Fomos parar em Arkhangelsk unica e exclusivamente porque é dali que saem os voos para as ilhas Solovki. Nem me dei ao trabalho de verificar se a cidade era interessante ou nao; limitei-me a reservar um hotel e mais nada.
Acontece que, quando chegamos em Moscou, na “fila” para trocar as passagens da Aeroflot Nord, topamos com um americano recém chegado de Los Angeles. Um tipo de uns 40 e passa anos, horrorizado com a confusao no aeroporto, indignado porque havia pagado mais de 100 dolares para ir de um terminal a outro no aeroporto e completamente perdido, sem saber como prosseguiria viagem até Arkhangelsk, onde finalmente encontraria pessoalmente sua amada russa virtual!
O americano, apesar dos pesares, estava todo animado com a viagem e nao via a hora de embarcar, pois nao sò encontraria a moça, mas também porque visitaria, segundo as descriçoes de sua amada, uma cidade historica e lindissima!
O brilho dos olhos daquele americano maluco me provocou um sentimento de culpa na hora: “Que turista de meia-tigela que sou! Estou indo pra là e nao li nada a respeito!!” E eis que chega o dia da viagem para Arkhangelsk…
Mal entrei no aviao, nao conseguia parar de imaginar as belezas historicas do lugar, descritas com tanto entusiasmo pelo americano apaixonado! Mal cheguei na cidade e nao conseguia parar de imaginar a cara do americano quando se deparou com Arkhangelsk: a cidade mais sovietica, no sentido estereotipado da palavra, que tive oportunidade de botar meus pés!
Para onde quer que eu olhasse, topava com construçoes quadradas, daquelas cheias de janelas do mesmo tamanho e simetricas!
Embora eu imaginasse um outro tipo de “beleza historica”, de acordo com as descriçoes do americano, e embora nao ache esses predios quadrados particularmente bonitos, nao hà como negar que, no minimo, sao bastante curiosos e historia ali é o que nao falta!
Depois da viagem, fui ler sobre a cidade e descobri que exisitiam igrejas lindas do século XVII e XVIII por ali, mas Stalin mandou destruir todas e sobraram poucos predios dessa época…
Mas como eu fui sem estudar nada, nao sabia da existencia desses predios e, alem disso, ficamos na cidade apenas o tempo suficiente para um jantar, para uma boa noite de sono e para fazer mil conjecturas sobre que fim teria levado aquele americano e sua amada…





