Trier

 Chegando no aeroporto de Frankfurt, fomos direto à locadora buscar nosso carro. Eu estava excitadíssima com a idéia de andar pelas famosas estradas alemãs, sem limites de velocidade. A primeira vez a gente nunca esquece, né?

Bom, o carro alugado não ajudava muito com o seu motor 1.6, mas mesmo assim era divertido estar a quase 200km/h e observar as várias BMWs que nos ultrapassavam como se estivéssemos a 40km/h. Mas o mais impressionante nas rodovias alemãs, não é a ausência de limites de velocidade é a educação do motoristas! Poder dirigir na velocidade que o carro aguenta, sem imposições de limites, na minha opinião, nada mais é do que uma consequência do modo como os alemães dirigem.

Pasmem, 1 – todos eles dão seta quando vão ultrapassar ou virar para algum lugar, (não é triste isso? Achar o máximo algo que deveria ser a regra?), 2-  ocupam sempre a pista disponível mais à direita e só usam as pistas da esquerda para as ultrapassagens (na Itália, a impressão que dá é que a pista da direita é só pra “losers”, excluindo os caminhões, ninguém mais as usa! Em uma autostrada com 4 pistas, invariavelmente as duas pistas da direita estarão vazias e as duas da esquerda “engarrafadas”…) e, 3 – a sinalização é respeitada!

As tais BMWs que andavam a 300km/h, diante de uma placa de “obras” com velocidade máxima permitida de 20km/h, não se faziam de rogadas, ainda que não existisse nenhum vestígio de obras por quilômetros de distância, iam a 20km/h (na pista da direita e dando sinal antes de que estavam mudando de pista, é claro!) Só voltavam à velocidade “normal” se alguma outra placa assim as autorizasse!

Aliás, sinalização nas estradas alemãs é o que não falta! Acabamos até nos perdendo por causa do excesso de informação, é mole? Pra chegar em Trier, existiam diversas placas indicando sempre “Trier-alguma coisa”… E esse “alguma coisa” era sempre um aglomerado que consoantes que variava conforme a saída indicada… Vai saber o que significa aquele “alguma coisa” depois do nome da cidade… Escolhemos ao acaso e, obviamente, fomos parar no meio do nada, sem ter noção de onde estávamos nem para onde deveríamos ir…

Paramos para pedir informação a uma senhora que passava, que não falava um “a” em inglês, mas que foi muito solícita e, através de gestos, nos ensinou direitinho o caminho.

A sua explicação, muito engraçada, foi mais ou menos assim: “vira a direita, depois à esquerda, direita de novo e “oh! Porta Nigra!”, fazendo uma cara de surpresa com as duas mãos no rosto, como quem brinca de esconder com crianças, dando a entender que teríamos chegado no nosso destino.

Não deu outra, dizer “oh, Porta Nigra!” com cara de espanto, até hoje serve como um tipo de “código” nas nossas viagens para indicar que chegamos em algum lugar importante.

Bom, já deu pra perceber que a tal Porta Nigra é a principal atração de Trier. Não é pra menos, é uma porta do século II, construída pelos romanos, com o uso de blocos de pedra e barras de ferro, sem o uso de argamassa. É uma obra-prima da engenharia porque está até hoje de pé graças à força da gravidade, uma vez que não existe nenhum tipo de “cola” para manter os blocos de pedra unidos. Show, né?

trier3.jpg

Mas nem só de Porta Nigra vive Trier. Diz a lenda que Trier é a cidade mais antiga da Alemanha, foi fundada no ano 15 antes de Cristo e seis imperadores moraram por ali.

