Depois de visitar Pula, o próximo destino na Croácia eram os lagos de Plitvice. Mapa em mãos, fomos estudar a melhor estrada a seguir… O nosso mapa possuía três tipos de estradas: as amarelas bem grossas, que eram as estradas principais, as vermelhas, estradas secundárias, muitas vezes em mal estado de conservação, mas em geral boas, e as brancas, mal conservadas e de interesse local.
Analisando as possibilidades e empolgados com a idéia de conhecer o Parque Nacional, vimos que, no mapa, tinha uma estrada vermelha que, além de cortar caminho, passava dentro de um outro parque.
Não tivemos dúvidas! A possibilidade de transformar a viagem em um agradável passeio por um parque não deu chance à estrada amarela!
Que furada! Já deveríamos ter desconfiado que não era uma boa idéia antes mesmo de entrar no tal parque… A estrada começava a se estreitar e os habitantes das cidadezinhas por onde passávamos nos olhavam com uma cara de: “pra onde esses malucos estão indo?”, teve até um homem que fez sinal e gritou qualquer coisa em croata, mas não havíamos entendido o recado e, pra ser sincera, nem demos tanta bola pra ele… Eram apenas 30 quilômetros dentro do parque, numa estrada vermelha, o que poderia dar errado?
Bom, entramos no tal parque e logo em seguida começou uma chuvinha fina que nos acompanhou por toda a aventura. No início foi realmente muito agradável, mas beeeeem no início porque depois de poucos metros o asfalto já não existia… Tá valendo! Um parque é assim mesmo! O problema é que com a chuvinha, o chão ficava cada vez mais escorregadio…
Pra piorar a situação, a estrada só fazia estreitar e, de um lado havia um paredão de pedra e do outro um barranco! Se quiséssemos retornar teria que ser de marcha a ré, não dava pra virar o carro ali. Decidimos seguir… afinal eram só 30 quilômetros…
Primeira bifurcação. E agora pra onde ir? No nosso mapa não existia nenhum daqueles nomes indicados na placa, ficamos bem uns 10 minutos parados tentando decidir, acabamos escolhendo a estrada que aparentava ter menos árvore ao redor. Não adiantou muito… além das mesmas condições de antes: chuvinha, estrada estreita e escorregadia, paredão de pedra e barranco, estávamos também perdidos e com a gasolina na reserva. Ah, e o celular não pegava, obviamente!
Mais a frente uma outra bifurcação na estrada e, mais uma vez as placas indicavam nomes inexistentes no nosso mapa. Nem demoramos tanto tempo dessa vez, já estávamos perdidos mesmo! Depois de alguns metros, cruzamos com um Fusca velho, guiado por um senhor mais velho ainda. Que felicidade! Tentamos nos comunicar em inglês, italiano, português, espanhol, francês e até alemão, mas sem resultado. A nossa esperança é que ele soubesse ler, assim indicamos no mapa onde gostaríamos de chegar e, depois de uns minutos a observar o mapa, ele começa a fazer sinais pra direita.
À nossa direita só existia um barranco, mas agradecemos e continuamos a viagem ainda perdidos e quase sem gasolina. Interpretamos aqueles sinais como “pegar sempre à direita” e nas outras duas bifurcações nem paramos, seguíamos sempre à direita!
Meia hora depois, uma vaca marcada na orelha no meio da estrada! Estávamos salvos! Se tem vaca, significa que tem gente por perto!
De fato, poucos metros adiante, eis que surge a estrada amarela!! Escolhemos uma direção ao acaso, na esperança de encontrar um posto de gasolina por ali. Tivemos muita sorte, não precisamos andar muito para encontrá-lo. Com o tanque cheio e aliviados, seguimos viagem.
Foi uma boa experiência: perdemos mais de 3 horas naquele parque, fomos parar do lado oposto de onde queríamos ir e aprendemos que estrada vermelha na Croácia nunca mais!