Turismo de caça

Essa polemica toda sobre o rei da Espanha que foi caçar elefantes na Africa me fez lembrar da minha viagem de lua de mel à Tanzania e de como os meus conceitos sobre o turismo de caça mudaram completamente apòs essa viagem.

Nao tenho a intençao de entrar no merito da caça do rei da Espanha, principalmente no que se refere aos aspectos economicos da atividade, enquanto o pais passa por uma crise enorme e jà deixo avisado que nao sou nem ecologista nem caçadora.

O objetivo do post è simplesmente relatar a minha experiencia num Game Reserve e como essa minha experiencia  fez com que eu passasse de “contraria ao turismo de caça” a “completamente a favor do turismo de caça” (apesar de esse tipo de turismo nao fazer o meu estilo de turistar).

Pois bem, um dos parques nacionais que fomos visitar na Tanzania foi o Selous Game Reserve, considerado Patrimonio da Humanidade pela Unesco por ser  “one of the largest remaining wilderness areas in Africa, with relatively undisturbed ecological and biological processes, including a diverse range of wildlife with significant predator/prey relationships” e ainda “is amongst the largest protected areas in Africa and is relatively undisturbed by human impact”.

Na Tanzania, o Selous è considerado um dos melhores parques para o turismo de caça e a coisa ali è super controlada. Como eu nao era caçadora (quer dizer, sem licenças, sem pagamento de taxas, etc) eu simplesmente era proibida de ingressar na parte do parque destinada a caça e tinha que me contentar com a parte destinada a outros turistas como eu.

Conversando com o meu guia, perguntei o que ele achava do tal turismo de caça, se isso nao era um mal para o meio ambiente e para a economia local (curiosidade baseada nos meus proprios preconceitos sobre o turismo de caça) e a sua resposta me surpreendeu e me colocou pra pensar.

Segundo ele, o turismo de caça faz muito bem ao meio ambiente pois existe um controle muito rigoroso dos limites para a caça seja por parte do parque, seja por parte dos caçadores.

Ninguem ali està interessado em acabar com a brincadeira: o parque nao quer perder a sua “galinha dos ovos de ouro”, pois o turismo de caça custa muuuuito caro e è uma importante fonte de renda para a populaçao local, e os caçadores, por sua vez, querem continuar tendo um lugar bom, com muitos animais para serem caçados.

Alem disso, o turismo de caça  causa muito pouco impacto ambiental por causa da propria natureza desse tipo de turismo: um caçador sabe que os animais sao ariscos; entao, se quiser caçar, deve montar um acampamento discreto, sem uma infraestrutura muito elaborada  e sem muita confusao, simplesmente porque isso espanta a caça.

Ouso dizer que o “turismo ecologico” que eu fiz em Selous è menos ecologico do que o turismo de caça, pois depois de todo o meu “contato com a natureza” o que eu mais queria era o meu quarto no hotel, com chuveiro quente, ar condicionado e longe dos mosquitos.

Enfim, se com o turismo de caça a populaçao local està satisfeita, o parque està preservado e a Unesco o considera patrimonio da humanidade por ser uma das maiores areas selvagens da Africa (sem colocà-lo na lista dos patrimonios em risco ou eliminados, como faz com os lugares que nao respeitam os criterios de preservaçao), quem sou eu para ir contra?

As 5 viagens mais romanticas que jà fizemos

Seguindo na cola da Mirella do exxxxxxcelente blog Mikix, para comemorar Valentine’s Day, eis as 5 viagens mais romanticas que jà fizemos:

1 – Istanbul: foi uma surpresa que meu entao namorado, atual marido, me fez. Eu sò fui descobrir para onde estava indo no aeroporto… 🙂

2 –  Carnaval em Veneza: apesar de carnaval nao ter nada de romantico, o marido entrou no clima do personagem e se transformou num verdadeiro galanteador e, com Veneza como pano de fundo, nao poderia ser mais romantico!

3 – Saint Emilion: um chic nic a base de queijos e vinhos num hotel perdido no meio de vinhedos.  Tem programa mais romantico que esse?

4 – Ushuaia: “fin del mondo, principio de todo”, onde fui pedida em casamento.

5 – Ngorongoro: a nossa lua de mel na Tanzania foi maravilhosa, mas Ngorongoro foi um dos lugares mais fantasticos e romanticos que visitei na vida.

Como sao sò 5, vou parando por aqui, mas daria pra fazer um top 10 facil! E vc? Quais foram as suas viagens mais romanticas?

Zanzibar

Zanzibar

A primeira vista, Zanzibar me chocou: uma mistura de ruas estreitas e escuras, cheiro forte de temperos e comidas e muita sujeira por tudo. Foi inevitavel, a primeira coisa que me veio em mente foi: “Que horror! O que è que eu vim fazer aqui?”. E nesse momento achei otima a nossa decisao de passar apenas um dia na cidade.

Assim, jà que estavamos ali mesmo e somente por um dia, achamos por bem contratar um guia para aproveitarmos melhor o nosso tempo. Foi a melhor coisa que poderiamos ter feito, pois sozinha e em tao pouco tempo disponivel, acredito que nao conseguiria mudar a minha pessima primeira impressao e nao veria Zanzibar como se deve. Sem um guia, tenho certeza de que eu precisaria de pelo menos uns 2 dias para me ambientar antes de dar o devido valor aos os encantos da cidade.

Por causa do nosso escasso tempo, nos limitamos a visitar a parte mais famosa e antiga de Zanzibar: a Stone Town. Começamos com o mercado, que hj vende de frutas e verduras a especiarias, carnes e peixes, mas, segundo o guia, antigamente  ali funcionava um mercado de escravos.

(O cheiro daquele mercado estava me virando o estomago, ainda bem que o guia sò apontou onde ficava a parte de carne e a parte de peixes e achou melhor continuar a visita em outro lugar. )

Foi com as explicaçoes do guia sobre o funcionamento do mercado de escravos na època dos sultoes e no meio daquela mistura de cheiros, que, sem me dar conta, eu me peguei fascinada com tudo aquilo. Nesse mercado comecei a perceber que Zanzibar è uma daquelas cidades que vao se revelando aos poucos. 

