Perrengue de design

Na nossa ultima viagem, aproveitamos passagens baratas para Barcelona para visitarmos 2 patrimonios da humanidade que ficam ali pertinho: Tarragona e o Mosteiro de Poblet.

Como jà estivemos em Barcelona outras vezes, achamos por bem dormirmos em Tarragona e, assim, ficar mais perto ainda do que gostariamos de visitar e nao perder tempo na estrada. As vezes eu me pergunto por que diabos eu insisto em reinventar a roda: Tarragona è um daqueles classicos destinos de bate-e-volta a partir de Barcelona e eu deveria imaginar que isso significaria que a oferta de hoteis nao è muito abundante para os turistas que resolvem dormir por là.

Encontramos um hotel bem bom, um dos melhores no centro da cidade, daqueles de design, bem modernosos e que foi o perrengue maior da viagem! Foi sò entrar no quarto e eu nao sabia se ria ou se chorava… Fomos obrigados a rir da situaçao, sente o drama:

Marido reservou o melhor quarto do hotel, e estava todo feliz com sua escolha porque seria um quarto enorme, com jacuzzi e mais um monte de mimos. Ele sò se esqueceu de um detalhezinho: ver as fotos do quarto no site do hotel…

A tal suite com jacuzzi era um belissimo, enorme e romantico open space. Seria lindo, se fossemos sò nòs dois, comemorando um aniversario de casamento por exemplo; mas, carregando a herdeira, foi dramatico!

Nem um muro, nem um movel grande, nem qualquer outra coisa que pudesse servir de barreira entre o berço da herdeira e a nossa cama. Nao dava nem pra pendurar um lençol no teto com fita adesiva (sim, eu jà fiz isso!) pois o open space era realmente “open”!

Passamos duas longas noites no escuro e sussurando para que ela nao acordasse. Detalhe: ela vai dormir às 20h00!

Bom, nao è o fim do mundo… Graças à tecnologia, daria pra colocar a nossa baba eletronica, que funciona com wifi, pra vigiar a herdeira dormindo enquanto iriamos ao bar do hotel tomar umas cavas… Perfeito!

Sim, essa seria a soluçao ideal e è o que normalmente fazemos quando viajamos… quando o wifi do hotel funciona no quarto, obviamente! Nao era o nosso caso nesse hotel em Tarragona.

E – pior –  nao dava nem pra ficar muito tempo vendo besteiras na internet, pagando roaming, porque, em pleno 2014, em todo aquele open space que era o nosso quarto , existia uma única tomada. Isso mesmo: umazinha e nada mais! E que só existia por causa de uma lampada de chao sem interruptor proprio, que acendia e apagava usando o mesmo interruptor das outras lampadas no teto.

Nao preciso nem dizer que aquela tomada sò funcionava quando as luzes estavam acesas, nè? Era simplesmente impossivel deixar qualquer equipamento eletronico carregando durante a noite…

Bom, jà que nao dava pra sair do quarto, nao dava pra ficar na internet, o jeito era remediar e dar aquela escapada basica pro banheiro.  Qual banheiro? O problema è que nao era sò wifi e tomada que nao existiam no quarto…

Quer dizer, banheiro atè tinha, mas nao do jeito que estamos acostumados a ver. Tudo bem que estavamos num open space, mas precisava levar o conceito tao a serio? Custava colocar parede no banheiro?  Parede! No banheiro, Dio Santo!

Pois è… a pia era do lado da cama e o resto era em bela vista, com vidros ligeiramente fume fazendo as vezes de parede. Haja intimidade!

Foto roubada do site do hotel
Nosso quarto na foto roubada do site do hotel

Mas aì alguem pode perguntar: e por que ficaram duas noites? Era sò ir embora no dia seguinte… Aì è que entra aquele discurso de Tarragona ser uma “cidade bate-e-volta”. Ficamos 2 noites ali porque todos os outros quartos do nosso hotel e todos os outros hoteis da cidade que atendiam as nossas necessidades estavam lotados.  Nao tinhamos alternativa!

