Na cidade de Oświęcim, na Polónia, não existem grandes atrativos, é uma cidadezinha pacata, típica de interior, com pessoas acolhedoras, mas que possui um passado de que seus habitantes não se orgulham: o Holocausto. É nos arredores desta cidade que se localizam os campos de concentração de Auschwitz.
Auschwitz é a pronúncia alemã do nome dessa cidade polonesa. Para o meu ouvido, em polonês tem quase o mesmo som, muda só o sotaque e a maneira de escrever… mas que nenhum polonês saiba disso! Eles fazem questão de que a pronúncia do nome da cidade seja precisa, para não ligá-la ao símbolo maior da crueldade humana.

Embora eu não goste muito de visitas em grupos, acredito que tenha feito uma boa coisa em participar de uma visita guiada aos campos de concentração, pois os guias contam detalhes que não existem em nenhum livro de história e têm sempre algo de interessante a acrescentar quando alguém pergunta alguma coisa.
Auschwitz é um complexo de 3 campos de concentração. O primeiro, por ser o menor deles e por ter servido de modelo para a construção dos demais, é o principal lugar a ser visitado, muito embora tenha acontecido no segundo, Birkenau, a maior parte dos extermínios – 1,5 milhões de pessoas!

Logo na entrada do “museu”, ainda é possível avistar as cínicas palavras, em alemão, “O trabalho liberta” e, dentro das instalações, existem restos de coisas encontradas por ali, depois que a guerra terminou, como centenas de sapatos, roupas, malas, objetos de uso pessoal… Dá uma sensação horrível olhar para esses objetos. É muito impressionante.

Em um outro “galpão”, existem algumas fotos de alguns prisioneiros que trabalharam em Auschwitz, com as respectivas datas de entrada no campo e óbito – foi difícil encontrar alguém que tenha sobrevivido por mais de seis meses, a média era de 3 meses…
Com o guia, fiquei sabendo que, para a construção dos campos de concentração, os alemães aproveitaram uma estrutura pré-existente pertencente ao exército polonês e a adaptaram para abrigar os prisioneiros. E que os alemães adaptavam, aproveitavam e reciclavam tudo aquilo que encontravam. O exemplo que me deixou mais chocada foi o uso dos cabelos dos prisioneiros como fio para a confecção de uniformes e cobertores, e que por isso todos tinham a cabeça raspada quando chegavam.
Uma outra informação chocante é que a maior parte das pessoas que morreram nas câmaras de gás não chegaram sequer a trabalhar nos campos de concentração. Quando os prisioneiros chegavam era feita uma pré-seleção e aqueles considerados “não-aptos” ao trabalho eram despidos, tinham a cabeça raspada e eram encaminhados diretamente aos fornos para serem mortos, acreditando que “tomariam um banho” antes de se dirigirem ao “trabalho”.
Dentre aqueles considerados “aptos”, a morte era certa depois de poucos meses, principalmente devido a infecções, ao rigoroso frio polonês, à escassez de alimentos. Um dos trabalhos mais, digamos, “apreciados” era trabalhar limpando o galpão destinado ao banheiro, pois embora existisse um risco muito maior de contrair infecções, era um lugar “aquecido” pelos excrementos humanos, o que tornava mais fácil suportar as baixas temperaturas no Inverno, além da vantagem de se ter um pouco de “privacidade”, porque os alemães nunca entravam nesse lugar, devido à imundície e ao mau-cheiro. Algumas mulheres se sujeitavam à prostituição e se tornavam amantes de soldados alemães em troca de melhores condições para sobrevivência, mas também não resistiam por muito tempo.
Com o final da guerra, as câmaras de gás e os fornos foram destruídos para tentar esconder os crimes praticados.

Conhecer Auschwitz é uma experiência única que exige uma boa preparação psicológica, pois até as pessoas mais “frias” não conseguem ficar indiferentes ao terror ali praticado. Até os guias tentam disfarçar a revolta com um profissionalismo surpreendente!