Azerbaijao na pratica

Vou tentar compilar as respostas que encontrei para as minhas principais duvidas praticas antes de embarcar pro Azerbaijao

Quando ir:

Teoricamente nao existe uma estaçao ruim pro Azerbaijao, se o objetivo for visitar apenas Baku e arredores. A unica coisa que se tem que ter presente è que no verao faz muito calor e no inverno faz muito frio, o que pode atrapalhar um pouco o prazer de passear, mas nao chega a ser um problema.

Nòs fomos no inicio de junho e pegamos temperaturas muito agradàveis no geral, com um ventinho mais fresco durante a noite e o sol das 14h que ardia sem dò.

Tem que se levar em consideraçao tambem que, nao obstante o Azerbaijao seja um pais laico, a maioria dos habitantes è de origem muçulmana, entao convem dar uma olhadinha na epoca do Ramada e se organizar de consequencia.

Quanto tempo:

Nòs ficamos 4 dias e conseguimos visitar tudo o que gostariamos num ritmo bem tranquilo, pra poder respeitar os horarios de fome e sono da herdeira. Acho que a unica coisa que faltou foi  um pouco de tempo (ou seria vontade? )para passear pela parte moderna de Baku.

Mas acredito que se voce nao precisar ir pra cama as 20:00 da noite, nao se demorar muito no almoço e nem tiver necessidade de parar o passeio para lanchinhos e troca de fraldas, acredito que 4 dias sao mais do que suficientes para ver tudo o que Baku e arredores tem pra oferecer.

Quanto custa:

Essa è a parte mais dificil de responder, pois vai depender muito do estilo de viagem de cada um. Em linhas gerais, o manat azeri vale mais ou menos a mesma coisa que o euro e achei os preços das coisas por là muito parecidos com os preços que encontro em Milao.

E Baku è sempre uma cidade grande, existem opçoes para todos os tipos bolsos.

Como se locomover:

Apesar de ter lido sobre o bellissimo metro de Baku, achei que nao valia a pena quebrar a cabeça com transporte publico, arrastando todas as tralhas que um bebe de um ano e meio exige. Com uns 10 manats eu confortavelmente atravessava a cidade de taxi.

Para visitar os arredores, um taxi, ou um meio de transporte proprio, ou um tour com alguma agencia, sao imprescindiveis. Baku è uma cidade bonita, limpa, moderna, mas è sò chegar na periferia que a situaçao muda completamente. Usar transporte publico para visitar os arredores de Baku è pra quem tem tempo e espirito de aventura; nao era o meu caso.

A hospedagem:

Nòs montamos a nossa base em Baku, encostada na cidade murada e de frente pro boulevard, quer dizer, bem perto do que nos interessava ver na cidade.

Normalmente è essa a minha tecnica para escolher a localizaçao do hotel em qualquer viagem: decido o que quero fazer na cidade e procuro um hotel nas redondezas, ou pelo menos um hotel que tenha transporte facil atè o lugar do meu interesse principal. Tem funcionado! 😉

O que vestir:

A minha preocupaçao maior è que, por ser um pais de maioria muçulmana, eu precisasse de algum tipo de roupa especial para nao fazer feio em lugares publicos. Mas foi uma preocupaçao boba, vi algumas mulheres com lenços na cabeça, mas pra cada mulher de lenço tinha umas 10 de minissaia.

Aqui vale o bom senso,  as roupas que usei em Baku foram exatamente as mesmas que eu uso em Curitiba, em Sao Paulo ou em Milao.

 

 

O Boulevard de Baku

Quando eu organizei os 4 dias de viagem no Azerbaijao, eu achava que conseguiria ver muitas outras coisas, apesar do ritmo tranquilo da viagem.

Mas eu nao esperava encontrar, bem na frente do nosso hotel, o “Boulevard”.  O Boulevard foi a ruina da nossa viagem!

