Peloponeso de carro

 A primeira coisa que percebi, ao estudar a região do Peloponeso para montar nossa viagem, é que um carro é fundamental! Sem um carro é impossível visitar os lugares mais remotos, principalmente considerando os parcos 4 dias do nosso roteiro.

Mas aí vem a primeira preocupação: o guia diz que as estradas no Peloponeso não são boas, que os motoristas gregos são muito “audazes” e que a Grécia possui o maior índice de morte em estradas de toda a Europa.

E agora? Será que é tão ruim assim mesmo, ou o guia, por ser italiano, toma como parâmetro as autoestradas italianas?

Conclusão a que cheguei depois de rodar por toda a região: as estradas do Peloponeso não são boas, os motoristas gregos são muito audazes e pude entender porque a Grécia possui o maior índice de morte em estradas de toda a Europa.

Os arredores de Atenas possuem estradas ótimas, várias pistas, todas as placas escritas em grego e com a respectiva tradução em baixo… seriam perfeitas se não fossem os motoristas. Que perigo! Você tem que estar muito atento porque a qualquer momento alguem resolve te ultrapassar pela direita, enquanto um outro te corta a frente… Fazia tempo que eu não sentia tanto medo numa estrada!

Saindo das redondezas de Atenas, as estradas começam a ficar mais estreitas, com muitas curvas e nem todas as placas possuem tradução, mas pelo menos o movimento de carros cai drasticamente.

Achei que as estradas do interior do Peloponeso são as mais perigosas para um turista, mas também as mais interessantes, principalmente devido à geografia montanhosa do lugar.

Isso significa muita curva, estradas estreitas e sem acostamento, bifurcações com placas escritas esclusivamente em grego, muitas cruzes e capelinhas ortodoxas pelo caminho, indicando o lugar onde morreu alguém (dava um ruim…), bandos de ovelhas no meio da estrada e mais de 3 horas pra fazer 150 km (isso porque o nosso era o único carro por ali…).

Mas dirigir por ali é diversão garantida: as paisagens são incríveis! Vão desde praias, até plantações de uvas (já secas por causa do inverno) e de azeitonas (em plena época de colheita), passando por cidadezinhas minúsculas, com habitantes curiosos nas janelas,  além, é claro, das muitas montanhas, algumas com neve no topo, outras secas que ainda mostram os estragos dos incêndios, mas todas oferecem uma vista espetacular de toda a região.

Demos muitas risadas parados na frente de várias bifurcações, tentando ler aqueles símbolos que me recordavam as aulas de matemática do colégio: “Aquilo é um ‘pi’, aquela do final é um ‘sigma’…” E quando começávamos a identificar o nome das cidades, eles resolviam escrever a mesma coisa em letras minúsculas!

Outra coisa muito típica eram as ovelhas, pelo menos uns 5 bandos (de umas 30 ovelhas cada) cruzaram nosso caminho, sempre acompanhadas de uma “pastora”, toda vestida de preto, com um cajado na mão e sem nenhuma pressa de tirar as ovelhas da estrada para que pudéssemos passar. Lá a vida tem outro ritmo!

E por falar em ritmo… o rádio do carro foi nosso companheiro pelas estradas! Nada melhor do que música grega na Grécia, certo? Mais ou menos…

A maioria das estações de rádio tocavam músicas parecidas com aquelas tocadas ao vivo em restaurantes pra turistas. Era como se, na Itália, as rádios só tocassem Volare e Funiculi, Funiculà. No começo é interessante e divertido, mas depois de um tempo enjoa. Como não tínhamos outra opção sonora: dá-lhe música grega!

Andar por essas estradas chega a ser tão divertido quanto os lugares a serem visitados, o único detalhe era a constante “tensão” provocada pelas capelinhas ortodoxas e o medo de topar com mais um bando de ovelhas depois de mais uma curva.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

6 thoughts on “Peloponeso de carro

  • 18/12/2007 at 02:27
    Permalink

    Nossa Luisa, que medo eu fiquei dessas estradas, acho que eu não encarava não 😉

    Reply
  • 18/12/2007 at 12:35
    Permalink

    Majô, eu só encarei porque não tinha outro jeito! Mas no fim dá tudo certo!
    Bjs

    Reply
  • 19/06/2008 at 15:17
    Permalink

    Parabéns pelo passeio, eu e minha mulher vamos à Grécia ano que vem, provavelmente faremos algo parecido já que também gostamos de conhecer os arredores dos lugares a que vamos, com certeza será emocionante e inesquecível. Tirando as paisagens, as ovelhas e o sossego, o resto temos tudo aqui no rio de janeiro, estradas ruins e péssimos motoristas.

    Reply
  • 22/06/2008 at 10:44
    Permalink

    Olá,

    Sejam bem vindos ao blog!

    Uma viagem pra Grécia é sempre emocionante e inesquecível! Aproveitem bastante e depois voltem pra me contar como foi!

    Infelizmente as condições das estradas e dos motoristas no Brasil deixam muito a desejar, mas na Grécia, não se esqueçam de que as placas são escritas em grego! Se bem que… no Brasil quase não tem placa… Melhor placa em grego ou nenhuma placa??

    Bjs

    Reply
  • 11/12/2012 at 14:43
    Permalink

    Luisa,
    Ah!!! Quero muito ir! Mitologia e História é comigo mesmo!!
    Adorei seu post e como falou que ficou imaginando tudo acontecendo, acho que eu iria pirar!!
    Como você disse, a estrada é bem perigosa… Alguns cuidados extras? E… Em relação a carteira de habilitação, vocês usaram a internacional ou a brasileria bastava?
    Alem disso… Poderias me dizer onde se hospedaram e onde fizeram as refeições na região do Peloponeso?

    Muito obrigada pela atenção,
    Thamires.

    Reply
    • 08/01/2013 at 12:12
      Permalink

      Oi Thamires
      Nòs temos a carteira internacional que levamos sempre nas viagens, mas na Grecia usamos a carteira italiana, jà que è tudo comunidade europeia. Eu sò uso a carteira brasileira quando vou ao Brasil mesmo.
      Nòs dormimos em Nafplio e fizemos bate e voltas para os lugares que queriamos visitar. Da pra fazer na boa, mas fica um pouco cansativo… E’ que o interior do peloponeso nao oferece muita infra estrutura pro turista, por isso essa foi a nossa opcao.
      Bjs

      Reply

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *