Kilwa Kisiwani

A nossa lua-de-mel na Tanzania contou com alguns destinos menos populares entre os turistas e, segundo a nossa agencia de viagens, nao recomendados para casais em lua-de-mel, por causa da falta de infra estrutura. Um desses destinos foi Kilwa.

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Quando pegamos o voo para Kilwa, o aviao estava cheinho de casais. Já estava me sentindo quase “normal” em passar a lua-de-mel em Kilwa quando vi todos aqueles enamorados no mesmo voo. Achei que a agencia tinha exagerado nas recomendaçoes. Doce ilusao… Eu nao sabia que o voo fazia uma escala na ilha de Mafia. Pra ser sincera eu nao sabia sequer que existisse uma ilha chamada Mafia, cujo nome decerto nao é uma homenagem à “cosa nostra”.

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Bom, eu só vi Mafia da janelinha do aviao e me pareceu um lugar paradisiaco, daqueles com areia branquinha, mar azulzinho, corais e, quando me dei conta, o aviao já tinha se esvaziado completamente. Para Kilwa, restaram tao somente uma francesa da Unesco que estava indo a trabalho, uma maluca escocesa que mora no Yemen e nós!

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Na realidade existem 3 Kilwas: Kilwa Masoko, ou “Kilwa do Mercado”, que é a cidadezinha costeira base para quem quer visitar a regiao. Além dos 3 ou 4 hoteis para abrigar os parcos turistas que aparecem de vez em quando por ali, a cidade nao oferece mais nada.

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Kilwa Kivinje,ou “Kilwa das Cassuarinas” (uma arvore comum na regiao), uma cidadezinha que teve seu auge com o mercado de escravos e hoje, segundo o guia, o que sobrou foi uma cidadezinha swahili, com uma mistura de arquitetura colonial alema e arabe . Por uma questao de (falta de) tempo, optamos por visitar as ruinas de Songo Mnara e acabamos nao indo a Kilwa Kivinje.

A terceira Kilwa é Kilwa Kisiwani, ou “Kilwa na ilha”, que é o que atrai os turistas para a regiao.   Ouvi dizer que precisa de uma permissao para visitar a ilha, mas como estavamos com uma agencia de turismo, nao me preocupei com esses “detalhes”. A escocesa que conhecemos ali, que viajava por conta propria nos disse que o hotel havia providenciado tudo sem problemas.

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Pode parece dificil de acreditar, mas Kilwa Kisiwani já foi um dos portos mais importantes do oceano Indico, com o comercio de ouro e de escravos. Até os portugueses já estiveram por ali, por volta do seculo XVI, e deram sua contribuiçao arquitetonica: uma igreja; que seculos mais tarde foi adaptada pelos arabes e transformada em forte. O nome do forte em swahili é “gereza”, que quer dizer “prisao”. Curiosamente a palavra gereza deriva da palavra “igreja” do portugues e esse forte é a primeira coisa que se avista ainda do mar.

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Mas a atraçao da ilha é a Grande Mesquita que, quando foi construida, no século XV, era a maior de toda a Africa. Na realidade, a Grande Mesquita é formada por duas mesquitas, uma do século XIII que foi alargada e adaptada no século XV, e é possivel observar os 2 mihrabs, cada um de uma epoca diferente.

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Além do forte e da grande mesquita, em Kilwa existem ainda uma mesquita menor que, depois de ter visto a grande, perde um pouco a graça e também as ruinas de Makutani que, segundo o guia, foi um grande palacio. Infelizmente, sem a explicacao do guia, eu nao teria nem notado a existencia dessas ruinas, tamanha a falta de conservacao do lugar, com baobas tomando conta de toda a paisagem.

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Uma coisa legal é que a Unesco está trabalhando bastante para restaurar e preservar esse patrimonio ameaçado de extinçao. Vimos arqueologos por toda parte e tambem a populacao local está sendo orientada para colaborar com a preservaçao de Kilwa Kisiwani. Alem disso, muitos meninos e meninas da regiao estao frequentando uma escola de formaçao de guias turisticos. Os nossos guias eram dessa escola e foram otimos: Ahmed e Jasmina.

Com relacao á infra estrutura… Confesso que estava esperando coisa pior. O hotel era simples, mas confortavel e limpo; o unico senao é que nao tinha agua quente no banheiro. Fizemos todas as refeicoes no hotel e comemos muito bem: peixe e lagosta grelhados fresquissimos e custavam quase nada.

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Nao tivemos problemas com transporte, pois alem das ruinas nao tem mais para onde ir por ali e os transfers de / para o aeroporto foi providenciado pelo hotel. Para chegar em Kilwa Kisiwani só mesmo enfrentando 20 a 30 minutos no mar, dentro de um dhow, uma tipica embarcacao a vela da regiao. Uma experiencia no minimo curiosa que vale pelo por do sol na volta.

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11 thoughts on “Kilwa Kisiwani

  • 28/09/2009 at 10:39
    Permalink

    Que delícia… não vejo a hora de poder descobrir um pouco mais sobre esse lado do mundo!

    Reply
  • Pingback: Songo Mnara « Arquivo de Viagens

  • 01/10/2009 at 14:44
    Permalink

    Lu e Patricia,
    Eu tb só fui descobrir a existencia desse lugar quando comecei a estudar sobre a Tanzania… Pra ser sincera, eu mal sabia onde ficava a Tanzania… 🙂
    Bjs

    Reply
  • 01/10/2009 at 14:45
    Permalink

    Oi Coga,
    E esse lado do mundo é mesmo fascinante!
    Obrigada pela visita.
    Bjs

    Reply
  • 01/10/2009 at 23:36
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    Luisa
    Gostei de saber que os portugueses andaram pela Tanzânia no sec XVI!!É incrível pensar que há imensos vestigios da passagem dos portugueses por esse mundo fora…

    Bjs

    Reply
  • 05/10/2009 at 18:05
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    Luisa!

    Adoro essas suas descobertas extras pacotes turisticos! E achei genial o lugar!!
    Tão único! Tenho certeza que sempre é bom ir explorar lugares tão pouco explorados por turistas!

    10!!

    Reply
  • 25/10/2009 at 00:01
    Permalink

    Oi Margarida,
    Os portugueses já passaram por tudo! Eu tava vendo um site sobre uma eleicao das maravilhas portuguesas fora de Portugal e tem cada lugar!
    Kilwa é um dos concorrentes, a proposito!
    Bjs

    Reply
  • 25/10/2009 at 00:06
    Permalink

    Oi Carol,
    Acho tao triste restringir uma viagem ao que oferece o “pacote”. Conheci um monte de gringo que sequer sabiam onde estavam…
    Adoro estudar o destino antes de ir! Faz toda a diferenca, né?
    Bjs

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