Onkel Taa

 Quando morava no Brasil, torcia o nariz  e me virava o estômago só de pensar na possibilidade de alguém comer “escargot”. Frescura total!

Quando fui a Portugal, não conseguia entender como os portugueses comiam aqueles “caracóis” (é como eles chamam os bichos) com tanto gosto, como se fossem batatas fritas, para acompanhar uma cervejinha num happy hour! Pior: os bares, cheios de orgulho, colocavam placas na porta para atrair fregueses: “Temos caracóis”! Não preciso dizer que eu passava longe desses lugares, né?

Pois bem, me mudei para a Itália e os caracóis continuaram a me perseguir, mas aqui eles são chamados de “lumache” e são servidos em restaurantes elegantes, mas o disfarce de “comida chique” nunca me convenceu e eu passei um bom tempo sendo alvo de chacotas: “Não é você que se orgulha que sempre comeu de tudo?”

“Tudo” tem um limite, né? Caramujo não dá pra encarar! Mas acabei me submetendo a um tratamento de choque: fui jantar num restaurante que se autodenomina “Il re delle lumache”, ou “o rei dos caramujos” em bom português!

Esse restaurante fica na parte “alemã” da Itália, em Töll, na região Trentino Alto Ádige, a poucos quilômetros de Bolzano, e tem um nome também alemão: “Museumstube Bagni Egart – Onkel Taa” (Nota: esse é o nome que consta no guia, não tenho idéia do que significa e todo mundo o conhece por Onkel Taa).

Onkel Taa é um dos restaurantes históricos da Itália (desde 1430) e toda a sua decoração, além das fotos e objetos referentes aos Habsbourgs, é feita com caramujos! Esses singelos animais gosm…, quero dizer, dotados de uma consistência viscosa, estão por tudo: enfeitinhos em prateleiras, pendurados nas paredes, pelo chão e até pintados nos vasos sanitários… e são feitos em todos os materiais possíveis e em todos os tamanhos disponíveis!

Logo que chegamos, fomos muito bem recepcionados pelo chef, que nos acomodou numa mesa confortavelmente instalada perto de uma lareira. Com o frio de novembro, foi providencial e o cheiro de madeira e de forno a lenha tornava o ambiente ainda mais aconchegante. Eu quase me esqueci que estava rodeada por caracóis!

Quando nos trouxe o menu, o chef estava desolado e se desculpava porque, por causa da chuva, não seria possível visitar a sua “criação de caramujos”(!!) Era só o que me faltava!! Eu acho que nunca agradeci tanto a São Pedro!

O menu… mais de 20 modos diversos de se cozinhar os bichos! Até tinha outras coisas pra comer, mas ir até ali e não experimentar os caracóis do re delle lumache… Eu não podia fazer isso!

O jeito foi escolher um prato em que o pobre animal viesse disfarçado, no meio de outros ingredientes, e não reinando absoluto dentro de sua concha…

É duro admitir, mas sabe que eu gostei e não vejo a hora de voltar para conhecer a tal criação? E também para bater algumas fotos, que da primeira vez não tive coragem…

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4 thoughts on “Onkel Taa

  • 30/11/2007 at 03:15
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    Luisa,
    Muito legal o seu blog. Acho que pelo fato de você morar na Itália, acaba visitando cidadezinhas aí que normalmente os turistas não visitariam. Eu sempre gosto muito destes lugares “escondidos”. Aliás, Ortisei no Trentino-Alto Adige foi um dos lugares de que mais gostamos na Itália (lembro que você viu nosso post no BBZ). Engraçado o restaurante todo decorado com motivos encaracolados! Eu acho que teria dó de comer os tais bichinhos…o mais próximo disso que já experimentamos foi um tal de “conch” nas Bahamas, um caracolzão do tamanho de um papaya – só que aí ele vem picadinho e você não vê o bicho inteiro. Comemos em salada, fritos…
    Um abraço,
    Débora.

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  • 02/12/2007 at 20:53
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    Débora, sabe que morar em Milão tem suas vantagens e uma delas é justamente poder viajar para um lugar diferente todos os finais de semana: é tudo muito fácil e perto!
    Sabe que eu como qualquer coisa, mas só se estiver picadinho ou em cubinhos… Se eu reconheço o bicho, ou se ele fica me encarando, não dou conta! E isso serve pra qualquer bicho: aqueles porcos com maçã na boca, peixe inteiro…
    Falando em comida, vou deixar uma receita típica italiana lá no BBZ!
    Bjs

    Reply
  • 06/11/2009 at 21:47
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    Parabéns pelo Blog.
    Sabe que a 1ª vez que comi scargot foi aí na Itália, num restaurante próximo de Cordignano – TV. Nossos parentes italianos nos recepcionaram neste local, bem aconchegante, e um dos pratos era scargot com polenta (a polenta na Itália é clarinha, já a nossa polenta é bem amarela). Uma delícia.

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    • 07/11/2009 at 16:02
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      Oi Giovanna,
      Sabe que de polenta, já vi de todas as cores por aqui…
      Das mais clarinhas e leves até as mais pesadas e com uma cor bem escura, quase um mostarda queimado.
      Adoro todas! Mas nunca tinha experimentado polenta com caracois… Pode ser uma boa combinaçao, vou experimentar!
      Bjs

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