Como nós fomos para a Tanzania de lua-de-mel, deixamos a organização da viagem numa agencia de turismo. Apesar de ter sido uma viagem bem $algada (a Tanzania è jà um destino caro por excelencia e digamos que contratar uma agencia nao barateou as coisas), foi uma experiencia incrivel!
De qualquer modo, se eu tivesse que organizar essa viagem por conta propria, eis o que eu gostaria de saber antes de partir:
QUANDO IR: A melhor época é o periodo de seca que vai de junho a setembro, principalmente por causa dos mosquitos, abundantes com o tempo umido. Nao da pra esquecer que a malaria é uma doenca seria e muito comum por lá.
Julho e agosto sao considerados altissima temporada e como nao existe uma limitacao de quantidade de pessoas admitidas dentro dos parques, vc acaba vendo mais gente do que bicho, principalmente em Ngorongoro.
ONDE FICAR: No melhor hotel do lugar e dentro dos limites do parque. Vai custar uma fortuna? Vai! Mas quanto mais pobre é o país, mais rica deve ser a acomodação.

Nós ficamos só em estruturas consideradas de luxo e, apesar de termos um quarto espacoso e todos os mimos que um hotel de luxo pode oferecer, a energia elétrica e a agua quente e encanada eram racionadas. Olha o nivel do funcionamento do chuveiro de um dos hoteis: um bolsao de 30 litros que era enchido com agua quente, quando solicitado.

Pra piorar, vc fica completamente dependente da estrutura e dos servicos do hotel, pois nao tem pra onde fugir, entao, no minimo, o hotel deve ser confortavel e deve oferecer os servicos que cada um considere essencial para a viagem.

ONDE COMER: No hotel. Nao existe alternativa, a cidade mais proxima, com um minimo de infraestrutura, ficarà a uns 200km de distancia… Entao, ou voce come o que o hotel servir, ou vc nao come. Simples assim! A qualidade da comida é um outro bom motivo para escolher o melhor hotel do lugar.

O QUE COMER: Os hoteis só servem cozinha internacional: carne (de boi, de frango, de cabrito…) com batatas em suas mais variadas formas; ou ainda macarrao com os tradicionais molhos a bolonhesa ou de tomate; e a infalivel sopinha de entrada. A vantagem é que ninguem morre de fome e nem reclama da comida, mas, pra mim, é uma super desvantagem, pois tive pouquissimas oportunidades de experimentar a culinaria local.

Num dia em que o menu previa macarrao, nòs insistimos com o chef para que ele nos preparasse alguma coisa de africano, afinal, macarrao a gente come em casa. O chef ficou lisonjeado com o nosso interesse pela cultura local e disse que nos prepararia uma surpresa. Foi mesmo uma surpresa quando o prato chegou: arroz, feijao, banana frita, quiabo e frango assado!
Em uma outra oportunidade, tambem pq insistimos com o chef, experimentamos “ugali” um tipo de tapioca servido com um picadinho de carne de cabrito. Melhor do que todas as carnes com batata que tinhamos comido até entao.
A minha frustraçao foi nao ter experimentado o tal “porridge”, que os nossos guias diziam ser o “prato nacional”. Infelizmente os hoteis nao o propoem para turistas… Só vi porridge sendo vendido por ambulantes nas ruas de Zanzibar e, para o bem do meu sistema digestivo, achei melhor nao arriscar.

Uma coisa legal que os hoteis fazem sao almocos dentro dos parques, quando o safari è mais longo; ou os aperitivos ao por do sol no final de um safari. Juro que, vendo hipopotamos no rio ou elefantes cheirando o que nos tinhamos de bom pra comer, ou ainda leopardos numa arvore proxima sò esperando se sobrava alguma coisa… nem me lembro se a comida era boa ou nao.

O QUE FAZER: Quem vai para um parque na Tanzania tem um único interesse: ver o maior numero de animais selvagens possivel. Mais uma vez, o hotel assume um papel importantissimo: se o hotel estiver dentro do parque, vc corre o serio risco de encontrar zebras, girafas, bufalos, macacos, passeando livremente pelas dependencias do hotel.
Excluindo os safaris, nao tem mais nada pra fazer, a nao ser relaxar no hotel (mais um motivo para investir num hotel legal).

Os safaris sao feitos normalmente bem cedo de manha e no final da tarde, por causa do calor. Os dias em que eu acordava mais tarde era por volta das 7h, mas normalmente o despertador tocava por volta das 5h30.
A janta é servida por volta das 19h30 e quando escurece, os hospedes sao proibidos de andar pelo hotel desacompanhados para evitar “acidentes” com predadores.
Uma noite não conseguimos dormir por causa da gritaria de macacos bem do lado da nossa janela e, na manhã seguinte, descobrimos que os macacos gritavam pq tinha um leopardo tentando come-los!
Os Safaris: Nos melhores hoteis, os safaris estao incluidos no preco da diaria e, mais uma vez, quanto melhor o hotel, mais bem preparado será o guia. Como os parques permitem a entrada de qualquer um, com ou sem guia, e como os hoteis mais em conta nao incluem o safari na diaria, convem ter muito cuidado com guias picaretas que querem ganhar dinheiro às custas de turistas desavisados.

