Category Archives: Divagações

Viajando na Gravidez

Vou começar jà pedindo desculpas a quem le o blog e nao tem filhos, nao tà gravida e nao tem o menor interesse no assunto, mas è mais forte do que eu! Se antes eu era monotematica  no assunto viagens, agora estou monotematica com relaçao à gravidez…

Entao resolvi juntar esses dois assuntos para contar como estao sendo as adaptaçoes das minhas viagens durante a gravidez, como sugeriu a Natalia, do blog Ziga da Zuca.

Lembrando sempre de que estou me referindo às MINHAS viagens e às recomendaçoes da MINHA medica.

A primeira coisa que a minha mèdica me disse è que uma gravidez normal nao è impedimento para se viajar, basta ter sempre em mente que eu nao estou mais sozinha e que tem uma nova vida dentro de mim que vai sofrer todas as consequencias das minhas escolhas, sejam boas ou ruins, e que bom senso e moderaçao nunca mataram ninguem.

Em assim sendo, eis as minhas adaptaçoes e as recomendaçoes da minha medica:

MEIOS DE TRANSPORTE:

Nenhum meio de transporte è proibido, mas alguns podem ser mais desconfortàveis do que outros.

Aviao: o problema maior do aviao è quando a barriga começa a dar o ar da graça. Nao que exista algum problema para a gravida ou para o bebe em usar o aviao; o problema sao as regras das companhias aereas que, obviamente, mudam de companhia para companhia aerea e vai depender tb da boa vontade do funcionario do check in em segui-las.

Tem companhias aereas que depois dos 7 meses de gravidez exigem um atestado medico que te permita voar, tem companhia aerea que nao te faz embarcar de jeito nenhum, tem companhia aerea mais flexivel…

Resumindo, antes de entrar num aviao exibindo a barriga, convem ler direitinho as letrinhas miudas nos sites das cias aereas para nao correr o risco de viajar e nao poder voltar pra casa no final das ferias.

Nesse aspecto, eu sò tive 2 experiencias com a barriga maiorzinha: uma com a Gol, que me fez preencher um formulario em que eu dizia que estava gravida e de quanto tempo, e  a nossa viagem de ferias agora em agosto, que decidimos cancelar a viagem para a Islandia e achamos melhor fazer um tour de carro pela Austria, (saindo de carro diretamente de  Milao), sò para evitar o stress de ter que pedir atestado medico, traduçao de atestado medico e ainda ter que ficar na expectativa de que corra tudo bem com os documentos apresentados.

Carro: viajar de carro tambem è super tranquilo na gravidez, tem sò dois detalhezinhos que devem ser levados em consideraçao quando se està gravida:

1 – o cinto de segurança: dependendo do tamanho da barriga, o cinto pode incomodar bastante e è muito importante que o cinto permaneça sempre na posiçao certa: embaixo da barriga e nunca por cima. Quem nao se sente bem com o cinto, pode tentar um desses adaptadores de cinto de segurança para mulheres gravidas que existem no mercado.

2 – a condiçao das estradas: estradas cheias de buracos è um sofrimento sò. Antes eu nem ligava para as ruas antigas e irregulares de Milao, agora eu tenho a impressao de que tudo dentro de mim chacoalha. E nao tem amortecedor nenhum que melhore esse desconforto! Com isso tento evitar viagens muito longas em estradas muito irregulares.

E tem tambem o fato de que uma mulher gravida precisa usar o banheiro com muita frequencia e que sò faz bem poder esticar as pernas de vez em quando. Entao, è  bom verificar se a estrada possui uma boa infra-estrutura de apoio. Isso significa que outra viagem parecida com aquela que fizemos para Cuba ou para a Serra da Capivara nao vai acontecer tao cedo.

Trem: acho que esse è o unico meio de transporte sem contra indicaçoes (pelo menos nao encontrei nenhuma…), a “estrada” è regular, dà pra esticar as pernas quando se tem vontade, tem banheiro e restaurante sempre à disposiçao, e se acontece alguma emergencia, dà pra descer facilmente na proxima estaçao. E’ claro que estou me referindo principalmente aos trens europeus, nao acredito que pegar a Transiberiana durante uma gravidez seja uma boa escolha, mas isso è um palpite meu…

Barco: se o barco for pequeno e o lugar por onde ele passa for muito agitado, a viagem nao è recomendada. Nem tanto por causa de enjoo, mas mais por causa do chacoalhar do barco mesmo. Na nossa viagem pra Escocia, o meu passeio à ilha de St Kilda foi cancelado pela empresa que faz esse passeio justamente por causa do mar agitado da regiao. Ele disse que os passageiros costumam “pular” demais dentro do barco. Marido vai sozinho…

DESTINO:

Teoricamente nenhum destino è proibido para uma mulher gravida, basta lembrar que nascem crianças em todos os cantos do mundo. A unica coisa a ser lembrada è cada um està habituado a certos tipos e padroes de cultura, alimentaçao, segurança… e que variaçoes muito grandes nesses standards podem ser causas de problemas ou, no minimo, de desconfortos, principalmente no caso de uma gravida.