A minha ojeriza foi se transformando devagarinho em fascinio. Eu jà nao via mais a sujeira das ruas; meus olhos sò enxergavam os detalhes da arquitetura tao misturada de estilos, os desenhos nas portas ricamente entalhadas, e vendo todas aquelas pessoas, a minha mente nao parava de imaginar como era a vida de escravos e sultoes que passaram por ali.

Zanzibar è assim, vc tropeça em historia de escravos, sultoes e princesas rebeldes no melhor estilo 1001 noites. Tambem pudera! A historia de Zanzibar conta com uma dominaçao portuguesa que durou uns 2 seculos, em seguida a cidade foi tomada pelo sultanato de Oman por mais uns 2 seculos, quando teve seu auge no comercio com a venda de escravos, ouro e marfim.

Com a independencia de Oman, Zanzibar continuou a ser governada por sultoes, mas sob um “protetorado britanico”  atè 1963, quando uma revoluçao acabou com os sultoes e uniu Zanzibar a Tanganika formando a atual Tanzania. E hoje, mesmo fazendo parte da Tanzania, Zanzibar elege seu proprio presidente e possui uma assembleia legislativa.

O interessante de Zanzibar è que toda essa historia ainda esta muito presente nas suas ruas, casas e monumentos. O Forte Antigo da cidade, por exemplo, foi construido em 1700 pelos omani onde existia uma capela portuguesa, justamente para se defenderem dos portugueses.  Hj o forte abriga um teatro a ceu aberto e quando estivemos lá vimos muita musica, dança e barraquinhas de comida jà se preparando para algum evento à noite.

Em seguida fomos visitar o Beit El Sahel, a residencia oficial do sultao atè 1964 e que atualmente è um museu dedicado à historia do Sultanato, com os moveis e objetos pessoais pertencentes ao sultao, as diversas decoraçoes e as diferenças de gosto das esposas do sultao e um espaço dedicado à Princesa Salomè, quase um mito na cidade.

Uma das filhas do sultao, essa princesa se apaixonou por um soldado alemao e, por causa do escandalo na familia, teve que fugir para Alemanha para nao ser morta. Salomè ficou famosa pq em 1888 publica a sua autobiografia contando como era a sua infancia de princesa em Zanzibar (Memoirs of an Arabian Princess). É um livro obrigatorio para quem vai a Zanzibar e para quem tem interesse em saber como era a vida cotidiana num palacio de sultoes.

Mas o lugar que mais se destaca na arquitetura de Zanzibar é o Beit El-Ajaib.. É uma das maiores construçoes da cidade, feita em 1883, com uma torre e um relogio que podem ser vistos de longe. Era o palacio de cerimonias do sultao e, por ser o primeiro em todo o leste africano a contar com eletricidade e elevador, foi logo apelidado de “Casa das Maravilhas”

Por dentro, essa Casa das Maravilhas conta com as portas entalhadas mais bonitas que vi em Zanzibar e exibe uma mostra sobre a cultura Swahili, sobre a cultura dos “dhow” (um barco tipico) no Oceano Indico, e tinha tb uma mostra temporaria paga a parte que nao fui ver.

Depois de passear por palacios e ouvir belas historias de sultoes, o nosso guia mudou de assunto e começou a nos contar sobre a triste e revoltante historia do comercio de escravos em Zanzibar.

Por volta do seculo XIX, Zanzibar superou Kilwa Kisiwani no comercio de escravos e aproximadamente 600 mil escravos foram vendidos, inclusive para o Brasil, entre 1830 e 1873, quando um tratado britanico pos fim, teoricamente, na escravidao e construiu uma igreja anglicana onde era o antigo mercado.

Desse antigo mercado, a unica coisa que sobrou foram uns cubiculos subterraneos, pouco iluminados e pouco ventilados, ao lado da atual igreja, que eram usados para o “armazenamento” dos escravos antes da venda. Segundo o guia, apos o tratado de aboliçao da escravatura, o comercio ilegal de escravos ainda continuou por muitos anos em Zanzibar.

E no final do dia eu estava com o coraçao apertado de ver e ouvir o que o homem è capaz de fazer com seus iguais  e tb por ter reservado tao pouco tempo para visitar um lugar tao fascinante.

Espero voltar logo para poder passear por Zanzibar com mais calma… Quem sabe nao voltamos para comemorar algum aniversario de casamento?

Kondoa

Kondoa

Um dos lugares da nossa lua-de-mel na Tanzania que rendeu boas brigas com a agencia de turismo foi Kondoa. A agencia desaconselhava vivamente uma viagem para lá e tivemos a impressao de que eles nao queriam mesmo era ter o trabalho de organizar alguma coisa fora do circuito dos parques mais visitados.

A justificativa para tanta mà vontade era que em Kondoa nao existe um hotel decente para uma lua-de-mel, pois o maximo que o lugar oferece sao “guest houses low profile” e de que o transporte atè là era muito dificil.

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Com relaçao ao transporte, foi mesmo bem dificil. Saimos de Arusha e enfrentamos quase 200km de estrada de terra num jipe chacoalhante, munidos de garrafas d’agua e uma marmita com uns pedaços de frango assado, uns biscoitos industrializados e uma laranja.

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Foi dificil, mas foi uma experiencia e tanto! Passamos por diversas cidades com mercados a todo vapor e o nosso motorista nos explicava como esses mercados funcionavam, qual mercado era o melhor para comprar alguma coisa especifica e no meio das explicaçoes, eis que, timidamente, ele nos perguntou se nao podiamos parar num dos mercados para que ele pudesse comprar arroz mais barato para levar para sua casa.

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Eu fiquei bem feliz com a ideia, pois queria mesmo ver de perto aquele vai-e-vem de gente num autentico mercado africano. Confesso que, pra quem tà acostumada a ver arroz em sacos plasticos nos supermercados, me assustei ao ver montanhas de arroz ainda na casca (o marido sequer tinha reconhecido o arroz! olha o nivel!), e mulheres que peneiram tudo freneticamente e homens que pesam e ensacam o arroz peneirado para os compradores.