E como a gente jà tinha organizado o nosso dia com o pernoite em Tarragona, nao valia a pena ir pra Barcelona na segunda noite, pois teria virado do avesso a rotina da herdeira. E a experiencia jà nos demonstrou que è muito pior ter um bebe manhoso numa viagem do que passar algumas horas coçando a barriga no escuro em um quarto de hotel.

Fazia tempo que a gente nao errava tao feio na escolha de um hotel. E um erro facilmente evitavel, pois no site do hotel tem foto! Bem feito pra nòs, isso sim!

Pelo menos na terceira noite conseguimos escapar pra Barcelona!

Avila

Avila foi a decepçao da nossa ultima viagem pela Espanha. Nao sei se foi excesso de expectativas ou simplesmente o meu santo nao bateu com o da cidade.

Avila è uma das cidades mais famosas para um bate-e-volta a partir de Madrid, eu estava louca para conhece-la e quando, ainda da estrada, eu vi os muros que protegem a cidade, minhas expectativas que jà estavam altas sò fizeram aumentar.

Dai chegamos no nosso hotel, o Parador de Avila, e o encantamento foi indo embora… O Parador atè que è um hotel bem bonito, mas escolheram os espanhois mais antipaticos e sem vontade do mundo para atender na recepçao.

Passada a primeira mà impressao, fomos passear… Eu estava esperando encontrar, dentro daqueles muros imponentes, uma cidade como Caceres!  Que nada… Cidade normalissima, nada de especial, com uma ou outra igreja bonita pelo caminho…

Quando estava organizando as fotos da viagem me dei conta de que sò tenho foto das muralhas  – e, na minha opiniao è o que fazem de Avila um lugar que merece ser visitado.

Realmente, o passeio que fizemos pelas muralhas foi delicioso, e sò. Mais nada. Quando um destino turistico nao “dà liga”, paciencia… O jeito è partir para o proximo.

Caceres

Caceres foi uma das cidades medievais mais intactas que tive a oportunidade de visitar e diz a lenda que è uma das cidades com o centro historico mais bem preservado do mundo.

Foi fundada pelos romanos, os arabes a modificaram e, por fim, uns nobres do Reino de Leao que se mudaram para là depois da Reconquista a enriqueceram e parece que desde entao ninguem nunca mais reformou nada por ali.

As ruas estreitas, as torres de pedra, as casas, atè o chao parecem ter sido congelados no tempo e a grande diversao è admirar cada detalhe da cidade e imaginar como era a vida no seculo XVI, epoca do auge de Caceres.

A  Ciudad Monumental de Caceres è minuscula! Tao minuscula que errei feio nos calculos sobre quanto tempo gastaria com a visita.

Meu programa inicial previam 3 horas de tour, para passear tranquilamente, comprar meu ima de geladeira, ler todas as informaçoes que havia estampado sobre a cidade e, de repente, atè uma pausa para um cafè…

Mas uma chuvinha fina chata que ia e vinha nao colaborou muito para um passeio agradavel e, ainda por cima, a parte historica de  Caceres è muuuuito menor do que eu imaginava;  em meia hora eu jà tinha rodado a cidade toda  e lido e comprado tudo aquilo que estava no programa.

Como a cidade è encantadora demais da conta, acabamos voltando umas 3 ou 4 vezes ao mesmos lugares e fizemos zilhoes de fotos. Talvez por causa do tempo feio, nao tinha quase ninguem pelas ruas e Caceres era toda nossa! Foi magico!

Merida

Quem passar pela regiao da Extremadura na Espanha, nao pode deixar de visitar Merida, cidadezinha encantadora com ruinas romanas espalhadas por todos os lados.