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Por culpa dele, em vez de visitarmos o Museu do Tapete, inaugurado hà pouco tempo, ficavamos ali, feito uns bobos, curtindo uma brisa e vendo a herdeira correr livre, leve e solta pra là e cà…

Em vez de passearmos pelas ruas da parte nova de Baku, e gastarmos nosso dinheiro em lojas de grifes internacionais, passeavamos entre as fontes e gastavamos nosso dinheiro num carrossel…

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Sequer chegamos perto das Flame Towers, porque nao tinha lugar melhor em Baku do que o Boulervard para ver suas luzes e imagens durante a noite?

Acho que nunca estive num lugar tao agradavel e tranquilo para se passear com criança.

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Quem, em sa consciencia vai visitar museus com um calçadao na beira do mar Caspio, que tem a pretensao de ser o maior do mundo atè 2015, com 26 km de extensao?

Como pensar em compras quando se tem à disposiçao um espaço enorme para pedestres, arborizado, florido, seguro e à beira-mar?

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Acho que se um dia eu voltar a Baku, vai ser por causa do Boulevard!

 

A cidade murada de Baku

A chamada cidade murada de Baku è’ a parte historica de Baku, que muitos acreditam que tenha sido construida no seculo XII e alguns sustentam que existam construçoes do seculo VII.

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O fato è que, devido aos recentes trabalhos de restauraçao e tambem à limpeza impecavel, fica complicado distinguir o que era realmente do seculo XII  do que foi reconstruido recentemente, pois nao tinha absolutamente nada fora do lugar. Chega a ser irritante de tao limpo e organizado!

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E dando sequencia ao estilo “nao quero me estressar” dessa viagem, nòs resolvemos contratar o guia para nos acompanhar tambem na cidade interna. Se precisa de um guia? Precisar nao precisa, mas achei que foi a melhor coisa que poderiamos ter feito.

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Sim, a cidade murada de Baku è o ponto mais turistico do Azerbaijao, mas o Azerbaijao em si nao è exatamente um destino muito turistico, entao as explicaçoes em ingles eram  muito limitadas; ter um guia nos permitiu ter uma boa imagem de como era a vida praqueles lados na època do comercio da Rota da Seda.

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Mas o guia foi util nao sò pela aula de historia e explicaçoes sobre um lugar pra mim desconhecido, mas porque nòs usamos um carro eletrico para nos locomovermos dentro do centro historico. Quem tem filhos sabe que carrinhos de bebe nao combinam com chao irregular, por mais bem conservado que esteja. Nos poucos trechos que fizemos a pè era um tal de levanta carrinho daqui, enrosca roda dali… nada de grave, mas era uma chateaçao.

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Na parte historica de Baku, a diversao è o passeio em si pelas ruazinhas em labirinto, que garantiram à cidade murada o titulo de patrimonio da humanidade pela Unesco. E as atraçoes da parte historica de Baku sao o Palacio de Shirvanshah e a Torre das Virgens.

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O Palacio de Shirvanshah è um complexo medieval do seculo XII, construido, como o nome sugere, pelo Shirvanshah, um tipo de “rei” islamico de origem persa (Shirvan – uma regiao do Caucaso onde hoje temos o Azerbaijao; e Shah  – ou xà em portugues – titulo dado aos monarcas da Persia).

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Esse complexo foi uma das visitas mais demoradas que fizemos no Azerbaijao, durou quase 2 horas. E’ que alem de ter muita coisa pra ver, as explicaçoes do guia foram mais longas, pois o coitado tinha que parar o que estava dizendo para nos explicar coisas banais sobre a historia do Caucaso e contextualizar o que ele estava falando antes.

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Mas ao contrario de Ateshgah, no Palacio de Shirvanshah nao vi o tempo passar, pois nao era “mais do mesmo”, estavamos sempre vendo coisas diferentes: uma mesquita, uma tumba, um mausoleo… Foi atè bem tranquilo com a herdeira, porque quando ela se cansava de uma sala e começava a resmungar, a gente jà estava em outra, e quando ela se cansava de salas, estavamos jà do lado de fora, nos patios do complexo.