Aqui tb cabe a cada mulher determinar com bom senso quais sao os seus limites. A pergunta que tento responder sempre que organizo uma viagem durante a gravidez è: “E em caso de emergencia?”. Partindo dessa pergunta, essas sao as coisas que eu costumo avaliar:

Condiçoes medico-sanitarias: A primeira coisa que eu observo è: se eu precisar de um medico ou de um hospital, quais sao as opçoes que esse lugar me oferece?  Preciso tomar alguma vacina? E’ um lugar com doenças endemicas (malaria, por exemplo)?

Lingua: procuro visitar lugares onde sei que boa parte da populaçao fala e/ou entende alguma lingua que eu falo e/ou entendo. Apesar de nao falar alemao, sei que na Alemanha todo mundo fala ingles (e se nao fala, tem sempre alguem por perto que fala!). Por outro lado, nao me arriscaria a fazer novamente uma viagem pro interior da Russia : prefiro evitar explicaçoes sobre o meu estado de saude atraves de mimicas…

Geografia: lugares remotos ou com condiçoes climaticas ou territoriais extremas tambem convem evitar. Pra mim, essa foi a recomendaçao da medica mais complicada de assimilar, principalmente pq cada um tem um conceito diferente do que seja remoto e extremo. Pelo o que eu pude entender, nada de viagens em lugares muito frios, muito quentes, muito altos, muito dificeis de chegar… Em outras palavras: vou ter que esperar um bom tempo para fazer outras viagens nos mesmos moldes das viagens que fiz para o Ice Hotel, para o deserto do Sahara, para Machu Picchu (por causa da altitude)…

ESTILO DA VIAGEM:

Nao foi sò a escolha do destino que tive que adaptar nas minhas viagens, mas tambem tive que privilegiar determinados tipos de viagem em detrimento de outros e tudo em camera lenta.

Tipos de viagem: Viagens muito, digamos, “esportivas”, foram canceladas totalmente: nada de trekking, esqui, cavalo, rapel… Viagens muito “natureza” tambem foram limitadas: nao tem nada de mais em passear tranquilamente num parque, mas pelo menos agora tenho uma boa desculpa para nao me submeter mais àqueles tipicos programas de indio que o marido inventa de vez em quando! A regra agora è privilegiar viagens urbanas.

Ritmo: querendo ou nao, o ritmo das viagens diminuiu bastante. Nao consigo mais fazer tudo o que eu fazia antes no mesmo tempo que eu fazia antes: a barriga pesa, tenho que parar varias vezes para ir ao banheiro, me canso mais facilmente… Definitivamente maraturismo nao tem mais espaço nas minhas viagens e tenho que calcular a quantidade de dias em cada lugar de um modo muito mais tranquilo e condizente com a minha gravidez.

ALIMENTACAO:

Essa è a parte que a minha medica mais pega no meu pè, porque sou muito boa de garfo e adoro experimentar de tudo quando viajo. Eis os meus principais problemas:

Peso: nao tem jeito, eu sempre voltava com 1 ou 2 quilos a mais das viagens que fazia, comia o que tinha vontade sem me preocupar com o peso. Daì era sò fazer uma dietinha basica e tudo voltava ao normal atè a proxima viagem… Agora tenho que controlar direitinho o que como para nao engordar demais e fazer dieta tambem està fora de cogitaçao. O controle do peso tem que ser continuo e nao tira ferias!

Qualidade da comida: o problema aqui è o risco de uma infecçao causada por alimentos velhos, estragados, crus, etc… Tenho que conferir 10 vezes se o restaurante è limpo, se a comida foi bem cozida e preparada ao momento… Ainda bem que fiquei gravida sò depois de ter me esbaldado nas comidas de rua da Tailandia!

Avisar sobre a gravidez: minha medica havia sugerido de avisar sempre os restaurantes de que eu estou gravida, principalmente quando a barriga ainda nao è tao evidente, para que o restaurante possa avisar de possiveis ingredientes que usa em seus pratos e que podem causar problemas. Nao deu outra: na França, o garçom de um restaurante todo chiquetoso veio me dizer que nao poderia servir os queijos que eu havia pedido, pq os queijos nao eram pasteurizados.

De repente tudo isso pode parecer excesso de zelo, mas sao sò 9 meses… Passa rapido!

