Trujillo e arredores

Trujillo quase nao entrou no nosso roteiro: seria muito tempo de deslocamento e nao teriamos muito tempo para visitar as atraçoes, ou seja, muito cansaço para pouco aproveitamento. Mas a curiosidade falou mais alto e acabamos decidindo por fazer um “bate-e-volta aereo” super confortavel (e nao muito economico).

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É claro que passar pelo menos uma noite na cidade seria o ideal, mas o nosso bate-e-volta acabou ficando menos corrido e menos cansativo do que estavamos esperando.

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O bate-e-volta foi mais ou menos assim: ficamos hospedados no hotel Ramada no aeroporto de Lima, para pegarmos um voo bem cedo para Trujillo. Chegando em Trujillo, fomos direto ao hotel Libertador para um day-use, onde aproveitamos para tomar um café da manhã legal e em seguida fomos passear pela regiao com o taxista que contratamos.

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No final do dia, voltamos ao hotel para um bom banho, e em seguida fomos passear pelas ruas coloniais da cidade e depois fomos relaxar na colorida e bem conservada Plaza de Armas, antes de irmos ao aeroporto para pegar o voo de volta a Lima.

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O tour que fizemos pelas ruinas da regiao durou umas 6 horas e todos os passeios foram feitos sem pressa, com o acompanhamento e explicacoes dos guias locais, com direito a uma parada numa cidadezinha a beira-mar chamada Huanchaco para almoçar o melhor ceviche que comi no Peru, no restaurante Mococho.

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As ruinas que visitamos foram: Huaca del Sol y de la Luna, Huaca Esmeralda, Huaca Arco Iris e, é claro, a atracao do lugar: Chan Chan.

Chan Chan

Considerada a maior cidade pre-colombiana das Americas, com aproxidamente 60.000 habitantes, Chan Chan foi fundada por volta de 1300 d.C. e foi a capital do reino Chimu até ser conquistada pelos Incas, em 1471, e em seguida, foi destruida e saqueada pelos espanhois.

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Situada em uma das regioes mais secas do mundo, a cidade foi construida inteiramente com “adobes”, tijolos de argila crus, e era formada por nove “cidadelas independentes”. Dessas nove cidadelas, apenas uma pode ser visitada, por causa dos trabalhos de escavaçao arqueologica e restauro.

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A parte visitavel de Chan Chan – antigamente chamada de Complexo de Tschudi e hoje, nao sei pq, mudou de nome e è chamada de Nik An –  é um continuo de muros decorados com motivos geometricos e representacoes de peixes e aves, que com certeza é o que mais chama a atençao dos turistas.

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Confesso que estava mais interessada em saber o que signficavam aqueles desenhos e como foram feitos do que nas explicacoes sobre a planificacao urbana da cidade.

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Infelizmente, uma boa parte desses desenhos sao meras copias plasticas sobrepostas ao original a fim de tentar protege-lo da erosao, pois Chan Chan està na lista de patrimonios da humanidade em risco de desaparecimento.

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Huaca del Sol y de la Luna

Essas huacas (ou lugares sagrados, na lingua quechua) sao 700 anos mais velhas que Chan Chan e foram construidas pelos Moches, outra importante civilizacao pre-colombiana do Peru.

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A Huaca del Sol é uma grande piramide que promete muitas revelacoes sobre a cultura moche, mas que, por falta de verbas, ainda nao foi completamente escavada pelos arqueologos. Um turista enxerga ali tao somente uma montanha de areia que, se nao fosse pelo alerta da guia, poderia até passar despercebida.

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Ali pertinho fica a interessantissima Huaca de la Luna. Essa huaca foi construida num periodo de seis seculos e era um templo que passava de geraçao em geracao e ia sendo ampliado verticalmente de modo a formar uma piramide de cabeça pra baixo.

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Mais ou menos assim: o primeiro que construiu a huaca a fez rica de salas que possuiam ceramicas, metais preciosos e paredes decoradas com desenhos coloridos. Com a morte desse, seu sucessor mandou enterrar tudo e ampliar as paredes externas a fim de construir, nesse “segundo andar” , algo ainda mais rico e imponente.

