De todos os lugares por onde passei no Chipre, Pafos foi o unico com muitos turistas. E nao è dificil de saber o porque: Pafos consegue combinar vida de praia num ambiente bem cosmopolita (cosmopolita demais pro meu gosto), com lindas paisagens rurais e alguns dos sitios arqueologicos mais importantes de todo o Chipre.
As praias, nos arredores de Pafos, nao são apenas lindissimas, mas tambem estao relacionadas à Afrodite, deusa grega da beleza e do amor. Diz a lenda que Afrodite surgiu nas aguas do mar chipriota, sobre uma concha envolvida na espuma que se formou quando Cronos jogou os testiculos de seu pai, Urano, no mar.

O lugar exato do nascimento de Afrodite, segundo os guias do Chipre, è Petra tou Romiou, pois quando as ondas batem na rocha formam uma espuma que remete à origem mitologica da deusa. Contudo, a mesma historia è reivindicada pelos habitantes da ilha grega de Kythira, que garantem que Afrodite nao è chipriota!

Essa foto eu emprestei de Arne Kuilman, pois eu nao tenho nenhuma que preste para postar!
Como fomos para Chipre em pleno inverno, com temperaturas que giravam em torno dos 20ºC, vimos Petra tou Romiou rapidinho e deixamos as praias para uma proxima visita ao pais. Preferimos dedicar nosso tempo aos dois principais pontos turisticos de Pafos: os mosaicos e as Tumbas do Rei.

Os mosaicos decoram o chao de casas romanas dos sèculos III a V e atè mais interessante do que o valor artistico e historico desses mosaicos sao os episodios dos mitos gregos que eles representam.

A chamada Casa de Dionisio è a maior e a mais interessante de visitar. Sao 2 mil metros quadrados de mosaicos que representam em grande parte o deus do vinho (Baco para os romanos) e daì vem seu nome.

Das passarelas de madeira que foram construidas, dà pra admirar todos os mosaicos de Dionisio, de Narciso, de Castor e Polux e atè de Piramo e Tisbe - a historia mitologica, precursora de Romeu e Julieta, que eu mais gosto, pois li quando ainda era criança e ficou marcada na minha memoria infantil como a explicaçao logica do porque as amoras sao vermelhas!

As outras duas casas romanas visitaveis sao a de Teseo, que recebe esse nome por causa do mosaico do heroi que luta contra o Minotauro, e a casa de Aion, a menor de todas e com um mosaico grande, mas meio deteriorado.

O bilhete de ingresso permite visitar todas as casas romanas, mas o lugar é bem grande e nòs passamos pelo menos umas 2 horas por ali, olhando tudo com calma. Quem nao tiver tempo ou disposiçao para rodar por tudo, vale a pena ir diretamente à Casa de Dionisio e deixar o resto pra lá.

Um conhecimento basico de mitologia grega ajuda bastante na hora de reconhecer as representaçoes dos mosaicos e torna o passeio muito mais interessante.

Já as Tumbas do Rei é um complexo de tumbas gregas e romanas, com inspiraçao egipcia, usadas entre os seculos III a.C e III d.C. Apesar do nome, essas tumbas nao eram usadas para enterrar membros da realeza, mas o nome deriva do aspecto imponente das tumbas, com direito a colunas doricas e tudo!

A influencia egipcia na construçao das tumbas vem do fato que, segundo o guia, os antigos egipcios acreditavam que as sepulturas deveriam se parecer com a casa dos vivos e essa caracteristica è muito evidente nas Tumbas do Rei em Pafos, com atrios circundados de colunas, e traços de afrescos e decoraçoes por tudo.

Sao varias as tumbas abertas à visitaçao, mas as mais majestosas sao a de numero 3 e 4, com um atrio subterraneo, colunas e varios nichos para o sepultamento. Tb nesse caso, as tumbas estao espalhadas em um terreno bem amplo e nòs demoramos mais de 2 horas para visitar tudo.

E ainda bem que chegamos super cedo, antes que os grupos organizados provenientes de um cruzeiro tomassem conta do lugar.