A “periferia” de Moscou

A “periferia” de Moscou

Um pouco afastados do centro da cidade estao dois lugares lindos mas, nao sei por que, pareciam negligenciados pelos turistas, porque nòs eramos os unicos estrangeiros perdidos por ali…

O primeiro é o convento de Novodevichy: fundado em 1524 e reconstruido pela meia-irma de Pedro, o Grande, que o usava como segunda residencia na época que governou a Russia.

 

Aos 17 anos, Pedro resolveu depor a irma e a confinou nesse convento… Uns anos mais tarde, Pedro resolveu enviar sua primeira mulher em exilio para o mesmo lugar…

O convento é de uma paz incrivel, um enorme jardim e cheio de igrejas (obviamente!). Na catedral de Smolensk, pudemos ver uma das mais bonitas (se nao “a” mais bonita) e maiores iconostases russas.

Do lado do convento, fica um dos cemiterios mais famosos de Moscou, onde estao enterrados grandes nomes da historia russa, como Gogol, Chekhov, a segunda mulher de Stalin e Raissa Gorbachova.

 

Mas, sinceramente, eu nao sou a pessoa mais indicada para visitar cemiterios, entao achamos melhor deixar todos esses grandes nomes descansando em paz!

O segundo lugar é o museu-reserva Kolomenskoe. Esse é bem mais longe do centro, periferia mesmo, mas dà pra chegar facinho com o metro.

 

Ao contrario do convento de Novodevichy, que nao tinha ninguem, esse museu-reserva estava lotado!

O lugar nasceu como casa de campo real, mas hoje é um parque muito vivo e muito agradavel, onde é possivel encontrar todo o tipo de gente russa: varias noivas casando nas igrejas que tem por ali, outras tantas noivas tirando fotografia…

  

(se prestar atencao, aquelas pessoinhas pequenas da foto acima estao indo pro casamento… a noiva e o noivo sao os primeiros da fila! Nao entendi direito como funciona a cerimonia…)

…crianças comendo maças recem-colhidas de um bosque, uns malucos nadando pelados num lago, namorados apaixonados nos bancos, um povo fazendo caminhadas, umas mulheres sem noçao de salto alto, gente tocando musica…

Passamos a tarde toda ali, entre igrejas e barraquinhas de cerveja, e nao vimos o tempo passar! A gente sò foi embora mesmo porque comecou a chover…

Novgorod

Novgorod

Novgorod foi mais uma cidade russa que sò entrou no nosso roteiro (leia-se: que eu sò descobri que existia) graças ao site da Unesco. Como a cidade nao fica tao longe de Sao Petersburgo, (“somente” 3 horas de estrada), alugamos um carro e arriscamos um bate-e-volta meio puxado.

Embora eu ache que Novgorod, turisticamente, nao valha o esforço de dirigir por 6 horas em um unico dia, gostei bastante de ter visitado a cidade onde, de certo modo, teve inicio a historia da Russia, pois Novgorod foi o primeiro lugar onde os varegues (da familia dos vikings) se estabeleceram, dando origem, segundo o guia, ao embriao do estado russo.

A cidade, no seculo XII, era a mais importante do centro da Russia e acabou sofrendo muitos ataques. Sò nao foi invadida pelos tartaros porque eles nao conseguiram superar as paludes que a circundavam, mas nao resistiu ao ataque de Moscou em 1477, nem ao massacre de 60 mil pessoas e saqueamentos feitos por Ivan, o Terrivel. Quando Pedro, o Grande, criou Sao Petersburgo, todas as possibilidades de Novgorod renascer como um importante centro comercial foram por agua abaixo.

Hoje, Novgorod é uma tranquila cidade do interior, com ruas arborizadas, um monte de igrejas antigas e um Kremlin cheio de historia, pois é um dos mais antigos de toda a Russia.

O que tem de mais interessante no Kremlin é a Catedral de Santa Sofia, uma igreja em estilo bizantino, do ano de 1052, bem sobria e com as famosas cupolas em forma de cebola (provavelmente do século XIV), as primeiras a serem feitas nesse estilo arquitetonico, que acabaram por se tornar uma caracteristica do panorama russo.