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Eu nao sei dizer se eramos nòs os surpresos com mercado ou se a surpresa maior era a das pessoas presentes no mercado. Elas olhavam pra gente com tanta curiosidade que chegava a ser atè um pouco constrangedor; alguns adolescentes atè vieram tentar conversar com a gente, mas eles sò falavam swahili e a comunicaçao era impossivel.

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Seis horas de estrada de terra depois, finalmente chegamos em Kondoa. Com o cansaço, eu comecei a me preocupar seriamente com a tal “guest house low profile”, mas descobri que era um exagero da agencia de turismo. O New Geneva Hotel era um hotel muito, muito simples, mas tinhamos um quarto com lençois e toalhas limpos, um banheiro privativo com agua quente e muita simpatia e sorrisos de todos os que trabalhavam ali. Nao è um hotel ideal para uma lua-de-mel, mas garanto que jà fiquei em coisa muito pior em Roma!

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Aproveitamos o resto do dia disponivel para visitar Kondoa e adorei o que vi, era tudo muito limpo e organizado. Apesar da pobreza, eu via dignidade por onde passava. As crianças sorriam pra gente e se aproximavam com curiosidade (e nao pra pedir dinheiro, como nas partes mais turisticas da Tanzania por onde passamos); as mulheres varriam o chao de terra batida da frente das casas com muito cuidado e o lixo era devidamente queimado num cantinho.

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Mas o que exatamente nòs fomos fazer perdidos em Kondoa? O que tem là de tao interessante pra merecer essa funçao toda com deslocamento e hotel?

Em Kondoa existem pinturas rupestres prè-historicas que sao tuteladas pela Unesco e que, apesar do sol, do vento e das chuvas, sobrevivem hà mais de 7 mil anos em rochas expostas a todas essas intemperies. Como tinhamos adorado a Caverna de Lascaux, estavamos muito curiosos para ver a arte rupestre de Kondoa.

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Mas nao basta estar em Kondoa para ver as pinturas prè-historicas! No dia seguinte de manha, fomos atè o povoado de Kolo pertinho de Kondoa para organizarmos a nossa visita no “Centro de Informaçoes Turisticas”.  Em Kolo encontramos 3 ou 4 casas, e vàrias criancas brincando. Segundo o nosso guia, uma daquelas casas, a que estava fechada, era o tal centro. O guia falou alguma coisa com as crianças que sairam correndo buscar o responsavel pelo turismo da regiao.

Dois minutos depois, eis que surge alguem para abrir o Centro Turistico, que consiste em um pequeno museu com peças prè-historicas encontradas na regiao e muitas explicaçoes em ingles sobre a origem, a historia, a tecnica e o significado das pinturas rupestres. Muito interessante e muito util para compreender o que estavamos prestes a ver.

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O responsavel pelo turismo sobe no carro com a gente e começa a dar indicaçoes ao nosso guia para onde seguir, pois a area onde se encontram as pinturas è vastissima e sem conhecer a regiao, è impossivel chegar atè essas rochas.

Se eu tinha achado a estrada de terra atè Kondoa dificil, è pq nao tinha ainda visto a estrada que leva atè as pinturas. Na realidade aquilo nao era uma estrada, parecia mais uma trilha e acredito que nenhum turista sozinho daria conta de se achar por ali.

Em nao bastando, quando a “estrada” termina, ainda tem um bom pedaço para se fazer a pè, num terreno ainda mais selvagem e ingreme!

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Os nossos guias nos levaram de carro em 3 lugares diferentes onde existiam rochas com pinturas de diferentes idades: desde 7 mil anos atras atè 600 anos atras. E em cada um desses lugares existiam 2 ou 3 rochas enormes completamente desenhadas, mas para chegar nessas rochas, dá-lhe caminhada no meio do mato!

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Por causa da diferença de idade das pinturas, pudemos observar como as cores, a tecnica e os objetos desenhados se modificaram no tempo. As pinturas mais antigas sao as vermelhas e normalmente representam guerreiros e cenas de caça; as pinturas brancas sao as mais recentes e representam cenas de agricultura, com muitos girassois desenhados. E pra se ter certeza de que as pinturas sao mesmo africanas, existem muitos elefantes e girafas representados em todas as epocas.

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Essa visita a Kondoa que tinha tudo pra ser um desastre, conforme sugeriu a agencia de turismo, acabou se revelando um dos pontos altos da nossa lua-de-mel. Nao foi um passeio confortavel ou romantico, mas foi um passeio 2 em 1: fizemos uma interessantissima visita em um lugar onde nao sò aprendemos sobre as pinturas rupestres e a historia dos povos antigos do leste africano, mas tambem tivemos a oportunidade de ver uma parte da Tanzania que nao se encontra nos guias de turismo.

Songo Mnara

Songo Mnara

 No dia seguinte à visita a Kilwa Kisiwani, fomos visitar as ruinas de Songo Mnara, uma ilha localizada a uns 8km mais longe de Kilwa. O meio de transporte para chegarmos lá foi o mesmo “dhow” do dia anterior, com a diferenca que nao tinha mais o fascinio da primeira viagem e nao foi muito simples enfrentar 3 horas debaixo de um sol escaldante e sem ter para onde fugir.

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Chegamos em Songo Mnara e a recepcao da populacao local tb nao foi das melhores. Algumas pessoas da ilha, com cara de poucos amigos, começaram a discutir em swahili com a nossa guia nao sei por qual motivo, mas tive a impressao de que nao éramos bem-vindos. A impressao virou certeza quando pedi para tirar fotos do povoado e recebi um sonoro “nao” como resposta. Paciencia… Aceitei que o objetivo da nossa visita eram as ruinas e nao o povoado…

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Para chegarmos às ruinas, tivemos que atravessar o povoado, depois caminhamos por uns 15 minutos num mangue, dentro de um riozinho no meio de vegetacao fechada. Com o calor que fazia, a agua fresca e limpinha sob pés era deliciosa e eu tentava com todas as minhas forças a pensar somente nessa sensaçao boa, pois o rio estava repleto de animaizinhos estranhos (girinos, lagartinhos e coisas parecidas) e me vinha um ruim só de lembrar que eu estava andando descalça por ali. Espero sinceramente nao ter esmagado nenhum deles!