28 Comments

Filed under Divagações

Sumiço

Eu sei que o blog tà muito abandonado, mas desta vez eu tenho uma boa desculpa: estou organizando uma das viagens mais fantasticas da minha vida, uma gravidez!

Essa viagem nao foi exatamente planejada, mas confesso que tambem nao estavamos nos esforçando muito para evita-la e ficamos muito felizes com a noticia!

Jà estou no sexto mes, esperando uma linda menina para o inicio de novembro e todas as viagens que nòs haviamos programado e organizado tiveram que ser canceladas e/ou adaptadas para algo mais, digamos “tranquilo”…

A minha medica cortou o meu barato em varios destinos:

  • “O que vcs vao fazer em Oman?”
  • “India?! Nem pensar! As condiçoes sanitarias por ali nao sao as mais adequadas para uma gravida…”,
  •  “Uma coisa è visitar Sarajevo, Belgrado… Outra coisa è querer atravessar o Kosovo de carro!”,
  •  “Suiça nao tem problema. Ah, vc quer subir uma montanha de quase 3 mil metros? Enlouqueceu?”

E meno male que o visto pro Tajisquistao do marido nao saiu… Como diz a minha mae, eu tenho mais sorte que juizo…

 

18 Comments

Filed under Divagações

Turismo de caça

Essa polemica toda sobre o rei da Espanha que foi caçar elefantes na Africa me fez lembrar da minha viagem de lua de mel à Tanzania e de como os meus conceitos sobre o turismo de caça mudaram completamente apòs essa viagem.

Nao tenho a intençao de entrar no merito da caça do rei da Espanha, principalmente no que se refere aos aspectos economicos da atividade, enquanto o pais passa por uma crise enorme e jà deixo avisado que nao sou nem ecologista nem caçadora.

O objetivo do post è simplesmente relatar a minha experiencia num Game Reserve e como essa minha experiencia  fez com que eu passasse de “contraria ao turismo de caça” a “completamente a favor do turismo de caça” (apesar de esse tipo de turismo nao fazer o meu estilo de turistar).

Pois bem, um dos parques nacionais que fomos visitar na Tanzania foi o Selous Game Reserve, considerado Patrimonio da Humanidade pela Unesco por ser  “one of the largest remaining wilderness areas in Africa, with relatively undisturbed ecological and biological processes, including a diverse range of wildlife with significant predator/prey relationships” e ainda “is amongst the largest protected areas in Africa and is relatively undisturbed by human impact”.

Na Tanzania, o Selous è considerado um dos melhores parques para o turismo de caça e a coisa ali è super controlada. Como eu nao era caçadora (quer dizer, sem licenças, sem pagamento de taxas, etc) eu simplesmente era proibida de ingressar na parte do parque destinada a caça e tinha que me contentar com a parte destinada a outros turistas como eu.

Conversando com o meu guia, perguntei o que ele achava do tal turismo de caça, se isso nao era um mal para o meio ambiente e para a economia local (curiosidade baseada nos meus proprios preconceitos sobre o turismo de caça) e a sua resposta me surpreendeu e me colocou pra pensar.

Segundo ele, o turismo de caça faz muito bem ao meio ambiente pois existe um controle muito rigoroso dos limites para a caça seja por parte do parque, seja por parte dos caçadores.

Ninguem ali està interessado em acabar com a brincadeira: o parque nao quer perder a sua “galinha dos ovos de ouro”, pois o turismo de caça custa muuuuito caro e è uma importante fonte de renda para a populaçao local, e os caçadores, por sua vez, querem continuar tendo um lugar bom, com muitos animais para serem caçados.

Alem disso, o turismo de caça  causa muito pouco impacto ambiental por causa da propria natureza desse tipo de turismo: um caçador sabe que os animais sao ariscos; entao, se quiser caçar, deve montar um acampamento discreto, sem uma infraestrutura muito elaborada  e sem muita confusao, simplesmente porque isso espanta a caça.

Ouso dizer que o “turismo ecologico” que eu fiz em Selous è menos ecologico do que o turismo de caça, pois depois de todo o meu “contato com a natureza” o que eu mais queria era o meu quarto no hotel, com chuveiro quente, ar condicionado e longe dos mosquitos.

Enfim, se com o turismo de caça a populaçao local està satisfeita, o parque està preservado e a Unesco o considera patrimonio da humanidade por ser uma das maiores areas selvagens da Africa (sem colocà-lo na lista dos patrimonios em risco ou eliminados, como faz com os lugares que nao respeitam os criterios de preservaçao), quem sou eu para ir contra?

14 Comments

Filed under Divagações, Tanzânia

A resposta è: DEPENDE!

