Palacio e Convento de Mafra

Na ultima vez que fui a Lisboa resolver burocracias, aproveitei para tapar um buraco do meu curriculo-turistico-portugues: o palacio e convento de Mafra!

Pra chegar là è bem facinho, è sò pegar um dos autocarros da empresa Mafrense em Lisboa (Campo Grande) e em 1 hora, mais ou menos, vc chega; mas eu acabei convencendo um amigo portugues a ir comigo, entao fomos de carro.

Esse convento è considerado o mais importante monumento do barroco portugues  e sò foi possivel realizà-lo graças ao ouro vindo do Brasil. E haja ouro!

O lugar è gigantesco! No folheto informativo està escrito que o convento possui uma area de 37.790 m2, compreendendo mais de 4700 portas e janelas e 156 escadarias.

E alem da magnificencia toda da construçao, ainda teve que sobrar muito ouro para pagar as pinturas e esculturas de mestres italianos, franceses e portugueses, alèm dos 2 carrilhoes com 92 sinos e das 40 mil obras da biblioteca.

Bom, pelo menos, o ouro brasileiro foi aproveitado para construir um palacio muito bonito e o meu amigo portugues que, pasmem!, nunca tinha ido a Mafra, ficou feliz de visitar um lugar que, diz ele, està presente em todos os livros de historia de Portugal, pois foi de onde o ultimo rei D. Manuel II partiu para o exilio, depois de proclamada a Republica.

Palácio de Queluz

Palácio de Queluz

Desde os tempos quando eu ainda morava em Coimbra,  o Palacio de Queluz estava na minha wish list portuguesa, mas nunca tinha dado certo de visita-lo…  Quer dizer, eu até cheguei a ir a Queluz um dia de inverno, mas o tempo estava tao feio e chuvoso que a visita aos jardins nao me convenceu e fiquei com vontade de voltar! O problema é que, quando volto a Portugal, tem sempre tanta coisa pra fazer, tantos amigos pra encontrar que acaba faltando tempo pra “turistar”! 

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E eis que, finalmente, em uma das minhas ultimas viagens a Portugal, consegui me organizar e garanti uma manhã livre e com muito sol antes do meu voo de volta à Italia . E, o mais importante, consegui convencer uma amiga a me levar para passear em Queluz antes de ganhar uma carona até o aeroporto. (Abusada? Eu?)

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Achei incrível que, numa manhã tão ensolarada de sábado, nós duas fossemos as únicas visitantes do Palácio. Foi uma visita super tranquila e divertida, pois éramos somente nós e alguns funcionários,  que cumpriam o seu dever de nos seguir, cuidando para que não destruíssemos nada. Ossos do ofício…

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 O Palácio de Queluz, que foi construído para servir de casa de veraneio da família real portuguesa, assume particular importância para os brasileiros, porque foi  ali que nasceu D. Pedro IV de Portugal que, quando foi ao Brasil, começou a recontagem do nome, virou D. Pedro I e proclamou a independência.

A parte visitável do Palácio não é muito grande (um funcionário falou que de vez em quando, autoridades estrangeiras se hospedam ali e usam uma parte fechada ao turista) e o Palácio é todo bonito, em estilo rococó e chamado por alguns de “pequeno Versailles”, pois sua construção foi inspirada nesse palácio francês e, em seu interior, como não poderia deixar de ser, a maioria das salas segue aquele estilo Versailles de ser:

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Sala do Trono

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Sala dos Embaixadores

Mas eis que finalmente surge o Corredor das Mangas, um lugar que me fez recordar que eu estava visitando Portugal. Azulejos enfeitando a sala toda! Adorei!

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Depois de visitar todas as salas, fomos aproveitar o dia ensolarado para visitar os famosos jardins… O unico problema foi que, desta vez, parte dos jardins estava fechada para visitas por conta das manutençoes… Serà que eu nunca vou conseguir visitar esses jardins como se deve?