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A Torre das Virgens, por sua vez, è um daqueles misterios que ninguem sabe quando exatamente foi construida, por que foi construida e nem pra que foi construida; um prato cheio para lendas e hipoteses. Uns dizem que era um templo do Zoroastrismo, outros acreditam que era uma fortificaçao usada para defesa e tambem tem aqueles que defendem que a torre era um observatorio.

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O nome “Torre das Virgens” tambem està cercado de misterios, lendas e hipoteses; a historia mais divulgada è que uma virgem se jogou do alto dessa torre e morreu no mar, com variaçoes sobre o tema, por exemplo, que a tal virgem era a irma do rei

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Hoje a torre è um museu muito bem estruturado, com muita escada pra subir, que conta a evoluçao da historia de Baku e ilustra as lendas e hipoteses da Torre. Como tudo no Azerbaijao, nao encontrei muitas explicaçoes em ingles, mas ter um guia nao è imprescindivel, principalmente porque, pra mim, o melhor da visita è chegar ao topo da torre e tirar muuuuuitas fotos de Baku.

A vista là de cima è fantastisca, o vento è que nao ajuda muito.

Ateshgah – templo de fogo

Jà mencionei em outros lugares que o Azerbaijao possui um subsolo muito rico em gas e isso acaba moldando nao sò a paisagem azera, com os vulcoes de lama e  a chama eterna de Yanar Dag, mas tambem a cultura, pois uma “chama eterna natural”  acaba dando lugar para superstiçoes e atè serviu como fundamento para o Zoroastrismo, que usa a metafora do fogo para a sabedoria e a luz divina.

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O templo de Ateshgah è uma estrutura religiosa, construida por volta dos seculos XVII-XVIII e foi abandonado no final do seculo XIX quando começou a exploraçao de oleo na regiao.

O templo è formado por um patio enorme, com um altar no meio, cercado de pequenas salinhas para os monges e para os fieis. E em seus aureos tempos, o altar possuia, alem da chama central, mais quatro queimando ininterruptamente no teto, mas com a exploraçao do oleo, o gas que existia ali e alimentava o fogo  acabou.

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Hoje o fogo central è alimentado artificialmente e os outros sao acesos sò em eventos especiais e Ateshgah passou por uma boa restauraçao e foi transformado em museu.

Chegar nesse templo me pareceu bem complicadinho, entramos em varias ruazinhas, foi um tal de vira pra cà, entra ali… Nao sei quanto tempo demorariamos para achar o lugar sem ter um motorista que conheça a estrada, jà o nosso guia nao foi de muita utilidade, pois chegando là, ele ficou do lado de fora do templo e nòs entramos com uma guia do proprio local.

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A visita demorou mais ou menos uma hora e entramos em todas as salinhas que estavam abertas ao redor do altar. Cada salinha possuia uma “decoraçao” diferente, com estatuas de pessoas ou animais, com roupas e comportamentos que ilustravam o uso e a utilidade do espaço.

Foi curioso aprender sobre o Zoroastrismo (e um pouco sobre hinduismo tambem, jà que o templo tambem foi usado por hindus, segundo especulaçoes)  mas, sinceramente, achei as explicaçoes meio longas demais.

Nao sei se eu estava um pouco ansiosa por ter deixado a herdeira dormindo no carro com o motorista, sò sei que chegou um ponto em que eu nao aguentava mais entrar em salinha, mas mesmo assim foi bom ter uma guia.

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Fazendo um paralelo tosco com o catolicismo, sabe aquelas capelinhas que existem no Santuario do Bom Jesus em Congonhas-MG, que representam a Via Crucis, ou o Sacro Monte de Varese, com cenas da vida de Cristo? Entao… pra quem nao conhece a historia na Biblia, aquelas imagens nao fariam o menor sentido  .

Apesar de prolixa, sem a guia em Ateshgah, eu teria entrado naquelas salinhas, teria visto aquelas estatuas todas e teria saido  do mesmo jeito que entrei: na ignorancia.

 

Yanar Dag

A primeira vez que eu ouvi falar de um fogo eterno no meio do nada foi num post sobre o Turcomenistao no imprescindivel blog Gabriel Quer Viajar . Nao deu certo de irmos ao Turcomenistao (negaram o visto pro meu marido), mas aquele post nunca saiu da minha cabeça.

Quando eu estava lendo sobre o Azerbaijao, me deparo com um fenomeno muito parecido a 25km de Baku: meio do nada, subsolo rico de gas natural e fogo queimando. Como nao visitar nao è mesmo?

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A diferença da porta do inferno turcomena,ninguem sabe nem como, nem quando e nem por que Yanar Dag começou a queimar. Diz a lenda que foi um pastor de ovelhas que viu pela primeira vez, nos anos 1950, as chamas de Yanar Dag, mas registros historicos mencionam que Marco Polo, em sua viagem a Baku no seculo XIII, jà havia observado essas chamas.

Yanar Dag è uma colina com uns 10 metros de extensao e è um lugar muito interessante, mas sò quando a gente olha alem do fogo num barranco e ve a força da natureza em forma de gas que queima desde sempre, que nao tem previsao de acabar e nunca se apaga, faça chuva ou faça sol. E deve ser impressionante ver o lugar de noite e com a neve.

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Hoje, Yanar Dag è um lugar protegido, com estudos arqueologicos em andamento e nao tem vi nenhum tipo de infraestrutura para turistas. Nòs fomos a Yanar Dag com um guia e motorista, saimos de Baku logo depois do almoço, e em meia hora estavamos ali. A nossa visita nao durou mais que uns 15 minutos e jà seguimos viagem para o templo de fogo de Ateshgah pra ficar sempre no tema.

 

 

Gobustan

Gobustan, ou Qobustan, è um sitio arqueologico declarado patrimonio da humanidade pela Unesco por causa das pinturas rupestres que testemunham como era a vida de 5000 a a 20.000 anos atras na regiao do Caucaso.

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Depois de jà ter visitado outros lugares decorados pelos nossos ancestrais (como Lascaux na França, ou a Serra da Capivara no Brasil, ou Kondoa na Tanzania, ou atè mesmo Val Camonica, aqui do ladinho de Milao) eu tinha certeza de que Gobustan nao me decepcionaria.

O Parque Nacional de Gobustan fica a uns 60km de Baku e, pelo o que eu li nas minhas pesquisas antes da viagem, nao existe transporte publico atè là, o jeito è ir de taxi ou com um tour organizado. Nòs contratamos um guia com motorista para nos levar atè là.

O nosso passeio começou com uma paradinha estrategica pra ver os vulcoes de lama e depois seguimos para um pequeno e excelente museu nao muito longe da arte rupestre.

Esse museu è realmente interessante, todo tecnologico, daqueles em que o visitante participa ativamente para aprender tudo sobre historia, arqueologia e geologia da regiao. A herdeira se divertiu um monte, jà que ela podia por as maozinhas por tudo.

As minhas fotos dentro do museu ficaram uma porcaria, entao prefiro deixar esse video do YouTube que mostra bem o museu por dentro.

E enquanto o centro de visitantes de Gobustan nao fica pronto, o museu è a ultima oportunidade que se tem para ir ao banheiro e, quem quiser comer, tem que carregar a propria comida. Nao me lembro de ter visto nem agua pra vender por là.

Visita ao museu feita, finalmente vamos ao que interessa: a arte rupestre!

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A maior parte dos desenhos nas rochas representa cenas de dança, de luta, de animais, de pessoas e atè de barcos e estrelas. E è bem facil o acesso a eles com passarelas e trilhas, è sò seguir o caminho, olhar para as pedras e ver vàrios desenhos.

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Mas eu sò dispensaria o guia se eu tivesse um olho atento e muito tempo disponivel, pois os desenhos nao sao muito “obvios” , tem que procurar, olhar bem, e o risco de deixar passar alguma coisa legal è enorme.Encontramos varios turistas “avulsos” por là e todos eles tiraram uma casquinha das explicaçoes do nosso guia.

