Old Bushmills Distillery

Old Bushmills Distillery

 Depois da Rope Bridge seguimos viagem para a “escala” que me interessava de verdade, antes de chegar em Giant’s Causeway: a Old Bushmills Distillery.

Além das óbvias razões etílicas, o que me impulsionou a fazer esse passeio foi a curiosidade de conhecer a mais antiga destilaria “oficial” do mundo, pois desde 1608 que a Bushmills possui uma licença para a destilação de seus whiskeys.

Antes de iniciar o passeio, o guia pede que 4 voluntários se apresentem para uma surpresa… A enxerida aqui mais do que depressa levanta a mão! Qualquer que seja a surpresa não deve ser ruim e o meu negócio é participar!

Os outros 3 voluntários foram mais reticentes, não se pronunciaram súbitamente, queriam saber do que se tratava a surpresa antes de se candidatarem… Uns chatos!!

Bom, com relação ao passeio, ao contrário do passeio pela Guinness, onde tudo era preparado para o turista e nada daquilo funciona de verdade na produção da cerveja, em Bushmills visitamos realmente os lugares onde é produzido o whiskey. Se não fosse final de semana, tenho certeza de que veria o proprietário daquele casaco deixado numa cadeira, ou o fulano encarregado de fazer anotações ininteligíveis numa prancheta pendurada na parede.

Foi também muito instrutivo, aprendi um pouco da história do whiskey e da destilaria, a diferença na produção dos diversos tipos de whisky, por exemplo, os whiskeys Bushmills são destilados 3 vezes, enquanto que os escoceses, normalmente são destilados 2 vezes e os americanos apenas 1 vez (informações obtidas no local, nunca visitei nenhuma outra destilaria). Gostei bastante de ter conhecido as adegas onde os whiskeys são envelhecidos e o cheiro que tem ali é impressionante, foi quase capaz de me embebedar!

No final do tour, a melhor hora: provar os whiskeys! A parte chata é que as pessoas podiam escolher só um dos produtos pra experimentar: um copo e mais nada do whiskey escolhido. A parte legal é que a surpresa para os voluntários era experimentar todos os whiskeys produzidos pela Bushmills e ainda experimentar um Johnnie Walker Black Label e um outro escocês que não me lembro o nome, para as devidas comparações!

Me dei bem!! E ainda me deram um “diploma” de “expert em whiskey”…

Carrick-a-Rede Rope Bridge

Carrick-a-Rede Rope Bridge

 Existiam duas possibilidades de passeio até Giant’s Causeway: a primeira, mais barata, era ir direto de Belfast ao ponto de interesse, ida e volta sem escalas; a segunda opção era, com um pequeno acréscimo do valor, é claro, fazer duas paradas no meio do caminho: uma na Carrick-a-Rede Rope Bridge e a outra numa destilaria de whiskey (antes que alguém me corrija, o irlandês é assim mesmo que se escreve… whisky é escocês)

Obviamente decidimos pelo passeio com escalas! Pra ser sincera o que me interessou mesmo foi a parte do whiskey, nem ouvi que tinha uma ponte incluída no tour…

Pois bem, a tal ponte, que fica na Costa Norte da Irlanda do Norte, foi construída por volta de 1600 pelos pescadores locais interessados em pescar os salmões que faziam da ilha de Carrick parte de sua rota migratória. Como o mar ali é muito turbulento, não era seguro ir de barco até a ilha, então o jeito foi construir a tal ponte suspensa (que também não me pareceu muito segura…).

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Hoje ainda existem alguns pescadores que a utilizam, mas como os salmões não são mais abundantes na área, a ponte é mais usada mesmo como atração turística.

A paisagem natural onde se localiza a Rope Bridge é de tirar o fôlego: um enorme tapete em vários tons de verde que acabam em paredões de pedra que enfrentam o mar. Bom, eu não sei se fiquei sem fôlego com a paisagem ou de medo quando me deparei com aquela ponte e com aquele vento!

