Termas di Pré Saint Didier

O marido reclama que, antes de me conhecer, ele ia muito para os Alpes esquiar e aproveitar o tipico combo “montanha/neve/comidas pesadas/bebidas quentes”, e que daì ele caiu na besteira de se casar com uma brasileira friorenta e as suas ferias durante o inverno nunca mais foram as mesmas.

E como nao dar razao a ele? As vezes eu atè me sinto em culpa por nao frequentar as montanhas no inverno como ele gostaria, mas dai eu me lembro da experiencia no Ice Hotel e o remorso vai logo embora!

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Enfim… apesar de nao gostar muito de frio, eu acho o maximo ver aquele povo curtindo piscina externa bem quentinha, imersa em uma paisagem com neve por todo o lado. Confesso atè que essa era uma daquelas coisas que eu sempre tive vontade de fazer… Mas cade a coragem de ficar de biquini ao ar livre no frio?

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Com ou sem coragem, dessa vez eu nao escapei! Pra compensar a falta do frio esse ano, tao logo voltamos do cruzeiro, emendamos o final de semana do meu aniversario num hotel-spa-termas em Pré Saint Didier, uma cidadezinha que fica entre Courmayeur e Morgex no Vale D’Aosta, a regiao italiana que fala frances, localizada praticamente embaixo do Mont Blanc.

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Como a unica coisa que se tem pra fazer em Pré Saint Didier sao as termas, nòs resolvemos ficar no hotel, digamos, “oficial”. O site do hotel fala sempre em “o hotel das termas”, “acesso gratuito e prioritario aos hospedes do hotel”, e o site do hotel è igualzinho ao site das termas, e isso me levou a acreditar que o hotel ficava dentro das termas.

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Eu nao sei se a maternidade que està me deixando louquinha, ou se os sites parecidos foram feitos de proposito pra pegar turistas mais desavisados como eu. O fato è que è a segunda vez quase seguida que eu erro feio na escolha do hotel, por pura falta de atençao. De novo, bastava ler direitinho o site que a informaçao està là. Escondidinha, mas està: “o hotel fica a 2km das termas”.

Quando chegamos no hotel e eu vi que ficava longe das termas, eu fiquei decepcionada (pra nao dizer um palavrao, que esse è um blog de familia). Se eu soubesse que o hotel oficial ficava longe das termas, eu teria escolhido um hotel em Courmayeur, que è uma cidade muito mais interessante de se visitar…

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Mas sabe que com o erro, nos demos super bem? O hotel tem um spa fantastico! Piscina externa aquecida (de aguas nao termais) com uma vista espetacular das montanhas, do jeito que eu sempre imaginei! E ainda por cima eles aceitam crianças no periodo da manha, quando estavamos praticamente sozinhos no spa!

Mesmo nao sendo de aguas termais, eu jà estava satisfeita com aquela piscina e com aquela vista, mas como o passeio era pra as termas, ficar sò no spa do hotel nao vale, nè? Deixei o marido de castigo cuidando da filha, e là fui eu com um casal de amigos conhecer o lugar.

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Pra chegar, o hotel oferece um serviço de van que leva e traz os hospedes em horarios prè-estabelecidos, que devem ser agendados com antecedencia. Mas pra quem està de carro, tem um estacionamento do lado das Termas.

Como eramos hospedes do hotel, furamos a fila e nao precisamos pagar o bilhete de ingresso. A moça nos deu a chave do armario no banheiro e um “voucher” pra pegarmos a toalha, roupao e chinelos.

Nas Termas de Pré Saint Didier crianças menores de 12 anos nao podem entrar, e quando eu cheguei là eu entendi o porque. O lugar è lotado, gente pra todo o lado disputando um espaço nas saunas e nas piscinas com hidromassagem; sò faltava mesmo ter criança correndo e gritando pra completar a confusao.

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Vendo aquela gente toda, o primeiro impacto nao foi dos melhores, principalmente depois de ter estado no spa do hotel que è muuuuuito mais tranquilo. Mas foi sò entender o “funcionamento” do lugar e pronto! Foi otimo! Deu pra relaxar e aproveitar o visual das montanhas numa boa.