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O problema maior que tive em Gobustan è que nao è um lugar muito adequado a um bebe de 1 ano e meio que nao para quieta e que quer andar e subir por tudo. O jeito foi revezar a visita: enquanto a mae passeia, o pai cuida da cria e vice-versa.

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Assim, todo mundo se divertiu! 😉

Fechamos a visita a Gobustan com um delicioso almoço num restaurante pè na areia às margens do mar Caspio.  Quer dizer nao era exatamente areia mas, para o deleite da herdeira, eram conchinhas! Pensem em uma criança feliz que nao queria nem almoçar e nem ir embora.

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E para o meu deleite, o nosso guia me fez experimentar o refrigerante tipico deles, feito com uma frutinha tipica do Azerbaijao, que vem inteira dentro da garrafa. Me acabei com aquelas frutinhas!

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Pensem numa marmanja feliz que nao queria nem almoçar e nem ir embora! 😉

Vulcoes de lama

O subsolo do Azerbaijao è muito rico em gas, tanto que as principais atraçoes turisticas dos arredores de Baku tem alguma coisa a ver com gas: Ateshgah, ou o templo de fogo com a chama eterna por causa do gas natural do subsolo; Yanar Dag, ou a montanha de fogo, que tambem queima por causa do gas…

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E se alem do gàs tiver tambem agua no subsolo, o resultado sao os vulcoes de lama!

Nòs visitamos os vulcoes de lama que ficam proximos a Gobustan, pra chegar ali sò mesmo de carro e com alguem que conheça o caminho. Ficam no meio do nada, com direito a uns 10 minutos de “estrada” de terra. Coloquei estrada entre aspas porque nao existe exatamente uma estrada, era um deserto sem nenhum tipo de trilha marcada.

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Quando chegamos, vimos varios vulcoezinhos em erupçao. Nao sei por que, mas eu estava esperando menos vulcoes, mas maiores. No lugar onde fomos tinha uns 20 vulcoezinhos, com crateras de 10cm a 20cm que borbulhavam mais ou menos intensamente.

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Talvez pela ideia prè concebida que eu tenho de vulcao que cospe fogo e por ver aquela lama borbulhando, eu poderia jurar que a temperatura do vulcao fosse muito alta. Que nada! Era fria, fria! Mais fria atè que o chao de terra jà quente por causa do sol.

Nòs passamos uns 20 minutos passeando entre os vulcoes, tirando foto e afundando o pè na lama, sozinhos, sem nenhuma outra alma por là.

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Se vale a pena visitar os vulcoes de lama? E’ um fenomeno natural incrivel, muito diferente do que estou acostumada a ver e que adorei ter visitado, mas reconheço que a dificuldade de se chegar aos vulcoes e o tempo que voce permanece visitando o lugar nao sejam exatamente uma otima relaçao custo-beneficio.

Gostei do esquema que o nosso guia propos de visitar os vulcoes como uma paradinha estrategica antes de visitarmos Gobustan, que è patrimonio da humanidade e nosso objetivo principal do dia.

Centro Cultural Heydar Aliyev

O novo cartao postal de Baku è um centro cultural que leva o nome do ex-presidente do Azerbaijao, Heydar Aliev (na realidade, quase tudo no Azerbaijao leva o nome do ex-presidente) e eu estava doida pra conhece-lo por causa de sua arquitetura futurista  projetada por Zaha Hadid. E a vontade sò aumentou quando vi a aquela estrutura fluida e branca, da janela do taxi, quando estavamos chegando em Baku.

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Antes da viagem, eu jà tinha feito o meu dever de casa e pesquisado no site do centro cultural quais seriam as exposiçoes e eventos na època da nossa visita e, pra dizer a verdade, nao encontrei nada que me interessasse. E’ um daqueles lugares em que o predio è a atraçao, o que tem dentro acaba ficando em segundo plano.

Meno male, porque a nossa visita foi um fracasso! Eu tinha programado para ir ao CC Heydar Aliyev numa tarde, na hora do soninho da herdeira. Pensei com os meus botoes: lugar grande, moderno, com ar condicionado… ela dorme tranquila no carrinho e eu passeio por tudo ainda mais tranquila.

