Courmayeur

 Não satisfeita com o meu reveillon gelado “made in NewYork”, resolvi dar uma outra chance ao frio e fomos para Courmayeur, na Itália.

Courmayeur é uma cidadezinha do Valle d’Aosta, região italiana que fala francês, localizada nos Alpes, do ladinho do Mont Blanc.

Além de ser um importante destino turístico de inverno, famosa pelo esqui, fiquei sabendo que também é considerado um lugar badalado e frequentado só por gente “fashion”.

Meu namorado me disse que escolheu Courmayeur para o nosso reveillon, por ser uma cidade charmosa, típica dos Alpes e com uma infra-estrutura decente, ao contrário da maioria das cidades da região, que, segundo ele, são minúsculas e só possuem a estação de esqui como atração.

courmayeur.jpg

Bom, a cidade é realmente linda, como toda cidade alpina que se preze, e também é minúscula: não tem nada muito além da avenida principal de pedestres, alguns bares e restaurantes e muitas lojas de roupas e equipamentos para esqui.

Mas também não precisa de nada além disso, porque durante o dia, todo mundo vai esquiar em alguma estação ali nas redondezas e a cidade fica deserta.

Já que é assim que funciona, lá vou eu também para uma estação de esqui…

Devidamente paramentada, quase não conseguia me mexer e, quando coloquei os esquis, a situação só fez piorar… Cogitei a possibilidade de me juntar a um grupo de iniciantes para ter, pelo menos, as noções básicas do esporte, mas mudei de idéia quando vi que a faixa etária média dos “iniciantes” era de 5 anos…

“Tenho certeza de que logo me acostumo com a roupa e esquiar não deve ser tão difícil… Não preciso de aulas!”

Depois de algumas explicações básicas dadas pelo meu namorado de como virar e freiar, lá fui eu, toda faceira, na pista mais facinha, junto com os “iniciantes”.

A minha primeira tentativa de descida foi um fiasco total. Eu não tinha nenhum controle dos esquis e desci completamente desgovernada.

A minha sorte é que eu me viro bem sobre patins e o meu equilíbrio não me permitiu rolar morro abaixo. A sorte dos “iniciantes” é que eu gritava suficientemente alto e com bastante antecedência de modo a tirá-los do meu caminho e evitar atropelamentos…

courmayeur1.jpg

Depois dessa, digamos, experiência, veio a melhor parte do esporte: o chocolate quente daqueles bares localizados no alto da montanha!

No final do dia, quando as estações de esqui fecham, Courmayeur se transforma: o que antes era deserto vira um aglomerado de gente numa árdua disputa por um lugar num bar.

Essa parte pós-esqui também me agradou muito. Para combater o frio de uns -10ºC, nos bares é servida uma bebida típica chamada grolla, um tipo de quentão, servido numa cumbuquinha de madeira “comunitária”, isto é, a tal cumbuca é como se fosse um bule, mas com vários “bicos” e cada pessoa bebe o quentão a partir do seu “bico”. A bebida é quentinha, docinha, o jeito de beber é divertido… um perigo! Você nem se dá conta e já se embebedou…

Finalmente o reveillon! Por causa do frio, no reveillon as pessoas não usam nenhuma cor específica, mas dizem que as roupas íntimas devem ser vermelhas para trazer sorte no amor.

O reveillon italiano consiste numa super mega janta, chamada de cenone. Conforme a qualidade do restaurante escolhido, é qualidade da comida, mas uma coisa é sempre certa: menu fixo, que começa por volta das 20h30, com um aperitivinho e termina à meia noite com uma pratada de lentilhas.

Ainda que você tenha comido absurdamente muito nas quatro horas anteriores, não pode deixar de comer pelo menos um pouco das lentilhas, sob pena de azar por todo o ano novo.

Como em New York, também na Itália, depois da meia noite (e das lentilhas), todo mundo vai embora!

Mas eu gostei mais desse sistema de reveillon em restaurante do que o esquema de ficar passando frio no meio da rua. No restaurante, os pratos vão sendo trazidos sem pressa, entre um copo de vinho e outro, e o ambiente formal do início da noite, devagarinho, vai se tornando mais e mais leve e descontraído, e o restaurante, até então elegante, fica mais barulhento do que uma trattoria e você acaba ficando amigo de todas as pessoas das mesas ao redor, que já estão todas juntas cantando alguns sucessos italianos da década de 80.

Não deu outra: à meia noite, eu já estava bêbada, farta de tanto comer e cantando os tais sucessos italianos que eu nunca tinha ouvido antes. Só faltava mesmo uma guerra de bolas de neve no caminho de volta para o hotel, que, obviamente, eu perdi feio!

Foi um dos melhores reveillons da minha vida!

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9 thoughts on “Courmayeur

  • 28/11/2007 at 23:04
    Permalink

    Pelo que contas, concerteza foi muito divertido, nunca pratiquei desportos de neve, mas é um dos desportos que mais gosto de ver, é espectacular! – A Itália tem regiões muito bonitas. Tem uma boa continuação.
    O que contas é muito genuíno que por vezes parece que sinto que estou me divertindo também!

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  • 29/11/2007 at 19:09
    Permalink

    Luisa, pois eu cai feio, me esborrrachei. Pior era ver aquelas criancinhas de 5 anos passarem na boa.
    Este chocolate quente foi a salvação da pátria no alto de Mont Blanc com -19 graus. Era muuuito frio.
    Estas cidades todas são cartão postal, lindinhas mesmo.

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  • 02/12/2007 at 20:45
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    Luis Ferreira, descobri que a neve é linda, mas que sou muito “tropical e exótica” para os esportes de inverno… Mas não desisto nunca! Um dia aprendo!

    Majô, então vc me entende perfeitamente! Não sei o que é pior: o tombo ou o vexame de ver as criancinhas fazendo mil e uma peripécias, enquanto eu me esforçava para parar de pé…

    Bjs

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  • 03/12/2007 at 15:07
    Permalink

    Luisa, eu fiquei arrasada quando vi aquelas criancinhas passando como se estivessem passeando.
    E quanto ao tombo doi mesmo, pois você cai no gelo. 😉

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  • 03/12/2007 at 20:49
    Permalink

    Luísa fiquei muito surpreendido, e gostei imenso que tenhas colocado o meu blog no teu arquivo de viagens, não sei como te agradecer, o meu muito obrigado. Não desistirei de um dia também aprender/praticar esqui fora de Portugal!

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  • 04/12/2007 at 15:15
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    Isso mesmo, Majô, não basta ser dolorido, o tombo ainda é gelado! :mrgreen:

    Luis Ferreira, a região onde você mora tem um lugar todo especial no meu coração, pois Coimbra foi a minha casa, quando decidi viver na Europa, e é muito “fixe” ficar atualizada sobre o que acontece na região através do seu blog.
    Eu é que fico muito agradecida com suas frequentes visitas no meu blog.

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  • Pingback: Taverna del Capitano « Arquivo de Viagens

  • 28/04/2008 at 04:34
    Permalink

    li alguns posts, estao complementando bastante meu roteiro. devo comentar: seu namorado tem um gosto bastante refinado! parabéns pra ele.

    Reply
  • 05/05/2008 at 12:31
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    Olá Marcelo Recife

    Você tem razão, o namorado é mesmo 10!

    Fico feliz que os meus posts sejam úteis! Seja bem vindo ao blog!

    Bjs

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