Lviv

Lviv

Eu li em algum lugar que Lviv è a cidade mais “ucraina” e mais “europeia” da Ucrania. O que a inicio parece um contra senso, tem a sua logica.

Devido ao seu particular percurso historico: foi fundada pelo rei da Galicia (nao confundir com a Galicia espanhola – esse rei era da Galicia do Leste Europeu) e passaram por ali os poloneses, os suecos, o imperio Austro-hungaro, os alemaes nazistas e os sovieticos.

Por se localizar quase na fronteira com a Polonia, a cidade nao sofreu muita influencia sovietica e pode desenvolver sua “personalidade ucraina” sem aquelas construçoes  “condominio de cimento” tao comuns do estilo sovietico.

A arquitetura da cidade, de fato, è uma mistura de neoclassico, barroco e atè gotico,  e tudo muito colorido, è claro,  no melhor estilo ucraino.

Por causa tambem de seus varios dominadores, Lviv tem um monte de nome, conforme a lingua: Lev, Lviv, Lwow, Leopoli, Lemberg, Lvov…

Acreditem, isso atrapalha um monte na hora de pesquisar sobre um destino na internet! Vou usar Lviv, que è o nome mais comum em ingles.

Lviv è uma daquelas cidades que nao tem nada de mais, mas è especial, entende?

È sò juntar a beleza da arquitetura, os varios cafès e restaurantes e todos os habitantes da cidade que colocam a sua “roupa de domingo” e saem às ruas para verem e serem vistos e voilà! Uma cidade deliciosa e animada para passear!

(Nota: nao sei se era por causa das festas de Pascoa ou se è normal que todo mundo saia mega arrumado pelas ruas. Eu era o unico ser do sexo feminino, com mais de 7 anos, que nao estava de salto alto! Atè as policiais fardadas usavam salto agulha!)

Eu estava bem empolgada para me juntar às pessoas nos cafes, andar para cima e para baixo pelas ruas e praças, mas no dia anterior eu tive a infeliz ideia de jantar comida tipica ucraina…

Como eu adoro comer e pareço um avestruz: como qualquer coisa e nunca tive problemas gastronomicos na vida, achei que toda aquela gordura de porco nao me faria mal (eles misturam banha de porco atè com chocolate!).

Pobre de mim… Meu estomago nao gostou nada nada da experiencia e passei o dia todo enjoada, sem conseguir tomar nem agua…

Mas se mesmo toda torta e com o estomago ruim eu adorei a “vida” de  Lviv, imagina o quanto nao teria gostado se estivesse 100% saudavel!

No dia seguinte, já estava melhor, mas tinhamos que sair cedo e a cidade, apesar de vazia por causa do horario, contava com a presença dos adolescentes que jogavam agua nas meninas, como manda uma tradiçao de Pascoa na Ucrania.

Curiosidade: em 2012 a Polonia e a Ucrania vao sediar a competiçao de futebol europeia e Lviv està concorrendo para ser uma das cidades sede dos jogos, desde que consiga arrumar o estadio e ampliar o aeroporto em tempo habil…

 

 

 

Pechersk Lavra

Pechersk Lavra

Se eu tivesse que escolher um unico lugar para visitar em Kiev, com certeza escolheria o Kievo Pechersk Lavra, ou em bom portugues, o Mosteiro das Cavernas de Kiev.

È um mosteiro (Lavra), lugar de culto importantissimo para a religiao ortodoxa, fundado em 1051 para espalhar a nova religiao no mundo da Rus Kievana. Cheguei a ler em algum lugar que esse mosteiro faz de Kiev a “Roma dos Ortodoxos”.

Por ser um mosteiro em pleno “funcionamento”, Pechersk Lavra nao è exatamente um lugar turistico, mas sim um lugar de peregrinaçao, entao algumas regras devem ser seguidas por aqueles que estao ali simplesmente para observar e nao para rezar.