 

 

Palácio do Buçaco (ou seria Bussaco?)

Palácio do Buçaco (ou seria Bussaco?)

 Em uma das vezes que estive em Coimbra por causa do Mestrado, meu namorado resolveu “me buscar” em Portugal e aproveitamos para curtir um final de semana prolongado em terras lusitanas. O plano seria mais ou menos assim: ele chegaria em Coimbra por volta das 20h, jantaríamos e dormiríamos por ali, e, na manhã seguinte, começaria o tour que havíamos planejado.

Como ele já esteve em Coimbra algumas vezes e já frequentou os meus lugares preferidos na cidade, achei que seria legal inovar um pouco e resolvi levá-lo ao Palace Hotel do Bussaco.

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Eu adoro hotéis históricos e acho que eles acrescentam muito charme a qualquer viagem na Europa! Fala a verdade… não é o máximo poder dormir no lugar que um dia foi uma “casa de veraneio” real construída onde antes havia um mosteiro carmelita?

O hotel fica no meio da Mata do Buçaco, a uns 25km de Coimbra, e chama muita atenção pela sua aparência, digamos, “singular”. O guia o define como um “bolo de noiva com um relógio cuco em cima” e por aí dá pra imaginar o tipo de decoração do lugar… Carregadíssima! Foi nesse palácio que eu fui entender o verdadeiro significado daquilo que os entendidos denominam “estilo neo-manuelino”.

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Por dentro, a situação não é muito diferente e é impossível não se impressionar com a exuberância da decoração.

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Uma pena que os áureos tempos deste hotel já passaram e hoje ele tá meio decadente e precisando de uma revitalizada… Os carpetes manchados e os tecidos puídos que revestem os móveis tiram um pouco do encanto do hotel, mas, ainda bem, não conseguem eliminar a atmosfera de conto de fadas que existe ali.

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Infelizmente, como era inverno, tava meio frio pra curtir a Mata do Buçaco, que deve ser linda na primavera e perfeita para abrandar o verão… Mas só o hotel já valeu a viagem! A Mata fica para uma próxima…

Ah! É claro que, antes de ir ao hotel do Buçaco, paramos no tradicionalíssimo Rui dos Leitões para jantar… Delicioso!

Mosteiro de Alcobaça

Mosteiro de Alcobaça

 Depois de uma semana de sol e calor em Coimbra, onde tive que ficar isolada com meu computador e com meus livros, eis que finalmente chega o final de semana e, com ele, a chuva!

Chegamos em Alcobaça debaixo de uma chuva torrencial, ficamos pelo menos meia hora no carro esperando uma trégua para aquela “corridinha básica” até o interior do Mosteiro… Viajar no inverno tem dessas… (Mas viajar no inverno é sempre melhor do que não viajar, e dentro do mosteiro não chove!)

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Adivinha o que acontece num domingo de manhã num mosteiro? Isso mesmo! Missa e visitas interrompidas na igreja para a celebração! Logo que cheguei, achei que todo o mosteiro estivesse fechado para visitas por causa da missa, mas, felizmente, não.

Pudemos visitar todo o resto tranquilamente e, no final, voltamos para conhecer a igreja…

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O mosteiro de Alcobaça foi fundado em 1153, em estilo gótico, e com o passar dos anos,  foram acrescentados uns “puxadinhos” e o mosteiro foi ampliado e reformado, segundo o gosto da época.

Diz a lenda que nesse mosteiro viviam 999 monges que se revezavam sem interrupções para a celebração da missa.

Mas já no final do século XVIII o mosteiro se torna famoso pelos hábitos, digamos, pouco ortodoxos de seus monges. Beckford, na obra “Alcobaça e Batalha. Recordações de uma excursão” (tradução portuguesa), conta que ficou desconcertado com a “gula eterna” de monges gordos e com olhares lascivos…

Em 1833 a ordem religiosa se desfaz e os monges abandonam o mosteiro (não descobri para onde eles foram nem o que aconteceu com eles…).