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Adorei a experiencia, mas achei que nao foi completa. Jà estamos pensando em voltar no ano que vem, mas com algumas modificaçoes:

  1. a multidao nao incomodou, mas prefiro ir numa època menos lotada, talvez no meio da semana.
  2. me certificar de que realmente tem neve, pois esse ano ela nao deu as caras por là e o meu sonho de nadar numa piscina com neve ao redor nao se realizou.
  3. e, principalmente, descobrir como as pessoas conseguem caminhar sò de roupao entre as piscinas, com calma e elegancia, naquele frio de rachar!

 

Torre de Pisa

Acho que um dos meus maiores “problemas” em morar na Italia è que tem tanta coisa pra ver/visitar e fica tudo tao pertinho que acabo adiando o turismo nos lugares mais famosos: “Tem muita gente, a fila tà muito grande, a gente volta outro dia”.

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E foi exatamente isso que acontecia com Pisa. Nao sei quantas vezes jà fui à cidade e nao sei quantas mil fotos eu tenho da torre, mas sempre do lado de fora. Por preguiça ou por falta de organizaçao mesmo nunca deu certo de eu subir na dita cuja.

Dessa vez, aproveitando que fomos passar o Natal na Toscana, nao deixei passar batido: torre de Pisa, aì vamos nòs!

Compramos os ingressos com antecedencia pela internet. Os ingressos sao vendidos por dia e por faixa horaria (a cada 20 minutos) atè o final da disponibilidade e sò valem praquele dia e praquela hora especifica. Perdeu a hora, jà era!

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Por causa disso, entao eu nao sei se ausencia de fila na bilheteria era porque todos os ingressos jà tinham sido vendidos, ou se porque era baixa estaçao e nao tinha muita gente mesmo… Ouso dizer que era por causa da baixa estaçao, pois nunca tinha visto a Piazza dei Miracoli tao vazia…

Ingresso em maos, là fomos nòs pra fila uns minutos antes do nosso horario. A fila è bem curta, pois è formada sò por pessoas com ingressos para aquele horario, tinha atè uma funcionaria que passava na fila pra olhar os ingressos e conferir se o horario tava certo.

Outra coisa que a funcionaria olhava eram as coisas que os turistas estavam carregando. Nao pode subir na torre com absolutamente nada, nenhum tipo de bolsa/bagagem, eles sò admitem maquina fotografica. E nao interessa o tamanho da bolsa ou da maquina fotografica.

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A funcionaria barrou a visita de uma turista, que estava atras de mim na fila, porque ela estava carregando uma bolsinha pendurada no pescoço. A turista, è claro, resmungou, alegando que a bolsinha era muito menor que a minha maquina fotografica – como nao lhe dar razao! – mas nao teve papo.

Ah, e menores de 8 anos tambem nao podem subir na torre, por questoes de segurança. A herdeira ficou brincando na Piazza dei Miracoli com os nonnos durante os 45 minutos que durou a nossa visita.

A visita começou pontualmente no horario. Eu nao imaginava, mas a torre è oca! E è bem ali naquele vao no meio da torre que uma funcionaria vai dar as explicaçoes, em ingles e em italiano, sobre a construçao da torre, do motivo pelo qual ela tà inclinada, e de alguns outros detalhes estruturais.

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Como o solo em Pisa è muito instavel, achei bem interessante o fato de que especialistas apanharam pra manter a inclinaçao da torre com pesos e contrapesos: se coloca peso de menos, a torre desaba; se coloca peso demais, a torre endireita.

Diz a lenda que, do jeito que està hoje, a torre de Pisa tende a se endireitar, mas nao precisa ter pressa pra visità-la, vai demorar ainda uns 3 seculos para que isso aconteça.

Enquanto a funcionaria dà as suas explicaçoes, os turistas da visita anterior tem tempo de descer evitando, assim, congestionamentos na escada, que nao è là muito larga. Sao quase 300 degraus atè o topo da torre, uns 7  andares mais ou menos, e achei que a subida foi super tranquila, quando comecei a cansar, jà tinha chegado!

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Os sete sinos da torre vistos de perto sao interessantes, mas nada se compara à vista da Piazza dei Miracoli là de cima! E’ um escandalo! Tem uma gradinha chata de segurança, que dificulta um pouco as fotos, mas nada que impeça o deslumbre!