Eu fiquei meio “assim” de incluir Merida no roteiro, afinal sair da Italia para ver ruinas romanas na Espanha nao fazia muito sentido… mas como a Unesco a considera Patrimonio da Humanidade, tinha certeza de que a visita seria no minimo interessante.

E poe interessante nisso!  A cidade foi fundada pelo imperador Augusto no ano 25 antes de Cristo com o nome de “Emerita Augusta” e caminhando pelas ruas cidade, de repente,  vc se depara com algum monumento de època romana, como a ponte sobre o rio Guardiana, ou o Portico do Foro, ou o Templo de Diana.

Mas as estrelas de Merida sao o Teatro e o Anfiteatro Romano.

O Teatro Romano foi construido por causa de interesses politicos, onde a autoridade fazia propaganda de si propria e do modo de vida romano, nao sò atraves das mensagens que vinham do palco, mas tambem pela propria arquitetura  grandiosa do teatro e com suas epigrafes e iconografias.

A capacidade do Teatro Romano era de umas 6 mil pessoas, mas nao fazia muito sucesso com o publico, que preferia os espetaculos do circo e do Anfiteatro. Com a implantaçao oficial do Cristianismo, que considerava imoral as representaçoes teatrais, o Teatro acabou sendo relegado ao abandono.

Atualmente o Teatro està restaurado e voltou a ter a sua funçao original: desde 1933 acontece o Festival do Teatro Classico em julho e agosto.

Jà no Anfiteatro eram realizados os jogos entre gladiadores, lutas entre animais ou entre homens e animais – a alegria do povo da època! Assim como no caso do Teatro, com o Cristianismo, o Anfiteatro tambem foi abandonado e boa parte de sua estrutura foi se cobrindo com terra.

Nao sobrou muita coisa pra ver no Anfiteatro, mas com o livrinho guia que vem junto com o ingresso conjunto, fica tudo muito mais  claro para quem nao tem muita criatividade em interpretar ruinas.

Falando nele… o jeito mais facil e economico para visitar os monumentos è comprar o ingresso “entrada conjunta” que custa 12 euros e compreende o Teatro, o Anfiteatro, a Alcazaba (em portugues è Alcaçova!?) e  todos os outros monumentos da cidade, excluindo os museus. E ainda por cima vem um livrinho guia em portugues super bom com fotos e desenhos para entender a historia e a arquitetura do lugar.

Mosteiro de Guadalupe

Eu comecei a me interessar pela regiao da Extremadura na Espanha quando, estudando sobre o lugar, vi que essa è a regiao espanhola que mais “participou” da descoberta da America.

Varios dos mais importantes conquistadores da America eram provenientes dessa regiao, como Hernan Cortes, que era de Medellin, Pizarro, cuja familia vinha de Trujillo, Fray Nicolàs de Ovando, de Caceres… Nao è à toa que na America Latina existem varias ” Trujillo” (no Peru, na Venezuela, em Honduras…),  outras tantas “Merida” (no Mexico, na Venezuela…), e algumas “Caceres” um outra “Medellin” e tantas “Guadalupe”.

A Guadalupe espanhola è uma cidadezinha pequena, perdida no meio do nada com um mosteiro que, ainda hoje, è um importante lugar de peregrinaçao

O Mosteiro de Guadalupe foi construido no ano 1340 no lugar onde, diz a lenda, um pastou encontrou uma imagem da Virgem que tinha sido escondida por cristaos que fugiam da invasao muçulmana e, desde entao, a Virgem de Guadalupe è muito adorada.

Era tao adorada no seculo XVI que foi a escolhida para ser a padroeira de todos os territorios conquistados pelos espanhois no Novo Mundo e os nativos da America que vieram para a Espanha com Cristovao Colombo foram batizados na fonte em frente ao mosteiro.

