Eu sou apaixonada por Sintra, acho que é uma das cidades vilas mais bonitas de Portugal e acho uma pecado quando as pessoas vão pra lá em tours de um dia. A minha primeira vez em Sintra foi assim: um dia e nada mais, com aquelas clássicas saídas de Lisboa pela manhã e retorno no final da tarde.
Que frustrante! Mal tive tempo de rodar um pouco pelo centro e de visitar o Palácio da Pena… E o Castelo dos Mouros? E a Quinta da Regaleira? Não vai dar pra comer um outro “travesseiro”?
Eu precisava voltar a Sintra e destinar a ela o tempo que ela merece: dois dias inteiros! Aí sim! Tive tempo de visitar tudo o que eu queria, sem me preocupar com horários!
No primeiro dia, a primeira parada foi no Castelo dos Mouros, um lugar normalmente negligenciado pela maioria dos turistas que seguem direto para o Palácio da Pena.

Acredito até que o motorista do “autocarro” estivesse desacostumado a ver gente descendo ali, pois quando parou no ponto do Castelo (por pura obrigação do ofício) e me viu descendo, já foi logo me alertando: “o Palácio ainda não chegou, é na próxima paragem!”, como se o Castelo não merecesse a visita!

Construído por volta do século VIII pelos mouros, e reestruturado no século XIX por D. Fernando II, o Castelo nos chama para uma deliciosa caminhada pelas muralhas, subindo e descendo ao sabor das características do terreno, e também nos oferece muito verde, uma vista generosa e aquela tranquilidade que só os lugares com poucos turistas conseguem transmitir!
Depois de toda a tranquilidade do Castelo dos Mouros, seguimos para o ponto mais movimentado de Sintra: o Palácio da Pena! Sem dúvida nenhuma é o lugar mais interessante de toda a região e é o meu lugar preferido em Sintra.
O problema é que é também o lugar preferido de todo o resto do mundo e supervalorizaram os preços de tudo! Achei que os 11 euros que me cobraram para entrar foram exagerados, principalmente se for levar em consideração os preços das coisas em Portugal… e ainda por cima não estava incluido o trenzinho para chegar até o topo, que me custou mais 1,50 euros. (Tá bom, esses 1,50 não precisavam ser gastos, dá pra ir a pé… mas depois do Castelo, a minha vontade de caminhar em subidas diminuiu consideravelmente…)
O Palácio da Pena é uma confusão arquitetônica de gosto duvidoso.

Foi construído com uma mistura de estilos, cores e texturas que vão do vermelho ao amarelo, passando por azulejos azuis e portas brancas cheias de bicos.

O pior de tudo é que essa mistura não foi obra de uma construção longa, que englobou vários períodos e, talvez, a justificasse: pelo contrário, li num guia que a construção demorou super pouco e que aquela “profusão de estilos ecléticos” foi intencional, por causa da admiração pelo “exótico” que existia na mentalidade da época!

Dá pra entender? Mas enfim… o Palácio da Pena é um show com sua breguice ímpar e fascinante!
Agora vem a parte boa de ter reservado dois dias para visitar Sintra: nada de correrias para conseguir visitar outro cartão postal! Posso curtir o final do dia bem tranquila, me perder sem medo pelos becos e labirintos da cidade e me acabar de comer travesseiros (doce típico de Sintra, feito com massa folhada e recheio de doce de ovos e amêndoas) na tradicionalíssima pastelaria Piriquita! Isso sim é vida!
No dia seguinte, a Quinta da Regaleira me esperava! É um lugar enigmático, cheio de simbologias esotéricas relacionadas à maçonaria e à rosa-cruz e, mais do que visitá-la, a Quinta foi feita pra ser sentida e isso só se explica quando se atravessa o portão de entrada e se começa o passeio pelo Patamar do Deuses, um caminho com estátuas de divindades.

Depois o passeio continua pelo interior do jardim, onde a todo momento sou supreendida com lagos, grutas e fontes. Todos os caminhos parecem levar ao poço iniciático, um dos lugares mais marcantes e cheios de simbologias da Quinta, com referências à Divina Comédia de Dante, a cruz dos Templários, uma estrela de oito pontas…
Já mais perto do palácio, uma capela que esconde dos menos atentos uma escadinha que conduz à cripta e a um caminho escuro, úmido e subterrâneo que não tive coragem de percorrer. O passeio termina com um tour pelo interior do principal e surpreendentemente pequeno palácio gótico, que é super bonito por dentro, mas muito mais interessante do lado de fora e a vista que oferece do Palácio da Pena é maravilhosa!
Finalizei os meus dois dias em Sintra com uma visita ao Palácio Nacional de Sintra, suas duas torres cônicas e mais um travesseiro.
Perfeito!