Aït Benhaddou

Aït Benhaddou

Se tem um lugar no Marrocos que merece ser visitado esse lugar é Ait Benhaddou, uma kasbah perto de Marrakech. Bom… não é tão perto assim, umas 3 horas de viagem de carro, mas vale o esforço, além disso, a viagem é bem tranquila e a estrada até lá é bem boa.

Poucos quilômetros antes de chegar a Ait Ben Haddou, avistamos 1 ônibus de turistas parado no meio da estrada e algumas crianças marroquinas num lugar que parecia um mirante… Paramos também, é lógico! Para nossa sorte, o ônibus já estava indo embora e ficamos só nós e as crianças… Essa parada foi uma pequena amostra do que viria pela frente: uma kasbah (não descobri qual) maravilhosa e crianças de uns 8 anos querendo bancar as guias…

Eu já tinha aprendido como lidar com guias insistentes, então nem me incomodava mais… Não dava bola e pronto…

Pois bem.. Ficamos ali uns 10 minutos curtindo a vista e, na hora de ir embora, uma criança mais novinha, uns 5 ou 6 anos, me fez um gesto de que estava com sede e me pediu água. Meu coração se despedaçou… Não dá pra recusar água para uma criança, né? Principalmente naquele lugar desértico e quente!

O problema é que a nossa água tinha acabado, a única coisa que eu tinha no carro eram umas latinhas de Coca Light quente. Dei uma latinha pro menino e em dois segundos meu carro se viu invadido por moleques que se apoderavam das minhas latas de Coca Cola sem ao menos pedir! Pareciam uma nuvem de gafanhotos devastando tudo por onde passavam! Deu até medo, tamanha selvageria. Joguei a sacola com as latas de refrigerante bem longe, fechei bem as portas e janelas e fugimos dali o mais rápido possível!

Passado o susto, pelo retrovisor pude ver os moleques que tinham Coca Cola fazendo pirraça para aqueles que não tinham… O clássico: “eu te-nho, você não te-em!” em versão marroquina…

Finalmente Ait Benhaddou. Um estacionamento amplo, uns 10 carros com placa da França e uns 3 ônibus de turistas. Após o estacionamento, uma “rua” com algumas lojinhas, uns vendedores desanimados na porta e a kasbah nos esperava!

Mais do que depressa nos dirigimos a ela.

Perto da entrada, fomos barrados por um grupo de uns 5 ou 6 adolescentes, que falavam pelo menos umas 5 línguas diferentes, que não queriam nos deixar entrar… Diziam que o lugar onde estávamos indo era propriedade privada e que não poderíamos seguir por ali, que era proibido e que teríamos que seguir por onde eles indicavam…

Santa paciência… Respira fundo… Oras, se daquela parte fosse mesmo propriedade privata, eu simplesmente cumprimentaria o proprietário, pediria desculpas pelo incômodo e voltaria ao ponto de partida! Qual era o problema?

No Marrocos, eu aprendi a fazer o que eu quero, do jeito que eu quero, quando eu quero, sem dar a menor atenção para o “auxílio” dos nativos. Se não for assim, vc acaba não fazendo metade daquilo que havia programado e passa a vida em lojinhas…

Na tal propriedade privada, tinha mesmo um cartaz dizendo “propriedade privada” e um fulano na porta que cobrava 10 dirhams para cada um que quisesse entrar. Paguei o valor pedido (achei justo) e eis que me encontro dentro de Ait Benhaddou!

 

Dois passos e eis que surgem os primeiros guias importunando…

Eram todos adolescentes e eu juro que até tive vontade de pagar um deles para me mostrar os detalhes da kasbah e me contar a história do lugar… Mas esses guias não me inspiraram confiança…

Pode ser que eu esteja redondamente enganada, que seja puro preconceito da minha parte, e que eu tenha perdido uma grande oportunidade, mas tive a sensação de que esses guias são do tipo que inventam as histórias mais absurdas do mundo só pra divertir turista desavisado e ganhar mais dinheiro. Além disso, eles são tão chatos, que a minha vontade de ter um guia passou rapidinho!

E sabe que o tal guia nem fez falta? O legal era justamente me perder por ali e me surpreender a cada “esquina”. Estando ali, se torna perfeitamente compreensível o motivo porque essa kasbah já foi cenário de filmes do porte de Lawrence da Arábia ou Gladiador! O lugar é simplesmente espetacular!

Os guias e dicionários definem kasbah como sendo uma “cidadela fortificada”… Bem… eu não sei do que são feitas as paredes, mas pareciam feitas com barro, e tive a impressão de que na primeira chuva aquilo tudo derreteria, mas como ali não chove…

As decorações presentes nas torres também são incríveis, de perto pareciam uns buracos tortos e mal feitos nas paredes de barro, mas de longe formavam desenhos geométricos lindos, lindos!

