Schiermonnikoog

Aproveitando o feriado de 1 de maio, fomos explorar a Holanda e no nosso roteiro incluimos 2 dias de relax em Schiermonnikoog, uma pequena ilha ( e poe pequena nisso, sua extensao è de apenas 16km x 4km) no norte do paìs, no Waddenzee, pertencente ao arquipelago das Frisias.

Pelo que pesquisamos, Schiermonnikoog è a ilha mais turistica e mais badalada de todo o arquipelago, principalmente por causa do seu parque nacional, uma importante reserva natural tombada pela Unesco como patrimonio da humanidade e principal atraçao local.

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O unico modo de se chegar na ilha è o ferry boat (ou a pè, se vc for um wadloper), partindo de Lauwersoog.

Enquanto estavamos esperando o horario de saida do ferry boat, reparei que o povo que deveria embarcar com a gente carregava sò mochilas pequenas e, com isso acabei me preocupando com as nossas 3 malas + carrinho de bebe. Vai que chegando là nao teremos como carregar as malas atè o hotel, jà que nao existem carros na ilha…

Rapidinho, reorganizei a bagagem para levar tao somente coisas para 2 dias e deixamos o resto dentro do carro. Ah, no porto em Lauwersoog tem um estacionamente bem grande e coberto, que custa 5 euros por dia.

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O fato que nao existem carros em Schiermonnikoog è relativo. Na realidade, turistas nao podem levar os proprios carros, mas na ilha existem onibus que fazem o transfer porto-hotel-porto e 2 taxis (uma corrida de qualquer lugar para qualquer lugar vai custar uns 10 euros).

Os mais animados podem percorrer os 3km que separam o porto de Schiemonnikoog da cidade a pè. Quer dizer, atè daria para levarmos toda a nossa bagagem, mas gostei de poder viajar mais leve.

Como estamos na Holanda, o principal meio de transporte por ali, como nao poderia deixar de ser, è a bicicleta. Aquele pessoal que embarcou no ferry sò com a mochila, jà alugou a bicicleta no porto mesmo e saiu pedalando feliz da vida.

Por motivos de força maior (ou menor, considerando que a herdeira acabou de fazer 6 meses), pegamos um dos onibus que nos deixou comodamente na porta do nosso hotel.

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Apesar de ser extremamente turistica (a Wikipedia diz que aproximadamente 300 mil turistas visitam a ilha por ano), a maior parte dos turistas sao holandeses e nao existem informaçoes escritas em ingles por là.

Do menu dos restaurantes atè o pequeno museu do centro de visitantes è tudo em holandes, entao nos sentimos num lugar exotico, perdidos no meio do nada, mas ao mesmo tempo nao tivemos problemas com a comunicaçao, porque todo mundo por là fala ingles.

A atraçao principal de Schiermonnkoog sao as atividades ao ar livre. O ideal è alugar uma bicicleta, botar um sanduiche na mochila e sair explorando a ilha. Como a herdeira ainda nao ficava sentada de maneira estavel, descartamos a bicicleta e fizemos os nossos passeios todos a pè, bem tranquilos curtindo a paisagem e os passaros.

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Uma das atividades mais procuradas em Schiermonnikoog è o wadlopen, ou seja, caminhadas na lama. Quando a mare tà baixa, se forma um verdadeiro mar de lama ao sul da ilha para a alegria dos turistas mais intrepidos e o centro de visitantes oferecer excursoes guiadas desde as mais simples, como um passeio curto pela lama, atè caminhadas mais serias da ilha para o continente.

As caminhadas no mar de lama devem ser feitas exclusivamente atraves de excursoes guiadas por 2 bons motivos: primeiro pq toda a area è protegida, no meio daquele lamaçal todo existe um ecossistema unico e delicado, entao è preciso garantir que ninguem và se aventurar fora dos lugares permitidos; e segundo por questoes de segurança, pra evitar que turistas se encontrem bem no meio do mar quando a marè resolve subir de novo.