Ao mesmo tempo que eu adoro dar palpites nas viagens dos amigos (e de quem mais quiser meus palpites), eu fico completamente sem saber como me comportar quando me fazem perguntas cuja resposta quem tem que saber è exatamente quem està me perguntando. Me explico com as perguntas mais frequentes que surgem aqui no blog:

1 – Quanto vou gastar para passar 20 dias em Naoseiaondelandia?

Cada um conhece o tamanho do proprio bolso e sabe mais do que ninguem o que è importante na viagem e o que pode ser cortado/evitado. E, acredite, nos destinos mais turisticos existem opçoes para todos os bolsos e com uma boa pesquisa no google vc encontra o preço de praticamente tudo: de hoteis a restaurantes, passando por transportes a entradas de atraçoes turisticas.

Entao qualquer valor que eu disser  vai ser um mero chute, baseado nas minhas preferencias. Cada um tem um conceito proprio sobre o que è indispensavel e o que è frescura numa viagem. Se eu tiver que escolher, por exemplo, prefiro me hospedar num hotel muquifo e comer num restaurante estrelado, do que ficar em hotel 5 estrelas e economizar na comida…

2 -Quanto vou gastar com alimentaçao em Naoseiaondelandia?

Eu nao sei o que vc come, nem quanto vc come e muito menos o que significa “comer bem” para vc. Os custos com alimentaçao vao desde poucas moedas para um sanduiche de supermercado atè o infinito em restaurantes estrelados.

Jà me pediram para sugerir um vinho “mais caro” na faixa dos 25-30 euros para uma comemoraçao especial e tambem jà me pediram a sugestao de um vinho “mais baratinho”, na faixa dos 25-30 euros, para se beber no dia a dia. E ai? O vinho de 25-30 euros è caro ou barato?

Quando viajo pela Europa, costumo usar o site Via Michelin para ter uma idea do que os restaurantes do lugar oferecem e respectivos preços. Pela minha experiencia, os preços mencionados nesse site sempre foram muito proximos do que eu realmente gastei, excluindo as bebidas, è claro!

3 – Vou passar 15 dias em Naoseiaondelandia, o que è mais legal visitar?

Essa pergunta è a mais dificil de responder. Se vc està se dispondo a gastar o seu rico dinheirinho e o seu precioso tempo para ir atè a Naoseiaondelandia, deve existir um motivo para isso… ou nao? Ninguem, mais do que vc mesmo, conhece seus interesses e seus sonhos.

Se vc decidiu viajar para algum lugar, o  minimo que vc tem que saber è porque decidiu ir para là e nao para outro lugar. Por que Paris e nao Lisboa? Por que a Inglaterra e nao o Chile? Por que a Europa e  nao a Asia? Qualquer motivo è valido mas, convenhamos, se vc nao sabe pq està indo para aquele lugar, qualquer lugar visitado tà valendo, nao è mesmo?

4 – Quantos dias sao necessarios para conhecer Naoseiaondelandia?

Outra pergunta que envolve interesses, sonhos e gostos pessoais.  A quantidade de dias num lugar vai depender do que vc quer visitar là… Tem gente que acha que Veneza tà mais do que vista em uma tarde, tem gente que passa a semana inteira em Veneza e acha que nao conseguiu ver tudo…

Eu me dei conta de como sou ruim para dar esse tipo de informaçao quando ajudei meu proprio irmao a organizar a viagem dele para a Europa. Ele queria visitar Londres por causa dos pubs… Conhecendo meu irmao, sugeri 3 dias (que, para mim, nao dao nem pro cheiro numa cidade como Londres). No segundo dia ele me liga: “Jà vi o Big Ben e o Buckingham Palace, o que mais tem pra fazer aqui?”. Queria morrer!

Para nao errar na quantidade de dias, eu costumo primeiro decidir o que quero visitar em ordem de prioridade (1 – tenho que ir; 2 – gostaria de ir mas, se nao der, paciencia; 3 – se sobrar tempo, eu vou) para sò depois estabelecer quantos dias me servem para as tais visitas. Tem dado certo!

5 – E’ melhor ir por conta propria ou com agencia de turismo?

Outra pergunta que depende muito da personalidade de cada um.  Eu prefiro viajar por conta propria porque adoro pesquisar e organizar viagens, para mim uma lingua estranha e um pais mais estranho ainda nao sao empecilhos mas desafios a serem superados e, principalmente, nao gosto que outros decidam por mim onde dormir ou o que visitar.

Mas isso nao significa que viajar com agencia de turismo seja ruim ou vergonhoso por causa daquela besteirada toda de diferenciar “turista” de “viajante” (Pra mim, viajante è um genero que engloba todo mundo que viaja. Quem viaja a turismo è turista, uma especie de viajante). Sao simplesmente modos diferentes de viajar e, de acordo com as exigencias de cada um, pode ser melhor ir por conta propria ou usar uma agencia.

