Champagne

Acho que jà comentei em outros lugares que o marido è sommelier e que està sempre me levando para degustaçoes e visitas em vinicolas. Por causa disso, nao sou exatamente uma “analfabeta” no mundo do vinho, mas acabei me tornando uma “leiga bem informada”, ou entao, em bom portugues, virei uma enochata.

Nas visitas às vinicolas que faço quando estou com ele, normalmente somos recebidos pelo enologo que explica como o vinho è produzido, mas usando termos tecnicos e viajando em teorias e escolas de pensamento sobre a filtragem ou nao do vinho…

E no final experimentamos praticamente toda a produçao da vinicola, do vinho base mais simples ao top de linha, e a discussao tecnica continua na taça, com direito a consideraçoes sobre a acidez, os taninos, o teor alcoolico, pq o ano X foi melhor que o ano Y, a umidade, a temperatura, o terreno, bla, bla, bla…

Embora eu entre muda e saia calada de toda essa discussao, acho tudo super interessante e estou sempre aprendendo coisas novas, principalmente, pq o marido escolhe a dedo quais vinicolas visitar. Antes de decidir, ele faz todo um estudo sobre o produtor, o que os guias e a critica andaram dizendo sobre os vinhos, e por ai vai… 

Mas pq eu expliquei tudo isso? Pq a regiao de Champagne foi a minha primeira vez em vinicolas sem a presença do marido! Reunimos um grupo de amigas que moram espalhadas pela Europa para uma “viagem mulherzinha”  a Paris e acabamos indo parar em Reims.

È claro que meia duzia de mulheres juntas nao estavam interessadas nem em aspectos tecnicos nem na qualidade e/ou preço do champagne. O objetivo era simplesmente visitar algumas das vinicolas mais famosas e tomar muitas bolhinhas. Em assim sendo, apos uma votaçao democratica, acabamos escolhendo a Veuve Clicquot, a Pommery e a Mumm.

Começamos com a Mumm, e ali a visita custa de 10 a 20 euros dependendo do que se quer beber no final, do champagne mais barato ao mais caro. Eramos sò nos e a visita começou com um um filminho de uns 10 minutos sobre a historia da vinicola e, em seguida, vem uma funcionaria que nos leva a adega e vai explicando como a bebida è produzida ali.

Foi a melhor e mais didatica explicaçao do dia. Alem de mostrar com graficos e maquetes as uvas e suas caracteristicas, explicou de modo muito acessivel como è feita a fermentaçao, è feita a remuage, a eliminaçao de residuos do champagne….  Mas a adega propriamente dita è bonita mas nao è muito cinematografica como as outras.

Como haviamos decidido de antemao que iriamos experimentar 2 champagnes diversas: a mais simples e uma Grand Cru, tivemos como comparar a diferença entre elas! E que diferença!

Depois da Mumm, fomos visitar a Veuve Clicquot. A visita custava 15 euros e dava direito à degustaçao final, sem especificar mais nada. Nos juntamos a um grupo de umas 10 pessoas e ouvimos pela segunda vez todo o bla, bla, bla sobre a produçao de champagne, mas com uma linguagem muito mais simples e com muito menos detalhes. A explicaçao da funcionaria da Veuve Clicquot foi bem boa tb, mas tinha aquela pontinha de “auto-promoçao” e arrogancia que cansava.

A visita valeu pela adega. Sao quilometros e quilometros de tuneis escavados em giz (calcario) pelos romanos hà 2000 anos e as garrafas colocadas estrategicamente para preservar a decoraçao e a harmonia do ambiente. Um show! Uma pena que a degustaçao tenha sido uma tristeza só.

Nos deram uma unica tacinha da Veuve Clicquot mais barata e nao existia sequer a possibilidade de se aproximar de uma La Grande Dame. Dava a impressao de que as paredes diziam: “vcs sao turistas, nao entendem nada de champagne e bebem qq porcaria! Por isso, nao me façam desperdiçar minha obra-prima com vcs!”