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Finalmente as ruinas! Como Kilwa, Songo Mnara, entre os seculos XIII e XVI, tambem foi uma rica e importante cidade comercial; quase todo o comercio de ouro, porcelanas chinesas, tapetes persas, etc, do oceano indico passava por ali. Hoje, as ruinas estao quase sendo tomadas pela vegetacao, com baobas enormes que cresceram por todo o lado e raizes que vao se embrenhando, destruindo o chao e entortando paredes.

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 Mas a grandiosidade do lugar fica evidente no chamado “palacio do sultao”. Uma construçao suntuosa, de dois andares, que por uma porta monumental se entra numa sala com um “patio” abaixo do nivel do solo, (que se parece uma piscina) e ao redor, vários comodos menores para os hospedes, cada um com seu banheiro e todas as portas decoradas.

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 Apesar de as ruinas de Kilwa Kisiwani serem mais famosas, achei as ruinas de Songo Mnara mais interessantes e mais variadas. Alem do palacio, existem as ruinas de mesquitas e mais de 50 casas residenciais e algumas coisas que os varios arqueologos que trabalhavam ali ainda estao tentando descobrir o que eram e pra que serviam.

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 Depois de umas 2 horas de tour pelas ruinas, voltamos para o povoado para pegarmos o nosso dhow de volta para Kilwa Masoko. E olha a surpresa: as pessoas, até entao mal encaradas, do nada ficaram simpaticas e sorridentes. Até permitiram que eu fizesse uma foto dos peixes secando na “praça principal” do povoado!

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Logo em seguida entendi o motivo de tanta simpatia… Com um lindo sorriso estampado no rosto, vieram nos pedir carona para o continente, pois o transporte-dhow publico alem de raro é caro (para os padroes deles, obviamente). Pelo menos a viagem de volta foi bem mais divertida que a de ida. As 3 horas passaram bem rapido enquanto estavamos confortavelmente sentados debaixo da sombra da vela do dhow e batendo altos papos com os caroneiros locais.

Kilwa Kisiwani

Kilwa Kisiwani

A nossa lua-de-mel na Tanzania contou com alguns destinos menos populares entre os turistas e, segundo a nossa agencia de viagens, nao recomendados para casais em lua-de-mel, por causa da falta de infra estrutura. Um desses destinos foi Kilwa.

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Quando pegamos o voo para Kilwa, o aviao estava cheinho de casais. Já estava me sentindo quase “normal” em passar a lua-de-mel em Kilwa quando vi todos aqueles enamorados no mesmo voo. Achei que a agencia tinha exagerado nas recomendaçoes. Doce ilusao… Eu nao sabia que o voo fazia uma escala na ilha de Mafia. Pra ser sincera eu nao sabia sequer que existisse uma ilha chamada Mafia, cujo nome decerto nao é uma homenagem à “cosa nostra”.

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Bom, eu só vi Mafia da janelinha do aviao e me pareceu um lugar paradisiaco, daqueles com areia branquinha, mar azulzinho, corais e, quando me dei conta, o aviao já tinha se esvaziado completamente. Para Kilwa, restaram tao somente uma francesa da Unesco que estava indo a trabalho, uma maluca escocesa que mora no Yemen e nós!

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Na realidade existem 3 Kilwas: Kilwa Masoko, ou “Kilwa do Mercado”, que é a cidadezinha costeira base para quem quer visitar a regiao. Além dos 3 ou 4 hoteis para abrigar os parcos turistas que aparecem de vez em quando por ali, a cidade nao oferece mais nada.

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Kilwa Kivinje,ou “Kilwa das Cassuarinas” (uma arvore comum na regiao), uma cidadezinha que teve seu auge com o mercado de escravos e hoje, segundo o guia, o que sobrou foi uma cidadezinha swahili, com uma mistura de arquitetura colonial alema e arabe . Por uma questao de (falta de) tempo, optamos por visitar as ruinas de Songo Mnara e acabamos nao indo a Kilwa Kivinje.

A terceira Kilwa é Kilwa Kisiwani, ou “Kilwa na ilha”, que é o que atrai os turistas para a regiao.   Ouvi dizer que precisa de uma permissao para visitar a ilha, mas como estavamos com uma agencia de turismo, nao me preocupei com esses “detalhes”. A escocesa que conhecemos ali, que viajava por conta propria nos disse que o hotel havia providenciado tudo sem problemas.

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Pode parece dificil de acreditar, mas Kilwa Kisiwani já foi um dos portos mais importantes do oceano Indico, com o comercio de ouro e de escravos. Até os portugueses já estiveram por ali, por volta do seculo XVI, e deram sua contribuiçao arquitetonica: uma igreja; que seculos mais tarde foi adaptada pelos arabes e transformada em forte. O nome do forte em swahili é “gereza”, que quer dizer “prisao”. Curiosamente a palavra gereza deriva da palavra “igreja” do portugues e esse forte é a primeira coisa que se avista ainda do mar.

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Mas a atraçao da ilha é a Grande Mesquita que, quando foi construida, no século XV, era a maior de toda a Africa. Na realidade, a Grande Mesquita é formada por duas mesquitas, uma do século XIII que foi alargada e adaptada no século XV, e é possivel observar os 2 mihrabs, cada um de uma epoca diferente.

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Além do forte e da grande mesquita, em Kilwa existem ainda uma mesquita menor que, depois de ter visto a grande, perde um pouco a graça e também as ruinas de Makutani que, segundo o guia, foi um grande palacio. Infelizmente, sem a explicacao do guia, eu nao teria nem notado a existencia dessas ruinas, tamanha a falta de conservacao do lugar, com baobas tomando conta de toda a paisagem.