Na hora de descer, è cada um por si, nao precisa esperar o grupo inicial e tambem nao vi ninguem mandando turista embora por causa de horario. Teoricamente, voce pode passar o tempo que quiser là em cima.

Todo mundo me dizia que o legal da torre de Pisa è se impressionar com a sua inclinaçao e que là de cima voce nem ve a torre compondo a paisagem e nem percebe tanto sua inclinaçao e que por isso os 18 euros de ingresso nao valem a pena.

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Verdade verdadeira! Mas pra quem gosta de uma vista linda de morrer – eeeeu! – paga com gosto e desce feliz!

Costa Amalfitana no outono

No inicio de outubro, aproveitamos uma viagem a trabalho para Salerno para passarmos um final de semana na Costa Amalfitana.

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Jà estivemos outras vezes na regiao, mas sempre durante o inverno, porque, como eu jà expliquei nesse post antigo,  o meu objetivo na Costa Amalfitana nunca foi pegar praia. Dessa vez surgiu a oportunidade de passear por là numa epoca ainda considerada “temporada”, com muuuuitos hoteis e restaurantes se preparando para fechar as portas no final de semana seguinte à nossa estada.

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E como è o outono na Costa Amalfitana? Sinceramente, eu acho que se melhorar, estraga! Nòs pegamos muito sol, temperaturas em torno de 25°C – 28°C, muita vida e pouca muvuca. Mas acho que demos sorte e o fato de termos ido no inicio do mes tenha contribuido para os dias bonitos. Outubro e novembro costumam ser os meses mais chuvosos da regiao e Costa Amalfitana com chuva definitivamente nao combinam.

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E daria pra pegar praia? Diz a lenda que a temperatura media da agua do mar fica em torno de uns 22°C… Eu vi muita gente nadando no mar na maior alegria, mas eu nao gosto de agua fria 😉 .

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Como sò teriamos um misero final de semana livre, aproveitei para fazer duas coisas que eu nunca tinha feito antes: visitar a Gruta Azul em Capri e fazer o giro todo do litoral, nao me limitar ao trecho Sorrento-Positano-Amalfi.

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Mais do que cidades graciosas penduradas em penhascos, ou praias mais ou menos badaladas, pra mim, a grande atraçao da Costa Amalfitana è justamente a “costa”. E’ aquela paisagem surreal da estrada que mais se parece uma grande sacada com vista prum cenario feito de praias, cidadezinhas, portos, barquinhos, parreirais… e um mar azul que chega a doer de tao intenso.

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Pra mim, aquela estrada nao è tao somente um meio necessario para se sair de Sorrento e chegar em Amalfi; pra mim, aquela estrada è o passeio principal e Sorrento, Positano ou Amalfi sao simplesmente – lindas – coadjuvantes. Entao para aproveitar a “minha” Costa Amalfitana, um meio de transporte proprio è essencial, pela liberdade de poder parar – ou nao – no meio da estrada.

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Talvez o motorista nao aproveite tanto a paisagem durante a viagem, mas isso se resolve facilmente, basta parar o carro e um dos milhares de lugares feitos especialmente para se estacionar, soltar alguns UAUs, tirar milhares de fotos e seguir viagem sem pressa.

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Como eu mencionei, dessa vez, nòs fizemos o giro todo do litoral, percorremos a “pontinha”  no mapa. E è um outro mundo: em poucos quilometros tudo o que se refere a turismo desaparece e dà lugar a uma vidinha no campo bem tranquila, atè a paisagem è bem mais timida, de vez em quando aparece um pedaço de mar aqui e ali.

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O que me deixou impressionada nessa ponta do mapa foi a proximidade de Capri. De repente, depois de uma curva, voce dà de cara com um pedaçao de terra, e nao acredita que seja Capri por que tà perto demais para ser possivel, mas os Faraglioni nao deixam duvidas.

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Esse pedaço da viagem valeu para matar a minha curiosidade, mas nao tem jeito, a estrada mais panoramica è a que vai no sentido de Sorrento a Amalfi, durante a manha (nessa direçao, o carro fica na parte externa da estrada, com uma vista melhor, e no meio da tarde a viagem è contra o sol).