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Antes de viajar, eu atè estava animada para experimentar o passeio mais simples na lama, mas para os meus parametros, o tempo nao colaborou. Os holandeses diziam que o tempo tava lindo, mas por causa da herdeira, achei que estava ventando demais (nao è a toa que a Holanda è a terra dos moinhos!) e que estava fazendo frio demais (uns 8°C), ainda que com ceu azul e sol brilhando. Sim, eu sei… sou fresca! :(

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Friuli: vinhos e longobardos

Uma das ultimas viagens que fiz ainda gravida foi um final de semana prolongado na regiao italiana de Friuli Venezia Giulia para relaxar num agriturismo.  Fazendo uma comparaçao grosseira com outras regioes mais conhecidas da Italia, o Friuli seria um “Piemonte com vinhos brancos”.

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Assim como o Piemonte, o Friuli nao possui as paisagens espetaculares e as cidades fofissimas da Toscana, mas em termos de vinho, nao tem lugar melhor para experimentar um vinho tinto italiano  como no Piemonte e nao tem lugar melhor para curtir um vinho branco italiano como no Friuli.

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Essa viagem foi feita no meu ultimo mes de gravidez, mas foi organizada antes de eu saber que estava gravida. (nao tem muita logica organizar visitas a vinicolas com um barrigao, nè?).

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O objetivo de tamanha antecedencia na organizaçao è que nòs gostariamos de nos hospedar num agriturismo especifico – administrado pelo nosso produtor de vinho branco preferido – numa època especifica – durante a colheita das uvas.

Nosso destino foi a cidade de Dolegna del Collio, na provincia de Gorizia, quase na fronteira com a Eslovenia.

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Como pra mim relaxar nao è sinonimo de ficar sem fazer nada e, por causa da gravidez, eu nao podia aproveitar as degustaçoes de vinho, praticamente obriguei o marido a encontrar programas alternativos para fazermos pelas redondezas.

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Numa viagem anterior à regiao, tinhamos jà visitado  Aquileia, entao dessa vez nos concentramos em Cividale del Friuli.

cividale5Cividale foi a capital longobarda do Friuli, povo de origem germanica que, quando invadiram a Italia, deram vida a um reino independente no periodo de 569 atè 764, quando Carlos Magno tomou conta da regiao.

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A  principal atraçao de Cividale del Friuli è o chamado Tempietto Longobardo (oratorio de Santa Maria in Valle), considerado o mais importante e melhor conservado testemunho arquitetonico da època longobarda, tombado como patrimonio da humanidade pela Unesco.

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Foi construido por volta do VIII seculo como a capela privada do gastaldo (um tipo de administrador da cidade) e ainda hoje conserva uma extraordinaria e bem conservada decoraçao em stucco (estuque?), especialmente as seis figuras femininas em relevo (Sante).

E quem se interessar por mais detalhes sobre os estilos arquitetonicos e artisticos, o site do Tempietto è super completo e vale a leitura.

cividale8E assim, o tour que originariamente era sò focado nos vinhos do Collio, para a minha alegria, acabou se transformando em um inesperado passeio historico-cultural-longobardo.

 

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Viagens com bebe – 7 liçoes aprendidas

A nossa primeira viagem carregando a “malinha” foi a Valencia no ano novo com um casal de amigos e o filhinho de 2 anos. Na pratica, me dei conta de varios aspectos de uma viagem que antes simplesmente passavam despercebidos e descobri que viajar com uma bebe de 1 mes e meio è bem mais facil do que eu pensava ( aliàs muuuuito mais facil do que viajar com uma criança de 2 anos.), salvo alguns detalhes:

Liçao 1 – nao interessa quantas conexoes vc precise fazer e quanto vc precise pagar por uma cia aerea decente. Ryanair nunca mais! Com ou sem criança! 

Depois de muito pensar, achamos que a Ryanair apesar de ruinzinha, nao seria uma mà escolha por ser mais ràpida (era o unico voo direto) e mais barata (mas ainda assim estava bem cara, pois era altissima temporada e a viagem foi organizada com menos de um mes de antecedencia)… Ledo engano! A economia de tempo e dinheiro nesse caso nao vale a pena!

Liçao 2 – fazer sempre um seguro em caso de cancelamento da viagem . Criança tem o poder de ficar doente nas horas mais inoportunas e nossa viagem quase foi pro espaço por causa de um resfriado mais forte.