Se vc nao se sente seguro por causa da lingua ou qq outro motivo, nao gosta ou nao tem tempo para organizar a viagem, prefere que alguem te diga onde ficar e o que visitar, a agencia de turismo foi feita pra vc!

6 – E’ mais barato ir por conta propria ou com agencia?

Mais uma vez a resposta è: depende. Nao existe uma regra para isso, vai depender do destino, do que vc tem intençao de fazer, que tipo de hotel vc pretende ficar, que tipo de transporte vc pretende usar, o que està incluido no preço, se tem alguma coisa que està incluido no tour que a agencia oferece, mas que a vc nao interessa…

Sinto informar, mas a unica maneira de saber o que custa menos è fazer as contas em cada caso especifico. Tem que pedir um orçamento para a agencia e tem que organizar toda a viagem por conta propria para poder comparar os custos e os beneficios de cada um.

32 Comments

Filed under Divagações

Meus 7 Links

Eu jà tinha me dado conta de que estou muito relapsa com o blog, mas foi com o convite para a blogagem coletiva Meus 7 Links (cujas regras estao aqui)  que reparei que minha vida virtual anda jogada às traças.

As “culpadas” por esse chacoalhao que eu recebi para voltar a postar foram a Adri Lima do Area de Jogos da Adri, a Camila Navarro do Viaggiando e a Deiatatu do Direto da Alemanha.  Mas como o convite veio na vespera de uma viagem para a Espanha, eu achei que tinha perdido o momento de postar, mas a Camila deu o empurraozinho que eu estava precisando :)

Antes tarde que nunca, seguem os meus 7 links:

  • O POST MAIS BONITO: 

Nao sei se o post ficou bonito, mas acho que foi uma das viagens mais bonitas que fiz na vida: Safaris por terra, ar e agua.

 

  • O POST MAIS POPULAR:
Aqui a popularidade varia conforme a època do ano. Se estamos chegando em epoca de ferias, o post sobre os Outlets de Vertemate sao os campeoes de audiencia, se estamos em època de aula è o post sobre A menor cidade do mundo que ganha.
  • O POST QUE MAIS GEROU DISCUSSAO/CONTROVERSIA:
Num blog de viagens que segue o esquema “Querido Diario” nao existem muitas possibilidades de controversias, mas acho que nessa categoria posso colocar um desabafo que fiz no Turismo no Brasil.
  • O POST QUE AJUDOU MAIS GENTE:
Acredito que nao tenha sido um unico post, mas toda a serie que fiz sobre a viagem para a Russia. Uma das viagens que mais me deu trabalho para organizar e fiquei bem feliz de constatar que minhas dicas foram uteis a outros turistas.
  • O POST QUE O SUCESSO TE SURPREENDEU:
Quando eu vejo o post sobre as Cavernas de Lascaux entre os posts mais populares, eu realmente nao entendo o motivo. Essas cavernas sao tao famosas assim e sò eu que nao sabia?
  • O POST QUE NAO RECEBEU A ATENCAO QUE DEVERIA:
Por ser tambem um pais bem dificil para se organizar uma viagem, achei que os posts sobre Cuba fossem ajudar mais gente, mas talvez pelo fato de nao ter incluido uma unica praia no roteiro cubano, os visitantes nao tenham se interessado tanto.
  • O POST QUE VOCE TEM MAIS ORGULHO:
Acredito que o post que tenha me dado mais satisfaçao em escrever foi o Parques na Tanzania: ficha tecnica. E’ o unico post do blog sobre organizaçao que foi escrito depois de eu ter voltado de uma viagem organizada por uma agencia de turismo.
E para finalizar eu teria que indicar 7 blogs, mas como todo mundo que eu conheço ou jà escreveu a respeito ou jà foi convidado para escrever, deixo a indicaçao em aberto e, quem ler esse post e ficar interessado, sinta-se convidado!

6 Comments

Filed under Divagações

Dilemas etico-turisticos

Estou em fase de organizaçao de uma viagem para a Tailandia e me deparei com um problema etico-turistico: visitar ou nao a cidade das mulheres girafas?

O que mais me fascina nas viagens è a possibilidade de aprender um pouco de uma outra cultura, tentar compreender como as pessoas vivem, o que è importante para elas, no que elas acreditam, o que elas comem, como se vestem… E nesse mundo globalizado (alguns jà falam atè de “homogeneizaçao cultural”), acho muito importante preservar a identidade e a cultura de um povo.

Mas atè que ponto essa preservaçao da cultura faz sentido?