Pois bem, o claustro do mosteiro tem dois andares, o do piso de baixo foi construído no século XIVe o piso superior foi acrescentado no século XVI. Normalmente o claustro é a parte de que mais gosto em qualquer mosteiro… Mas, embora esse claustro seja muito bonito e interessante, a cozinha e o refeitório do mosteiro roubaram a minha atenção.

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A cozinha é enorme! Beckford a descreve como “o maior templo de engorda de toda Europa”. Só pra se ter uma idéia, os monges construíram dentro da cozinha um canal ligando um afluente do Rio Alcôa à cozinha a fim de terem peixe fresco a disposição e água a vontade para cozinhar e para a limpeza.

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O refeitório, ao lado da cozinha, também é enorme e possui duas coisas curiosas: a primeira um púlpito de onde a Bíblia era lida enquanto os monges comiam em silêncio; a segunda, uma portinha estreita, estreita (uns 40 cm de largura). Dizem que para entrar no refeitório, os monges tinham que passar por essa portinha, aqueles que não passavam, deveriam jejuar até ficarem magros o suficiente e conseguirem passar!

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(Sabe que não é uma má idéia? Estou pensando em instituir algo semelhante na cozinha de casa…)

A missa acabou bem na hora que terminamos a visita pelo resto do mosteiro. Eu estava curiosa para ver os túmulos de D. Pedro e de D. Inês de Castro, personagens da história de amor mais famosa de Portugal, e imortalizados nos Lusíadas.

Conta a história que o pai de D. Pedro, o rei Afonso IV, não permitiu o casamento do filho com Inês e, a única solução que encontrou para evitá-lo foi matar a coitada. Mas Pedro disse que havia se casado com Inês clandestinamente e a transformou em rainha depois de morta, matando seus assassinos e fazendo com que todos beijassem sua mão já decomposta!

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Os túmulos são verdadeiras obras de arte, ricamente trabalhados com cenas da vida de Cristo e do Juízo Final. Dizem que, por ordem de D. Pedro, os túmulos deveriam ser colocados um de frente para o outro, de modo que, no dia do Juízo Final, eles se encontrem face a face.

Sintra

Sintra

 Eu sou apaixonada por Sintra, acho que é uma das cidades vilas mais bonitas de Portugal e acho uma pecado quando as pessoas vão pra lá em tours de um dia. A minha primeira vez em Sintra foi assim: um dia e nada mais, com aquelas clássicas saídas de Lisboa pela manhã e retorno no final da tarde.

Que frustrante! Mal tive tempo de rodar um pouco pelo centro e de visitar o Palácio da Pena… E o Castelo dos Mouros? E a Quinta da Regaleira? Não vai dar pra comer um outro “travesseiro”?

Eu precisava voltar a Sintra e destinar a ela o tempo que ela merece: dois dias inteiros! Aí sim! Tive tempo de visitar tudo o que eu queria, sem me preocupar com horários!

No primeiro dia, a primeira parada foi no Castelo dos Mouros, um lugar normalmente negligenciado pela maioria dos turistas que seguem direto para o Palácio da Pena.

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Acredito até que o motorista do “autocarro” estivesse desacostumado a ver gente descendo ali, pois quando parou no ponto do Castelo (por pura obrigação do ofício) e me viu descendo, já foi logo me alertando: “o Palácio ainda não chegou, é na próxima paragem!”, como se o Castelo não merecesse a visita!

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Construído por volta do século VIII pelos mouros, e reestruturado no século XIX por D. Fernando II, o Castelo nos chama para uma deliciosa caminhada pelas muralhas, subindo e descendo ao sabor das características do terreno, e também nos oferece muito verde, uma vista generosa e aquela tranquilidade que só os lugares com poucos turistas conseguem transmitir!

Depois de toda a tranquilidade do Castelo dos Mouros, seguimos para o ponto mais movimentado de Sintra: o Palácio da Pena! Sem dúvida nenhuma é o lugar mais interessante de toda a região e é o meu lugar preferido em Sintra.