Liçao 3 – se antes carregar pouca bagagem era uma comodidade, carregando a herdeira foi essencial. Bagagem na Ryanair è super regulada, bebes sò tem direito ao carrinho e mais nada, nem bagagem de mao, nem nenhum outro tipo de bagagem! Confesso que achei ruim no inicio, mas na hora dos controles no aeroporto, eu agradeci.

Acreditem, è um inferno administrar um bebe que chora desesperadamente com  o raio-x e abre mala, tira liquido, tira computador, fecha mala, o celular ficou no bolso, volta, tira o sapato, passa de novo, reabre mala, guarda tudo, fecha mala, a mala nao quer fechar pq tà muito cheia…

Liçao 4 –  cangurus e slings sao a melhor pedida quando se viaja com bebe em aeroporto. E sò embarcar o carrinho e ganhar maos livres e um bebe tranquilo pendurado em vc. Eu havia optado por um  ”ring sling” por causa da praticidade na hora de colocar e tirar, mas depois de pouco tempo, minhas costas reclamaram. Entao eu jà providenciei uma faixa – daquelas sèrias com 7m – de carregar bebes e jà aprendi atè como amamentar com ela. O proximo aeroporto que me aguarde!

Liçao 5 – com um bebe è melhor entrar no aviao antes dos demais e ter mais espaço para se ajeitar (eu estava bem bonita sentadinha com a herdeira no colo que dormia serenamente), mas com uma criança de 2 anos è melhor entrar no aviao por ultimo (minha amiga nao sabia mais o que fazer para entreter o seu anjinho sentado enquanto esperava o embarque terminar).

Liçao 6 – colocar a mala de mao embaixo do banco e nao no compartimento acima. Por uma razao bem simples: toda hora vc vai precisar pegar alguma coisa da mala: um lencinho pra limpar alguma sujeira, um brinquedo pra distrair, uma coberta por causa do ar condicionado… A lista de possibilidades è infinita!

Liçao 7 –  com criança se viaja sempre na janela. Mas nao è por causa da vista, nao! E’ por uma questao de segurança: meu marido estava no corredor, quando uma criatura resolveu abrir o compartimento das bagagens e uma garrafa de refrigerante mal colocada caiu em cima dele. Meno male que a bebe estava no meu colo…

Achei que como primeira experiencia foi tranquilo, mas vamos ver como vai ser na proxima viagem, quando colocarei em pratica essas liçoes. E vou aproveitar pra viajar bastante enquanto a herdeira ainda tà pequena e eu nao preciso me preocupar com a segurança no quarto do hotel nem com birras em restaurantes…

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O whisky de Islay

Um dos lugares que marido fazia questao de visitar na Escocia era a ilha de Islay, mais conhecida como a Meca do “whisky tourism” e viajar para là com uma gravida a tira-colo era sò vantagens (pra ele, è claro!): podia beber o dobro nas degustaçoes e ainda contava com uma motorista sobria à disposiçao! Ah, os sacrificios que uma mulher apaixonada nao faz pelo homem amado… :)

Sao 8 as destilarias de Islay e visitar todas elas exige tempo, pelo menos uns 3 ou 4 dias. Nem tanto por causa da bebedeira, mas principalmente porque os horarios das visitas sao bem restritos, mudam conforme a destilaria e se nao agendar com uma certa antecedencia, jà era!

Mas vale a pena visitar todas elas? Bom, nòs visitamos 6 destilarias nos 2 dias inteiros que passamos na ilha e achamos que jà estava passando de bom. Apesar das explicaçoes sobre a produçao do whisky serem basicamente sempre as mesmas, foi interessante ver as particularidades de cada uma.

Mas sinceramente, para visitar todas elas, vc tem que ser realmente um apaixonado por whisky, senao acaba caindo na mesmice. Eu me daria por satisfeita com umas 3 destilarias visitadas.

As destilarias que visitamos foram:

Bowmore: foi a primeira que visitamos e me pareceu a que tem mais infraestrutura para receber o turista. As explicaçoes sao mais detalhadas e com um vocabulario mais simples, para leigos. Deu a impressao de que os turistas sao tao importantes quanto a produçao do whisky, mas eles regulam um pouco na hora da degustaçao: è um copinho antes (durante um filme de apresentaçao) e um copinho no final do tour.