Quando visitei os Uros em suas ilhas flutuantes no Peru, pra mim ficou evidente que eles sò mantem aquele estilo de vida porque existem turistas dispostos a pagar para ve-los.  Tive a mesma impressao com a aldeia Masai que visitei na Tanzania.

Em ambos os lugares tive a sensaçao de que se nao fosse o interesse dos turistas em pagar para ver o “diferente”, essas culturas seriam apenas recordaçoes em livros de historia.

Quando se trata tao somente de manter viva – ainda que de modo forçado – uma identidade cultural referente a um estilo de vida como a moradia ou a vestimenta, nao vejo tanto problema em promover o turismo ( mesmo que, visitando esses dois lugares, tenha me sentido meio mal, como se estivesse num zoo humano).

Em ambos os casos, bem ou mal, as pessoas eram livres para morar em outro lugar ou se vestir de outro modo, se assim quisessem. Aquelas culturas nao me pareceram causar um sofrimento maior às pessoas alem daquele jà causado pela pobreza e pela desigualdade social do pais.

Mas e no caso das mulheres girafas? Aqui nao estamos falando tao somente de um “estilo de vida”, mas sim de uma deformaçao permanente no corpo dessas mulheres.

E eu me pergunto: serà que essa cultura tambem sò sobrevive porque existem turistas que pagam para ve-la? Atè que ponto vale a pena preservar uma cultura que deforma o corpo?

Se eu for defender a ferro e fogo o relativismo cultural e afirmar que todas as culturas tem seu valor e merecem respeito, como faço para justificar a aversao que sinto quando penso em culturas que mutilam clitoris de adolescentes?

Mas se eu pensar que nem todas as culturas merecem ser preservadas em respeito ao ser humano, onde colocar o linha divisoria?

As  mulheres girafas onde se enquadrariam? Visitando a cidade delas, eu estaria ajudando o ganha-pao de uma comunidade e preservando uma identidade cultural ou estaria promovendo a manutençao forçada de uma cultura barbara que jà deveria ter sido extinta?

8 Comments

Filed under Divagações

Turismo no Brasil

Todo ano eu volto ao Brasil para visitar a familia e aproveito a ocasiao para mostrar orgulhosa o meu pais para o marido italiano. Mas preciso confessar uma coisa: nao è facil!

Euzinha, que sou brasileira e falo portugues, às vezes tenho vontade de jogar tudo pro alto quando começo a organizar uma viagem pro Brasil; imagino o que nao deve sofrer um turista estrangeiro que nao fala portugues, nao quer se limitar ao circuito Rio-Foz do Iguaçu e nao quer entrar em pacotes fechados de agencias de turismo.

Começando com o transporte:  Na parte aerea, em nao bastando os preços altos das passagens, praticamente toda e qualquer viagem de aviao no Brasil passa por Sao Paulo para uma conexao ou escala o que faz com as viagens que jà nao sao curtas, demorem ainda mais.

Acreditem, eu jà fui de Londrina a Brasilia de carro (1200km) pq nao compensava pegar um aviao, seja pelos custos (a passagem custava o equivalente a 300 euros sò a ida), seja pelo tempo (o aviao para em Curitiba e Sao Paulo antes de chegar em Brasilia, perderiamos o dia inteiro em aeroportos)

E para piorar, um estrangeiro nao consegue comprar uma passagem aerea no site da Tam ou da Gol simplesmente pq nao possui um CPF. Sim, eu sei que existe a versao internacional dos sites onde, teoricamente, seria possivel comprar a passagem… Mas nao funciona! Dà erro o tempo todo e nunca consegui comprar uma passagem pelo site com cartao de credito italiano. E nao foi por falta de tentar!

Jà consegui comprar a passagem com cartao de credito internacional pelo telefone… Mas convenhamos, tem que querer muito visitar o Brasil para telefonar, se submeter àquelas musiquinhas antes de ser atendido e ainda por cima pagar o telefonema e uma sobretaxa pq a reserva nao è feita pela internet!

Ainda no quesito transporte… alguem jà teve a curiosidade de ler o que diz a Lonely Planet sobre as normas de circulaçao e os perigos das estradas no Brasil? Alguns trechos, numa traduçao livre, da Lonely Planet italiana:

Dirigir no Brasil è muito perigoso. Todos os anos aproximadamente 35 mil pessoas morrem em acidentes nas estradas e os feridos chegam a 500 mil. (…) O culto da velocidade è insaciavel. Muitos motoristas pensam que sao pilotos de Formula 1 e sao incapazes de se adequar ao ritmo dos outros. A noite muitos motoristas nao param no semaforo vermelho (…) pq existe o risco de serem roubados. (…) Dirigir de noite è particularmente perigoso: existe a possibilidade de encontrar motoristas bebados, as estradas principalmente no Nordeste e nas regioes internas, estao em pessimas condiçoes (…) e para economizar um pouco de gasolina muitos motoristas circulam com a luz apagada ou ao minimo. (…) Outros motivos de preocupaçao para quem dirige no Brasil sao: falta de placas, (…)  ultrapassagens feitas em curvas, pneus furados (…) e, naturalmente, a policia, que para os motoristas sem motivo.