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Pegamos um taxi depois do almoço e là fomos nòs, sob um sol escaldante, e rodeados daquele monte de cimento branco  que refletia a luz solar e deixava tudo ainda mais quente. A arquitetura pode atè ser bonita, impactante, impressionante, coloque o adjetivo que voce preferir, mas por fora do centro cultural nao tem uma misera sombra pra se esconder, nem uma arvorezinha sequer.

E esse detalhe foi particularmente importante pois quando chegamos là, descobrimos que carrinhos de bebe nao podiam entrar no centro cultural. E nao è que o lugar onde se compram os bilhetes seja bonito e acolhedor: na-nani-nanao! Voce compra os bilhetes numa salinha minuscula, onde mal cabem as pessoas que vendem os ingressos, e a entrada propriamente dita fica em outra porta, com acesso pelo lado de fora.

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Nessa outra porta, tem um detector de metais logo de cara e è bem ali que o carrinho de bebe tem que ficar, ele nao chega sequer a passar pelo detector. Nao existe um lobby, um hall, ou qualquer coisa do tipo: ou è dentro, ou è fora sob o sol.

Bom, como nao dava pra usar o carrinho de bebe dentro do centro cultural e nao tinha nenhuma exposiçao que gostariamos muuuuito de ver, nos demos por satisfeitos com a arquitetura externa e resolvemos voltar pro hotel pra garantir o sono da herdeira.

Ah, eu nao vi nenhum ponto de taxi por ali. Nòs demos sorte de encontrar um taxi oficial que estava passando pela rua, senao a alternativa seria pechinchar a corrida com o cunhado de algum funcionario do centro cultural.

 

 

 

Baku – o transporte

Sabe quando voce vai viajar e fica meio com um pè atras? Por mais que eu tivesse lido a respeito do pais, eu ainda nao sabia o que esperar do Azerbaijao e desci do aviao toda cheia de desconfianças.

Pra piorar, o primeiro impacto nao foi dos melhores: o nosso voo nao desceu no terminal bonitao e novinho do aeroporto, mas num terminal pequeno, com cara de velho com um monte de “taxistas” nos abordando no desembarque e querendo carregar nossas malas pro carro. E eu tenho verdadeiro pavor disso!

Com uma criança pequena a tiracolo e todas as suas bagagens, nòs haviamos jà decidido que pegariamos um taxi, principalmente depois de ler no Blog Projeto 101 Paises que o onibus 116 que leva ao centro è precàrio e que as bagagens devem ser carregadas no colo.

Pra tentar escapar do assedio, fui ao balcao de informaçoes do aeroporto pra confirmar quais eram as opçoes de transporte atè o centro de Baku, quanto me custaria um taxi, essas coisas… A mocinha que trabalhava ali ouviu a palavra “transporte” e jà fez sinal para um seu amigo “taxista”, que mais do que depressa foi pegando nossas malas para colocar no seu carro. Foi uma luta para conseguirmos nos desvencilhar dele.

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Resolvemos sair do aeroporto pra ver se tinha alguma outra opçao de transporte, um pouco mais, digamos, oficial. Vai nessa… Os “taxistas” estavam em toda a parte! A unica coisa que mudou foi o preço.

Dentro do aeroporto, os “taxistas” cobravam cerca de 60 manats e do lado de fora cobravam uns 40 manats. O preço variava conforme o tipo do carro e a capacidade de falar ingles do motorista: se o carro era novo e grande e o motorista se virava bem no ingles, obviamente custava mais caro.

Jà estavamos cansados dessa disputa pelas nossas malas atè que apareceu um taxista com um ingles que dava pra entender, cobrou 30 manats e tinha um carro bom, entao là fomos nòs.

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A minha paranoia de brasileira deu as caras: “esse cara nao fala a minha lingua, nao è um taxista legal (era evidente!), vai saber pra onde ele està nos levando, eu nao podia meter minha filha numa enrascada dessa…!”