As mulheres devem cobrir a cabeça com um lenço e devem usar saia abaixo do joelho – calças compridas sao toleradas, mas se alguem resolve implicar, nao entra e pronto! Eu levei dois lenços, um para a cabeça e outro para amarrar na cintura e fazer as vezes de saia por cima da calça.

Os homens, por sua vez, devem ter a cabeça descoberta (nada de bones, chapeus, o algo que o valha) e tambem nao podem entrar de bermudas. Como estava friozinho, nao tinha ninguem de bermuda; entao nao sei se as bermudas sao toleradas ou nao…

O mosteiro è dividido em 2 partes a Lavra Inferior e a Lavra Superior. A Lavra Superior è a mais fotogenica, com as igrejas mais bonitas, jardins, museus e tem que pagar pra entrar. Jà a Lavra Inferior è gratuita e è onde se localizam as cavernas que dao nome ao mosteiro.

E esse mosteiro se chama “das Cavernas” (Pecherska), pq existe todo um mundo subterraneo ali. Sao corredores e mais corredores estreitos, baixos e escuros que eram usados para enterrar os monges. A temperatura e a umidade dessas cavernas permitiram uma mumificaçao natural dos corpos, e o perfeito estado de conservaçao em que se encontram deram fama de milagroso ao lugar.

Essas cavernas foram o lugar mais sugestivo que visitei em toda Kiev. Existem 2 complexos de grutas e elas nao sao muito faceis de encontrar… A entrada è uma portinha discreta num canto dentro de uma igreja. Atè tem placas indicando a entrada, mas nao preciso nem mencionar que todo e qualquer cartaz està escrito em ucraino, nè? 

A entrada para as “cavernas proximas” fica dentro da igreja da Exaltaçao da Cruz, uma portinha escondida do lado de um vendedor de velas. O vendedor de velas nao està ali por mero acaso… As cavernas nao possuem iluminaçao, entao quem quer visitar deve comprar uma vela para iluminar a visita. Nao, lanternas nao sao permitidas!

A foto acima eu “emprestei” do site www.unok.org.ua

È uma coisa do outro mundo: corredores claustrofobicos, repletos de caixoes com tampas de vidro e peregrinos fervorosos rezando e beijando os caixoes e tudo isso iluminado tao somente com as velas das pessoas. È impressionante! Sò tem que tomar cuidado, se tiver muita gente, pra nao se queimar com vela alheia e nem queimar ninguem.

As “cavernas distantes” seguem o mesmo estilo das “proximas”, mas, como foram as primeiras que foram escavadas, possuem corredores ainda mais estreitos e mais baixos e, como o nome sugere, ficam mais afastadas em relaçao às outras igrejas do mosteiro.

A entrada è pela igreja da Concepçao de Sant’Anna, tambem perto do vendedor de velas. Mas è mais facil aprender um pouco do alfabeto local e seguir as placas com a escrita “Pecher” (Печер) em ucraino.

Chernobyl

Chernobyl

Desde o dia em que decidimos visitar a Ucrania, fiquei pensando se valia a pena ou nao ir a Chernobyl. Quer dizer, valer a pena, eu acho que toda a viagem vale a pena; na realidade, eu nao sabia se eu queria ou nao fazer essa viagem.

Como è publico e notorio, em Chernobyl aconteceu o maior desastre nuclear da historia, quando na noite de 26 de abril de 1986, um reator explodiu e a radiaçao emitida contaminou pessoas, animais, o ambiente… de uma enorme regiao na Europa.

Mais de 20 anos depois do desastre, varias agencias de turismo promovem tours de um dia para a regiao a partir de Kiev. Só que com as descriçoes dos passeios, nao ficou claro pra mim se esses tours seriam algo cultural no estilo “vamos aprender com nossos erros, nao se brinca com fogo!”, ou se os tais tours seriam simplesmente uma visita de mau gosto que visa explorar a desgraça alheia para agradar turistas sadicos.

De qualquer modo, acabamos nao indo, pois achei que o que eu veria pessoalmente no passeio nao me acrescentaria mais nada alem do que jà tinha visto e aprendido no excelente Museu Chernobyl em Kiev, alem disso, seria submetida desnecessariamente a radiaçoes.