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Uma coisa legal é que a Unesco está trabalhando bastante para restaurar e preservar esse patrimonio ameaçado de extinçao. Vimos arqueologos por toda parte e tambem a populacao local está sendo orientada para colaborar com a preservaçao de Kilwa Kisiwani. Alem disso, muitos meninos e meninas da regiao estao frequentando uma escola de formaçao de guias turisticos. Os nossos guias eram dessa escola e foram otimos: Ahmed e Jasmina.

Com relacao á infra estrutura… Confesso que estava esperando coisa pior. O hotel era simples, mas confortavel e limpo; o unico senao é que nao tinha agua quente no banheiro. Fizemos todas as refeicoes no hotel e comemos muito bem: peixe e lagosta grelhados fresquissimos e custavam quase nada.

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Nao tivemos problemas com transporte, pois alem das ruinas nao tem mais para onde ir por ali e os transfers de / para o aeroporto foi providenciado pelo hotel. Para chegar em Kilwa Kisiwani só mesmo enfrentando 20 a 30 minutos no mar, dentro de um dhow, uma tipica embarcacao a vela da regiao. Uma experiencia no minimo curiosa que vale pelo por do sol na volta.

As portas de Zanzibar

As portas de Zanzibar

Uma das primeiras coisas que atrai a atencao de um turista em Zanzibar – e eu nao fugi à regra – sao as portas de madeira entalhadas que estao por toda a cidade: do palacio do sultao a lojas, hoteis e atè mesmo ilustres casas desconhecidas, muitas vezes caindo aos pedaços.

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As portas representavam o status e a riqueza do proprietario da casa e, diz a lenda, que primeiro mandavam construir a porta para sò depois começarem a construir a casa.

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De acordo com o nosso guia em Zanzibar, as portas quadradas sao tipicamente arabes e as portas com um semicirculo no alto seguem o estilo indiano.

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As decoraçoes pontiagudas presentes nas portas, tb segundo o nosso guia, serviam para proteger a casa do ataque de elefantes.

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Mas acontece que em Zanzibar nao existem elefantes! A decoraçao è uma tradicao que veio da India e acabou caindo no gosto dos habitantes.

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Nao preciso nem dizer que 90% das minhas fotos em Zanzibar sao de portas, nè? Eis mais algumas:

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Visita aos Masai

Visita aos Masai

Os Masai sao um grupo etnico de seminomades africanos que vivem no norte da Tanzania e no Quenia. E o que os distingue dos demais grupos ètnicos è a cor vermelha sempre presente, ainda que em pequenos detalhes, nas suas vestimentas, os lobulos das orelhas alargados por causa daqueles brincos enormes, e as caracteristicas casas feitas de troncos de arvore, barro e esterco.

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Os Masai tambem sao conhecidos pela realizacao de cerimonias para a circuncisao e para a remocao do clitoris, quando os garotos e garotas atingem a puberdade. Diz a lenda que essa cerimonia de remoçao do clitoris jà nao existe mais… Quero acreditar nisso…

Quando a agencia de turismo que estava organizando nossa viagem à Tanzania nos propos uma visita aos Masai, num assentamento proximo a Ngorongoro, me enchi de duvidas. Aquilo estava me cheirando um daqueles tourist trap dos bravos e ainda por cima, nao me sinto à vontade de visitar pessoas como se estivesse visitando os animais do parque.

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Mas a curiosidade acabou falando mais alto e decidimos pagar pra ver. E pagamos caro, pois nao basta pagar o tour para a agencia, tem que pagar tambem para o Masai que vem te recepcionar na entrada do assentamento! E isso nòs sò fomos descobrir na hora!

Mal chegamos no assentamento e um simpatico Masai vem nos receber. Depois do “welcome”  a segunda frase foi: “A visita custa 50 dolares por carro, que devem ser pagos pra mim e antes de comecarmos a visita”.

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Achamos um absurdo e, antes de desembolsar alguma coisa, esperamos um pouco e fomos perguntar a outros grupos de turistas se eles tinham pagado alguma coisa e o valor. As respostas foram unanimes: 50 dolares por carro! E jà que a extorsao era generalizada e jà que estavamos ali mesmo… pagamos.

No inicio eu tinha aquele ruim no coracao de ver tanta miseria, mas depois fiz algumas contas e, por causa desses 50 dolares, acabei mudando o meu modo ver a miseria ali. Sao 50 dolares por carro X 30 carros por dia em media (informacao recebida pelo proprio Masai, mas eu acho que sao mais de 30… chegaram 6 carros na meia hora que fiquei por ali) sao 1500 dolares por dia e 45 mil dolares por mes. Ainda que eles sò recebam turistas por 3 meses num ano, a media è de 11250 dolares por mes. Onde eles enfiam esse dinheiro eu nao sei, ninguem soube me informar…

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Mas a visita foi interessante. Depois que todos os turistas presentes pagaram os 50 dolares, os Masai cantaram e dançaram segundo suas tradiçoes, revezando danças e cantos sò masculinos, sò femininos e todos juntos, inclusive com crianças participando.

Em seguida, o nosso guia Masai nos explica um pouco sobre a cultura de seu povo (as informaçoes do inicio do post foram dadas pelo guia), explica a estrutura do assentamento, como sao as casas por dentro, qual è o lugar onde ficam as cabras, o lugar onde ficam os bois, a escolinha das crianças…

Essa escolinha è um teatro. Sao umas 10 criancas, de uns 4-5 anos, com sorrisos capaz de amolecer o mais duro dos coracoes, e que ficam “lendo”, em ingles, os numeros e as silabas que uma outra crianca aponta no quadro-negro. Deve fazer uns 30 anos que ninguem apaga aquele quadro e essas pobres crianças, que sabem de cor todas as silabas, devem ser incapazes de junta-las para formar uma palavra.

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No final da visita, a infalivel visita as barraquinhas de artesanato masai. Eu tinha me interessado por uma miniatura do colar que eles usam, feito em miçangas, que se transformariam em um ima para a minha coleçao.