Caol Ila: como o marido è apaixonado pelo 18 anos dessa destilaria, em vez de fazermos o classico giro turistico, agendamos uma degustaçao com todos os whiskys produzidos ali. Ironia do destino, eles tinham todos os whiskys, menos o 18 anos! Como nenhuma destilaria engarrafa os proprios whiskys em Islay, existem whiskys que acabam nem voltando para a “fabrica”. De Glasgow (ou de onde quer que sejam engarrafados) seguem diretamente para a distribuiçao, conforme a demanda.

Falando em demanda, em Islay descobrimos que 90% da produçao de Caol Ila è destinada à produçao de Johnnie Walker. (A pergunta que nao quis calar foi: como Johnnie Walker consegue estragar um whisky tao bom?)

Nao sei se a memoria faz com que os sabores sejam melhores do que eles realmente sao, mas marido afirma de pès juntos de que o 18 anos è melhor do que o 25 anos que ele experimentou… Eu fiquei sò no cheiro….

Kilchoman: è a menor e a mais recente destilaria de Islay, como eles plantam a propria cevada e a transformam em malte ali mesmo, a parte interessante da visita foi ver, na pratica, como esse processo acontece.

E por ser uma destilaria muito recente e pequena, eles ainda nao tem muito o que oferecer em termos de degustaçao, afinal o whisky precisa envelhecer e o primeiro single malt que produziram jà esgotou. Como eles nao tem ainda muito whisky para oferecer, a lojinha no final da visita è a que oferece mais variedade de coisas para comprar e nao sò garrafas.

Laphroaig: achei a visita mediana, nao acrescentaram nada alem daquilo que eu jà tinha ouvido nas outras destilarias…

Lagavulin: foi uma das visitas mais interessantes porque aqui a produçao nao para nas ferias. Entao tivemos a oportunidade de ver as maquinas trabalhando a todo vapor, pudemos experimentar, diretamente dos barris, o whisky fermentando antes de ser destilado e acompanhar todo o processo de produçao ao vivo. A desvantagem è que nao podia tirar fotos…

Ardbeg: depois de visitar Lagavulin, estavamos jà mais do que satisfeitos com as visitas às destilarias, mas resolvemos visitar tambem Ardbeg.

Primeiro, porque nessa destilaria fica um dos melhores lugares para almoçar de Islay: o Old Kiln Cafè (lembrando que Islay nao oferece muitas opçoes de restaurantes…) e segundo porque o lado emocional falou mais alto: Ardbeg foi o whisky que nòs escolhemos para a festa do nosso casamento. A visita foi OK, como em Laphroaig, nada de novidades.

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Bosta Beach

Antes que me acusem de ter baixado muito o nivel do blog, quero deixar registrado que esse è realmente o nome, em ingles,  da praia localizada em Great Ternera, nas Outer Hebrides – Escocia e nao reflete necessariamente a minha opiniao sobre o lugar, muito embora eu acredite que o nome seja um claro referimento ao clima local :)

Fomos parar nessa praia no auge do verao escoces, em pleno mes de agosto, e as temperaturas medias eram de 12°C, com direito a uma insistente chuvinha fina nos 3 dias que passeamos pela regiao.

OK. Para fins de honestidade intelectual, tenho que dizer que, como mais de 60% da populaçao das Outer Hebrides fala gaelico, em muito lugares o nome dessa praia estava escrito em gaelico, ou seja, “Bostadh”. O nome melhora um pouco, mas o clima continua igualmente ruim.

Com um pouco de sol, Bosta Beach seria paradisiaca! A areia è branca e finissima, a agua è muito transparente e as fotos ensolaradas dessa praia que existem na internet estao aì para provar que Bosta Beach nao deixa nada a desejar em termos de beleza às praias caribenhas.

Mas mesmo com chuva, a viagem atè Bosta Beach nao è perdida. Em 1996 foi descoberta uma inteira “cidade” da idade do Ferro ali nas redondezas. Por questoes de preservaçao, enterraram tudo de novo e restauraram uma das casas, com a reproduçao fiel do modo de vida do povo daquela epoca, para a alegria dos turistas.

