O Pantanal sempre esteve nas minhas wish lists, o único problema é que eu precisava encontrar um modo para visitá-lo que se adaptasse ao meu estilo, digamos, urbano de ser….
Em bom português, isso significa que eu sou fresca o suficiente para não embarcar em nenhum tipo de pescaria, acampamento ou qualquer outra opção do gênero que envolva um contato muito próximo com uma parte da natureza, pra mim, totalmente dispensável: os mosquitos; e sou metida o suficiente para não me contentar com hotéis grandes no estilo “resort-fazenda”, que me dão uma sensação de não autênticos, do tipo “construidos para agradar gringo” (Nota: isso é puro preconceito da minha parte, nunca fiquei num hotel desses para tirar a prova).
Fazendo buscas pela internet, encontrei a Fazenda Bela Vista, que me parecia uma boa opção dentro do que eu estava procurando e, pra melhorar, ainda ficava na Estrada Parque, um dos lugares que eu fazia questão de visitar!

Pra chegar até a Fazenda foi uma aventura… Nós sabiamos que a Estrada Parque era desterrada e que tinha muitos animais pela estrada, então fomos dirigindo bem devagar e curtindo cada bicho que cruzava nosso caminho… Nessa alegria toda, acabamos nos perdendo, o celular nao funcionava, começou a anoitecer e a gasolina tava no final…

(Eu queria entender por que os homens se recusam a encher o tanque quando dirigem! Não foi a primeira vez e tenho certeza de que não será a ultima…Humpf!)
Eu já estava até prevendo a nossa primeira noite no Pantanal, dormindo no carro…
Mas como eu sempre tive muito mais sorte do que juìzo, avistei na escuridão a luz de uma TV numa casa… fora as estrelas e os faróis do nosso carro, aquela era a única luz por ali…
Ainda bem que os habitantes da casa sabiam onde ficava a Fazenda que procurávamos e nos deram a feliz noticia de que estávamos bem perto, mais uns 5km e chegariamos!
Chegamos sãos, salvos, e com o tanque de gasolina só no cheiro… Se a fazenda fosse 2km mais pra frente, acho que não chegariamos!

Nós dois éramos os únicos hospedes da fazenda, e, quando chegamos, o jantar estava nos esperando. Aquela comidinha bem caseira: arroz, feijão, salada e carne assada de porco do mato caçado ali mesmo era exatamente o que eu queria!

Na manhã seguinte, programa obrigatório para qualquer um que vai ao Pantanal: pescar piranhas! È muito engraçado, basta colocar um pouquinho de carne no anzol que as bichinhas jà mordem! Não requer prática nem tampouco habilidade!

Quer dizer… Nem foi tão fácil assim… O objetivo eram as piranhas, mas, por duas vezes eu consegui pescar peixes diferentes… Quando já haviamos pescado o suficiente para garantir o jantar, fizemos um tour de barco pelo rio, observando jacarés, macacos, ariranhas e pássaros de todos os tipos, enquanto aprendiamos a reconhecer alguns barulhos da natureza. Aliás, como esses animais são barulhentos!! Parece que apostam pra ver quem grita mais alto!

Depois de um delicioso almoço, com direito a um suculento bife (que saudades que eu tenho dos bifes, no Brasil…), a esposa do proprietário da fazenda, uma bióloga portuguesa muito querida, nos levou para o meio do mato e ali a aula foi profissional. Não só ela avistava, com uma habilidade incrivel, diversos animais mimetizados entre as palmeiras e árvores, como nos dava explicaçoes sobre os diversos tipos de pegadas que encontrávamos (na realidade, que “ela” encontrava e nos mostrava… por conta propria, não enxergaria uma ùnica pegada sequer!
), sobre que tipo de animal comia que tipo de fruto, de acordo com as marcas das mordidas deixadas, e até as fezes dos animais davam indicios importantes sobre seus hábitos. Foi uma aula e tanto!

Não parece, mas observar a natureza dá uma canseira! Chegamos mortos e depois do banho providencial, a nossa sopa de piranha estava nos esperando. Que saborosa!
No dia seguinte bem cedo, fizemos um passeio de cavalo pela fazenda. Foi divertido, aprendemos mais um pouco sobre a fauna pantaneira e descobri que não sou adepta desse tipo de transporte, principalmente porque aquele maldito cavalo estava cheio de carrapatos! Todos os mosquitos que não encontramos em todo o passeio, foram substituidos por picadas de carrapatos… Que tristeza! Acho que ninguém sai incólume do Pantanal!

No periodo da tarde, o proprietário da fazenda nos propos um passeio de caiaque pelo rio, bem romantico, somente eu e o namorado, um isopor cheio de latinhas de cerveja gelada e um por do sol de cair o queixo.
O passeio de caiaque, pra mim, teve seus prós e seus contras, pro meu namorado só teve prós.
Os prós é que o caiaque não faz barulho, então não espanta os animais, além disso, depois das varias aulas, jà conseguiamos identificar sozinhos os diversos rumores da natureza, e direcionávamos o caiaque para onde queriamos, para ver melhor os bichos que queriamos.
Já o contra é que nos estávamos em um misero e leve caiaque de plástico num rio cheio de piranhas e jacarés! E o infeliz do meu namorado nao podia ver um jacaré que já queria chegar com o caiaque bem pertinho do bicho! Eu tremia de tanto pavor e até hoje sou motivo de piadas por causa disso…
Na manhã seguinte, o proprietário da fazenda nos vendeu um pouco da gasolina que ele tinha no carro (que situação!) para podermos chegar até o posto mais próximo, seguindo tranquilamente pela Estrada Parque.
A Estrada Parque é mais do que um zoológico! Quando vc acha que já viu todo tipo de animal, voce ainda consegue se surpreender com bandos de tuiuius, garças, araras, tucanos, siriemas, capivaras com filhotes, e até um cervo do pantanal!

Eu bem que tentava tirar fotos desses animais, mas não conseguia ser rápida o suficiente, ficava contemplando tudo e, quando me lembrava da máquina fotográfica, ja era!

Ah, não é uma graça esse filhote de jacaré que apareceu do nada na piscina da fazenda?