Sim, no tour a Chernobyl o grupo entra mesmo na zona contaminada e serà submetido a radiaçoes acima da media. Mas dizem que essas radiaçoes, atualmente, sao inofensivas… Depois do que eu vi no museu, esse papo nao me convenceu e achei melhor nao arriscar.

O Museu Chernobyl è excelente, todo interativo, parece que se esta entrando na zona contaminada. Mas sem um audio-guia o turista nao vai entender absolutamente nada do que esta vendo. 

Apesar de super organizado, sem as explicaçoes do audio-guia, esse museu parece mais com um museu de arte contemporanea que homenageia as vitimas do acidente nuclear.

Mas na realidade è um museu super elucidativo que explica tudinho sobre como funciona um reator nuclear, como aconteceu a explosao, as causas e consequencias do desastre, as pessoas envolvidas, os perigos da radiaçao…

Nunca vou saber se deixei passar a oportunidade de fazer uma super visita “in loco” a Chernobyl, mas voltei da Ucrania tendo a certeza de que toda a minha curiosidade e interesse sobre o assunto foram plenamente satisfeitos com a visita ao museu em Kiev.

Um giro pelo centro de Kiev

Um giro pelo centro de Kiev

No caminho do aeroporto atè o hotel, observando a cidade pela janela do carro, eu tive certeza de que eu gostaria de desbravar Kiev a pè.

Eu nao sei qual è a magica em Kiev, mas, apesar do transito caotico tipico de uma cidade grande e da chuvinha fina e insistente, mesmo assim as ruas, as praças, o colorido das casas, o vai-e-vem de gente, tudo parecia nos convidar para um passeio ao ar livre.

Deixamos as malas no hotel e, seguindo pela rua Volodymyrska,  jà a poucas quadras de caminhada jà demos de cara com a Opera Shevchenko, um teatro suntuoso dedicato ao poeta nacional e escritor simbolo da Ucrania: Taras Shevchenko.

Eu nunca tinha sequer ouvido falar desse poeta, mas segundo o guia, Shevchenko deu “dignidade literaria à lingua ucraina” ao juntar expressoes e dialetos coloquiais com a eloquencia da lingua da igreja eslava. De qq modo, esse nome vai ser uma constante em Kiev: Shevchenko està sempre presente em monumentos, estatuas ou nomes de ruas…

Um pouco mais adiante da Opera, està a chamada Porta de Ouro, ou Zoloti Vorota, uma das portas de ingresso da fortificaçao de Kiev na època do reinado de Yaroslav, que tb fazia as vezes de igreja; mas que hj esta fechada para restauro.

Algumas quadras mais adiante, na mesma rua Volodymyrska, chegamos, na minha opiniao, na parte mais bonita do centro de Kiev: a praça Sofiyska com a incrivel catedral de Santa Sofia e, bem na frente, uma rua ampla e curta com o Mosteiro de Sao Miguel na extremidade oposta.

Santa Sofia è a igreja mais velha “sobrevivente” de Kiev. O principe Yaroslav mandou construir essa igreja em 1037  para comemorar sua vitoria contra umas tribos nomades do leste.

Essa catedral è majestosa, com 13 cupolas, um interior completamente afrescado e cheio de mosaicos e um campanario barroco do seculo XVIII, tao bonito quanto o resto do lugar.

Como todo lugar bonito que se preze, tem que pagar pra entrar e o bilhete para a igreja è vendido separadamente do bilhete para o campanario. Vale a pena comprar tudo: a vista que se tem do Mosteiro de Sao Miguel do alto do campanario è fantastica!!

Da Catedral de Santa Sofia o proximo destino sò pode ser o Mosteiro de Sao Miguel. Aquelas cupolas douradas me atraiam como insetos sao atraidos pela luz.

Como era de se esperar pelo brilho exagerado das cupolas, o Mosteiro de Sao Miguel è uma reconstruçao fiel e recente (2001) da igreja original de 1108, que foi destruida pelos sovieticos em 1937.