Dentro dessa Catedral, o tesouro mais precioso é o icone da santa padroeira de Novgorod, que, diz a lenda salvou a cidade da destruiçao em 1170. A historia é mais ou menos assim: na noite anterior ao ataque do exercito de Suzdal, o bispo de Novgorod teve uma visao que somente o icone de uma santa poderia salvar a cidade. Na manha seguinte, ele colocou o icone da igreja em uma das torres do Kremlin e, quando Suzdal atacou a cidade, o icone foi atingido por uma flecha. Na hora, os olhos da santa se encheram de lagrimas, o dia virou noite e os soldados de Suzdal começaram a lutar entre si, permitindo o contra-ataque do exercito de Novgorod. Pra confirmar a lenda, o icone da santa possui um sinal no olho esquerdo que, dizem, foi feito pela flecha…

Além da Catedral, no Kremlin tem um campanario que oferece um vista bem bonita da cidade e o monumento do Milenio da Russia, inaugurado em 1862, em comemoraçao, como o nome sugere, aos mil anos de historia russa.

Apesar do Kremlin ser a parte mais importante da cidade, eu gostei mais da outra parte da cidade, chamada de Corte de Yaroslav, onde se localizava o antigo mercado de Novgorod, com os restos de um portico e um jardim lindo cheio de igrejas construidas entre os séculos XIII e XVI.

Kostroma

Kostroma

Por pura falta de tempo, o objetivo principal da nossa visita a Kostroma era simplesmente dormir no meio do caminho de uma viagem longa de carro e, se a cidade valesse a pena, por não?, fazer um mini-tour rapidinho.

Escolhi Kostroma como “stop”, pois as descrições que havia lido da cidade me deixaram muito curiosa. Segundo os guias, é uma das mais autênticas cidades russas pois, devido à presença de uma base militar ali nas redondezas, até 1991 era proibida a entrada de estrangeiros em Kostroma (Nao é incrivel isso?). E, de quebra, em Kostroma fica o Mosteiro de S. Ipatev, o berço dos Romanov.

Chegamos na cidade no final do dia e fomos dar uma volta pelo centro de Kostroma. Desta vez, foi o namorado que implicou: achou a cidade horrorosa logo de cara… Tá certo que o tempo não colaborava, o nubladão nos perseguia, mas… pra ser sincera, acho que não tem sol brilhante nem céu azul que consiga dar um pouco de charme à cidade… É feia mesmo! E o mau humor se instalou no namorado…

Mas eu estava achando tudo divertido, estava achando o máximo visitar uma cidade “proibida” (sou pior que criança… 😳 ). Resolvemos deixar o mosteiro para a manha seguinte, quem sabe o tempo e o humor do namorado nao melhoram?

Na manha seguinte, o tempo estava nubladao igual e o humor do namorado sò fez piorar com o cheiro forte de “Gleid Sachet lavanda” presente em todo o hotel e, de maneira acentuada, no quarto.

Ele sò queria ir embora dali o mais rapido possivel, estava impaciente, nunca vi cosa igual! Mas mesmo assim, num esforço sobre humano de homem apaixonado, me perguntou: “Voce faz mesmo muita, muita questao de visitar esse mosteiro?”

O que responder a uma pergunta que jà traz embutida uma resposta? Seguimos viagem, sem fazer nem mesmo uma ùnica foto da cidade…

O metro de Moscou

O metro de Moscou

A primeira vez que eu recebi um daqueles emails com fotografias lindas, maravilhosas do metro de Moscou, que mais pareciam tiradas em algum palacio, nao tive duvidas: eu precisava ver aquilo ao vivo! 

Como em Moscou existem 12 linhas diferentes e mais de 170 estaçoes e principalmente, considerando que nao sao todas as estaçoes que sao dignas de fotografia, antes de nos aventurarmos, tivemos que estudar direitinho o mapa para saber para onde ir. (foto: Wikipedia)

Nòs tinhamos um mapa com o nome das estaçoes escrito em letras ocidentais e a primeira providencia foi substitui-lo por um mapa escrito em cirilico, pois, para identificar o nome das estaçoes, é muito mais facil comparar os simbolos em cirilico do que decifrà-los ou traduzi-los.

Segundo as descriçoes do guia e os nossos “planos turisticos” para o dia, escolhemos as estaçoes que gostariamos de visitar e compramos os nossos bilhetes… Decidimos comprar o bilhete simples mesmo, pois o objetivo era ficar rodando por baixo da terra, sem sair das estaçoes.