E finalmente fomos visitar a Pommery. Como na Mumm, existiam varios preços de visitas dependendo do que se quer beber no final e variava entre 12 e 25 euros. No grupo eramos nòs e mais um casal e, apesar de interessante, a visita foi “mais do mesmo”: ouvimos pela terceira vez toda a ladainha de como è produzido o champagne e a adega, apesar de ser tb uma daquelas em tuneis escavados no giz, nao impressionou tanto pois nao era a primeira vez que viamos uma adega assim e a decoraçao nao era “chic” como a da Veuve Clicquot.

Como todas essas vinicolas sao super organizadas para receber turistas e tem sempre o mesmo discurso padrao para a visita, nao vale a pena visitar mais do que 2. Se soubessemos disso antes, teriamos economizado o tempo em uma delas para passear por Reims, que me pareceu, de relance, muito encantadora. Fica como desculpa para um novo encontro mulherzinha! 😉

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9 thoughts on “Champagne

  • 02/02/2010 at 22:41
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    Se você que é quase “enochata” se chateou, imagine um reles mortal (risos)! Eu já visitei algumas coisas aqui pelas Canárias, e o que eu mais gosto é a visita em si, o processo, as historietas. Aqui em Gran canaria a mais legal é numa fabrica de rim – Arehucas, é grátis e com degustação. O único rum que não se pode provar é o super star que custa 90 a 120 euros a garrafa! Beijos

    Reply
    • 04/02/2010 at 16:32
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      Oi Patricia
      Eu tb gosto das historias, do processo de fabricaçao, essas coisas, mas, nas vinicolas que visitei pelo menos, achei um discurso muito “pronto”, tudo decoradinho; as funcionarias estavam bem preparadas, mas era evidente que nao entendiam nada de vinho e que nao “vestiam a camisa” da empresa. Eu sei que fiquei mal acostumada a ouvir os discursos apaixonados dos enologos, quando faço esse tipo de visita com o marido, entao nao posso reclamar muito.
      Deve ser bem legal ver a produçao de rum! Nunca vi e deu vontade! 😉
      Bjs

      Reply
  • 04/02/2010 at 02:20
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    Luisa!
    Adorei o post!! Puxa, fiquei louca pra ir visitar também!! Meu namorado e eu ainda estávamos comentando estes dias que um dia vamos visitar a região de Champagne! Muito legal encontrar tantas informações!!
    Bjuuu
    Pri

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    • 04/02/2010 at 16:34
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      Obrigada, Priscila.
      È um passeio bem interessante que vale a pena ser feito!
      Bjs
      PS – Tentei comentar no teu blog, mas nao consegui…

      Reply
  • 13/02/2010 at 01:57
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    Gostei desse passeio…tenho uma grande vontade de conhecer Champagne…mas pensava em ir com namorado sabe que ir com amigas pode ser uma boa também…

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    • 13/02/2010 at 18:36
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      Carla, com as amigas o estilo da viagem é outro! È bagunça, è risada, è fofoca e tudo deliciosamente regado a muitas bolhinhas.
      Com o namorado jà dà pra programar um monte de coisas romanticas…
      Na minha opiniao, o ideal è ir duas vezes! 🙂
      Bjs

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  • 29/05/2010 at 00:10
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    Ai, que inveja branca! Se é que existe este tipo de inveja…rs!!!

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  • 14/10/2010 at 02:18
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    Oi Luisa,
    Estou indo pra Itália agora em novembro e meu marido que está loge de ser um enólogo gostaria muito de conhecer uma vinícola. Penso que o que menos importa neste caso é o vinho em si e sim o lugar ser charmoso… sabe aquelas coisas de filme… Vamos estar de carro viajando entre entre Roma , Florença, Veneza e Pádova. Você tem alguma sugestão? Sofia

    Reply
    • 14/10/2010 at 14:38
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      Oi Sofia,
      Se vc quer coisa de filme, tem que achar alguma vinicola quando vc estiver pros lados de Florença, na Toscana. A regiao de Chianti è linda de morrer!
      Bjs

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