Quando entramos na igreja, os monges estavam rezando uma missa e a igreja estava bem cheia. Ficamos um bom tempo observando os rituais, maravilhados e sem entender nada, e acabamos atè esquecendo de visitar o museu que fica ali dentro do Mosteiro.

Atras desse mosteiro tem uma funivia que leva atè as margens do rio Dnipro e um parque, que nòs nao chegamos a visitar por causa da chuvinha chata que nao queria ir embora.

Continuamos a caminhar pela rua Hrushevskoho atè o estadio do time de futebol de Kiev, o Dynamo. Viajar com o marido tem dessas… ainda bem que ele nao se animou para entrar no estadio e se acontentou em ver sò o portao de ingresso e a lojinha…

Dali seguimos pela via Shovkovychna, pela via Lyuteranska e via Bankova atè chegar na “Casa Branca” ucraina, passando por varias casas, mais ou menos, anonimas, mas com uma arquitetura no minimo particular, como a casa das Quimeras.

E terminamos a nossa visita na Maydan Nezalezhnosti (ou Praça Independencia), um dos lugares mais populares da cidade e onde acontecem todas as manifestaçoes politicas desde a famosa Revoluçao Laranja em 2004.

A rua que passa bem na frente dessa praça, a Khreshchatyk, è uma das principais de Kiev e, durante a Segunda Guerra, os predios foram “recheados” de explosivos como armadilha para os soldados alemaes.

Nao è preciso dizer que tudo foi aos ares e o estilo dos predios reconstruidos dessa rua foge do estilo do resto da cidade e apresenta uma arquitetura, segundo o guia, num “imponente estilo stalinista”.

Nesse nosso tour, deixamos de fora uma importante rua turistica, a Andriyivsky, para que pudessemos percorre-la com calma no dia seguinte, a caminho do museu Chernobyl.

Kiev: introduçao

Kiev: introduçao

Acho que a melhor palavra pra definir Kiev è “estupor”, que de acordo com o dicionario quer dizer “imobilidade subita diante de algo que nao se espera, grande surpresa, espanto, assombro”.

Foi exatamente essa a minha primeira reaçao ao colocar os pès na capital da Ucrania, eu nao estava esperando encontrar uma cidade tao bonita e tao cheia de personalidade! Foi amor à primeira vista, fui seduzida logo de cara!

Em Kiev tudo è monumental das amplas praças às igrejas com cupolas douradas e tudo beira o kitsch de tao colorido.

Parece que o lema da Ucrania è: “Se as cores existem, elas devem ser usadas sem parcimonia!” E nao me refiro sò à arquitetura da cidade, nao… Os ucrainos tambem nao economizam no colorido das roupas e da maquiagem (sempre muito carregada).

Uma pena que pegamos dias cinzentos e com um pouco de chuva, pois Kiev, num dia ensolarado, deve ser ainda mais colorida e deslumbrante.

Ficamos 2 dias na cidade; o primeiro dia foi dedicado a desbravar o centro da cidade e no dia seguinte fomos visitar as duas atraçoes mais famosas de Kiev: Pecherska Lavra e o museu Chernobyl.

Pra quem gosta de caminhar bastante, como è o nosso caso, esses dois dias foram suficientes para visitarmos tudo aquilo que nos propusemos a visitar, sem correrias. Quem tem um ritmo mais slow ou pretende fazer um tour a Chernobyl, convem acrescentar um dia a mais.

Caminhar pelas ruas do centro de Kiev è a coisa mais deliciosa do mundo! Parece que a cidade te convida para um passeio pelas suas ruas. Kiev atè tem linhas de metro, mas eu achei que seria um sacrilègio atravessar a cidade sem poder admirà-la!

Nòs usamos muito “taxi” em Kiev e os preços foram bem camaradas, por volta dos 5 – 6 euros a corrida. A corrida mais cara que pagamos foi de 10 euros. 

Uma curiosidade: Kiev è o nome da cidade em russo; em ucraino ela se chama Kyiv.

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