Dirigindo em Cuba

Dirigir em Cuba foi uma das melhores e piores experiencias que tivemos no pais.

Ter um carro significa mais do que ter a ilha à disposiçao e ter a liberdade de ir e vir e de mudar de planos quando quiser. Significa ter um contato direto e bem proximo com pessoas que vc jamais imaginou que pudessem existir e que enriquecem (ou empobrecem, no sentido literal) a viagem.

A carona è um meio de transporte muito usado pelos cubanos e è tambem um transporte “oficial”. Quase nao acreditei quando vi que existe um funcionario uniformizado encarregado de organizar a carona em lugares mais cheios como cruzamentos e saidas de cidades.

Descobri mais tarde que, por causa da precariedade dos transportes publicos, os carros com placa azul sao obrigados a dar caronas e o funcionario està ali para garantir esse serviço – e organizar a fila da carona, è claro.

Como nao poderia deixar de ser, no nosso carro tinha sempre algum caroneiro, que apesar dos pesares, foram sempre otimas experiencias: nos ensinavam o caminho para chegarmos onde queriamos, contavam historias sobre como è a vida em Cuba…

Tivemos atè a sorte de dar carona para um engenheiro agronomo de uma plantaçao de tabaco que nos levou para fazer uma visita guiada à plantaçao onde ele trabalhava, com direito a um Cohiba de presente.

Mas como nem tudo sao flores, uma dupla de caroneiros acabou roubando uma de nossas malas de dentro do porta-malas. Enquanto um deles nos distraia, explicando a direçao, o outro abriu o banco de tras e puxou uma mala pequena e desapareceu!

Meno male que sò tivemos prejuizos economicos, os ladroes levaram tao somente algumas roupas sujas e alguns cosmeticos e meno male que foi no ultimo dia da viagem. E isso è uma das coisas que mais me impressionou em Cuba: o astral do pais è tao bom que nem mesmo o furto de uma mala conseguiu tirar o nosso bom humor!

O que quase conseguiu nos estressar foram as estradas cubanas. Elas estao entre as piores que jà vi: buracos e mais buracos, falta sinalizaçao e a atençao tem que ser redobradaquando se dirige, pois tem mais gente e animais na pista do que carros.

Um carro de turistas, bem na nossa frente, andando devagar, atropelou um cavalo numa estrada reta, em plena luz do dia. O carro ficou bem amassado, mas ninguem se machucou. Nem o cavalo, que escapou da cena do crime correndo.

Se durante o dia a probabilidade de acidentes è alta, viajar de noite è desaconselhadissimo! Num dos bate-e-volta que fizemos a partir de Santiago de Cuba, acabamos passeando mais tempo que o previsto e a volta foi de noite. Foi tenso!  Foi realmente tenso!

Nao sò por causa dos buracos, que de noite, numa estrada sem sinalizaçao e sem iluminaçao se tornam invisiveis, mas principalmente por causa das bicicletas e pedestres que surgiam do alèm na frente do nosso carro.  Durante todo o percurso ficamos com os olhos arregalados e tomando muito cuidado para nao atropelar nada nem ninguem…

Pelo menos nao erramos o caminho, pois sempre tinha alguem na beira da estrada para nos informar se a estrada tava certa…

Justamente por causa dos buracos e da alta densidade demografica das estradas, a velocidade deve ser reduzidissima! Em Cuba finalmente quebramos a tradiçao das multas. Nas nossas viagens, marido sempre recebe multas por excesso de velocidade, mas em Cuba, è complicado atè atingir a velocidade maxima permitida! A nossa media era de 50 a 60 km/h, com trechos um pouco mais rapidos e trechos bem mais lentos.

Estavamos andando a 50km/h quando surge uma placa indicando a velocidade maxima de 90km/h;  marido acelera um  pouco, chega a 60km/h, mas logo em seguida volta aos 50km/h e me diz com uma cara de decepçao: “nao estou preparado pra isso!”.  Me acabei de rir!

Apesar de todos os perrengues e das condiçoes da estrada, continuo achando que ter um carro em Cuba è ainda a melhor opçao para visitar a ilha e dar carona è uma experiencia que vale a pena. Sò precisa de atençao.

Ah, e em Cuba nao existem problemas nem com engarrafamentos e nem com estacionamentos! 😉

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6 thoughts on “Dirigindo em Cuba

  • 22/01/2011 at 15:45
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    Adorei verdadeiramente este artigo. Tomar conhecimento de uma realidade rodoviária e de costumes relacionados à mesma, tão diferentes daqueles a que estou acostumada e que considerava generalizados é mesmo enriquecedor.

    Como se costuma dizer, só ve valoriza o que se dá como algo adquirido, na sua ausencia e perante condições bem dispares dessas.

    Uma vez mais muito obrigada pela partilha de mais esta experiencia.

    Reply
    • 26/01/2011 at 12:37
      Permalink

      Oi Turista ocasional
      Eu è que agradeço a visita e o comentario!
      Bjs

      Reply
  • 22/01/2011 at 16:48
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    Oi Luisa

    Achei muito legal este post.. Visitar Cuba deve ser um paradoxo.. Não consigo imaginar um lugar a cerca de 1 hora de vôo da Florida e que ainda possa viver desta forma.. E só assim que a gente passa a dar valor as coisas que temos na vida
    Essa visita à plantação de tabaco deve ter sido muito interessante..
    aproveito para desejar um feliz ano novo..

    Bjs

    Reply
    • 26/01/2011 at 12:40
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      Oi Oscar
      Poe paradoxo nisso! Eu nao estava esperando encontrar um lugar taaao diferente numa ilha, que a principio, tinha tudo para ser “mais uma ilha caribenha”. Vale muito a pena visitar!
      Bjs

      Reply
  • 04/01/2012 at 20:48
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    Luisa,
    Por favor me envie os endereços dos lugares onde ficou hospedada e todo o roteiro que fez.
    Carla

    Reply
    • 08/01/2012 at 12:11
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      Oi Carla
      Nos outros posts sobre Cuba tem todas essas informaçoes.
      Bjs

      Reply

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