O problema é que é também o lugar preferido de todo o resto do mundo e supervalorizaram os preços de tudo! Achei que os 11 euros que me cobraram para entrar foram exagerados, principalmente se for levar em consideração os preços das coisas em Portugal… e ainda por cima não estava incluido o trenzinho para chegar até o topo, que me custou mais 1,50 euros. (Tá bom, esses 1,50 não precisavam ser gastos, dá pra ir a pé… mas depois do Castelo, a minha vontade de caminhar em subidas diminuiu consideravelmente…)

O Palácio da Pena é uma confusão arquitetônica de gosto duvidoso.

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Foi construído com uma mistura de estilos, cores e texturas que vão do vermelho ao amarelo, passando por azulejos azuis e portas brancas cheias de bicos.

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O pior de tudo é que essa mistura não foi obra de uma construção longa, que englobou vários períodos e, talvez, a justificasse: pelo contrário, li num guia que a construção demorou super pouco e que aquela “profusão de estilos ecléticos” foi intencional, por causa da admiração pelo “exótico” que existia na mentalidade da época!

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Dá pra entender? Mas enfim… o Palácio da Pena é um show com sua breguice ímpar e fascinante!

Agora vem a parte boa de ter reservado dois dias para visitar Sintra: nada de correrias para conseguir visitar outro cartão postal! Posso curtir o final do dia bem tranquila, me perder sem medo pelos becos e labirintos da cidade e me acabar de comer travesseiros (doce típico de Sintra, feito com massa folhada e recheio de doce de ovos e amêndoas) na tradicionalíssima pastelaria Piriquita! Isso sim é vida!

No dia seguinte, a Quinta da Regaleira me esperava! É um lugar enigmático, cheio de simbologias esotéricas relacionadas à maçonaria e à rosa-cruz e, mais do que visitá-la, a Quinta foi feita pra ser sentida e isso só se explica quando se atravessa o portão de entrada e se começa o passeio pelo Patamar do Deuses, um caminho com estátuas de divindades.

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Depois o passeio continua pelo interior do jardim, onde a todo momento sou supreendida com lagos, grutas e fontes. Todos os caminhos parecem levar ao poço iniciático, um dos lugares mais marcantes e cheios de simbologias da Quinta, com referências à Divina Comédia de Dante, a cruz dos Templários, uma estrela de oito pontas…

Já mais perto do palácio, uma capela que esconde dos menos atentos uma escadinha que conduz à cripta e a um caminho escuro, úmido e subterrâneo que não tive coragem de percorrer. O passeio termina com um tour pelo interior do principal e surpreendentemente pequeno palácio gótico, que é super bonito por dentro, mas muito mais interessante do lado de fora e a vista que oferece do Palácio da Pena é maravilhosa!

Finalizei os meus dois dias em Sintra com uma visita ao Palácio Nacional de Sintra, suas duas torres cônicas e mais um travesseiro.

Perfeito!

Évora

Évora

 Como as principais atrações de Portugal concentram-se na rota Lisboa-Porto, eu sempre deixei Évora pra depois, achava muito “fora de mão”… Mas um belo final de semana resolvi me dedicar inteiramente a ela.

A primeira medida a ser tomada era a escolha do meio de transporte adequado: não compensava alugar um carro para fazer o trajeto de ida e volta da cidade, um transporte público resolveria o problema fácil, fácil…

Abre parênteses: Uma coisa que aprendi em Portugal é valorizar os ônibus em detrimento dos trens, normalmente as rodoviárias são mais centrais que as estações de trem, a passagem de ônibus é normalmente mais barata e o tempo de viagem é quase o mesmo, talvez de ônibus demore um pouco mais, mas nada muito significativo.