A visita a essa casa è realmente fascinante. Vc ve uma portinha aberta com um placa na frente com o preço, mas nao encontra ninguem para te cobrar o ingresso.

Vc entra numa sala muito escura, sem janelas, sem nenhum tipo de ventilaçao, sò uma fogueira no centro, cheiro de fumaça e por causa da escuridao nao dà pra distinguir mais nada. Atè que se aproxima alguem puxando papo e sò depois de algum tempo vc acaba intuindo que è a pessoa responsavel pelo lugar.

Depois de muita conversa sobre as curiosidades do lugar e as explicaçoes climaticas para a ausencia de janelas, seus olhos começam a se habituar com a escuridao e vc começa a ver a decoraçao da casa: carnes penduradas no teto para serem defumadas, a cama, o lugar para guardar mantimentos… E o papo è tao bom que vc sai dali com aquela sensaçao gostosa de quem acabou de visitar a casa de um amigo!

Ah, Bosta Beach conta tambem com um dos 12 sinos  instalados no Reino Unido por Marcus Vergette, para o seu projeto “Time and Tide Bell”.

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Os flamingos da Camargue

Continuando o esquema tranquilinho de viagens, aproveitamos os dias bonitos de primavera para passearmos pelo sul da França. Nas minhas pesquisas prè-viagem descobri que a regiao da Camargue nao vive sò de sal, mas tambem possui a maior populaçao de flamingos da Europa.

Esses flamingos se reunem de março a maio no Parc Ornithologique du Pont de Gau para namorar e o ovo, fruto desse amor todo, è chocado tanto pelo macho e quanto pela femea por um mes aproximadamente.

Em termos pratico-viagisticos, isso significava que a minha chance de topar com um parque cheio de flamingos, em pleno mes de abril, era altissima e, com isso, fizemos um pequeno desvio de 30km de Arles, para conferir o tal parque com os flamingos.

Marido nao tava muito esperançoso…  A sua maior preocupaçao era se enfiar num lugar cheio de mato e mosquito e sò depois de caminhar muito, com muita sorte, conseguiremos avistar um flamingo aqui e outro ali. E’ aquela velha historia: “parque nacional nao è jardim zoologico…”

Nao nesse caso! Esse parque è praticamente um jardim zoologico! Vc paga o ingresso, anda uns 200m e chega num lago jà entupido de flamingos! E os flamingos ficam bem felizes e tranquilos na beirinha do lago, fazendo pose para serem fotografados! Nem precisa de zoom na maquina fotografica automatica!

Na bilheteria do parque eles entregam um mapinha com todos os percursos disponiveis dentro do parque, assinalando os melhores pontos para avistar os flamingos, mas nòs ficamos tanto tempo nesse primeiro lago e tiramos tantas fotos, que a fome apertou e acabamos desistindo de ver o resto do parque.

E na saida foi inevitavel o pensamento de futura mamae: “nao vejo a hora de trazer a minha pequena para conhecer esse lugar!”

 

 

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Viajando na Gravidez

Vou começar jà pedindo desculpas a quem le o blog e nao tem filhos, nao tà gravida e nao tem o menor interesse no assunto, mas è mais forte do que eu! Se antes eu era monotematica  no assunto viagens, agora estou monotematica com relaçao à gravidez…

Entao resolvi juntar esses dois assuntos para contar como estao sendo as adaptaçoes das minhas viagens durante a gravidez, como sugeriu a Natalia, do blog Ziga da Zuca.

Lembrando sempre de que estou me referindo às MINHAS viagens e às recomendaçoes da MINHA medica.

A primeira coisa que a minha mèdica me disse è que uma gravidez normal nao è impedimento para se viajar, basta ter sempre em mente que eu nao estou mais sozinha e que tem uma nova vida dentro de mim que vai sofrer todas as consequencias das minhas escolhas, sejam boas ou ruins, e que bom senso e moderaçao nunca mataram ninguem.

Em assim sendo, eis as minhas adaptaçoes e as recomendaçoes da minha medica:

MEIOS DE TRANSPORTE:

Nenhum meio de transporte è proibido, mas alguns podem ser mais desconfortàveis do que outros.