 

Não dá pra ficar descrevendo muito… As fotos (ainda que amadoras) falam por si…

Tetouan

Tetouan

Tetouan, no norte do Marrocos, ficava meio fora de mão do roteiro que havíamos planejado e, para visitá-la, deveríamos dirigir bem umas 3 horas a partir de Fez. Como não queríamos passar nenhuma noite por ali, resolvemos fazer aquilo que eu prometo sempre que, da próxima vez, não faço mais: gastar mais tempo com o transporte do que conhecendo o lugar.

É o típico programa de índio: acordar super cedo, 3 horas pra ir, 3 horas pra voltar e poucas horas para apreciar o lugar. Mas, será que Tetouan vale esse esforço?

Bom, a Unesco tombou a medina da cidade como patrimônio histórico, a Lonely Planet dizia que Tetouan era particularmente interessante porque não se parecia com as outras cidades marroquinas… Já que é assim… Por que não?

Como já comentei, as estradas do Marrocos são bem boas, mas não dá pra dirigir muito rápido devido a enorme quantidade de pessoas, animais e policias pela estrada; com isso, chegamos em Tetouan por volta do horário do almoço.

Mal saímos do estacionamento, fomos abordados por “guias” que queriam porque queriam nos acompanhar pela cidade. Achamos divertida a primeira abordagem, rimos e fomos simpáticos na nossa também primeira tentativa de nos livrarmos do fulano.

Acontece que, se você demonstra o menor sinal de simpatia, o tal fulano não vai embora de jeito nenhum e não te dá paz. No segundo guia, a minha paciência já tinha se esgotado e o meu namorado, que é um gentleman, ainda insistia com a política da boa educação. Mais uma vez, tínhamos um guia grudado que não nos dava paz.

Com o terceiro guia, não só a minha paciência já tinha ido embora, mas também o mau humor já tinha se instalado. Antes que o tal guia pudesse dizer qualquer coisa, explodi, e, gentilmente, pedi para que ele desaparecesse da minha frente. Mas será o benedito que não consigo dar dois passos tranquila nessa [censurado] de cidade?

O namorado, com toda razão, brigou comigo e disse que eu não precisava ser tão grossa. Fiquei com peso na consciência, então, pra não ser grossa, comecei a ignorar completamente os outros guias que nos abordaram. Enquanto isso, o sempre elegante namorado tentava inutilmente se desvencilhar deles com diplomacia e educação.

Não me surpreendi quando vi que bastaram somente 2 guias a mais para que toda a elegância do namorado fosse por água abaixo. Pode demorar um pouco mais, ou um pouco menos, mas não existe uma viva alma nesse mundo que não se irrite com tanta insistência.

Aprovando ou não, sendo correto ou não, chegamos a conclusão de que o único método eficiente para ter um pouco de paz e ficar livre rapidamente dos guias era um incisivo “no, thanks” e ignorá-los por completo. Se o desdém não funcionasse por alguns minutos, uma patada bem dada era o suficiente para que ele nos xingasse e fosse embora.

Mas não poderíamos deixar que esse “detalhe” arruinasse o nosso passeio e seguimos para o nosso tour pela medina de Tetouan.

Aquela medina era horrorosa! Nem nos áureos tempos do Paraguai eu encontrava tanta coisa falsificada reunida. E, sinceramente, se eu quisesse ver marroquino vendendo Dolce & Gabbana falsificada, teria ficado em Milão mesmo!

Talvez eu estivesse sugestionada pelo “ataque dos guias”, mas, apesar deles não consegui encontrar nada em Tetouan com um mínimo de charme, ou que despertasse a minha atenção suficientemente para que pudesse dizer: “Isso é legal!”. Não tinha vontade nem de tirar fotos por ali…

Ficamos menos de uma hora na cidade, tempo mais do que suficiente para que a vontade de ir embora dali se tornasse irresistível. Agradeço aos céus que, pelo menos em um aspecto, a Lonely Planet tinha razão: Tetouan realmente não se parece com nenhuma outra cidade marroquina!

Uma noite no Sahara

Uma noite no Sahara

Depois de muito pesquisar as várias opções marroquinas de tours pelo Sahara, decidimos por visitar Erg Chigaga, tendo como ponto de partida a cidade de Zagora.

Resumidamente, posso dizer que preferimos visitar Erg Chigaga por ser mais longe da civilização e menos turístico que Erg Chebbi e decidimos por Zagora pelos motivos opostos: por ser mais perto da civilização e mais turístico que M’hamid!

Fomos a Zagora de carro, a partir de Marrakech. Embora a estrada seja boa e a distância seja relativamente pouca (nem 300km), leva bem umas 6 horas para fazer esse percurso, pois a estrada é estreita e muito movimentada. Mas não por causa dos carros, não! Carro por ali era o nosso e olhe lá, o problema era a enorme quantidade de pastores com suas cabras, crianças brincando e crianças trabalhando, além de muitos policiais ávidos por te multar por excesso de velocidade.