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O terceiro sucessor fez a mesma coisa: mandou enterrar o que existia, ampliou as paredes externas, e construiu um terceiro andar na estrutura e isso foi feito por seis geracoes.

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Graças a essa tecnica de “enterrar o passado”, Huaca de la Luna possui tudo muito preservado e as cores dos desenhos nas paredes sao ainda muito vivas. É simplesmente espetacular!

Huaca Arco-Iris

Essa huaca é um dos templos chimus melhores conservados pq, segundo o guia, permaneceu soterrado até os anos 60, mas, infelizmente, em 1983, os desenhos nos muros foram gravemente destruidos pelo El Niño.

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Os muros sao completamente coberto com desenhos de arco-iris e dragoes que se repetem, com poucas alteracoes, por todo o redor da huaca. Diz a lenda que essa huaca era colorida, mas a unica cor que restou foram uns fracos pontos amarelos aqui e ali.

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Huaca Esmeralda

Essa huaca, tb da epoca da civilizacao Chimu, é a menor e a menos preservada que visitamos. Foi descoberta por acaso pelo proprietario do terreno onde está localizada em 1923, e acabou recebendo o mesmo nome da fazenda do fulano: Esmeralda.

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Apesar do pessimo estado de conservaçao, ainda dá pra reconhecer os caracteristicos desenhos chimus: desenhos geometricos, aves e peixes.

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O que me chamou mesmo a atençao ali, foi a quantidade enorme de cachorros andinos. Um cachorro feio demais, praticamente sem pelo (alguns tinham um topete branco na cabeça e mais nada) e com uma altissima temperatura corporal, em torno dos 40ºC.

O guia nos explicou que as pessoas consideram esse cachorro terapeutico e o usam como se fosse uma bolsa de agua quente. Coitado do bicho!

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21 thoughts on “Trujillo e arredores

  • 13/10/2009 at 15:57
    Permalink

    Luisa, este fim de semana falei com meus amigos que alugaram um carro em Cuba. Alugaram diretamente no Hotel Meliá Varadero. Saiu por 80 euros, mas disseram que era mais barato se o aluguel fosse por mais dias. Eles não tiveram problemas com autoridades pedindo “propina”.
    Beijos

    Reply
  • 15/10/2009 at 16:35
    Permalink

    Tá vendo? Por isso que eu digo que você não deixa (quase) nada escapar! 😉

    Reply
  • 18/10/2009 at 03:02
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    Eita povo artístico!
    Todas as ruinas desenhadinhas, um capricho dos tempos…
    Agora fiquei com dó dos cachorrinhos. Hahaha bolsa de água quente é pecado 🙄

    Reply
  • 18/10/2009 at 17:16
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    Cacilda… vc ahora esta no Peru?! 😉
    A ultima vez que vim aqui estava viajando com vc pela Africa… que coisa boa!
    Muito legal Luisa!!!!
    bjs

    Reply
  • 19/10/2009 at 22:36
    Permalink

    Luisa

    Que país fantástico!As minhas prioridades numa próxima visita á América do Sul eram a Argentina e o Chile,mas agora depois destes seus posts sobre o Peru já não sei não!

    Bjs

    Reply
  • 21/10/2009 at 05:35
    Permalink

    Incrível como seus posts fazem a gente viajar. Belissimas fotos, muito ricas e um texto formidável.

    Vou recomendar aos meus leitores!

    Reply
  • 21/10/2009 at 13:20
    Permalink

    Oi Patricia,
    Brigadissimo! Vou ver o que consigo com o hotel!
    Bjs

    Reply
  • 21/10/2009 at 13:21
    Permalink

    Oi Silvia,
    Nao só tomei, como Inca Kola foi eleita a minha bebida oficial do Peru! 🙂
    Bjs

    Reply
  • 21/10/2009 at 13:23
    Permalink

    Oi Carol,
    Eu já tinha ficado com pena dos cachorros só pela feiura, imaginam quando me falaram que serviam de bolsa de agua quente, coitados… 🙂
    Bjs