Sò tinha um pequeno detalhe que acabamos menosprezando: algumas estaçoes de metro sao bem grandes e muitas vezes, a parte bonita de se ver nao era aquela que viamos logo que saiamos dos vagoes, entao, tinhamos que passear um pouco pela estaçao até encontra-la.

Passear pela estaçao de metro nao seria digno de nota se, nesses passeios, nao pegassemos escadas rolantes insuspeitas que nos levavam diretamente para fora da estaçao! E dà-lhe comprar outro bilhete para reentrar… Foram umas cinco vezes assim! Aquelas escadas rolantes enganam mesmo! Teria valido mais a pena ter comprado um bilhete multiplo…

Aquelas fotografias que chegam por email sao muito mais bonitas do que a realidade, é claro. Na foto, tà tudo limpinho, iluminado e sem ninguem pelo caminho, coisas impossiveis de serem vistas num lugar por onde passam mais de 8 milhoes de pessoas por dia.

Mas mesmo com aquela gentarada toda com pressa, dà pra admirar as obras de arte e o design das estaçoes. Sao varios os mosaicos, os baixo-relevos, os lustres, marmores que retratam a historia, a guerra e a vida cotidiana do povo sovietico.

Eu nao dei conta de fazer uma unica foto mais ou menos aceitavel do metro. Além de ser um lugar escuro, que exige habilidades fotograficas que nao tenho, ainda tinha todo o vai e vem de gente esbarrando em qualquer coisa que obstruisse o caminho, ou seja, euzinha!

Desisti das fotos, mas tenho lindas imagens gravadas na memoria!

Kazan

Kazan

Kazan é a capital da regiao chamada “Tartastan”, terra dos descendentes de uma tribo nomade de origem turca, os tartaros, e porta de entrada da Siberia.

Por volta de 1500, Ivan, o Terrivel, devastou Kazan e obrigou o “khan” muçulmano a converter-se ao cristianismo (Nota: a Igreja de Sao Basilio, em Moscou, foi construida em comemoraçao à queda de Kazan), mas o nacionalismo ali é muito forte, as placas das ruas sao escritas em duas linguas e a bandeira tartara é onipresente.

Por causa dessas duas culturas, Kazan possui uma atmosfera muito particular e é muito interessante ver igrejas com aquelas cupolas em formato de cebola ao lado de mesquitas. Até mesmo dentro do Kremlin de Kazan, a Catedral da Anunciaçao esta do lado da Mesquita Kul Shariff, construida no mesmo lugar onde anteriormente existia uma outra mesquita destruida por Ivan, o Terrivel.

No Kremlin de Kazan, tem tambem a Torre Syuyumbike com 59 metros de altura e ligeiramente torta. Diz a lenda que essa torre leva o nome de uma princesa que se recusou a casar com Ivan, o Terrivel, e que foi por causa dessa recusa que ele começou a destruir Kazan. Entao, pra salvar sua cidade, a princesa aceitou o casamento mas impos como condiçao a construçao, em uma semana, uma torre mais alta que todas as Mesquitas de Kazan.

Para azar da princesa, Ivan, o Terrivel, construiu a tal torre no prazo determinado e ela decidiu se matar, se jogando do alto da torre…

Falando em casamento… Kazan tambem foi a cidade onde mais vimos casamentos. Pelas ruas da cidade tinham mais limousines enfeitadas do que carros… Em uma manha, pudemos assistir a 2 cerimonias no Kremlin: uma na Catedral e outra na Mesquita (Nota: nao-muçulmanos nao podem entrar na Mesquita, mas eles fizeram uma parte destinada aos turistas, que podem observar as cerimonias de longe e sem incomodar ninguem). E tava cheio de noiva muçulmana e ortodoxa tirando fotos pelo Kremlin esperando a sua vez de casar.

Com essa quantidade absurda de casamentos pela cidade, reservar um restaurante para o jantar foi quase uma missao impossivel. Estavam todos lotados por causa das festas. Conseguimos uma mesa num deles e pudemos assistir, de camarote, apresentaçoes de dançarinos trazidos especialmente para a ocasiao, pudemos ouvir os discursos dos padrinhos e pudemos ouvir também muita musica popular russa cantada a plenos pulmoes pelos convidados jà bebados.