De fato, a cidade conserva uma enorme quantidade de ruínas romanas e uma outra atração da cidade é a Basilica de Constantino, uma construção enorme do ano de 310, que servia como a “sala do trono” do imperador Constantino. O curioso é que, mais tarde, por volta de 1760, agregaram à Basílica o Palácio Kurfürstliches, um edifício cor-de-rosa (!!!) em estilo rococó para servir de residência aos “príncipes-eleitores”. Quando vi as fotos nos guias, achava que eram dois monumentos próximos, mas não “grudados”! É super estranho ver esses dois lugares juntos, pois um não tem nada a ver com o outro!

trier1.jpg

A foto eu “emprestei” do site http://cache.virtualtourist.com/3514439-Palais_der_Kurfursten_and_the_Konstantinbasilika-Trier.jpg

Trier também é famosa por ter sido a cidade de Karl Marx. A casa onde o autor de “O Capital” nasceu e passou sua infância é hoje um museu com documentos que ilustram sua vida e obra. Pra quem não é um entusiasta das teorias de Marx, o museu não tem muita graça, mas vale como curiosidade.

A cidade tem uma praça maravilhosa onde, segundo os entendidos, predomina o estilo barroco. Eu não entendo nada de estilo arquitetônico, mas amei as casas coloridas e o fato de ser um lugar cheio de vida, mesmo numa manhã fria e feia.

trier2.jpg

Uma pena que eu não tenha muitas fotos de Trier para ilustrar o post… Em não bastando o tempo nublado, a minha câmera resolveu parar de funcionar logo no início da viagem… Até eu descobrir que o problema era com as pilhas que estavam com defeito, embora recém carregadas…

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6 thoughts on “Trier

  • 12/03/2008 at 03:06
    Permalink

    Ai que delicia… conhecer Trier por suas palavras… estava com a viagem planejadissima, mas com o tempo ruim mudamos os planos e fomos para Lisboa… o que foi muito legal, também?!
    Esses seus posts me dá uma saudade da Europa…
    Mas vem cá… não dá para comparar dirigir na Italia acho que com nenhum lugar do mundo… risos… eheheheh
    bjks

    Reply
  • 13/03/2008 at 00:45
    Permalink

    Além de Bamberg agora tenho que juntar Trier á minha listinha…

    Quanto ao civismo na condução,Portugal é um país ainda 200 anos atrasado!Infelizmente a falta de cuidado dos condutores nas nossas estradas é mesmo uma tragédia nacional…mais de 20 000 mortos nos últimos 20 anos…assustador…

    Bjs

    Reply
  • 16/03/2008 at 00:49
    Permalink

    Oi, Mirella

    Eu me lembro quando vc estava planejando essa viagem… mas viajar no inverno tem dessas… nem sempre o tempo colabora com nossos planos. Achei que vc fez bem indo pra Lisboa, mas agora tem que voltar pra Europa pra terminar de visitar o que ficou faltando… 😉

    Sabe que depois que vi os gregos dirigindo, achei que os italianos não são tããão ruins assim? A lei de Murphy é imbatível: nada é tão ruim que não possa piorar!

    Bjs

    Reply
  • 16/03/2008 at 00:51
    Permalink

    Oi, Margarida

    Ah, essas listinhas… Vou ter que viver uns 500 anos pra conseguir cumprir metade da minha… O importante é não desistir! 😉

    Temo que, infelizmente, a falta de cuidado dos condutores não é um “privilégio” português…

    Bjs

    Reply
  • 21/03/2013 at 02:32
    Permalink

    Adorei as dicas e informações!!
    Estarei por dois dias em Luxemburgo e penso em usar um desses dias para fazer um bate-volta em Trier, aproveitando a proximidade entre as cidades. O que você acha? Vale a pena, certo? Minha outra opção de bate-volta, também tentadora, seria Metz Ville na França…. dúvida cruel!! Só que estou inclinada por Trier. Chegando em Trier de trem por volta das 10:00 e pegando o trem de volta por volta das 18:00, digamos assim, com umas 7 horas e meia de passeio pela cidade, eu consigo explorar suas principais atrações com calma??
    Muito obrigada pela atenção!
    Parabéns pelo blog!!
    Bjs

    Reply
    • 25/03/2013 at 10:21
      Permalink

      Oi Lili
      Eu ficaria em Luxemburgo… O “problema” da Europa de um modo geral è que tudo è pertinho e fica mesmo complicado abrir mao de um lugar super bonito que fica “logo ali”… A vantagem da Europa è que esses lugares existem hà muito tempo e nao vao sair dali tao cedo… Entao temos sempre uma boa desculpa para voltar!
      Bjs

      Reply

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