O único inconveniente são as rodoviárias portuguesas: uma bagunça, ninguém se entende, você nunca sabe qual plataforma seu ônibus vai parar, nem se aquele é o seu ônibus… às vezes, pra completar a confusão, ainda tem um fulano gritando num megafone o nome das cidades para onde vai o ônibus que acaba de chegar. E é claro que você não consegue entender absolutamente nada do que ele grita! Mas depois de algum tempo, você acaba entendendo a “teoria do caos” e se adapta… Fecha parênteses.

Pois bem, para ir a Évora a regra se confirmou: ir de ônibus era mais vantajoso do que ir de trem!

Chegamos na rodoviária em Évora e, com 10 minutos de caminhada estávamos já no nosso hotel e já havíamos passado em frente a várias atrações da cidade! Mais do que depressa deixamos as malas e fomos conferir todas com mais vagar.

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A primeira parada foi no interessante Templo Romano, popularmente conhecido como Templo de Diana, uma construção do século I, em pleno centro da cidade e única do gênero em Portugal.

Ali pertinho, quase em frente, a igreja dos Lóios. Essa igreja é de propriedade privada, fica no Convento dos Lóios, e tem que pagar pra entrar, mas vale a pena, foi uma das igrejas mais bonitas que vi em Évora: inteira recoberta de azulejos do século XVIII, o que lhe dá um ar muito “português”. Pena que não dava pra tirar fotos…

A Catedral de Évora é muito bonita, meio gótica,  mas não achei nada de impressionante… Idem com relação ao centro histórico: é bonito, agradável, mas nada espetacular…

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Em Évora, espetacular mesmo é a Capela dos Ossos! Essa sim é imperdível e impressiona logo na sua entrada. Já na porta me veio um “ruim no estômago” ao topar com a frase que simboliza a efemeridade da vida:

“NÓS OSSOS QUE AQUI ESTAMOS PELOS VOSSOS ESPERAMOS”

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Não é pra menos, né? E o “ruim” só fez aumentar quando entrei na tal Capela, inteiramente revestida de ossos humanos. Só a idéia de que aqueles ossos estariam esperando pelos meus me dá arrepios! É muito macabra!

Fico imaginando como transcorreram as obras de construção do lugar… Cruz-credo!

Coimbra

Coimbra

  Um belo dia inventei de fazer um mestrado… Escolhi Portugal por questões linguísticas e Coimbra por possuir a Universidade mais famosa do país. Até ser aceita no mestrado, não tinha a menor idéia do que me esperava, e Coimbra pra mim era apenas uma cidade portuguesa com universidade.

Cheguei num dia chuvoso e fiquei hospedada num hotel simples, confortável e estrategicamente localizado “ao pé das Monumentais”!

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“As Monumentais” é a imponente escada que dá acesso à Universidade e é preciso preparo físico para encará-la! Aliás, é preciso preparo físico para encarar toda Coimbra. A cidade é cheia de altos e baixos e uma simples caminhada se transforma num exercício e tanto.

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A Universidade, construída em 1297, é a atração da cidade e pode ser avistada de longe, pois está localizada num dos pontos mais altos da cidade (as Monumentais não existem por acaso!). Vale a pena conhecer a Capela de S. Miguel, a Biblioteca Joanina, de estilo barroco, a Sala dos Capelos, onde se dão os exames de doutorado.

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Mas, para além dos monumentos históricos, a Universidade de Coimbra encanta pelas tradições. É comum encontrar estudantes vestindo o “traje acadêmico”, um tipo de uniforme e motivo de orgulho, que é usado em ocasiões especiais como a “Latada”, a “Queima das Fitas”, ou algum exame importante.

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A Latada é a festa para recepcionar os “caloiros” da Universidade, com as tradicionais “praxes”, que nós chamamos de “trote”.