Quando começaram a cantar e dançar lambada (pasme! “Chorando se foi” em russo!), achamos que jà estava na nossa hora de ir embora…

Ferrapontov

Ferrapontov

Acho que nao é novidade nenhuma que eu tenho uma certa fixaçao por Patrimonios da Humanidade, pois todas as vezes que viajo procuro inclui-los no roteiro, por mais longe e fora de mao que o tal “patrimonio” seja.

Pois bem, Ferrapontov é um desses lugares longe e fora de mao e, acho que foi o lugar mais complicado de organizar a viagem. Para um estrangeiro chegar até ali, acho que sò de carro mesmo (foi Ferrapontov que nos convenceu a alugar um carro na Russia!) e, de preferencia, com um bom mapa em maos.  Hotel é outro problema; em Kirillov eu vi somente dois hoteis: uma casa com cara de muquifo e uma placa “Hotel & Restaurante” na porta;  e o hotel onde ficamos, o Capercailye House, que custa uma pequena fortuna. Alem desses dois, os hoteis mais proximos ficam a 130km de distancia, em Vologda…

Tentamos de todos os modos reservar diretamente o Capercailye House: email, telefone, mas nada deu certo. Apelamos para o Hostelworld, recomendado por muita gente; pagamos os 10% exigidos pela reserva e acreditamos na sorte.

Um dia antes de partir para Ferrapontov, pedimos para a recepcionista do nosso hotel telefonar para o Capercailye e confirmar nossa reserva. Nao preciso nem dizer que ninguem sabia da existencia da nossa reserva, que nunca tinham ouvido falar do Hostelworld e que ainda bem que nòs ligamos antes, pois o hotel é novinho, ainda estao construindo uma parte e, se chegassemos sem avisar, bateriamos com a cara na porta.

Achei legal que o pessoal do Capercailye tenha nos avisado das obras no hotel e perguntado se gostariamos de nos hospedar por là mesmo assim. Quero acreditar que tenha sido uma preocupaçao para com o bem estar do cliente e nao um modo para tentar nos convencer de nao ir…

Chegamos em Kirillov, rodamos por tudo e nao achamos nenhuma referencia sobre como chegar ao hotel. Rodamos bem uma meia hora por toda a cidade, até que decidimos parar num posto de gasolina para pedir informaçoes.  Mostramos o nome e o endereço do hotel (escrito em russo, è claro) para o dono do posto, que carregava uma arma na cintura e nao falava um “a” em nenhuma lingua inteligivel.

O fulano tira o celular do bolso, telefona nao sei pra quem e, com um sorrisao, fica fazendo sinais de “ok”, “tà tudo bem”, enquanto conversa. Alguns minutos depois, do nada, aparece uma mulher dirigindo um carro daqueles 4X4, que fala um ingles impecavel e diz que é amiga do dono do posto e que, como é dificil chegar até o hotel, ela nos levaria até la.

Seguimos a mulher por estradinhas estreitas, em meio a bosques e lagos, passando por portoes com placas sinalizando: “propriedade privada – proibida a entrada” e chegamos sao e salvos! Por conta propria nao chegariamos ao hotel de jeito nenhum! E Angela, o nosso anjo, ainda deixou o numero do seu celular para caso precisassemos de alguma coisa ou se tivessemos algum problema com a lingua.

O hotel é lindo, todo de madeira, no meio de um bosque, com direito a lago e tudo, mas tem que gostar de caça para poder aprecia-lo. Acho que foi feito para hospedar caçadores russos ricos, pois toda a decoraçao é feita com móveis e objetos rusticos e visivelmente de otima qualidade, além de animais empalhados por todo canto (e algumas fotografias dos proprietários com seus “trofeus” recem abatidos). Nao é o meu estilo, mas tenho que reconhecer que, pra quem gosta, é um lugar e tanto!

Os proprietarios do hotel foram muito gentis e a comunicaçao praticamente inexistente. Usando o nosso guia de frases prontas, conseguimos tao somente saber a que hora e onde o jantar e o café da manha seriam servidos. O problema foi na hora de ir embora… Acredito que nós fomos os primeiros clientes estrangeiros do hotel, pois o proprietario nao sabia que precisava registrar nosso visto. Explicar, em russo, o que ele deveria fazer deu um pouco de trabalho, mas ele acabou telefonando sabe Deus pra quem e fez o registro direitinho.

Depois de uma maravilhosa noite de sono, numa cama super hiper confortavel, de um banho numa hidromassagem gigantesca e de um café da manha pesadissimo, mas muito gostoso, fomos finalmente conhecer Ferrapontov.