A visita ao Mosteiro è necessariamente guiada (excluindo a igreja que tem acesso livre e gratuito) e, pelo menos quando estivemos là, nao tinha hora marcada para as visitas: conforme juntava um numero  de pessoas, a visita começava. Ah, o Mosteiro faz a siesta, entao nada de visitas das 12h30 atè as15h30.

Durante a visita, o guia fala basicamente sobre os 3 pequenos museus que tem no Mosteiro: o museu dos bordados, com aquelas roupas sacras dos seculos XIV a XVIII, bordadas com grande maestria; o museu dos Libros Miniados, uma preciosa coleçao daqueles gigantescos livros do seculo XV, escritos a mao e todos desenhados (foi o museu mais interessante do mosteiro, na minha opiniao) e o museu da Pintura e Escultura com, como o nome sugere, pinturas e esculturas.

Em seguida a visita nos leva a Sacristia, uma das salas mais bonitas de todo o mosteiro, para em seguida, irmos para a sala do Relicario-Tesouro.

A partir dai, a visita se torna mais religiosa do que turistica, culminando com uma visita de adoraçao à Virgem (opcional) no seu camarim, uma sala situada atras do altar da igreja, onde està a imagem da Virgem.

A imagem da Virgem està posicionada sobre um pedestal giratorio, Quando nao tem visitas turisticas, a Virgem està virada para a igreja, quando tem visitas, um religioso do mosteiro vira a Virgem para o camarim de modo que os fieis possam adora-la.

Como meu interesse nao era religioso, eu dei sò uma espiadinha no camarim, para saciar minha curiosidade e segui diretamente para o claustro em estilo mudejar, a unica parte do mosteiro onde os turistas podem circular livremente, depois da visita guiada, e podem tirar fotos.

Em nao sendo uma pessoa muito religiosa, eu nao sairia de Madrid especialmente para visitar esse Mosteiro, mas achei que ele foi perfeito para um pit-stop antes de seguirmos para Merida.

De Madrid a Merida, passando por Salamanca

Aproveitando um feriadao em Milao no inicio de dezembro, que nos dava 5 dias inteiros de folga, inventamos um circuito turistico nos arredores de Madrid que, no final das contas, nao ficou restrito somente aos arredores.

Com a velha historia de que “è tudo tao perto”, acabamos fazendo um verdadeiro tour pinga-pinga por cidadezinhas espanholas encantadoras e cheias de historia pra contar.

Apesar de nao gostar muito desse esquema de dormir cada noite numa cidade diversa (principalmente pq eu sou a responsavel oficial pela arrumaçao das malas), acho que em certas situaçoes o classico “montar bases + bate-e-volta” mais atrapalha e toma tempo do que ajuda.

(Estavamos de carro com GPS, a nossa mala era bem pequena e as cidades que visitamos idem. Com isso nao perdemos tempo nem com transito nem com burocracias pra entrar e sair do hotel e o tempo que levariamos para voltar a uma base, usavamos para ir atè o proximo destino. Muito tranquilo.)

Nosso roteiro  incluiu: o mosteiro de Guadalupe, as ruinas romanas de Merida, a cidade historica de Caceres, uma retorno rapido a Salamanca para matar saudades, os imponentes muros de Avila, a incrivel Segovia e o imponente c0mplexo de El Escorial. Espero atè o inicio da proxima viagem eu consiga postar sobre todos esses destinos e começar jà a por em pratica a minha resoluçao de ano novo de ser menos relapsa com a minha vida virtual.

Ponte de Vizcaya

Ponte de Vizcaya

Bem pertinho de Bilbao, em Portugalete, tem uma ponte que a Unesco declarou Patrimonio da Humanidade, a Ponte de Vizcaya ou Puente Colgante para os locais.  Quando eu li a descriçao dessa ponte, fiquei super curiosa para ve-la ao vivo.

O site da Unesco se refere à Ponte de Vizcaya como a primeira ponte do mundo que carrega carros e pessoas numa gondola suspensa.

Confesso que o fato de carregar carros e pessoas numa gondola suspensa nao me assustou tanto quanto o fato de ter sido a “primeira” e nao a “unica” ponte do genero. Segundo a Wikipedia, atè o Rio de Janeiro jà teve uma assim

Essa ponte foi construida por um discipulo de Gustave Eiffel (aquele mesmo da torre) e foi a soluçao encontrada para unir Portugalete a Las Arenas sem interromper o trafego naval e sem precisar construir estruturas enormes dentro do rio.

A ponte de Vizcaya possui 164m e està em pleno funcionamento. Quem quiser atravessa-la a pè dentro da gondola, pode usar o bilhete do transporte pùblico da regiao, e em 1 minuto e meio se chega do outro lado.

E pra quem quiser, com 5 euros, dà pra atravessar a ponte à pè pela estrutura de metal que sustenta a gondola, com direito a elevador para subir atè là.

Nòs resolvemos atravessar a ponte de gondola e voltarmos por cima.  A gondola nao tem graça nenhuma, è como se eu estivesse num normalissimo metro.

Já a parte de cima è super bonita: tem um “que” de emoçao com o vento forte e algumas chacoalhadas leves quando passa a gondola, alèm disso, existem vaos no piso que permitem ver o rio embaixo e, è claro, a vista dali de cima è deliciosa.

A Ponte de Vizcaya nao è um “must see”, mas eu achei que enriqueceu a nossa viagem “arquitetonica” pela regiao. Depois do Guggenheim, pq nao uma ponte-gondola?

Bilbao

Bilbao

Antes de ir para Bibao, eu achava que a unica coisa que tinha para ver na cidade è o espetacular Museu Guggenheim. Depois de ter ido a Bilbao, continuo achando a mesma coisa!

Bilbao atè conta com um centro historico bonitinho, com casas e interessantes e bares animados, mas sò.  Acredito que o “problema” de Bilbao è ter uma atraçao tao fantastica quanto o Guggenheim; daì todo o resto da cidade acabou ficando sem graça.

Alias, acho que esse è o principal problema inclusive do proprio Guggenheim. Eu fiquei tao maravilhada com as formas externas do museu, todo aquele titanio reluzindo ao sol, que  quando entrei a decepçao foi grande.

Mas nao è por menos! Um museu bonito daqueles por fora – e 13 euros para entrar – criaria expectativas em qualquer um! O fato è que as salas internas do museu nao tem nada de “diferente”, nao passam de meras salas normalissimas, com paredes brancas; e quanto às obras de arte…

Bom, nao sei se sou eu que nao entendo a arte contemporanea, ou se o que estava exposto nao era compativel com a beleza arquitetonica externa do museu.  Pra mim, a arquitetura do Guggenheim è, por si sò, uma obra de arte espetacular e o que tem dentro nao valeu o ingresso.

Mas vale ir pra Bilbao sò pra ver o Guggenheim por fora? Vale! E muito! O museu fica na beira da “ria”, e alem do cafè do proprio museu, bem na frente tem um bar super animado (pelo menos estava bem animado quando eu fui).

Entao, depois que passamos a manha toda rodeando o Guggenheim para observarmos e tirarmos fotos de todos os seus angulos, nada melhor do que uma pausa no bar (sem perdermos o museu de vista, è claro!), para recarregarmos as baterias antes de seguirmos para o proximo destino.

Playa de Las Americas

Playa de Las Americas

A parte mais turística da ilha de Tenerife mexeu comigo. No inicio eu detestei aquilo, mas depois Playa de Las Americas me fez parar pra pensar e reavaliar as minhas expectativas em relação a um lugar. Explico:

Chegando lá, eu tive um treco! Achei um lugar totalmente sem personalidade, daqueles com ruas cheias de lojas internacionais, pizzarias por toda parte, pubs estilo ingles, hoteis e resorts enormes, areia clara demais para uma ilha vulcanica e absolutamente nada que pudesse lembrar que eu estava passeando por uma das Ilhas Canárias.