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E se voce tiver tempo de visitar sò um pedacinho da Costa Amalfitana, o trecho mais bonito de todos, aquele imperdivel – must do, è o que vai de Positano a Amalfi. E’ ali que voce percebe porque a regiao è chamada de Costa Amalfitana.

Tartufo

E eis que chega o outono e com ele a estaçao dos tartufos brancos de Alba no Piemonte. E desde que experimentei o danado do tartufo pela primeira vez, eu viciei; entao jà virou tradiçao aqui em casa: nessa època do ano, pelo menos um bate volta atè Alba tem que sair!

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Esse ano nao poderia ser diferente, entao, no inicio do mes, aproveitamos para fazer umas comprinhas na Feira do Tartufo Branco em Alba.

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Antigamente nòs iamos nos restaurantes mais bam-bam-bans da regiao para comer o tartufo em grande estilo, mas chegamos a conclusao de que nao vale mais a pena porque:

  1. Jà experimentamos quase todos os restaurantes que gostariamos de experimentar;
  2. O tartufo comprado na feira jà è carèsimo, imagina quanto nao chega a custar num restaurante estrelado e,
  3. Os melhores pratos feitos com tartufo sao os mais simples possiveis, e atè uma negaçao na cozinha como eu consegue preparar.

Entao, em vez de pagar os olhos da cara por um ovo frito ou um prato de macarrao com um pouquinho de tartufo em cima, preferimos comprar o tartufo e fritar o ovo em casa mesmo!

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Eu sei, eu sei, pobre metida a besta è uma desgraça… mas sabe que eu curti mais esse esquema? Com menos da metade do que gastariamos num almoço num restaurante bom, compramos um tartufao enorme na feira, e passamos 2 dias a base de macarrao com tartufo, ovo com tartufo, carne com tartufo…

To abastecida de tartufo! Pelo menos atè o ano que vem! ;D

 

Gruta Azul em Capri

Aproveitamos um lindissimo final de semana de sol em outubro para finalmente taparmos um buraco do meu curriculum e conhecermos um dos lugares mais turisticos da Italia: a Grotta Azzurra em Capri.

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Nao era a nossa primeira vez em Capri, mas eu nunca consegui pegar as condiçoes climaticas ideais para visitar a tal gruta. Convenhamos, a Gruta Azul recebe esse nome porque è uma gruta e por causa da luz que entra e deixa a agua do mar um azul muito intenso. Acredito que ir atè là quando o dia nao tà muito luminoso, deva diminuir um pouco a intensidade do azul da agua.

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O “empecilho” dessa vez nao era o clima, mas uma companheira de viagem de nem 2 anos. Fiquei meio apreensiva, pois nao sabia como a herdeira reagiria ao passeio, mas resolvemos arriscar, com algumas precauçoes.

A primeira providencia foi procurar alguem que fizesse o passeio sò com a gente, pois caso a herdeira tivesse um chilique e fosse impossivel segura-la tranquila dentro do barco, poderiamos cancelar tudo e voltar pra terra firme sem precisar incomodar mais ninguem.

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A viagem atè a gruta foi bem rapida, durou uma meia hora mais ou menos, e a herdeira rindo e amando a experiencia: vento no rosto, peixinho pulando na agua, aves voando… tudo era novidade!

Quando chegamos, tivemos que esperar na “fila” para trocarmos de barco e entrarmos na gruta. A fila è aquela coisa à italiana:, entra primeiro quem grita mais alto, eles dao preferencia aos grupos de japoneses e russos que deixam uma gorjeta maior e voce, que nao se encaixa em nenhuma dessas categorias, fica esperando.

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Naquele dia, a herdeira estava realmente num dos seus melhores dias, excitadissima com toda aquela gente dentro de barquinhos, que sumiam dentro de um “buraquinho na parede”. Meno male, pois foi mais de uma hora de espera, atè que aparecesse uma alma para nos levar pra dentro da gruta.