Mas quando perguntei o preco, me responderam: 40. Achei que fosse 40 shillings, e nem me preocupei com a conversao… Ledo engano, eles queriam 40 dolares por aquela porcaria! Devolvi na hora e comecei a voltar pro jipe para irmos ao hotel. Nesse trajeto, o preco caiu para 5 dolares, mas achei um abuso a cara de pau do vendedor e nao comprei nada.

E afinal, valeu o passeio? Apesar de ser um classico “tourist trap”, valeu. Foi bem curioso e diferente.

Recomendo? Sò para aqueles que tenham 50 dolares sobrando e muita curiosidade.

Parques na Tanzania: ficha técnica

Parques na Tanzania: ficha técnica

Como nós fomos para a Tanzania de lua-de-mel, deixamos a organização da viagem numa agencia de turismo. Apesar de ter sido uma viagem bem $algada (a Tanzania è jà um destino caro por excelencia e digamos que contratar uma agencia nao barateou as coisas), foi uma experiencia incrivel!

De qualquer modo, se eu tivesse que organizar essa viagem por conta propria, eis o que eu gostaria de saber antes de partir:

QUANDO IR: A melhor época é o periodo de seca que vai de junho a setembro, principalmente por causa dos mosquitos, abundantes com o tempo umido. Nao da pra esquecer que a malaria é uma doenca seria e muito comum por lá.

 Julho e agosto sao considerados altissima temporada e como nao existe uma limitacao de quantidade de pessoas admitidas dentro dos parques, vc acaba vendo mais gente do que bicho, principalmente em Ngorongoro.

ONDE FICAR: No melhor hotel do lugar e dentro dos limites do parque. Vai custar uma fortuna? Vai! Mas quanto mais pobre é o país, mais rica deve ser a acomodação.

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Nós ficamos só em estruturas consideradas de luxo e, apesar de termos um quarto espacoso e todos os mimos que um hotel de luxo pode oferecer, a energia elétrica e a agua quente e encanada eram racionadas. Olha o nivel do funcionamento do chuveiro de um dos hoteis: um bolsao de 30 litros que era enchido com agua quente, quando solicitado.

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Pra piorar, vc fica completamente dependente da estrutura e dos servicos do hotel, pois nao tem pra onde fugir, entao, no minimo, o hotel deve ser confortavel e deve oferecer os servicos que cada um considere essencial para a viagem.

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ONDE COMER: No hotel. Nao existe alternativa, a cidade mais proxima, com um minimo de infraestrutura, ficarà a uns 200km de distancia… Entao, ou voce come o que o hotel servir, ou vc nao come. Simples assim!  A qualidade da comida é um outro bom motivo para escolher o melhor hotel do lugar.

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 O QUE COMER: Os hoteis só servem cozinha internacional: carne (de boi, de frango, de cabrito…) com batatas em suas mais variadas formas; ou ainda macarrao com os tradicionais molhos a bolonhesa ou de tomate; e a infalivel sopinha de entrada.  A vantagem é que ninguem morre de fome e nem reclama da comida, mas, pra mim, é uma super desvantagem, pois tive pouquissimas oportunidades de experimentar a culinaria local.

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Num dia em que o menu previa macarrao, nòs insistimos com o chef para que ele nos preparasse alguma coisa de africano, afinal, macarrao a gente come em casa. O chef ficou lisonjeado com o nosso interesse pela cultura local e disse que nos prepararia uma surpresa. Foi mesmo uma surpresa quando o prato chegou: arroz, feijao, banana frita, quiabo e frango assado! 

Em uma outra oportunidade, tambem pq insistimos com o chef, experimentamos “ugali” um tipo de tapioca servido com um picadinho de carne de cabrito. Melhor do que todas as carnes com batata que tinhamos comido até entao.

A minha frustraçao foi nao ter experimentado o tal “porridge”, que os nossos guias diziam ser o “prato nacional”. Infelizmente os hoteis nao o propoem para turistas… Só vi porridge sendo vendido por ambulantes nas ruas de Zanzibar e, para o bem do meu sistema digestivo, achei melhor nao arriscar.

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Uma coisa legal que os hoteis fazem sao almocos dentro dos parques, quando o safari è mais longo; ou os aperitivos ao por do sol no final de um safari. Juro que, vendo hipopotamos no rio ou elefantes cheirando o que nos tinhamos de bom pra comer, ou ainda leopardos numa arvore proxima sò esperando se sobrava alguma coisa… nem me lembro se a comida era boa ou nao.

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O QUE FAZER: Quem vai para um parque na Tanzania tem um único interesse: ver o maior numero de animais selvagens possivel. Mais uma vez, o hotel assume um papel importantissimo: se o hotel estiver dentro do parque, vc corre o serio risco de encontrar zebras, girafas, bufalos, macacos, passeando livremente pelas dependencias do hotel.

Excluindo os safaris, nao tem mais nada pra fazer, a nao ser relaxar no hotel (mais um motivo para investir num hotel legal).

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Os safaris sao feitos normalmente bem cedo de manha e no final da tarde, por causa do calor. Os dias em que eu acordava mais tarde era por volta das 7h, mas normalmente o despertador tocava por volta das 5h30.  

A janta é servida por volta das 19h30 e quando escurece, os hospedes sao proibidos de andar pelo hotel desacompanhados para evitar “acidentes” com predadores.

Uma noite não conseguimos dormir por causa da gritaria de macacos bem do lado da nossa janela e, na manhã seguinte, descobrimos que os macacos gritavam pq tinha um leopardo tentando come-los!

