada… e o meu cabelo…. Bom, deixa pra lá!

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Depois desse primeiro momento “estupefação”, quando finalmente consegui fechar a boca e recuperar o fôlego, veio o momento “turista japonês”: eu queria tirar foto de tudo! Não podia deixar escapar das minhas lentes nem um centímetro daquele muro gelado de 60m de altura.

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Resultado: eu tenho mais de 150 fotos do Glaciar, com poucas variações entre elas…  nem minha mãe deu conta de ver todas!

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El Calafate

El Calafate

Eu estava louca de curiosidade para visitar o Glaciar Perito Moreno e também juntando todas as economias para uma super hospedagem no famoso hotel Los Notros. O problema é que quando começamos a organizar essa nossa viagem de final de ano, em pleno mês de julho, o hotel já estava praticamente lotado e só oferecia pacotes de no minimo 3 noites, por um preço absurdo, para os dias que queríamos.

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Tivemos que reformular todo o roteiro para escapar desse pacote, mas conseguimos reservar apenas uma noite. Fiquei triste, pois a idéia era ficar pelo menos mais um dia… Ter que abrir mão do Los Notros por 1 dia deu aquela sensação de “a viagem vai ser uma porcaria, pq não conseguimos reservar o que queríamos”… Fazer o que… O jeito era reservar algum outro hotel na cidade…

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Por causa da alta temporada, foi bem complicado encontrar um lugar pra dormir…  Tava tudo lotado e as nossas segunda e terceira opção de hotel também não tinham mais vagas.  Acabamos indo para o Hotel Esplendor, um hotel boutique a uns 400m do centrinho de El Calafate, ao contrário do Los Notros que fica há uns 80km da cidade.

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Ao contrário de todas as nossas expectativas, foi a melhor coisa que poderia nos acontecer! O hotel Esplendor é uma graça e foi ótimo ter ficado na cidade! O Los Notros é lindo, mas a distância limitaria muito a nossa liberdade de ir e vir, de escolher onde , o que e a que horas gostaríamos de jantar, e nem poderíamos passear pelas várias agências de turismo da cidade para escolhermos os nossos passeios.

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Quer dizer… essa última parte (poder escolher os passeios) foi meio inútil… Pelo o que eu pude entender a agência Hielo & Aventura detém o monopólio dos passeios na parte sul do Perito Moreno e a Fernandez Campbell detém o monopólio da navegação para os glaciares, na parte norte, então todas as agências oferecem as mesmas coisas pelo mesmo preço, o que varia são os horários e as formas de pagamento.

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Nós resolvemos fazer somente o minitrekking e um passeio de barco  na parte norte do Perito Moreno. O resto do tempo passaríamos curtindo a paisagem e a mordomia no Los Notros.

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Adoramos o minitrekking, pois é um passeio super completo: um bom tempo para percorrer as passarelas do Parque sem pressa e sem enjoar, depois um mini passeio de barco, passando bem pertinho do Perito Moreno, a fim de chegar à margem oposta do Lago Argentino, onde começaríamos o minitrekking.

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Antes de começar a caminhada, tivemos que colocar “crampons” (como se diz isso em português?) nos pés e treinar um pouco as técnicas de como realizar subidas, descidas e deslocamentos laterais no gelo. No começo, a gente estranha um pouco, mas depois de uns minutos já tava todo mundo íntimo do equipamento e se virando bem sobre o gelo.

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Antes da caminhada também tivemos algumas explicações muito elucidativas sobre a formação e desenvolvimento do glaciar, que esclareceram que gelo desmoronando nem sempre significa catástrofe, nem aquecimento global, pois o gelo do Glaciar Perito Moreno desmorona e se forma na mesma proporção e faz muito tempo que é estável.

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A caminhada é estupenda! Daquelas que vc não sente o tempo passar, não se incomoda com o frio e nem percebe que está ventando! E não é pra menos: para onde quer que vc olhe, vc vê dunas de gelo, quase um Sahara congelado. É demais! E, como se não bastasse, a sensação de ouvir o gelo que quebra enquanto se caminha sobre ele é, no mínimo, inquietante! O barulho é ensurdecedor!

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E pra fechar o passeio com chave de ouro, no meio do nada congelado, eis que surge um oásis com alfajores e whisky servido com gelo dali mesmo. E como nem tudo é perfeito, na hora de ir embora, dei meu showzinho: pisei onde não devia e enfiei metade da perna num buraco com água gelada! Que vexame! 😳

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