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Antes de entrar, temos que passar no caixa para pagar o passeio, em dinheiro; aì todo mundo abaixa a cabeça e voilà! Tudo escuro e um azul de quase cegar de tao forte. Um minutinho de pausa pro moço do barquinho tirar a foto da familia com todo aquele azul e mais 4 minutinhos pra fazer o giro pela gruta antes de sairmos.

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Exatamente, ninguem fica ali dentro por mais de 5 minutos, è impossivel tirar fotos decentes do lugar, pois a luz que entra è suficiente apenas pra iluminar a agua, o barco nao para e principalmente: ou voce tenta tirar foto, ou voce aprecia a paisagem. Nao sobra muito tempo para fazer as duas coisas.

E’ muita funçao e muito dinheiro pra pouco tempo de passeio, mas que a gruta è linda, ah isso è! E eu enfrentaria tudo de novo, feliz da vida, sò pra ver os olhinhos deslumbrados da minha pequena que nao parava de repetir: “entra buraco, tudo escuro, agua azulzinha!”

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Atè hoje ela nao pode ver um barquinho desenhado que jà se lembra do “buraco escuro, agua azulzinha”.

Gorgonzola em Gorgonzola

Uma das coisas mais pitorescas aqui da Italia è a enorme quantidade de cidades com nome de comida. Quer dizer… na realidade è a comida que recebe o nome da sua cidade de origem, mas como na maior parte das vezes eu jà conhecia a comida antes de saber da existencia da cidade, nao tem jeito, pra mim è a cidade que tem nome de comida e fim de papo.

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E è inevitavel, dou sempre uma risadinha tonta toda vez que descubro mais uma dessas cidades e, nao sei por que motivo, o apice dessa minha tontice è a cidade de Gorgonzola. Como assim existe uma cidade que se chama Gorgonzola? Pois è, existe. E fica do ladinho de Milao, dà atè pra chegar de metro.

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Diz a lenda que o queijo nasceu em Gorgonzola no seculo XV, mas hoje è muito dificil encontrar um produtor de gorgonzola em Gorgonzola; a maior parte da produçao se localiza nas provincias de Novara e Pavia, tambem nao muito distantes de Milao.

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E mesmo sem produzir o queijo, Gorgonzola se vale da fama de seu nome e promove todo ano, na terceira semana de setembro a chamada “Sagra Nazionale del Gorgonzola”, uma feira de produtos tipicos da regiao, onde o gorgonzola è a estrela principal.

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A primeira vez que eu fui a essa Sagra, em 2011, foi perfeito: jà estava friozinho, uma chuvinha que dava as caras de vez em quando, clima ideal para se acabar num pratao de polenta com gorgonzola e, egoisticamente falando, pra espantar um pouco a multidao. A sagra estava agradavelmente cheia, mas nao estava lotada de gente.

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Esse ano resolvemos repetir a dose. Um dia maravilhoso, de sol brilhando, ceu azul e temperatura alta: resultado todo mundo resolveu almoçar na Sagra do Gorgonzola. A fila para comprar um prato de polenta com gorgonzola era quilometrica e, por ser um prato quente e pesado, eu estava suando em bicas depois do almoço.

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Culpa minha, que insisti na polenta mesmo com aquele sol rachando; poderia muito bem ter ficado com um prato de pasta recheada de gorgonzola. Acho que atè o risotto com gorgonzola teria sido mais leve… Em todo caso, fui remediar o calor que estava sentindo com um – pasmem! –  sorvete de gorgonzola. E atè que nao era ruim 😉

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Mas mesmo com esse “detalhe” do clima e da lotaçao, consegui aproveitar mais a sagra. Nao sei se com o passar dos anos, a Sagra vai aumentando de tamanho e esse ano tinha mais variedade de produtos e de produtores ou se, nessa ultima vez, o sol permitiu que eu visse e experimentasse tudo com mais tranquilidade, sem precisar me esconder pra nao me molhar (muito) na chuva.

 

Pentedattilo

Na nossa viagem a Reggio Calabria, resovelmos dar uma esticadinha a Pentedattilo, uma cidadezinha pendurada no Monte Calvario, que recebeu esse nome por causa de sua forma, que antes do terremoto de 1763, se parecia com uma mao e seus 5 dedos (penta + daktylos).

