Gros Morne National Park

Gros Morne National Park

Antes de visitar essa parte do Canada, eu achava que “longe” fosse um conceito relativo, afinal estamos longe sempre em relaçao a algum outro lugar. Em Gros Morne eu descobri que “longe” pode sim ser um conceito absoluto!

 Ali invariavelmente vc vai se sentir longe de tudo, nao interessa onde vc esteja ou com qual outro lugar no mundo vc faça a comparaçao.

A sensaçao de estar longe jà começa no aeroporto de Deer Lake, quando vc se dà conta de que o celular nao funciona! (Ma come?! Nòs nao estamos no Canada?! Pois è…nao funciona…) E pra chegar em Gros Morne a partir de Deer Lake è uma hora de estrada asfaltada e bem sinalizada (sim, nòs estamos no Canadà!) com paisagens naturais do tipo “uau!”, daquelas que a cada curva o espetaculo sò faz aumentar e a imensidao do parque te faz sentir pequenininho, pequenininho.

Gros Morne è’ um daqueles lugares em que eu ficava me perguntando “o que eu vim fazer nessa lonjura?”, e estranhamente eu tinha a sensaçao de que era exatamente ali que gostaria de estar: longe de tudo! Nao dà pra explicar.

O que eu mais gostei em Gros Morne è que nao se trata simplesmente de parque nacional com paisagens fantasticas, mas è tambem um parque onde se pode aprender muito. E esse è o tipico lugar que eu adoro visitar quando viajo: nao è sò bonito, mas tem muita historia pra contar!

Pra começar, a trilha mais famosa e mais cobiçada sao os 2km (sò ida) de Tablelands, um pedaço de manto terrestre (camada interna da Terra, embaixo da crosta) que ficou exposto quando aconteceram os tais movimentos tectonicos hà algumas centenas de milhoes de anos.

Se nota de longe (e poe longe nisso!) que aquele pedaço de parque nao combina com o resto da paisagem: ali nao crescem plantas, a cor è uma coisa meio ferrugem, chega atè a ser feio.

Mas è muito interessante saber que aquele tipo de rocha è muito raro no nosso planeta e, ainda por cima, que aquelas rochas possuem a mesma composiçao quimica que as rochas encontradas em Marte e por isso Tablelands è hoje um importante centro de estudos de vida extra terrestre.

O legal dessa trilha è que  o centro de visitantes de Gros Morne empresta aos turistas um guia eletronico com GPS que, alem de contar a historia do lugar e explicar um pouco de geologia com fotos e graficos, apita e te avisa quando tem algum detalhe interessante para ser observado. E’ simplesmente imperdivel!

Outro tour “must do” è o passeio de barco em Western Brook Pond. Esse passeio è um pouco mais dificil que a trilha de Tablelands, (mas nada de complexo), pois se trata de um “lago” de agua doce onde sò se chega depois de enfrentar uma trilha de 3,5km para ir e mais 3,5km para voltar depois do passeio. (Os barcos chegaram là aos pedaços em helicopteros!)

Na realidade, Western Brook Pond è um fiorde formado pelas geleiras durante a ultima Era Glacial e cuja agua è uma das mais puras do mundo.

Durante o passeio, que dura 2 horas e meia, os guias explicam direitinho o que aconteceu com o gelo que cobria a Terra hà mais de 20 mil anos para que aquele lago entre as montanhas pudesse existir hoje. Nao preciso nem dizer que a paisagem è um desbunde, nè?

Gros Morne è tb famoso por ser o lugar com a mais alta concentraçao de alces do mundo, com cerca de 7 a 15 alces por quilometro quadrado. Eu sò consegui ver unzinho e ainda assim escondido atras de umas arvores… Mas em compensaçao comi otimos hamburgueres de alce no restaurante Earle’s, o melhor de Rocky Harbour!

Os vikings descobriram a America?!

Os vikings descobriram a America?!

Pois è… Quinhentos anos antes de Cristovao Colombo dar as caras no continente americano os vikings jà tinham se estabelecido no norte do Canada, em Newfoundland, e hoje as ruinas da vila viking sao consideradas as mais antigas construçoes europeias da America.

O sitio arqueologico de L’Anse aux Meadows è considerado por muitos historiadores como “Vinland” das sagas nordicas, fundada por Leif Ericson por volta do ano 1000 e abandonada repentinamente uma decada depois.

O abandono, diz a lenda, foi por causa dos habitantes nativos hostis com os quais os vikings nao conseguiram estabelecer relaçoes pacificas.

Hoje, L’Anse aux Meadows possui tres areas distintas: um centro de visitantes muito bem equipado, com varios paineis e fotos explicando como os vikings chegaram no Canada e como era a rotina de vida ali, e passam tb um filme de 30 minutos muito bom e elucidativo sobre o descobrimento dessa colonia viking pelos arqueologos.