A atraçao principal do mosteiro sao os afrescos da igreja da Natividade, realizados por Dionisio, que cobrem toda a igreja (600 metros quadrados), e foram feitos em apenas 34 dias. Nessas horas eu queria entender alguma coisa de arte… Nao sei se fui fortemente influenciada pelo tempo exiguo de execuçao dos afrescos, mas nao consegui perceber se aquele era o estilo da época e do pintor, considerado um dos maiores artistas russos do seculo XV, ou se os afrescos foram feitos, como dizem, “nas coxas” mesmo.

É que, ao contrario dos outros afrescos em igrejas russas que eu tive oportunidade de ver, esses pareciam tao simples e tao desprovidos de detalhes, que tinham mesmo uma cara de coisa feita com pressa…

De qualquer modo, a tinta utilizada era de excelente qualidade, porque, nao obstante sejam afrescos do ano de 1502, as cores ainda estao vivissimas! Como nao dá pra tirar foto na igreja, eu roubei as fotos dos afrescos deste site

Vladimir e Suzdal

Vladimir e Suzdal

Vladimir e Suzdal sao duas cidades muito proximas que ainda conservam “joias” da arquitetura em pedra branca do periodo pré-mongolico (por volta do seculo XII), que foram incluidos no rol da Unesco como Patrimonio da Humanidade.

Vladimir nao tem muita graça, mas vale reservar uma tarde para visitar a Catedral da Assunçao, de 1158, e a Catedral de Sao Demetrio, de 1194. A Catedral da Assunçao, segundo o guia, é a maior catedral da Russia dessa época e custou um décimo de todo o patrimonio de seu fundador, o principe Andrei,  e dentro é possivel admirar afrescos do seculo XII. 

Mas eu achei imperdivel mesmo a Catedral de Sao Demetrio. Localizada bem perto da Catedral da Assunçao, a de Sao Demetrio nao chama tanto a atençao dos turistas, talvez porque seja menorzinha, sem aquela imponencia toda da primeira e dentro nao tem absolutamente nada (quer dizer, tem fragmentos de um afresco do seculo XII, mas nada de impressionante), pois a atraçao maior é do lado de fora!

As esculturas feitas em pedra na fachada sao de babar! Vale a pena observar os detalhes com atençao. Sao figuras de profetas biblicos junto com principes, personagens mitologicos, vegetais, animais, passaros, que representam,  segundo o guia, o “poder sobre todo o universo”.

O nosso giro pelo Anel de Ouro terminou com Suzdal, considerada a cidade mais bonita da regiao e, pelo que pude perceber nas minhas pesquisas interneticas, também està se tornando uma cidade da moda… Todo mundo que vai a Moscou dà uma esticadinha até là…

Suzdal é mesmo a cidade mais bonita do Anel de Ouro! Uma cidadezinha tirada de um conto de fadas que parece que parou no tempo. Cupolas por todo lado e um ritmo devagar, quase parando… O legal da cidade é “absorver” esse ritmo  e andar sem rumo e sem horarios, simplesmente seguindo as cupolas do Kremlin e dos varios mosteiros e conventos que existem ali…

Um dos lugares que gostei bastante de ter visitado foi o Convento da Intercessao, fundado em 1364 como lugar de exilio para as esposas repudiadas pelo czar. Quando visito esses lugares, acho complicado separar historia de fofoca, mas dizem as màs linguas, que a primeira mulher do czar Vassily III foi mandada para esse convento por causa da sua infertilidade.

Mas quando foi enviada para o convento ela jà estava gravida e escondeu o filho de todo mundo, com medo de que ele fosse considerado um perigoso rival para o filho da segunda mulher do czar. Dizem que foi uma escolha acertada, pois o tal filho da segunda mulher do czar foi Ivan, o Terrivel…

Moscou

Moscou

No momento que dei de cara com a Praça Vermelha em Moscou fiquei fascinada. Diante de mim eu tinha as cupolas coloridas da Igreja de Sao Basilio, o muro vermelho do Kremlin e suas torres, o enorme e chique shopping GUM, o Museu de Historia e o Mausoleu de Lenin.

 

Nao tem como nao se emocionar num lugar assim: um espaço enorme e limpissimo (nem uma bituca de cigarro no chao!) rodeado de construçoes de estilos diversos que contribuem para formar um todo surpreendentemente harmonioso! A Praça Vermelha é muito mais “monumental” do que eu imaginava que uma praça pudesse ser.