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Hoje Pentedattilo è conhecida por ser uma cidade fantasma. Ela foi completamente abandonada por seus habitantes em meados dos anos 60 e sò foi ver gente de novo nos anos 80, com voluntarios que estao tentando recuperar o lugar.

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E’ um lugar muito bonito, com uma vista melhor ainda, mas nao achei que fosse là muito “fantasma”, pois nao està mais completamente abandonada.

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Tem  uma rua principal com algumas casas que, diz a lenda, funcionam de hotel e outras que vendem artesanato local, uma igreja fechada e o resto  da cidade parecia que estava sendo engolido pela vegetaçao, nao dava pra caminhar pelas ruinas de tanto mato tomando conta.

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E aì eu fiquei meio sem saber se a cidade precisa mesmo de uma boa recuperaçao ou se era esse abandono que fazia de Pentedattilo uma “cidade-fantasma”.

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Nòs chegamos bem cedo, estacionamos o carro ao pè da montanha, como diriam os portugueses, e percorremos uns 200m morro acima.

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Encontramos tao somente uns vendedores de souvenir, um casal de alemaes equipados com maquinas fotograficas enormes e uns gatos aqui e ali.

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Em meia hora rodamos a cidade toda, tirei todas as fotos que queria e quando estavamos voltando pro carro, um grupo de umas 30 pessoas estava subindo. E no estacionamento tinha outros 2 onibus de turismo recem-chegados e varios outros carros.

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Eu nao imaginava que Pentedattilo pudesse atrair tantos turistas assim! Imagino que visitar Pentedattilo junto com grupos grandes nao colabore muito com a experiencia “fantasma” da cidade.

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Entao o ideal è chegar bem cedo mesmo.

Dialogo no escuro

O Instituto dos Cegos de Milao promove uma exposiçao interessantissima chamada “Dialogo nel Buio”, que faz parte do projeto internacional “Dialogue in the Dark”. E’ um percurso feito completamente no escuro com guias cegos que, como diz no site, nos permite experimentar um novo modo de ver.

Eu fui uma vez a essa exposiçao, no sèculo passado, com duas amigas brasileiras e sai de là com vontade de voltar e de levar comigo a maior quantidade possivel de gente para conhecer e divulgar o lugar.

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As visitas, como nao poderia deixar de ser, sao sempre guiadas por cegos e convem reservar com antecendencia, pois os grupos sao pequenos e, principalmente, para que o Instituto se organize caso seja necessario um guia que fale outra lingua alèm do italiano.

Nòs chegamos e deixamos todos os nossos pertences num guarda-volume. Tem que deixar tudo mesmo, desde celulares e outros equipamentos que possam produzir luz e estragar a experiencia, atè objetos que podem cair e se perderem como òculos, por exemplo.

Dai entramos em uma sala que è um breu total, e nos vimos obrigadas a aguçar os outros sentidos pra reconhecer o que nos cercava.Nas salas foram reproduzidas cenas do cotidiano, como atravessar uma rua movimentada, ou tomar um cafè num bar.

Sentir na pele o que è ter uma deficiencia e ser incapaz de realizar coisas banais, como conferir o troco do cafè, por exemplo, è um baque. Mas è sò um baque inicial, pois o mais interessante desse percurso è que, nao obstante voce nao veja nada, o objetivo nao è reproduzir a cegueira, mas mostrar como a percepçao da realidade pode ser diferente na ausencia de luz, e que o mundo tambem è feito de cheiros, barulhos, texturas e consistencias.

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De uma maneira leve e divertida, o Instituto dos Cegos te obriga a se colocar no lugar do outro e a se dar conta da dificuldade que as pessoas com deficiencia enfrentam e, principalmente, que ser diferente nao significa necessariamente ter uma vida ruim ou triste. E’ sò diferente.

E alem desse percurso, o Insituto dos Cegos tambem promove outras atividades realizadas na completa ausencia de luz, com guias cegos como jantares, teatro, e atè um museu, em parceria com o Louvre de Paris .

Na sexta feira passada fomos conferir como è fazer um aperitivo no escuro. Pro aperitivo nao precisa reservar com antecedencia, è sò chegar, se apresentar na recepçao.