Se vc fosse um estrangeiro, vc alugaria um carro no Brasil depois de ler isso num dos guias mais vendidos do mundo? E o que eu me pergunto è: a Lonely Planet està tao errada assim?

Reservar um hotel tambem exige paciencia e boa vontade. A maior parte dos sites dos hoteis (excluo os hoteis de grandes redes internacionais) sao escritos tao somente em portugues e, para saber a disponibilidade e os preços dos quartos ou para fazer uma reserva è necessario mandar um email para o hotel e esperar a resposta.

Parece que aqueles formularios on line de reservas ainda nao chegaram a uma grande parte da rede hoteleira no Brasil.

Quando chega a resposta do email com os preços dos quartos, vem sempre uma comunicaçao avisando que para garantir a reserva faz-se necessario o deposito de X% do valor da diaria. Isso mesmo: d-e-p-o-s-i-t-o! Nao fazem reservas sem garantias e nao aceitam cartao de credito.

Para quem mora no exterior, fazer um deposito internacional para garantir uma simples diaria de hotel è muita funçao. E’ quase que um pedido: “nao venham para o Brasil!”

E sem contar a questao dos preços. Marido nao consegue entender como um hotel de 150 reais passe a custar 480 reais sò pq è Natal/Ano Novo… Tudo bem que estipulem um aumento para as chamadas altissimas temporadas, mas aumentar em 300% o valor da diaria è demais, nao?

Um investimentozinho em guias turisticos que pelo menos arranhem o ingles tb faz muita falta no Brasil. Por 3 vezes (em Fortaleza, em Bonito e no interior da Bahia) eu fiz passeios onde eu era a unica brasileira do grupo e me vi obrigada a traduzir as informaçoes do guia.

O duro era ter que ouvir os agradecimentos dos outros turistas pela minha boa vontade, acompanhados de um “que absurdo que o passeio seja sò em portugues para um grupo composto unicamente de estrangeiros”.

Mas esse post è sò um desabafo de alguem que mais uma vez està organizando uma viagem para o Brasil e mais uma vez passa pelos mesmos problemas. O Brasil è maravilhoso, mas tem que querer muito para nao desistir da viagem durante a organizaçao!

43 Comments

Filed under Brasil, Divagações

Como escolho minhas viagens

Acho divertido quando amigos vem conversar comigo sobre viagens e se espantam quando digo que nao, nunca estive em Recife, muito menos em Versailles e tambem nunca pus os pès no Egito.

A pergunta que segue è sempre a mesma: “Como assim? Mas vc jà foi pra Tanzania, pra Russia, pro Chipre… e nunca foi para lugares tao mais conhecidos e turisticos? Por que? Como vc escolhe as suas viagens?”

Pode parecer simplista demais, mas eu decido meus proximos destinos (no plural!) simplesmente com base em 2 variaveis: tempo e dinheiro.

Quer dizer, sao 3 as variaveis, jà que com “tempo” eu entendo não sò o meu tempo disponivel para viajar como o tempo (clima e melhor època) do destino na data da viagem.

E com “dinheiro”  levo em consideraçao o estilo da viagem que pretendo fazer. Por exemplo, com os mesmos mil euros posso passar um final de semana romantico em Paris, hospedada num hotel bom e comendo em restaurante estrelado, ou posso passar uns 15 dias rodando pela França com as amigas.

Tenho uma famosa “listinha”, com todos os lugares que gostaria de visitar no mundo. Essa listinha sao arquivos no meu computador, organizados em ordem alfabetica e normalmente separados por paises. Se os paises tem muito a oferecer, faço sub-pastas com as respectivas regioes e/ou cidades.

Em cada um desses arquivos armazeno todo o tipo de informaçao que encontro sobre o lugar e tb faço um “documento-mae”, que è aquele que vai me ajudar a definir meu proximo destino, pois me resume o fator tempo&dinheiro e, basicamente, contem informaçoes sobre:

  • quantos dias, pra mim, seria o ideal para permanecer no destino
  • as melhores èpocas para a viagem e as vantagens e desvantagens de cada periodo
  • as festas nacionais que gostaria de ir e quais pretendo evitar
  • se è melhor viajar num esquema mais chique ou mais economico
  • alguns preços de atraçoes, passeios, transporte, hospedagem, comida… (sò pra ter noçao de custos, antes de me aventurar num lugar que pode me levar à falencia) 

Com isso, tao logo eu vislumbre um feriadao, ferias, final de semana ou tempo livre, eu vou direto na minha listinha verificar quais sao os lugares que melhor se encaixam nas minhas variaveis de tempo&dinheiro e pronto! O meu proximo destino acaba se escolhendo sozinho!  