    Reply
  • 21/10/2009 at 13:24
    Permalink

    Oi Mirella,
    Esse ano eu nao parei quieta mesmo…
    E o ano ainda nao acabou! Vem coisa por ai! 🙂
    Bjs

    Reply
  • 21/10/2009 at 13:28
    Permalink

    Oi Margarida,
    O Peru me surpreendeu muito! Além da “diversidade turistica” ser enorme – tem pra todos os gostos de ruinas a cidades coloniais e parques – a infra estrutura é super boa.
    Bjs

    Reply
  • 21/10/2009 at 17:08
    Permalink

    Oi Luisa, eu tenho até um post semipreparado sobre fast sleep. A rede Slaviero tem um site super explicadinho sobre o sistema. O detalhe é que eu queria incluir os “fast sleep” no mundo e não encontro informação segura nem um site especializado, que liste todos. Você sabe de algum? Bjs!

    Reply
  • 21/10/2009 at 22:26
    Permalink

    Que lugar incrível. O Peru parece muito alto astral. Cheio de energias mágicas, não é?
    Adorei.
    Bj
    Claudia

    Reply
  • 22/10/2009 at 15:44
    Permalink

    Oi Luisa! Obrigadíssima pela “googada”. Nem passou pela minha cabeça te dar esse trabalho. É que recebi há alguns meses um release da Rede Slaviero falando dos fast sleep, dizendo que de acordo com a “tendência mundial” eles tinham esse serviço nos aeroportos. Na época lembro de ter feito uma busca rápida, mas eu (dãããããrd), achei que o nome mundial era esse mesmo “fast sleep”. Bom, acho que vou ter de entrar nos sites dos principais aeroportos e dar uma fuçada. Por que eu acho que esse sistema é uma espécie de evolução da humanidade! 🙂

    Reply
  • 24/10/2009 at 23:49
    Permalink

    Oi Claudia
    O Peru tem mesmo um astral legal e um lugar mais incrivel que o outro. Me surpreendi!
    Bjs

    Reply
  • 24/10/2009 at 23:52
    Permalink

    Oi Silvia,
    Trabalho nenhum! Eu acabei ficando curiosa tb e fui dar uma pesquisada rapidinha.
    Iria amar se todo aeroporto tivesse um quartinho disponivel! 🙂
    Bjs

    Reply
  • 08/07/2010 at 05:04
    Permalink

    Luisa, talvez eu lhe imite e por isso fiquei com algumas dúvidas práticas.

    – como você achou o taxista que ficou à sua disposição em Trujillo? Foi caro?

    – por só ter ficado um dia em Trujillo, ficou algo de fora ou isso que você contou no post é mesmo tudo o que tem para se conhecer na cidade?

    – você ainda se lembra dos preços do hotel no aeroporto e o do day use no hotel em Trujillo?

    Qualquer ajuda é bem-vinda…

    Reply
    • 08/07/2010 at 18:25
      Permalink

      Oi PeEsse
      Gostei bastante do esquema que montamos pra visitar Trujillo.
      Confesso que quando estava programando a viagem, achei que nao conseguiria ver tudo o que eu queria, mas deu tempo e sobrou.
      Achamos o taxista no aeroporto mesmo. Um daqueles que se oferecem aos turistas logo depois do desembarque.
      Como ele estava usando um cracha do hotel que tinhamos intencao de ficar (e ainda nao tinhamos reservado), resolvemos arriscar a corrida atè o hotel, e no hotel pedimos referencias do fulano.
      Os comentarios foram bem bons e realmente o nosso taxista foi bem eficiente: ele ja havia todo um roteiro montado para nos levar, que incluia mais do que gostariamos de visitar. Nao ficou nadica de nada de fora! Como, pra variar, estou na estrada, nao tenho comigo minhas anotacoes dessa viagem, entao nao me lembro do quanto o taxista cobrou. Lembro que nao era exatamente barato para os padroes peruanos, mas em euros era o equivalente a uma corrida de taxi numa cidade como Milao…
      Tb nao me lembro do preco do hotel, mas me lembro que eles nao sabiam (ou fizeram de conta que nao sabiam) o que era o tal day use e acabamos pagando pouca coisa menos da diaria normal.
      Bjs

      Reply

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