Aì eles te dao um numero que servirà para pagar a conta no final, te encaminham pro guarda-volumes e em seguida, vem um guia cego te levar para o bar. Com a ajuda do guia, voce encontra a tua mesa e, na mais completa escuridao, voce se dà conta de que està em um belissimo piano-bar, com musica ao vivo e varias pessoas ao redor batendo papo.

Logo vem o garçon, voce faz o seu pedido e voilà, passa um delcioso tempo, bebendo e beliscando (batatinha e amendoin) em um bar onde a aparencia nao conta nada, o que vale sao as pessoas.

E no final, è sò chamar o garçon que ele te leva atè a porta e a conta è paga, jà em presença de luz, na recepçao.

Reggio Calabria

Depois de experimentar um macarrao a bolonhesa em Bologna, uma carne a milanesa em Milao, um queijo gorgonzola em Gorgonzola, entre outras guloseimas italianas em seus lugares de origem, na minha lista estava faltando sò comer a linguiça calabresa na Calabria.

O detalhe è que sempre me pareceu um pouco de exagero organizar uma viagem unica e exclusivamente pra comer linguiça. Eu precisava arrumar outros motivos para justificar o dinheiro gasto com passagens aereas e hotel…

A maior parte do turismo na Calabria è por causa de suas praias, especialmente a chamada Costa dos Deuses, uns 50 km de litoral incontaminado e um dos poucos lugares da Italia onde areia branca e mar cristalino coexistem!

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Tropea – foto roubada daqui: viaggi.virgilio.it

Abre parenteses: para quem se interessar, a Costa degli Dei vai de Nicotera a Pizzo, mas è o trecho entre Tropea e Nicotera que faz mais sucesso com os turistas, com praias como Tropea, Ricadi, Capo Vaticano e Joppolo. Fecha parenteses.

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Capo Vaticano – foto roubada daqui: viaggi.virgilio.it

Atè que curtir uma praia poderia ser um bom motivo para visitar a Calabria, mas… quem me conhece, sabe que è mais facil eu organizar uma viagem para comer linguiça do que organizar uma viagem pra pegar praia…

Jà estava atè perdendo as esperanças de um dia poder visitar essa regiao, e eis que em dezembro do ano passado, o motivo que eu procurava finalmente apareceu: os Bronzes de Riace finalmente voltaram ao Museu Nacional da Magna Grecia, que estava fechado para reformas.

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Os Bronzes de Riace sao duas esculturas gregas, de bronze, do seculo V antes de Cristo, encontradas em excelente estado de conservaçao no fundo do mar em Riace, uma cidadezinha da regiao.

Foto roubada daqui: www.archeocalabria.beniculturali.it/
Foto roubada daqui: www.archeocalabria.beniculturali.it/

E essas sao as unicas informaçoes certeiras sobre essas estatuas, o resto è tudo hipotese: nao se sabe quem è (ou sao) o(s) escultor(es), como e por que as estatuas foram parar no fundo do mar italiano e muito menos quem sao os guerreiros representados.

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Eu sei que è clichè, mas nao existem fotos que consigam retratar com justiça a beleza desses guerreiros; ver musculos tao bem delineados (atençao para o “derrière”!) em estatuas de bronze feitas hà 2500 anos atras jà fez a viagem a Reggio Calabria valer a pena. Essas estatuas me emocionaram como hà tempos nao acontecia.

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Mas nem sò de Bronze de Riace vive Reggio Calabria. E’ verdade que a cidade, de um modo geral, nao ter nenhum charme: tem uma igreja que estava em reformas quando estivemos là, com curiosas suasticas decorando o teto (e um folheto gratis explicando o significado dos desenhos, para evitar confusoes com o seu uso – infelizmente – mais famoso).

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E tem tambem uma rua de compras, que estava fechada para o trafego e muito movimentada, com grupos de adolescentes na azaraçao, familias passeando, amigos bebendo num bar, mulheres vendo vetrines… imagino que quem mora em cidade pequena no Brasil jà deve ter participado de um domingo assim.

Mas a sua rua mais famosa de Reggio Calabria, o “Lungomare Falcomatà”, jà foi definida como o “quilometro mais bonito da Italia”. Nao sei se è o mais bonito, mas gostei muito do que encontrei.