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Realmente, muita gente chegava perto, olhava com desconfiança e voltava sem coragem de atravessá-la, especialmente porque do outro lado da ponte não tem nenhum atrativo especial, além de admirar a vista espetacular. A diversão do lugar é a ponte em si!

Na minha opinião, o problema maior não era o medo de atravessar a ponte, é ter que atravessar a ponte duas vezes: na ida e na volta, porque não existe outro modo de sair de Carrick Island.

Me enchi de coragem e fui!

A ponte balançava muito com o vento forte e o meu medo se misturava com a impressão de estar voando. Que sensação fantástica!  Mas a minha coragem só me permitiu olhar pra baixo na volta, quando eu já estava quase chegando no final da ponte…

Belfast

Belfast

 Com a decepção em Dublin,  decidimos aproveitar os nossos dois dias restantes de viagem e seguir para o norte da Irlanda do Norte a fim de visitar um lugar considerado Patrimônio da Humanidade e que não tínhamos idéia de que existia, descobrimos na internet do albergue em Dublin. Acontece que o modo mais fácil para se chegar até esse lugar, totalmente inóspito, era ir até Belfast e agendar um passeio de um dia inteiro até lá.

Com isso, ficamos com um dia sobrando pra visitar Belfast, mas estávamos totalmente sem noção do que visitar, afinal, Belfast não era nosso objetivo. Pior do que não ter noção, é ter na memória os noticiários sobre o IRA e os conflitos religiosos na Irlanda do Norte e não ter certeza se era seguro, ou não, andar pela cidade livremente.

Para evitar qualquer problema e não perder tempo tentando achar as atrações por conta própria, resolvemos entrar num daqueles ônibus “Cityseeing”, para um panorama geral da cidade. Não é o meu modo preferido de conhecer um lugar, mas às vezes não sobram muitas opções..

A primeira parada do ônibus foi perto dos murais existentes em várias partes da cidade que mostram as diferenças políticas e religiosas, representam a violência, a lealdade à Coroa Britânica, heróis de batalha, folclore irlandês… e em alguns muros se pode ver inclusive as marcas dos bombardeamentos.

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Depois desse choque inicial seguimos para lugares mais “tranquilos”, como uma visita rápida pela St. Anne Cathedral, um passeio em frente às docas secas onde foi construído o Titanic, e também um passeio pelos jardins do Stortmont Parliament Building (não era possível entrar).

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Deixamos pra visitar o centro da cidade e o (ou a? – é masculino ou feminino?) City Hall no final, por pura “comodidade logística”. No City Hall tivemos muita sorte, primeiro porque não sabíamos que era possível visitá-lo por dentro e segundo, porque chegamos exatamente no horário da última visita do dia!

Com a vantagem dos dias longos devido ao verão que se aproximava, terminamos o nosso tour com um agradável passeio pelas ruas de pedestres do centro da cidade.

Depois do tour, como eu estava sozinha (minha amiga estava cansada e quis ficar no albergue), resolvi entrar em um bar para tomar uma cerveja (não era Guinness e o bar não foi o Crown Liquor Saloon, que estava muito cheio). Chegar em Belfast no dia do primeiro jogo da Copa do Mundo foi muito engraçado. A Irlanda do Norte não tem muita tradição em futebol e nem tinha se classificado para a Copa, mas em todos os bares de Belfast lá estava a TV ligada mostrando Alemanha e Costa Rica em campo.

Perfeito! Tomo a minha cerveja e ainda consigo acompanhar o segundo tempo do jogo. Foi cômico: só tinha homem no bar e quando eu disse que era brasileira, me senti um mico leão dourado: todos me olhavam com curiosidade e me perguntavam coisas de futebol, como se eu fosse uma expert. E eu dava lá os meus palpites como se fosse realmente uma grande entendedora do assunto!

Depois do jogo da Alemanha começou o jogo da Polônia e Equador e dá-lhe mais cerveja e mais palpites, foram as partidas mais animadas da copa que eu pude ver.