Os Safaris: Nos melhores hoteis, os safaris estao incluidos no preco da diaria e, mais uma vez, quanto melhor o hotel, mais bem preparado será o guia. Como os parques permitem a entrada de qualquer um, com ou sem guia,  e como os hoteis mais em conta nao incluem o safari na diaria, convem ter muito cuidado com guias picaretas que querem ganhar dinheiro às custas de turistas desavisados.

avestruz

Alem disso, um bom guia contribui muito para o sucesso do safari, pois Parque Nacional não é jardim zoologico e precisa ter um olho muito bom para avistar os animais. Pode parecer absurdo, mas para quem nao é preparado, fica dificil até enxergar um elefante ou uma girafa no meio da savana, e de longe eu sequer conseguia saber se aquele ponto preto era um avestruz ou um bufalo… 

bufalo

COMO SE LOCOMOVER: Para ir de um parque a outro a melhor opçao é pegar um aviao. Quando eu digo aviao, eu estou sendo muito simpatica, na realidade só existem teco-tecos com capacidade maxima de 12 passageiros. E nao tem nem como ser diferente, pois os “aeroportos” são formados basicamente por uma pista de terra, um espaco para estacionar os jipes que farao os transfers até os hoteis e uma construçao bem basica onde fica o encarregado de cobrar as taxas de entrada nos parques e que nao tem a menor ideia da situaçao dos voos. Detalhe: eu só vi banheiro em 1 “aeroporto” e nao tinha agua.

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Nos usamos muito a Coastal Airlines e usamos a Regional Air uma vez. Nao percebi nenhuma diferença entre elas… Ambas foram pontuais e usam o mesmo tipo de aviao.

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Dirigir por conta propria é algo para se evitar a todo custo. A Tanzania é adepta da mao inglesa e as estradas sao cheias de gente, principalmente crianças, varios animais domesticos e alguns animais selvagens (topamos até com um filhote de hipopotamo na beira da estrada do lado da cidade de Babati) e nao possuem nenhum tipo de sinalizaçao. Ah, e a maioria das estradas são de terra e em pessimo estado de conservacao, é claro.

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Para chegar no hotel a partir do aeroporto, ou qualquer outra viagem via terrestre, o ideal é pegar um transfer com o proprio hotel ou contratar um carro com motorista em alguma agencia de turismo local. Nao existem taxis ou qq outro meio de transporte nos aeroportos dos parques.

Mas, fora dos parques, para quem gosta de aventura, tem muuuuito tempo a disposicao, e quiser arriscar, o “dala-dala” é o transporte publico mais usado pelos locais. É um tipo de microonibus, caindo aos pedaços, sempre lotado de gente e de coisas penduradas, que liga as principais cidades do pais.

O QUE USAR: Na Tanzania, a temperatura e os mosquitos ditam a moda. A roupa tem que ser leve por causa do calor, mas comprida por causa dos mosquitos e de cor clara por causa dos dois. Mas uma vez, precaucao contra a malaria nunca é demais, nao existe vacina ou remedio 100% eficaz na prevencao e a unica maneira de evitar a doenca è evitar a picada do mosquito.

 Para os safaris, principalmente aqueles feito a pé, o sapato deve ser muito confortavel e resistente. Sapato pra caminhar no meio do mato, pisar em caca de elefante, encher de  “picao“… 

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Para jantar no hotel, um sapato fechado e confortavel também é a melhor pedida. Os hoteis, apesar de luxuosos, sao rusticos e isso quer dizer que entre o quarto e a sala de jantar vai ter uma ou estrada de terra, ou com muitas pedras e é claro cheio de formigas, lagartixas, besouros e outros animais daqueles que, de noite, ficam invisiveis. 

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E apesar da Tanzania ser bem proxima do Equador, a época da seca coincide com o inverno e a diferenca de temperatura entre o dia e a noite é consideravel. É bom ter uma blusa quentinha na mala por causa dessas variacoes termicas.

Em Ngorongoro, que fica a 2700m acima do nivel do mar, é bom ter duas blusas quentinhas na mala! Lá faz frio de verdade de noite; nós pegamos temperaturas em torno a 10ºC – 12ºC.

O QUE LEVAR: 

– protetor solar, chapeu, oculos escuros e qualquer outra coisa necessaria para se proteger do sol forte.

– repelente contra mosquitos: quanto maior a porcentagem de DEET, melhor o resultado. O nosso tinha 15% de DEET e às vezes eu tinha a impressao de que os mosquitos riam de nós… Conhecemos uma escocesa que usava um repelente 50% DEET, ela disse que funcionava bem, mas as partes plasticas do seu relogio derreteram…

– maquina fotografica com um zoom super poderoso: fiquei com muita raiva da minha compacta, a coitada nao dava conta de tirar fotos decentes dos bichos. Esse é o tipo de viagem em que eu nao me incomodaria de carregar uma mala extra para uma maquina fotografica boa e seus apetrechos volumosos.

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Tà, eu confesso que a maior parte das fotos tremidas nao foram culpa da maquina.  Mas nao è todo dia que eu me deparo com leoes a poucos centimetros de distancia…

– farmacia completa e vacinas em dia: Nós resolvemos seguir à risca as recomendacoes do medico e tomamos vacinas contra hepatite, tifo, tetano, febre amarela, etc, tomamos direitinho o remedio para prevenir a malaria e também levamos os classicos remedios para  dor de cabeca, diarreia…  Felizmente nao precisamos usar nada! Nao tivemos nem um mal estarzinho pra contar a historia! Mas se precisassemos, seria um problema encontrar remedio por ali.

– lanterna: essa eu esqueci de levar e tive que arrumar as malas no escuro, pois, como já disse anteriormente, energia eletrica é artigo de luxo até em hotel 5 estrelas.

Safaris por terra, ar e agua

Safaris por terra, ar e agua

Parque Nacional na Tanzania e o que nao falta e fica atè dificil de escolher qual visitar. No inicio a empolgaçao toma conta e dá vontade de incluir todos no roteiro.  Mas em seguida vem a duvida: Serao todos iguais? Os mesmos elefantes e girafas que vou ver em um, vou encontrar no outro? Vale a pena visitar mais de um??

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Vale!!! Mas tem que saber escolher, senao a chance de cair na mesmice é realmente enorme! Nós passamos por 4 parques nacionais e cada um com suas caracteristicas e pontos de força.

KILIMANJARO NATIONAL PARK – A PÉ!

Confesso que a minha ida ao Kilimanjaro National Park foi mais curiosidade de ver de perto o famoso vulcao do que qualquer outra coisa. E juntando a curiosidade àquela velha historia: “Já que o aeroporto por onde chegamos era o “Kilimanjaro International Airport”… Já que estavamos ali pertinho… Por que nao aproveitar?”