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E olha que eu nem cheguei a ver o celebre fenomeno da Fatamorgana com os reflexos da Sicilia no mar.  (Momento Wikipedia: a Fatamorgana è um tipo de miragem superior em que objetos que se encontram no horizonte “adquirem uma aparencia alargada e elevada, similar aos castelos de contos de fadas”.)

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Mas a Fatamorgana seria sò um “plus a mais” num calçadao beira mar, decorado com plantas de varias especies, casas em estilo liberty e elementos que nos fazem percorrer a historia da cidade, como ruinas gregas e romanas aqui e ali.

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E, na minha opiniao, o que faz desse lungomare um lugar davvero speciale è a super vista privilegiada do Etna. Eu fiquei fascinada e hipnotizada com o vulcao coberto de neve, logo ali, na minha frente e nao conseguia parar de pensar no espetaculo que deve ter sido quando ele entrou em erupçao.

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Ali a perspectiva è completamente diversa, nao tem nada a ver com o Etna visto de pertinho, na Sicilia .  Em Reggio Calabria, voce està longe o bastante para ver o vulcao por inteiro e perto o suficiente para se sentir parte da paisagem, mais ou menos como se eu tivesse entrado numa daquelas fotos da National Geographic. (o que nao è o caso da minha foto logo acima, desculpae)

E para terminar o nosso final de semana calabres, fomos visitar Pentedattilo, assunto para outro post.

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Ah, no final das contas, a linguiça foi a unica coisa de que eu nao gostei na Calabria!

Friuli: vinhos e longobardos

Uma das ultimas viagens que fiz ainda gravida foi um final de semana prolongado na regiao italiana de Friuli Venezia Giulia para relaxar num agriturismo.  Fazendo uma comparaçao grosseira com outras regioes mais conhecidas da Italia, o Friuli seria um “Piemonte com vinhos brancos”.

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Assim como o Piemonte, o Friuli nao possui as paisagens espetaculares e as cidades fofissimas da Toscana, mas em termos de vinho, nao tem lugar melhor para experimentar um vinho tinto italiano  como no Piemonte e nao tem lugar melhor para curtir um vinho branco italiano como no Friuli.

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Essa viagem foi feita no meu ultimo mes de gravidez, mas foi organizada antes de eu saber que estava gravida. (nao tem muita logica organizar visitas a vinicolas com um barrigao, nè?).

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O objetivo de tamanha antecedencia na organizaçao è que nòs gostariamos de nos hospedar num agriturismo especifico – administrado pelo nosso produtor de vinho branco preferido – numa època especifica – durante a colheita das uvas.

Nosso destino foi a cidade de Dolegna del Collio, na provincia de Gorizia, quase na fronteira com a Eslovenia.

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Como pra mim relaxar nao è sinonimo de ficar sem fazer nada e, por causa da gravidez, eu nao podia aproveitar as degustaçoes de vinho, praticamente obriguei o marido a encontrar programas alternativos para fazermos pelas redondezas.

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Numa viagem anterior à regiao, tinhamos jà visitado  Aquileia, entao dessa vez nos concentramos em Cividale del Friuli.

cividale5Cividale foi a capital longobarda do Friuli, povo de origem germanica que, quando invadiram a Italia, deram vida a um reino independente no periodo de 569 atè 764, quando Carlos Magno tomou conta da regiao.

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A  principal atraçao de Cividale del Friuli è o chamado Tempietto Longobardo (oratorio de Santa Maria in Valle), considerado o mais importante e melhor conservado testemunho arquitetonico da època longobarda, tombado como patrimonio da humanidade pela Unesco.

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Foi construido por volta do VIII seculo como a capela privada do gastaldo (um tipo de administrador da cidade) e ainda hoje conserva uma extraordinaria e bem conservada decoraçao em stucco (estuque?), especialmente as seis figuras femininas em relevo (Sante).

E quem se interessar por mais detalhes sobre os estilos arquitetonicos e artisticos, o site do Tempietto è super completo e vale a leitura.

cividale8E assim, o tour que originariamente era sò focado nos vinhos do Collio, para a minha alegria, acabou se transformando em um inesperado passeio historico-cultural-longobardo.

 

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