A Queima das Fitas é um tipo de formatura que dura uma semana, no mês de maio. Um evento na cidade! Tem shows todos os dias, tem um dia reservado para a Serenata, em que os alunos vão à Praça da Sé Velha entoarem fados (ou toadas coimbrãs, como eles preferem), tem o dia do Cortejo, em que os alunos enfeitam caminhões e desfilam pelas ruas da cidade distribuindo comes e bebes para todos (cerveja principalmente)…

Mas em épocas sem festas, é uma delícia tomar um café na cafeteria que fica na praça principal de Coimbra, a Praça da República. Além, é claro, de comer alguma coisa típica em alguma “tasca” da Baixa.

Baixa é o bairro histórico de Coimbra, um labirinto formado de ruazinhas estreitas e, quando chove, escorregadias. E exatamente na Baixa que tem uma tasca (restaurantezinho) muito tradicional que se chama “Zé Manel dos Ossos”. A especialidade, para roer e se deliciar, são justamente os “ossos”, e em seguida, se ainda tiver fome, nada como uma “levíssima” feijoada de javali.

O difícil foi concluir o mestrado…

Fátima

Fátima

  A mãe de uma amiga minha, que é muito religiosa, inventou de fazer um turismo religioso pela Europa a fim de conhecer os principais santuários do Velho Continente. Ela voltou ao Brasil maravilhada e contava coisas incríveis de sua viagem. Assim, movida mais pela curiosidade do que pela religiosidade, um belo dia resolvi conhecer Fátima.

Pra mim era muito fácil fazer essa viagem, pois morava em Coimbra e Fátima fica a apenas 1 hora de distância, entre Coimbra e Lisboa. Na dúvida sobre ir de ônibus ou de trem (autocarro ou comboio, como chamam os portugueses), optei pelo ônibus que era mais barato e dei muita sorte porque a rodoviária é praticamente no centro da cidade e a estação de trem é muito fora de mão.

Como nunca tinha visitado nenhum tipo de santuário antes, fiquei muito surpresa com o que vi!

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A igreja fica numa praça enorme e logo na entrada da praça tem um lugar pra vender velas. Tem velas de todos os tipos e tamanhos. Até aí nada de especial se não fosse por um detalhe: não existe ninguém vendendo as velas!! As pessoas escolhem as suas velas e depositam as moedas equivalentes ao valor num buraco semelhante àqueles de cofrinho.

Fiquei observando por alguns minutos e todo mundo depositava as moedas! Ninguém levou vela sem pagar, embora não existisse nenhum controle! E era incrível o barulho das moedas caindo, parecia um cassino! Uma amiga portuguesa que mora por ali me disse que no subsolo da praça tem um grande reservatório para as moedas e que a cada tanto um trator vem retirá-las!!! Acredite se quiser…

Um pouco mais a frente, existe um lugar para queimar as velas. Parece uma churrasqueira gigante, repleto de gente que lutava por um espaço para queimar a vela. Caso você não tenha muita paciência de esperar um lugar para a sua vela, o santuário resolve o seu problema: colocaram uns baldes vazios com uma placa com os seguintes dizeres, em várias línguas:

“Deixe aqui a sua vela, será posta a arder em tempo oportuno. Obrigado”

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A pergunta que não quer calar: Você deixaria??

No meio da praça tem um tipo de passarela para aqueles que querem pagar promessa de joelho. O piso não é áspero como o asfalto da praça, mas mesmo assim existem umas almofadas especiais para serem amarradas no joelho. Quase todo mundo usava.

Essas almofadas podem ser encontradas facilmente em qualquer camelô que tem por ali. São tantos e vendem de tudo, das tradicionais imagens religiosas e terços a pedaços de corpo humano feitos em borracha (!!!). Tive uma péssima impressão dos intestinos…

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Na verdade, eu me senti meio mal em Fátima, talvez porque eu destoava do ambiente. Eu não tinha ido lá com um objetivo religioso, meu objetivo era puramente cultural, estava interessada em conhecer de perto a historia dos 3 pastorinhos. E eu era a única turista que tirava foto de tudo enquanto todos os demais rezavam desesperadamente e isso não me fez bem.

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