Alem disso, um bom guia contribui muito para o sucesso do safari, pois Parque Nacional não é jardim zoologico e precisa ter um olho muito bom para avistar os animais. Pode parecer absurdo, mas para quem nao é preparado, fica dificil até enxergar um elefante ou uma girafa no meio da savana, e de longe eu sequer conseguia saber se aquele ponto preto era um avestruz ou um bufalo…

COMO SE LOCOMOVER: Para ir de um parque a outro a melhor opçao é pegar um aviao. Quando eu digo aviao, eu estou sendo muito simpatica, na realidade só existem teco-tecos com capacidade maxima de 12 passageiros. E nao tem nem como ser diferente, pois os “aeroportos” são formados basicamente por uma pista de terra, um espaco para estacionar os jipes que farao os transfers até os hoteis e uma construçao bem basica onde fica o encarregado de cobrar as taxas de entrada nos parques e que nao tem a menor ideia da situaçao dos voos. Detalhe: eu só vi banheiro em 1 “aeroporto” e nao tinha agua.

Nos usamos muito a Coastal Airlines e usamos a Regional Air uma vez. Nao percebi nenhuma diferença entre elas… Ambas foram pontuais e usam o mesmo tipo de aviao.

Dirigir por conta propria é algo para se evitar a todo custo. A Tanzania é adepta da mao inglesa e as estradas sao cheias de gente, principalmente crianças, varios animais domesticos e alguns animais selvagens (topamos até com um filhote de hipopotamo na beira da estrada do lado da cidade de Babati) e nao possuem nenhum tipo de sinalizaçao. Ah, e a maioria das estradas são de terra e em pessimo estado de conservacao, é claro.

Para chegar no hotel a partir do aeroporto, ou qualquer outra viagem via terrestre, o ideal é pegar um transfer com o proprio hotel ou contratar um carro com motorista em alguma agencia de turismo local. Nao existem taxis ou qq outro meio de transporte nos aeroportos dos parques.
Mas, fora dos parques, para quem gosta de aventura, tem muuuuito tempo a disposicao, e quiser arriscar, o “dala-dala” é o transporte publico mais usado pelos locais. É um tipo de microonibus, caindo aos pedaços, sempre lotado de gente e de coisas penduradas, que liga as principais cidades do pais.
O QUE USAR: Na Tanzania, a temperatura e os mosquitos ditam a moda. A roupa tem que ser leve por causa do calor, mas comprida por causa dos mosquitos e de cor clara por causa dos dois. Mas uma vez, precaucao contra a malaria nunca é demais, nao existe vacina ou remedio 100% eficaz na prevencao e a unica maneira de evitar a doenca è evitar a picada do mosquito.
Para os safaris, principalmente aqueles feito a pé, o sapato deve ser muito confortavel e resistente. Sapato pra caminhar no meio do mato, pisar em caca de elefante, encher de “picao“…

Para jantar no hotel, um sapato fechado e confortavel também é a melhor pedida. Os hoteis, apesar de luxuosos, sao rusticos e isso quer dizer que entre o quarto e a sala de jantar vai ter uma ou estrada de terra, ou com muitas pedras e é claro cheio de formigas, lagartixas, besouros e outros animais daqueles que, de noite, ficam invisiveis.

E apesar da Tanzania ser bem proxima do Equador, a época da seca coincide com o inverno e a diferenca de temperatura entre o dia e a noite é consideravel. É bom ter uma blusa quentinha na mala por causa dessas variacoes termicas.
Em Ngorongoro, que fica a 2700m acima do nivel do mar, é bom ter duas blusas quentinhas na mala! Lá faz frio de verdade de noite; nós pegamos temperaturas em torno a 10ºC – 12ºC.
O QUE LEVAR:
- protetor solar, chapeu, oculos escuros e qualquer outra coisa necessaria para se proteger do sol forte.
- repelente contra mosquitos: quanto maior a porcentagem de DEET, melhor o resultado. O nosso tinha 15% de DEET e às vezes eu tinha a impressao de que os mosquitos riam de nós… Conhecemos uma escocesa que usava um repelente 50% DEET, ela disse que funcionava bem, mas as partes plasticas do seu relogio derreteram…
- maquina fotografica com um zoom super poderoso: fiquei com muita raiva da minha compacta, a coitada nao dava conta de tirar fotos decentes dos bichos. Esse é o tipo de viagem em que eu nao me incomodaria de carregar uma mala extra para uma maquina fotografica boa e seus apetrechos volumosos.

Tà, eu confesso que a maior parte das fotos tremidas nao foram culpa da maquina. Mas nao è todo dia que eu me deparo com leoes a poucos centimetros de distancia…
- farmacia completa e vacinas em dia: Nós resolvemos seguir à risca as recomendacoes do medico e tomamos vacinas contra hepatite, tifo, tetano, febre amarela, etc, tomamos direitinho o remedio para prevenir a malaria e também levamos os classicos remedios para dor de cabeca, diarreia… Felizmente nao precisamos usar nada! Nao tivemos nem um mal estarzinho pra contar a historia! Mas se precisassemos, seria um problema encontrar remedio por ali.
- lanterna: essa eu esqueci de levar e tive que arrumar as malas no escuro, pois, como já disse anteriormente, energia eletrica é artigo de luxo até em hotel 5 estrelas.