O whisky de Islay

Um dos lugares que marido fazia questao de visitar na Escocia era a ilha de Islay, mais conhecida como a Meca do “whisky tourism” e viajar para là com uma gravida a tira-colo era sò vantagens (pra ele, è claro!): podia beber o dobro nas degustaçoes e ainda contava com uma motorista sobria à disposiçao! Ah, os sacrificios que uma mulher apaixonada nao faz pelo homem amado… 🙂

Sao 8 as destilarias de Islay e visitar todas elas exige tempo, pelo menos uns 3 ou 4 dias. Nem tanto por causa da bebedeira, mas principalmente porque os horarios das visitas sao bem restritos, mudam conforme a destilaria e se nao agendar com uma certa antecedencia, jà era!

Mas vale a pena visitar todas elas? Bom, nòs visitamos 6 destilarias nos 2 dias inteiros que passamos na ilha e achamos que jà estava passando de bom. Apesar das explicaçoes sobre a produçao do whisky serem basicamente sempre as mesmas, foi interessante ver as particularidades de cada uma.

Mas sinceramente, para visitar todas elas, vc tem que ser realmente um apaixonado por whisky, senao acaba caindo na mesmice. Eu me daria por satisfeita com umas 3 destilarias visitadas.

As destilarias que visitamos foram:

Bowmore: foi a primeira que visitamos e me pareceu a que tem mais infraestrutura para receber o turista. As explicaçoes sao mais detalhadas e com um vocabulario mais simples, para leigos. Deu a impressao de que os turistas sao tao importantes quanto a produçao do whisky, mas eles regulam um pouco na hora da degustaçao: è um copinho antes (durante um filme de apresentaçao) e um copinho no final do tour.

Caol Ila: como o marido è apaixonado pelo 18 anos dessa destilaria, em vez de fazermos o classico giro turistico, agendamos uma degustaçao com todos os whiskys produzidos ali. Ironia do destino, eles tinham todos os whiskys, menos o 18 anos! Como nenhuma destilaria engarrafa os proprios whiskys em Islay, existem whiskys que acabam nem voltando para a “fabrica”. De Glasgow (ou de onde quer que sejam engarrafados) seguem diretamente para a distribuiçao, conforme a demanda.

Falando em demanda, em Islay descobrimos que 90% da produçao de Caol Ila è destinada à produçao de Johnnie Walker. (A pergunta que nao quis calar foi: como Johnnie Walker consegue estragar um whisky tao bom?)

Nao sei se a memoria faz com que os sabores sejam melhores do que eles realmente sao, mas marido afirma de pès juntos de que o 18 anos è melhor do que o 25 anos que ele experimentou… Eu fiquei sò no cheiro….

Kilchoman: è a menor e a mais recente destilaria de Islay, como eles plantam a propria cevada e a transformam em malte ali mesmo, a parte interessante da visita foi ver, na pratica, como esse processo acontece.

E por ser uma destilaria muito recente e pequena, eles ainda nao tem muito o que oferecer em termos de degustaçao, afinal o whisky precisa envelhecer e o primeiro single malt que produziram jà esgotou. Como eles nao tem ainda muito whisky para oferecer, a lojinha no final da visita è a que oferece mais variedade de coisas para comprar e nao sò garrafas.

Laphroaig: achei a visita mediana, nao acrescentaram nada alem daquilo que eu jà tinha ouvido nas outras destilarias…

Lagavulin: foi uma das visitas mais interessantes porque aqui a produçao nao para nas ferias. Entao tivemos a oportunidade de ver as maquinas trabalhando a todo vapor, pudemos experimentar, diretamente dos barris, o whisky fermentando antes de ser destilado e acompanhar todo o processo de produçao ao vivo. A desvantagem è que nao podia tirar fotos…

Ardbeg: depois de visitar Lagavulin, estavamos jà mais do que satisfeitos com as visitas às destilarias, mas resolvemos visitar tambem Ardbeg.

Primeiro, porque nessa destilaria fica um dos melhores lugares para almoçar de Islay: o Old Kiln Cafè (lembrando que Islay nao oferece muitas opçoes de restaurantes…) e segundo porque o lado emocional falou mais alto: Ardbeg foi o whisky que nòs escolhemos para a festa do nosso casamento. A visita foi OK, como em Laphroaig, nada de novidades.

Bosta Beach

Antes que me acusem de ter baixado muito o nivel do blog, quero deixar registrado que esse è realmente o nome, em ingles,  da praia localizada em Great Ternera, nas Outer Hebrides – Escocia e nao reflete necessariamente a minha opiniao sobre o lugar, muito embora eu acredite que o nome seja um claro referimento ao clima local 🙂

Fomos parar nessa praia no auge do verao escoces, em pleno mes de agosto, e as temperaturas medias eram de 12°C, com direito a uma insistente chuvinha fina nos 3 dias que passeamos pela regiao.

OK. Para fins de honestidade intelectual, tenho que dizer que, como mais de 60% da populaçao das Outer Hebrides fala gaelico, em muito lugares o nome dessa praia estava escrito em gaelico, ou seja, “Bostadh”. O nome melhora um pouco, mas o clima continua igualmente ruim.

Com um pouco de sol, Bosta Beach seria paradisiaca! A areia è branca e finissima, a agua è muito transparente e as fotos ensolaradas dessa praia que existem na internet estao aì para provar que Bosta Beach nao deixa nada a desejar em termos de beleza às praias caribenhas.

Mas mesmo com chuva, a viagem atè Bosta Beach nao è perdida. Em 1996 foi descoberta uma inteira “cidade” da idade do Ferro ali nas redondezas. Por questoes de preservaçao, enterraram tudo de novo e restauraram uma das casas, com a reproduçao fiel do modo de vida do povo daquela epoca, para a alegria dos turistas.

A visita a essa casa è realmente fascinante. Vc ve uma portinha aberta com um placa na frente com o preço, mas nao encontra ninguem para te cobrar o ingresso.

Vc entra numa sala muito escura, sem janelas, sem nenhum tipo de ventilaçao, sò uma fogueira no centro, cheiro de fumaça e por causa da escuridao nao dà pra distinguir mais nada. Atè que se aproxima alguem puxando papo e sò depois de algum tempo vc acaba intuindo que è a pessoa responsavel pelo lugar.

Depois de muita conversa sobre as curiosidades do lugar e as explicaçoes climaticas para a ausencia de janelas, seus olhos começam a se habituar com a escuridao e vc começa a ver a decoraçao da casa: carnes penduradas no teto para serem defumadas, a cama, o lugar para guardar mantimentos… E o papo è tao bom que vc sai dali com aquela sensaçao gostosa de quem acabou de visitar a casa de um amigo!

Ah, Bosta Beach conta tambem com um dos 12 sinos  instalados no Reino Unido por Marcus Vergette, para o seu projeto “Time and Tide Bell”.

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