Depois do susto de Puerto Piramides, seguimos para a Estancia Rincon Chico e parecia que estávamos entrando em uma outra dimensão! A paz, a tranquilidade e a beleza que eu queria tanto encontrar estavam ali, elevadas à décima potência!

Chegamos na estância e fomos recepcionados por um filhote de um bicho parecido com um avestruz, muito engraçado e, pra variar, desengonçado. Aliás, eu tô começando a achar que todos os bichos que vimos na Patagônia têm um “quê” de desengonçado… Deve ser característica da região…
O proprietário nos recebeu sorridente, nos apresentou ao filhote de “ñandu”, deu uma explicação geral sobre a estância e uma funcionária nos levou ao nosso “quarto” a exatos 8km de distância da casa principal.

A viagem demorou uns 20 minutos e, aquela paisagem desértica e monótona se revelou com mais vida do que eu imaginava. De vez em quando a funcionária parava o carro para nos mostrar algumas as espécies da região e como eu ficava surpresa em ver bichos como as “maras” (um animal parecido com um porquinho da india super desenvolvido), surgindo do nada.
Esses bichos se misturam tão bem com a paisagem que, se não fosse a funcionária nos mostrar, acho que não me daria conta nunca da existência deles!

Quando chegamos no nosso “quarto”, não acreditei nos meus olhos: uma casa inteirinha só pra nós dois, no alto de um “penhasco”, de frente pro mar e com vista para uma praia lotada de elefantes marinhos! Eu até tentei manter a pose, mas não deu 2 minutos e eu já estava saltitando como uma criança, de um lado pro outro na varanda, morrendo de rir dos “espirros” nada discretos dos elefantes marinhos.

Enquanto isso a funcionária tentava nos explicar que, para nossa segurança e para a segurança dos animais, não era permitido ir até a praia visitar os elefantes marinhos por conta. Mas que ela passaria mais no final da tarde, quando o sol desse uma trégua, para nos levar para um passeio seguro na praia.

Só sosseguei quando a cozinheira (isso mesmo, nós tínhamos uma cozinheira pra nós!) veio nos chamar para um “aperitivinho” antes do almoço e para combinarmos que horas gostaríamos que a janta estivesse pronta. Chique isso, né?

Na hora combinada, a funcionária do hotel voltou para nos levar para o tal passeio na praia e já foi dando algumas explicações básicas sobre os hábitos dos animais. Segundo ela, uma vez por ano, os elefantes marinhos vem até a praia pra trocar de pele, por isso víamos uns bichos que pareciam “leprosos”, mas aquilo era normal. Os marrons ainda estavam com a pele velha e os cinzas já estavam com a pele nova.

Como demora um mês mais ou menos para os elefantes marinho trocarem de pele e como eles passam esse mês todo sem comer, eles ficam ali, todos paradões, só dormindo na praia, pra gastar pouca energia. Então tínhamos que ser os mais discretos possível para não assustar os pobrezinhos e não fazê-los gastar energia à toa, fugindo da gente.

Sentamos na areia, perto de um grupo de elefantes-marinhos e ficamos ali quase 2 horas, observando aquela leseira toda acompanhada de muitos espirros escandalosos. De vez em quando, algum deles resolvia tomar um banho de mar para se refrescar e aí era o máximo! Ver aquele bicho gordo, feio, perdendo pele e se arrastando como um verme era lindo demais!

Esse hotel fechou com chave de ouro a nossa viagem até a Patagônia! Foi uma experiência e tanto! O único, digamos, “detalhe” é que, além de custar uma pequena fortuna, para garantir a reserva tivemos que depositar 30% do valor da diária numa conta do Uruguai, trâmite uma agência em New York e o restante deveria ser pagos em dólar no check out…

Ah, no check out, após pagarmos o restante da conta, como exigido, pedimos um recibo para nossa contabilidade. Acredita que se quiséssemos o recibo teríamos que pagar 20% a mais de imposto?