Resultado: calculamos mal o tempo da viagem e os últimos 30km até Zagora foram de muita tensão e velocidade baixíssima, pois tinha anoitecido e de noite é impossível ver as pessoas que andam pela estrada. Para piorar a situação, todos se vestem de preto!

Enfim Zagora! Um bom banho, um típico jantar marroquino no hotel (já não podia mais ver tajine na minha frente, mas as opções de menu por ali são meio restritas…) e uma bela noite de sono para, no dia seguinte, explorarmos o Sahara!

Nove horas da manhã e estávamos prontos na porta da agência que nos levaria às dunas do Sahara. É claro que do lado da agência tinha uma lojinha de souvenirs e é claro que, enquanto esperávamos, o vendedor nos convenceu a comprar turbantes para a aventura! Turistas…

Saímos de Zagora em um 4×4, na companhia de um guia que falava inglês e de um motorista que permaneceu mudo todo o tempo.

Primeira parada: um boteco no meio de uma cidadezinha perdida sabe Deus onde, a fim de comprarmos pão para a nossa jornada…

O método marroquino para escolher pães naquele boteco é bem simples: primeiro se coloca todos os pães existentes sobre um balcão (com várias pessoas e objetos apoiados ali, obviamente), depois é só apalpar um a um até encontrar o pão que atenda as suas necessidades (seja elas quais forem…). Está em dúvida? Apalpa de novo! Daí é só colocar o dinheiro sobre o mesmo balcão, de preferência embaixo dos pães restantes (para não voar, é claro), e a transação está concluída! Simples assim!

Pode parecer estranho, mas essa parada nesse boteco foi essencial para que eu me desse conta que se eu quisesse aproveitar a viagem e me divertir por ali, teria que me abstrair de alguns “detalhes” da minha vida cotidiana, como a higiene, por exemplo…

Prosseguimos nossa viagem off road no meio do nada. Eu nunca vi tanto nada junto! É o nada no seu estado mais puro! De vez em quando, ao longe, dava pra avistar umas montanhas e o Vale do Draa e de vez em quando surgia uma plantinha aqui e ali ou um acampamento nômade…E eis que, finalmente e bem na hora do almoço, chegamos na nossa segunda parada: um oásis!

Visto de longe é bem como nos filmes: um monte de palmeiras reunidas e muito nada ao redor! Eu estava excitadíssima com a idéia de almoçar num oásis de verdade no meio do Sahara de verdade! Já fui logo ajeitando o meu turbante pra entrar bem no clima! A primeira impressão foi ótima: sombra, barracas improvisadas decoradas com tapetes berberes, almofadas pelo chão… Um lugar perfeito para se descansar nas horas mais quentes do dia! Mas… cadê a água fresca??

Pois é… a água do oásis vinha de um poço pequeno, era meio suja e utilizada com muita parcimônia pelos locais… A vantagem de ser turista é que o nosso guia tinha providenciado muita garrafa de água mineral pra nós (a que nós levamos não deu nem pro cheiro!).

OK, água nós tínhamos, mas fresca? Só em sonho! Eu não entendi a razão, mas sob um sol de mais de 40 graus, o povo dá conta de beber chá de menta quente! E, além disso, nada de geladeira! Todo mundo bebe água em temperatura ambiente, ou seja uns 40 graus!!

Confesso que tomar água morna não é nada agradável, mas é sempre melhor do que não tomar… Mas sabe que, curiosamente e contrariando todas as minhas expectativas, o chá de menta quente era bom e refrescante? Vai entender…

O nosso guia preparou o nosso almoço que consistia no fatídico pão escolhido minuciosamente no boteco no meio da estrada, salada de tomate no estilo marroquino (quer dizer com coentro até a alma), queijo do tipo Polenghinho (??) e atum!! Atum foi a coisa mais bizarra que eu poderia comer num deserto , mas era atum daqueles enlatados, tá valendo!

Mais um pouco de chá de menta quente e a bexiga começa a reclamar… Onde mesmo é o banheiro?

Banheiro!? Que banheiro? Todo o glamour do oásis foi-se embora enquanto eu me dirigia à duna mais próxima… Que situação! Ninguém merece esvaziar a bexiga agachadinha atrás de uma duna! Pior: prestando atenção na direção do vento para não molhar os pés!

Já aliviada, me veio uma dúvida cruel: usar ou não usar o papel higiênico que eu trazia na bolsa? Se sim, o que fazer com ele depois de usado? Deixá-lo voar ao sabor do vento? Enterrá-lo? O que você faria?