Eu as vezes me esqueço da cultura de negociaçao que existe nesses paises orientais e que pechinchar è quase uma atraçao turistica. O nosso taxista era super gente boa, nos deixou saos e salvos no nosso hotel; o unico contratempo foi um engarrafamento gigante, que parece ser a regra daquela estrada.

Depois eu fui descobrir que sim, existem taxis com taximetros em Baku, sò sao mais dificeis de encontrar. Eles se parecem com os taxis ingleses, daqueles com um monte de espaço pra colocar o carrinho de bebe aberto dentro do carro (#prioridadesmaternas 😉 )

Mas pra conseguir pegar um taxi desses oficiais, vc tem que: a) encontrar o taxi passando pela rua ou; b) encontrar um ponto de taxi. Se voce pedir para alguem chamar um taxi pra vc (como aconteceu nos restaurantes onde fomos jantar), com certeza o “taxista” serà um primo, um cunhado ou um vizinho de quem chamou o taxi. E da-lhe pechinchar!

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Para visitar Baku nòs usamos basicamente nossas pernas e – infelizmente – nao precisamos pegar o metro para ver o que nos interessava. Sempre de acordo com a Gabi Moniz do Projeto 101 Paises, as estaçoes de metro em Baku sao uma atraçao a parte. Mas como o nosso hotel era muito bem localizado e a cidade è deliciosa para caminhar, entao achamos que nao valia a pena quebrar a cabeça com transporte publico, por mais bonito que seja. No maximo pegavamos um taxi aqui  e ali para irmos a restaurantes mais afastados do centro ou para ir ao Heydar Aliyev Center.

Para visitar os arredores de Baku, contratamos um tour privado diretamente com o hotel. Tinhamos um guia e um motorista à nossa disposiçao que falavam ingles e o melhor de tudo: super  disponiveis! A disponibilidade era tanta que foi o proprio motorista que se ofereceu para ficar cuidando da herdeira enquanto ela dormia no carro.

Ah, e pra voltar pro aeroporto pegamos um taxi oficial. Com taximetro ligado e sem engarrafamento a corrida ficou em quase uns 20 manats, atè que o prejuizo da ida nao foi tanto! 😉 .

 

Visto pro Azerbaijao

A parte mais chata de se organizar uma viagem pra qualquer lugar è o visto. E pro Azerbaijao nao poderia ser diferente.

Existem duas alternativas para se obter um visto de turista: a clássica, através de embaixadas e o visto eletrônico.

A Gabi Moniz tirou o visto pro Azerbaijao atraves da Embaixada e explicou tudo direitinho là no Projeto 101 Paises. E o Guilherme Canever do blog Saiporai tambem conta como foi a sua experiencia com o visto atraves da Embaixada.

O problema com a modalidade clássica, pra mim, é que eu teria que enviar pra embaixada o passaporte junto com o resto da documentação. E com um monte de outras viagens marcadas, eu não poderia me dar ao luxo de ficar sem passaporte.

Optei, entao, pelo visto eletrônico: entrei diretamente em contato com agências de turismo locais autorizadas e resolvi tudo por email.

Quando eu pesquisei sobre os vistos, o Azerbaijao autorizava 31 agencias de viagem a emitirem o visto eletronico, mas hoje jà existem 37 agencias na lista oficial. Na lista antiga, eu sò encontrei 3 agências que possuiam, cumulativamente: um site, em inglês, e que não exigiam a reserva de um hotel com eles pra poder te mandar o visto.

Das três, eu conversei com duas.

A Billurtur, com um inglês bom, respondeu rápido e me cobrou 60 euros por visto.

E a Regea Travel, com um inglês mais fraquinho e um pouco mais demorada nas respostas, mas me cobrou 50 euros por visto.

(A quem interessar possa, a terceira è a Smart Holiday, mas nao cheguei a entrar em contato)

O modo de pagamento em ambas foi o depósito bancário ou envio de dinheiro trâmite Western Union.

Escolhi a segunda agência (Regea) pelo preço mesmo, e foram bem eficientes em 15 dias os vistos chegaram no meu email. Foi só imprimir e viajar!

 

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