Com o sol ainda alto, mas já tarde da noite, voltei pro albergue para dar conta do dia seguinte em Giant’s Causeway

Dublin

Dublin

Entendiada em casa e sem muito dinheiro disponível, fui atrás de promoções de última hora para viajar. Eis que, a somente 0,01 euro de passagem aérea (mais taxa de embarque, é claro), encontrei o meu destino: Irlanda! 

Dublin é uma cidade bonita e bem cuidada, mas não tem nada de especial. As atracões da cidade são a fábrica da Guinness, célebre cerveja irlandesa, que para o meu paladar habituado com Skoll é muito forte, e a região do Temple Bar. 

A fábrica da Guinness é muito preparada para turista, conta um pouco da história da cerveja e de seu modo de preparação. A visita vale pela vista espetacular de Dublin, que pode ser observada do bar todo de vidro que fica no último andar do prédio e pela cerveja distribuída no final do tour.

Como na Irlanda, menores de idade não podem consumir bebidas alcoólicas, as crianças e adolescentes recebem no final do tour um copo com coca-cola, quase da mesma cor da cerveja. Eu tive que me segurar para não cometer um crime e pedir para um adolescente, que olhava para o meu copo com cupidez, trocar a sua coca-cola pela minha cerveja… O sabor da Guinness realmente não me cativou. 

A região do Temple Bar é um bairro em Dublin onde a vida noturna acontece. São ruas estreitas com uma interminável sequência de bares, os famosos “Irish Pubs” e dentre eles, sem dúvida o mais famoso é o Temple Bar, sempre lotadíssimo! O problema desses pubs é o preço, que frustra toda e qualquer tentativa de embriagar-se além da quantidade incrível de turistas caindo de bêbados espalhados por toda parte.

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Além das atracões etílicas, existe também a possibilidade de se fazer um passeio cultural por Dublin. Na Trinity College, uma belíssima universidade, se pode fazer uma visita ao Livro de Kells, escrito no ano 800 por monges celtas, que é bastante curioso. O Castelo de Dublin também é bem bonito e tem uma curiosa estátua da Justiça que, além de não ser cega, dá as costas para a cidade, é possível, também, visitar os belíssimos State Apartments, que hoje são usados pelo governo do país para grandes eventos.

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Confesso que fiquei um pouco desapontada com Dublin… (acho que esperava encontrar o Bono Vox em alguma esquina da cidade…). Das capitais europeias que conheci, talvez seja a menos interessante… Ou então eu estou ficando muito velha (e pobre) pra essa vida boêmia que a cidade oferece…

Giant’s Causeway

Giant’s Causeway

A UNESCO tem um site em que lista todos os lugares do mundo considerados “patrimônio da humanidade”. É um site bastante útil na hora de preparar uma viagem, porque vale a pena desviar um pouco o roteiro original para conferir esses lugares.

Como na minha viagem para a Irlanda fiquei um pouco decepcionada com Dublin, decidi aproveitar os meus dias remanescentes em outro lugar e segui para Belfast, na Irlanda do Norte, pois, na minha usual pesquisa no site da UNESCO, descobri um lugar curiosíssimo chamado “Giant’s Causeway”, que fica perto. 

No albergue de Belfast comprei um passeio de um dia para visitar esse lugar, que fica a aproximadamente duas horas e meia de distância, com a vantagem de que o ônibus parte do próprio albergue, portanto as minhas únicas preocupações foram: agendar o passeio com um dia de antecedência para garantir o lugar e acordar bem cedo no dia seguinte. 

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Giant’s Causeway é uma formação rochosa particular, de mais de 50 milhões de anos, encontrada no norte da Irlanda do Norte e um pouco na Escócia. É particular porque não parece uma formação natural, parece que as rochas foram colocadas de propósito naquele lugar, pois são todas do mesmo tamanho e do mesmo formato, como que lapidadas para a construção de uma grande calçada – daí o nome! 

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De todas as explicações científicas para tentar entender o fenómeno, a que mais me convenceu foi a linda história de amor entre um gigante que vivia na Irlanda e uma giganta que vivia na Escócia… Para por um fim na distância que os separava, o gigante resolveu construir uma calçada unindo os dois países, facilitando, assim, o encontro dos dois apaixonados!

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