Fiquei indignada! Como é possível que uma cidade seja tao descaracterizada pelo turismo a ponto de existir 50 restaurantes de comida italiana pra cada meio restaurante de comida canária? (essa estatística é minha, baseada na minha dificuldade em encontrar alguma coisa pelo menos espanhola pra comer)

Ainda bem que Tenerife não é feita só de Playa de Las Americas!  A capital é uma delícia, La Laguna é lindinha demais e o Teide é um espetáculo que, sozinho, jà vale a visita a ilha! Mas o que não me saia da cabeça era: por que o resto do mundo parece estar gostando daquilo e eu não?

Comecei a pensar nos meus próprios hábitos de viagem e descobri que, quando viajo “de férias”, eu me comporto igualzinho a todo mundo que vai  e gosta de Playa de Las Americas.

Quando eu estou de férias, eu quero simplesmente descansar e não quero me preocupar com nada. Eu não quero saber de experimentar comida nova, eu quero alguma coisa fácil e de preferência que eu conheça para não ter surpresas. E nada melhor que a boa e velha pizza, não é mesmo?

Eu não estou interessada em descobrir os usos e costumes locais, nem quero quebrar a cabeça com os meios de transportes, eu quero simplesmente ler meu livro bem tranquila, de preferencia num lugar bonito e quero ter à mão coisas com as quais estou habituada, pra não correr o risco de sentir falta de nada…

Aliás, é justamente por procurar coisas que me são habituais que costumo viajar de férias sempre para os mesmos lugares. Se o lugar é uma novidade, pra mim não sao mais férias! Quando eu viajo para visitar algum lugar novo, o que eu menos quero é descansar! Eu quero experimentar tudo o que é diferente, procuro consumir somente produtos locais, eu não paro quieta em hotel e só carrego um livro se for ficar muito tempo presa num avião.

E acho que a minha implicância com a Playa de Las Americas  está nessa diferença: eu fui parar num lugar de férias, sem estar “de férias”. Mas, convenhamos,  alterar a paisagem vulcanica da ilha  a ponto de trazer areia clara do Sahara* sò para “ingles ver” (literalmente), é um pouco demais, né?

Eu acabei nem tirando fotos, mas pra quem ficou curioso, vale dar uma olhada neste site.

* foi a informaçao que recebi do concierge do hotel onde me hospedei quando eu perguntei pq a areia ali era tão branca e diferente do resto da ilha…

La Gomera

La Gomera

La Gomera é uma das sete ilhas que compoem a Ilhas Canárias e se orgulha por ter hospedado Cristóvão Colombo e suas três caravelas – Pinta, Niña e Santa Maria – antes que ele cruzasse o oceano. Em San Sebastián, quase todos os lugares turísticos estão ligados ao navegador, mas quem vai a La Gomera não quer saber muito de história e quer ver a natureza, afinal a ilha possui uma grande floresta de louros que, segundo consta, um dia já cobriu toda a Europa mediterrânea e atualmente quase não existe mais.

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Compramos nossas passagens pela internet no site da Companhia Fred Olsen um dia antes da viagem, sem nenhum problema. O único detalhe é que nós não sabíamos que o bilhete eletrônico deveria ser trocado pelo cartão de embarque no porto, como se fosse um check in num aeroporto. Mas foi fácil de descobrir, pois existem máquinas que fazem esse check in espalhadas por tudo com “Fred Olsen” escrito em letras garrafais. A melhor coisa foi comprar os bilhetes antecipadamente, as filas eram enormes!

Uma viagem tranquila de 35 minutos a partir de Tenerife, e, quando chegamos alugamos um carro na Hertz do porto mesmo. Alugar um carro em La Gomera por um dia custa quase 4 vezes menos do que levar um carro de uma ilha a outra.