Depois do “choque” inicial, nem pensei duas vezes, e fui diretamente visitar a Igreja de Sao Basilio, que, de longe,  é o que mais chama atençao na Praça. As cores sao tao vivas e tao brilhantes que nem a foto mais bonita ou a descriçao mais poetica conseguem transmitir a beleza dessa igreja. Parece de mentira! Diz a lenda que Ivan, o Terrivel, mandou cegar o arquiteto depois da construçao dessa igreja, para que ele nao realizasse nada de mais bonito no mundo.

Por dentro, a igreja é muito bonita, mas nada comparado à beleza de seu exterior. Eu nao entendo nada de igrejas ortodoxas e a igreja de Sao Basilio possui uma estrutura complexa demais para os meus dois neuronios, pois é formada por varios corredores estreitos e coloridos que ligam “mini capelas”, se é que podem ser chamadas assim.

Ou seja, sob cada cupola colorida tem um altar diferente, sendo o maior, é claro, aquele central. Mas nao é nada de muito grande, nao… Fiquei curiosa pra ver como é feita uma celebraçao ali em meio àqueles corredores estreitos…

Como o kremlin mais conhecido é aquele de Moscou, na minha ignorancia, eu achava que Kremlin fosse o nome da sede do governo da Russia e palco daquelas varias revoluçoes que a gente estuda no colégio, como a Revoluçao Russa, a invasao de Napoleao e até a perestroika de Gorbachev… Na realidade “kremlin” é o nome russo para “fortaleza” e se refere a toda e qualquer cidade russa medieval fortificada. Vivendo e aprendendo…

Por causa do enorme terrorismo para chegar cedo ao Kremlin e evitar filas, chegamos uma hora antes da abertura da bilheteria e fomos os primeiros! Mas uns 15 minutos depois jà tinha umas 50 pessoas atràs da gente.

Quando a bilheteria abriu, descobrimos porque tanto terrorismo: para visitar a Armeria existe um numero limitado de entradas por dia e se nao chegar cedo, jà era… E a Armeria é um dos lugares que mais vale a pena conhecer do Kremlin: um museu com objetos, roupas, carruagens e obras de arte que pertenceram, em sua maior parte,  à familia imperial russa.

Na Armeria se encontra de tudo, do vestido de noiva da imperatriz Elisabeth a ovos de Pascoa fabricados por Fabergé, passando por armaduras e objetos de cozinha. Tudo feito com muito ouro, prata e pedras preciosas é claro!

Além da Armeria, os unicos lugares abertos à visitaçao sao as igrejas. Mas também o que mais tem no Kremlin é igreja… De qualquer modo, nem tente se aproximar dos outros palacios, porque guardas russos assustadores virao ao seu encontro!

Nao sei se demos sorte (fomos visitar o Kremlin bem no “Dia do Militar” – a cidade estava cheia de meninos fardados e bebados!) ou se é de praxe, mas pudemos assistir a um curioso desfile e apresentaçoes militares na Praça das Catedrais, no melhor estilo 7 de Setembro russo! Foi bem bonito!

Deixamos para passear pelos jardins de Alexander por ultimo, mas o tempo nao colaborou… Começou a chover e nao parou mais até o  dia de irmos embora de Moscou…

Arkhangelsk

Arkhangelsk

Fomos parar em Arkhangelsk unica e exclusivamente porque é dali que saem os voos para as ilhas Solovki. Nem me dei ao trabalho de verificar se a cidade era interessante ou nao; limitei-me a reservar um hotel e mais nada.

Acontece que, quando chegamos em Moscou, na “fila” para trocar as passagens da Aeroflot Nord, topamos com um americano recém chegado de Los Angeles. Um tipo de uns 40 e passa anos, horrorizado com a confusao no aeroporto, indignado porque havia pagado mais de 100 dolares para ir de um terminal a outro no aeroporto e completamente perdido, sem saber como prosseguiria viagem até Arkhangelsk, onde finalmente encontraria pessoalmente sua amada russa virtual!

O americano, apesar dos pesares, estava todo animado com a viagem e nao via a hora de embarcar, pois nao sò encontraria a moça, mas também porque visitaria, segundo as descriçoes de sua amada, uma cidade historica e lindissima!