Basta! Vamos subir o nível do post…

Após o almoço tínhamos uma hora de sol forte para aquela dormidinha básica antes de prosseguir viagem… Como não sou do tipo que dorme à tarde, fiquei ali observando o nada… De repente, não mais que de repente, uma meia dúzia de cabras, vindas do além, aparecem  por ali procurando água e comida…

Pareciam “habituées” do oásis, pois sabiam exatamente onde era o poço e onde ficava a “cozinha”. Enquanto todos dormiam, elas beberam um pouco de água, comeram um restos de comida, lamberam todos o pratos que estavam por ali (ooooommmmm…. eu devo me abstrair desses “detalhes higiênicos”, ooooooommmmmmm…) e foram embora felizes, de barriga cheia!

Alguns minutos depois da partida das cabras, foi a nossa vez de prosseguir viagem. Mais quilômetros e quilômetros de nada e chegamos no nosso “bivouac” debaixo de muito vento!

Diz a lenda que vento no deserto é estraga-prazeres como chuva na praia… Realmente, por causa de toda aquela areia em suspensão, o tempo parecia nubladão e os nossos turbantes foram muito mais úteis do que eu imaginei que seriam, pois protegem mesmo! Mas o vento nem atrapalhou tanto a minha diversão! Eram montes de areia que não acabavam mais e eu feliz como uma criança subindo e descendo cada um deles e rolando duna abaixo… Tentei até fazer o “anjo”, como se faz na neve, mas não deu muito certo…

Mais suja impossível, voltamos ao acampamento para mais uma dose de chá de menta quente e ver o por-do-sol dali mesmo. Com todo aquele vento, o por-do-sol não teve muita cor, mas foi bonito assim mesmo!

O nosso acampamento era composto de umas 6 barracas feitas com cobertores de lã, umas 4 barracas para os turistas, 1 barraca que fazia as vezes de restaurante, 1 para a cozinha e uma construção de cimento muito precária, com um buraco no chão, fazendo as vezes de banheiro (prometo que dessa vez não comento nada sobre o banheiro!).

Já estava anoitecendo e o nosso guia foi preparar o nosso jantar… Os outros turistas que estavam no mesmo acampamento com a gente (um casal com um filho adolescente e seus respectivos guias) preferiram jantar ao pé de uma fogueira; nós achamos melhor usar a barraca restaurante, romanticamente à luz de lampião e protegidos do vento.

Para o jantar, veio a sempre presente salada de coentros ligeiramente aromatizada com tomates, o nosso pão de ontem, hoje e sempre e uma tajine de frango com legumes. Embora estivéssemos cansados de tanto comer tajine no Marrocos, o jantar estava bem gostoso, o nosso guia sabe cozinhar direitinho. Fruta de sobremesa (um melão incrivelmente doce!) e o inexorável chá de menta quente pra finalizar.

Programaço após um jantar no Sahara: deitar numa duna e observar as estrelas! Eu nunca vi tanta estrela reunida e nem tanta estrela cadente de uma só vez, eu não tinha mais pedidos para fazer!

Ficar ali, naquele silêncio absoluto, observando estrelas te faz perder completamente a noção do tempo e do espaço. Não tenho idéia de quanto tempo ficamos ali, quando nos demos conta, todo mundo do acampamento já tinha ido dormir (alguns ao relento).

Gastei meio litro de Opti Free para lavar as mãos e tentar tirar minhas lentes de contato, que já estavam me incomodando há tempos e fomos dormir também (acho que traumatizei com o vento e preferi o aconchego da barraca, em vez de dormir sob a estrelas como alguns fizeram…)

Dentro da barraca tinha um colchãozinho molengo, mas confortável, lençol limpinho (ressalva: não sei se estava limpo mesmo, ou se estava limpo comparado com as condições de higiene que havíamos encontrado até então, ou se estava limpo comparado à minha própria imundície) e dois cobertores de lã de carneiro!

Antes de dormir, o lençol me incomodava de tão quente que estava, mas quando acordei, tinha os cobertores até as orelhas!

O dia no deserto começa cedo, às 5h30 da manhã eu já estava toda faceira sobre uma duna pra ver o nascer do sol (desta vez, sem vento), em seguida o guia nos serviu o café da manhã ao ar livre, onde não poderia faltar o nosso bom e velho amigo pão, geléia, leite, nescafé e, obviamente, o chá de menta!

Logo após o café da manhã, final da aventura. Juntamos nossas coisas e, três horas depois, estávamos de volta a Zagora, doidos por um banheiro limpo.

Apesar dos perrengues com a questão da higiene básica, e de passar mais de 24 horas sem poder sequer lavar as mãos, foi uma aventura maravilhosa e uma experiência incrível que recomendo vivamente! É um tour inesquecível que rende sempre ótimas risadas ao lembrar dos detalhes “trágicos”!

Mas é o tipo da coisa que se faz uma vez na vida e nunca mais!

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