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A visita foi super interessante, pois foi nosso primeiro contato com a vida selvagem. Além de ver muitas girafas, zebras e antilopes de todos os tipos, topamos com manadas e manadas de elefantes, familias inteiras passeando como se nós nao existissimos, tomando banho num laguinho, comendo tranquilamente, se coçando em arvores…

Esse parque foi onde mais vimos elefantes. Em nenhum outro parque vimos tantos assim, tao perto e tao “nem-aì” pra gente! E também foi o unico parque onde fizemos um safari a pé.

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È incrivel! Alem da emoçao de caminhar perto dos bichos, e se sentir muito vulneravel por isso, teve tambem a parte cultural (o real objetivo do safari a pé), em que o nosso guia nos mostrava e nos ensinava como interpretar os vestigios deixados pelos animais, de pegadas a folhas mastigadas, passando, é claro, por todos os tipos de fezes.

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Mas na realidade, ninguem vai ao Kilimanjaro NP para ver vida selvagem, (embora ela exista em abundancia), a atraçao maior do parque é fazer trekking no Kilimanjaro, a montanha mais alta da Africa e uma das vistas mais espetaculares de todo o continente:  um calor infernal do Equador e neve no topo (infelizmente, dizem as pesquisas que de 1912 até hoje, a neve diminuiu em 80% e que até 2020 não existirá mais…).

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Como trekking nao faz meu estilo, fiquei contente com os animais que vi e com os safaris a pé que fizemos… Uma pena que ver o Kilimanjaro que é bom… Nada! As nuvens nao permitiram…

NGORONGORO CRATER – NA CRATERA DO VULCAO!

O fantastico desse parque é que ele esta localizado numa caldera. A mesma coisa que aconteceu em Santorini – erupcao vulcanica seguida de desmoronamento do topo do vulcao e formacao da caldera – aconteceu em Ngorongoro, mas como Santorini é uma ilha, a cratera se encheu de agua. Em Ngorongoro, ao contrario, a cratera ficou seca e os animais a adotaram como casa.

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 A paisagem desse parque é inacreditavel, as bordas da caldera sao bem definidas e bem visiveis e dá a impressao de estarmos entrando em uma grande “panela”. Em nao bastando, esse é o parque com a maior densidade demografica de predadores do mundo.

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Aliás, Ngorongoro chega quase a ser um jardim zoologico de tanto bicho que tem ali e que quase nao escapam por causa das “paredes” da caldera.

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Nos conseguimos avistar os Big 5 em uma tarde! Inclusive o famoso, raro e arisco rinoceronte preto. (Esse nòs vimos bem de longe, mas tà valendo mesmo assim!).

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O unico “senao” è que por se tratar de um espaco bem delimitado, a densidade demografica de turistas tambem è muito elevada. Basta alguem avistar um leao e jà junta uns 5 ou 6 jipes ao redor do pobre animal.

 SERENGETI NATIONAL PARK – DE BALAO!

Depois de Ngorongoro, Serengeti è o parque mais visitado da Tanzania. Mas por se tratar de uma area muito extensa, os turistas sao mais rarefeitos e, apesar da tambem enorme quantidade de vida selvagem, os animais ficam mais “espalhados” e  è preciso realmente um olho treinado para enxergar uma leoa que dorme tranquilamente na savana, depois do almoço…

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Mas Serengeti è famoso pela migracao de zebras e de milhoes de gnus, que atraversam o parque todos os anos em busca de comida fresca, nas poucas areas verdes restantes, depois que a epoca das chuvas acaba. E nesse parque acontece tambem a migracao dos turistas para os hoteis mais proximos da rota migratoria dos gnus.

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A melhor maneira de avistar a migracao è do alto e, por isso, as viagens de balao em Serengeti sao concorridissimas e obrigatorias para quem visita o parque. 

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Quando estivemos em Serengeti, a migracao estava um pouco atrasada e, segundo o “piloto” do balao, nao tinha muito bicho na rota. Eu achei que tinha uma quantidade absurda de animais, nao sò de gnus e zebras, mas tambem de girafas, bufalos, antilopes… E que, mesmo sem nenhum animal, teria valido a pena o passeio mesmo assim. O nascer do sol na savana africana è demais!

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Depois do passeio, quando contamos ao nosso guia que o piloto do balao havia comentado sobre a escassez dos bichos, ele se prontificou a nos levar para um lugar a 1 hora e meia de distancia de onde estavamos, para vermos os animais “atrasados”.

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 Eu nunca vi tanto bicho junto!!! Eram milhares e milhares de gnus juntos, tinha gnu atè onde a vista alcancava! No meio daquela quantidade infinita de gnus pude entender a grandiosidade da migracao e o que o piloto do balao quis dizer com “poucos animais”.

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SELOUS GAME RESERVE – BOAT SAFARI

Esse parque foge completamente do “estilo savana de ser” dos outros parques. Selous é cortado pelo rio Rufiji e tem 3 grandes lagos que, mesmo na estaçao seca, permanecem com agua. E com isso a vegetaçao foge do tradicional relva-baixa-seca-amarela da savana e a paisagem ganha arvores mais altas, muito verde e atè os baobabs tinham folhas.

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Talvez por conta dessa densa vegetaçao, o parque seja negligenciado pela maior parte dos turistas, pois a visualizaçao dos animais em Selous nao é tao obvia. Pelo contrario, è bem dificil diferenciar um tronco de arvore de um animal, ou deduzir que aquilo que esta se mexendo nao é uma folha no vento.

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E por causa de toda essa agua presente em Selous, a atraçao principal do parque sao os “boat safari”. Poderia atè me sentir no Pantanal, se os animais nao fossem tao diversos…

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O rio estava cheio de hipopotamos e crocodilos de todos os tamanhos e, nas margens vimos milhares de passaros aquaticos pescando, macacos brincando e outros animais que apareciam sò para saciar a sede. E isso tudo com o sol se pondo na agua! A beleza é indescritivel!

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E eu que achava que safari fosse tudo igual…

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