O brilho dos olhos daquele americano maluco me provocou um sentimento de culpa na hora: “Que turista de meia-tigela que sou! Estou indo pra là e nao li nada a respeito!!”  E eis que chega o dia da viagem para Arkhangelsk…

Mal entrei no aviao, nao conseguia parar de imaginar as belezas historicas do lugar, descritas com tanto entusiasmo pelo americano apaixonado! Mal cheguei na cidade e nao conseguia parar de imaginar a cara do americano quando se deparou com Arkhangelsk: a cidade mais sovietica, no sentido estereotipado da palavra, que tive oportunidade de botar meus pés!

Para onde quer que eu olhasse, topava com construçoes quadradas, daquelas cheias de janelas do mesmo tamanho e simetricas!

Embora eu imaginasse um outro tipo de “beleza historica”, de acordo com as descriçoes do americano, e embora nao ache esses predios quadrados particularmente bonitos, nao hà como negar que, no minimo, sao bastante curiosos e historia ali é o que nao falta!

Depois da viagem, fui ler sobre a cidade e descobri que exisitiam igrejas lindas do século XVII e XVIII por ali, mas Stalin mandou destruir todas e sobraram poucos predios dessa época…

Mas como eu fui sem estudar nada, nao sabia da existencia desses predios e, alem disso, ficamos na cidade apenas o tempo suficiente para um jantar, para uma boa noite de sono e para fazer mil conjecturas sobre que fim teria levado aquele americano e sua amada…

Rapidinhas sobre a Rússia

Rapidinhas sobre a Rússia
  • Os russos que encontrei pelas ruas sao pessoas gentilissimas e sempre disponiveis a ajudar turistas perdidos. Se esforçavam para tentar entender o que queriamos e se esforçavam para serem compreendidos. Curiosamente toda a gentileza e a disponibilidade desapareciam se “ajudar turistas perdidos” fosse uma atividade remunerada.
  • Casamento deve ser o esporte nacional. Nunca vi tantos! Parecia uma cadeia de montagem: enquanto uma noiva sai da igreja, jà tem outra entrando e mais duas esperando do lado de fora. E sao todas muito jovens, nao pareciam ter mais de 20-22 anos… Fiquei curiosa pra saber qual é a taxa de divorcios na Russia…
  • Um bloquinho e uma caneta foi a coisa mais útil que eu poderia ter na bolsa. A toda hora eram utilizados para que os taxistas escrevessem o preço das corridas, para que pudessemos especificar a quantidade de combustivel nos postos de gasolina, ou fazer desenhos para sermos compreendidos…
  • O que mais condeno na Itália, eu adorava na Rússia: restaurantes com fotografia do prato no menu! Pelo menos eu tinha uma vaga idéia do que estaria pra comer… Mas, ao contrário do que acontece na Itália, na Rússia o prato servido normalmente era melhor e mais apetitoso do que aquele da fotografia…
  •  A burocracia pra viajar pra Russia nao se encerra com o visto. Uma vez no pais, é preciso deixar registrado onde vc passou todas as noites durante sua estada. Para fazer esse registro, normalmente os hoteis retem o passaporte e nao tem choro: ou deixa o passaporte no hotel, ou nao faz o registro! Simples assim!
  • Todas as vezes que pediamos indicaçoes para um bom restaurante russo, a resposta era sempre a mesma: “Vcs gostam de comida georgiana?”. Pelo que pude perceber, para os russos, comida boa vem da Georgia… E é boa mesmo, normalmente feita com nozes (ou oleo de nozes) e com uma mistura de temperos nao identificados que dao um sabor diferente pra comida. Ah, e o khachapuri, um tipo de pao com queijo, me deixou saudades…
  • A instabilidade climatica na Russia é algo inacreditavel. Por diversas vezes, amanhecia um fantastico dia de sol sem nenhuma nuvem no céu; mas antes do horario do almoço, do nada, o tempo fechava e caia um temporal. Ah, e a reciproca era verdadeira!
  • A capacidade russa de fazer “cara de paisagem” em qualquer situaçao é inacreditavel. Vc nunca sabe se um russo esta feliz ou triste, com raiva ou apaixonado, pois a unica coisa que se nota é uma total ausencia de expressao facial. A nossa guia em Sao Petersburgo explicou que é resquicio da época sovietica, quando a orientaçao era “nao demonstrar sentimentos publicamente”, uma vez que o panico é contagioso… Eu, hein?
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