A segunda area è uma reconstruçao fiel do que foi um dia a colonia viking: as casas, os artefatos, as pessoas que viviam ali. Uma coisa meio “Disney”, mas muito interessante, pois os “vikings” que fabricam os barcos sao super disponiveis para te explicar como os barcos eram construtidos, os “vikings” que estavam dentro das casas explicavam o que comiam, o que vestiam, o significado das decoraçoes…  E assim sucessivamente com cada minima parte da colonia.

Tudo muito interativo e as crianças que estavam por là se divertiam pra valer ajudando na confecçao de algum artefato ou brincando com algum jogo viking.

A terceira parte sao as ruinas vikings propriamente ditas. As ruinas, por uma questao de proteçao e estudos futuros, foram cobertas e revestidas com grama, entao o que se ve sao extensas areas verdes com algumas partes mais elevadas que outras, que formam o desenho das plantas das casas.

Dà pra visitar as ruinas por conta propria ou è possivel participar de uma visita guiada. Nòs preferimos nos juntar à visita guiada e achei que foi otimo, pois o nosso guia era uma pessoa nascida e criada na regiao, que costumava brincar por entre as ruinas antes que os arqueologos descobrissem que se tratavam de ruinas vikings e que tb participou das escavaçoes quando as ruinas ainda estavam em fase de estudos para saber se eram realmente restos vikings.

As tres partes de L’Anse aux Meadows se completam à perfeiçao: o turista aprende sobre a chegada dos vikings na America no centro de visitantes, participa da vida cotidiana dos vikings na reconstruçao da colonia e ainda tem a possibilidade de ter um guia que mistura relatos historicos das ruinas com suas lembranças infantis sobre o lugar.

Foi uma visita deliciosa, daquelas que se aprende um monte sem se dar conta! Mas eita lugarzinho longe!

Epopeia USA & Canada

Epopeia USA & Canada

Quando uma amiga que mora numa cidadezinha perdida no meio da Pennsylvania me convidou para ser madrinha do seu casamento, nao tive duvidas: proxima viagem longa serà aos USA!!

A noticia do casamento veio uns dois anos antes do evento propriamente dito, entao eu tinha tempo sobrando pra me organizar e para organizar uma super viagem de 40 dias em terras americanas. Ainda bem, pois demoramos quase 1 ano sò pra fechar o nosso roteiro.

Depois de muita discussao e, principalmente, de muitas concessoes de ambas as partes, o marido e eu finalmente chegamos a um consenso.

Em vez de fazer um super tour unicamente nos Estados Unidos, decidimos juntar o Canadà ao nosso pèriplo e explorar apenas a Costa Leste, de Key West na Florida atè St. Anthony em Newfoundland.

O dificil era selecionar o que gostariamos de ver em um espaço tao grande e com tanta variedade de opçoes interessantes. Dòi no coraçao ter que abrir mao de um destino em prol de outro… Mas as viagens sao feitas de escolhas…

Nessa viagem, a nossa prioridade eram os Parques Nacionais, pois, na minha opiniao, o que tem de mais bonito para se visitar nos Estados Unidos e no Canada nao sao as cidades, mas sim a natureza. Com isso, Great Smoky Mountains, Everglades (mesmo nao sendo a melhor època), Mammoth Cave e Gros Morne jà estavam automaticamente incluidos no nosso roteiro.

A Disney e Graceland nao poderiam ficar de fora, senao a criança aqui, fa de Elvis, chora! E pro marido ficar feliz, acrescentamos um show de musica country em Nashville e Niagara Falls que eu jà conhecia.

Ficava faltando um pouco de cultura historica nesse nosso passeio, entao nada melhor do que visitar Washington e Philadelphia para entender um pouco a historia dos Estados Unidos e Ottawa e Quebec City, para aprendermos mais sobre o Canada.

Aquela olhadinha basica no site da Unesco pra verificar se nao estavamos deixando nada de interessante pra tras e, voilà: duas praias canadenses repletas de fosseis com mais de 300 milhoes de anos e um vilarejo viking que comprova quem foram realmente os primeiros a descobrirem a America. Nao dà pra nao visitar, nè?

Daì foi sò juntar os pontos e acrescentar um ou outro lugar interessante nas redondezas de onde estariamos, e assim fomos tb Key West (sò pra poder viajar naquela estrada!), Charlottesville, Lunenburg, St. Anthony…

Eu sei, essa viagem foi um verdadeiro tour de force, principalmente na hora de arrumar as malas. Tinha que ter roupa de frio, de calor, de casamento, de trekking…  Resultado: fomos obrigados a acrescentar 3 dias de ferias das ferias nas Bermudas… 😳

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