Ah, convem mencionar que eu decidi abolir as “prioridades de viagens” e assumir que se o destino consta na minha lista, quer dizer que è um lugar que me interessa e que pretendo visita-lo mais cedo ou mais tarde. Portanto, tanto faz se a viagem serà feita mais cedo ou mais tarde, basta que seja feita!

Resumindo, eliminei as prioridades e estou sempre viajando. Faço sempre a viagem que dà pra ser feita, seja ela para onde for! Nao me privo de uma viagem possivel, para ficar sonhando com uma viagem perfeita.

A desvantagem desse meu “mètodo” è que  nao, nunca estive em Recife, muito menos em Versailles e tambem nunca pus os pès no Egito…

11 Comments

Filed under Divagações

A gorjeta…

Um assunto que sempre me deixou cismada nas minhas viagens é a tal da gorjeta. Muda o paìs, mudam os habitos e  eu nunca consegui entender pra quem dar a gorjeta e muito menos quanto deve ser dado. Vou ser sincera: essa historia de que se deve dar gorjeta para quem faz bem o seu trabalho nao me convence em nenhum lugar do mundo. Ora bolas, todo mundo deve fazer bem o seu trabalho! Quem nao faz bem seu trabalho è demitido! Ou nao?

Pra mim, a gorjeta teria uma finalidade bem especifica: um reconhecimento e um agradecimento para alguem que faça algo além do exigido pelo seu trabalho; algo que a pessoa nao era obrigada a fazer e mesmo assim o fez, simplesmente pq quis fazer. 

Me explico: por que devo dar gorjeta a um entregador de pizzas que foi contratado e recebe um salario exatamente para entregar pizzas e nao faz nada alem daquilo para o qual foi contratado? Por outro lado, na minha opiniao, a gorjeta é mais do que devida se, por exemplo, a minha diarista, contratada para passar roupa, na maior boa vontade e mesmo sem eu pedir, dà agua para as minhas flores quando eu viajo.

Mas já percebi que o intrincado mundo da gorjeta nao funciona desse jeito… Entao alguem poderia me dizer como fuciona?

Pra inicio de conversa pra quem pagar a gorjeta? Já vi gente ofendida pq nao recebeu e já vi gente ofendida pq recebeu, no melhor estilo “nao preciso de esmolas”. E pra piorar a situaçao, me incomodam aqueles que veem a gorjeta como um direito adquirido ou um dever do cliente  como, por exemplo, restaurantes que fazem da gorjeta parte integrante da conta, ou garcons que reclamam pq consideraram pouco os 10% que foram deixados (juro que isso me aconteceu em Praga!), ou entao restaurantes que “sugerem” uma gorjeta de 30% do valor da conta (isso tb me aconteceu em NY).

Ai alguem me diz: ah, mas a gorjeta é pra complementar o salario baixo dos funcionarios… E eu retruco: mas quem foi que disse que eu tenho que pagar salario de funcionario dos outros?  Mas tudo bem… Seguindo essa linha e supondo que eu realmente tenha que pagar o salario alheio, por que existem categorias de trabalhadores que merecem a gorjeta e outras categorias que nao merecem? Como identificá-las?

Gostaria de entender pq eu tenho que pagar gorjeta para um garçon e nao tenho que pagar para um vendedor numa loja de roupas?  Pq todo mundo (pelo menos na Italia) dá gorjeta a motoristas de taxis e ninguem pensa na gorjeta do motorista de onibus?

Um outro ponto que nunca entendi: quanto deixar de gorjeta? Dizem que o ideal é deixar os famosos 10% do valor da conta… Mas um percentual sobre o valor da conta nao é muito relativo? Às vezes me sinto mesquinha por achar que deixei pouco e  uns trocos a mais nao vao me levar à falencia. Mas se deixo muito acabo me sentindo uma idiota que se deixa explorar.

Seguindo a linha dos 10%, numa conta de 50 euros, deixar 5 euros pode ser razoavel… Mas e se tomo sò um cafè e gasto 0,80 euros?  Deixo apenas 0,08 euros? Nao è pouco? No outro extremo:  e se a conta é de 3000 euros? Devo realmente deixar 300 euros de gorjeta? Nao é muito?

E o que mais me intriga: serà que algum dia eu terei as respostas para todas essas perguntas?

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

15 Comments

Filed under Divagações