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Bom, nós alugamos um carro porque somos preguiçosos assumidos, pois La Gomera é a ilha das trilhas (rimou!) e as pessoas vão pra lá super equipadas com sapatos de trekking, mochilas especiais, aquelas “bengalas” próprias para o esporte (não sei o nome daquilo) e muita vontade de caminhar.

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Uma coisa legal do parque é que lá existem trilhas para todos os gostos, desde as mais longas e mais difíceis, até as mais curtas, para pessoas urbanas como eu. E, para quem gosta de explorar o mato em trilhas, o lugar deve ser uma meta e tanto, tendo em vista a quantidade de gente que vai pra lá especialmente pra isso.

Mas eu, particularmente, achei o lugar pouco estimulante. Eu gosto de caminhar, gosto de visitar parques, mas, pra mim, um contato assim próximo com a natureza tem que ser curto ou então ter algo de estimulante ou um objetivo que me faça sentir vontade de prosseguir, senão em meia hora eu me canso da mesmice da paisagem, por mais bonita que seja.

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 Seguimos, obviamente, a trilha mais curta, de 2km qeu vai até o Alto do Garajonay, o ponto mais alto da ilha. Em uma hora, com calma, deu pra chegar no topo, ver as árvores de louro de pertinho, curtir a paisagem lá de cima e voltar tranquilamente para o carro. Essa mini trilha me deixou feliz, satisfeita, com fome e com vontade de comer qualquer coisa temperada com louro.

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A idéia inicial era almoçar no restaurante Las Rosas para ver uma apresentação dos silbos gomeros, um meio de comunicação típico da ilha, mas lemos no guia que a comida era ruim e só valia ir até lá pelo show mesmo. A moça do serviço de informações turísticas de La Gomera confirmou que a comida não era grandes coisas, que o lugar é caro e, pra piorar, está sempre cheio de turistas barulhentos, quase nem dá pra ouvir o show (que, segundo ela, nem é grandes coisas).

Como alternativa, ela sugeriu um passeio por cidadezinhas menos frequentadas por ônibus de turistas, onde comeríamos bem e ainda corríamos o risco de ouvir o silbo gomero pelas ruas.

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Essa segunda opção faz mais o meu estilo de turistar, então fomos primeiro para El Cercado, ver a produção local de cerâmicas e, em seguida, fomos para Chipude, onde assisti ao final da missa na graciosa igreja da praça e comi, no Bar da Sonia, uma carne de cabra temperada com muito louro que estava deliciosa!

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Essas duas cidades são minúsculas e perdidas no meio do nada e parecia que eram repletas de passarinhos, pois a cantoria era constante. Só fiquei triste que não vi ninguem que fizesse um “showzinho” de silbo gomero no meio da praça, como, na minha ingenuidade, eu achava que aconteceria…

Quando cheguei em casa, fui pesquisar na internet como é o tal silbo gomero, pois fiquei muito curiosa, e agora tenho sérias dúvidas se as cidades eram cheias de passarinhos mesmo ou se eram silbadores que se comunicavam e eu não reconheci…

Depois do almoço, seguimos até a Playa de Alojera. Essa praia foi uma das praias mais bonitas que já vi e não tem nada a ver com aquelas fotos de cartão postal caribenho. A praia é minúscula, enfiada no meio de paredões de pedra vulcânica e com a areia preta, preta (não é cinza escuro, como as outras praias que eu vi, é preta de verdade!), que fazia um contraste incrível com a água do mar.

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 É impressionante como uma ilha redonda e pequena, com míseros 25km de diâmetro,  consegue ter uma variedade de paisagens tão grande! Em poucos minutos se sai de uma paisagem desértica vulcânica para uma floresta cheia de vida, se sai do sol para a neblina e chuva, de lugares cheios de gentes a lugares completamente ermos e tranquilos. La Gomera é uma ilha deliciosa e fiquei com pena de não ter pernoitado por ali…

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