Aviao: o problema maior do aviao è quando a barriga começa a dar o ar da graça. Nao que exista algum problema para a gravida ou para o bebe em usar o aviao; o problema sao as regras das companhias aereas que, obviamente, mudam de companhia para companhia aerea e vai depender tb da boa vontade do funcionario do check in em segui-las.

Tem companhias aereas que depois dos 7 meses de gravidez exigem um atestado medico que te permita voar, tem companhia aerea que nao te faz embarcar de jeito nenhum, tem companhia aerea mais flexivel…

Resumindo, antes de entrar num aviao exibindo a barriga, convem ler direitinho as letrinhas miudas nos sites das cias aereas para nao correr o risco de viajar e nao poder voltar pra casa no final das ferias.

Nesse aspecto, eu sò tive 2 experiencias com a barriga maiorzinha: uma com a Gol, que me fez preencher um formulario em que eu dizia que estava gravida e de quanto tempo, e  a nossa viagem de ferias agora em agosto, que decidimos cancelar a viagem para a Islandia e achamos melhor fazer um tour de carro pela Austria, (saindo de carro diretamente de  Milao), sò para evitar o stress de ter que pedir atestado medico, traduçao de atestado medico e ainda ter que ficar na expectativa de que corra tudo bem com os documentos apresentados.

Carro: viajar de carro tambem è super tranquilo na gravidez, tem sò dois detalhezinhos que devem ser levados em consideraçao quando se està gravida:

1 – o cinto de segurança: dependendo do tamanho da barriga, o cinto pode incomodar bastante e è muito importante que o cinto permaneça sempre na posiçao certa: embaixo da barriga e nunca por cima. Quem nao se sente bem com o cinto, pode tentar um desses adaptadores de cinto de segurança para mulheres gravidas que existem no mercado.

2 – a condiçao das estradas: estradas cheias de buracos è um sofrimento sò. Antes eu nem ligava para as ruas antigas e irregulares de Milao, agora eu tenho a impressao de que tudo dentro de mim chacoalha. E nao tem amortecedor nenhum que melhore esse desconforto! Com isso tento evitar viagens muito longas em estradas muito irregulares.

E tem tambem o fato de que uma mulher gravida precisa usar o banheiro com muita frequencia e que sò faz bem poder esticar as pernas de vez em quando. Entao, è  bom verificar se a estrada possui uma boa infra-estrutura de apoio. Isso significa que outra viagem parecida com aquela que fizemos para Cuba ou para a Serra da Capivara nao vai acontecer tao cedo.

Trem: acho que esse è o unico meio de transporte sem contra indicaçoes (pelo menos nao encontrei nenhuma…), a “estrada” è regular, dà pra esticar as pernas quando se tem vontade, tem banheiro e restaurante sempre à disposiçao, e se acontece alguma emergencia, dà pra descer facilmente na proxima estaçao. E’ claro que estou me referindo principalmente aos trens europeus, nao acredito que pegar a Transiberiana durante uma gravidez seja uma boa escolha, mas isso è um palpite meu…

Barco: se o barco for pequeno e o lugar por onde ele passa for muito agitado, a viagem nao è recomendada. Nem tanto por causa de enjoo, mas mais por causa do chacoalhar do barco mesmo. Na nossa viagem pra Escocia, o meu passeio à ilha de St Kilda foi cancelado pela empresa que faz esse passeio justamente por causa do mar agitado da regiao. Ele disse que os passageiros costumam “pular” demais dentro do barco. Marido vai sozinho…

DESTINO:

Teoricamente nenhum destino è proibido para uma mulher gravida, basta lembrar que nascem crianças em todos os cantos do mundo. A unica coisa a ser lembrada è cada um està habituado a certos tipos e padroes de cultura, alimentaçao, segurança… e que variaçoes muito grandes nesses standards podem ser causas de problemas ou, no minimo, de desconfortos, principalmente no caso de uma gravida.

Aqui tb cabe a cada mulher determinar com bom senso quais sao os seus limites. A pergunta que tento responder sempre que organizo uma viagem durante a gravidez è: “E em caso de emergencia?”. Partindo dessa pergunta, essas sao as coisas que eu costumo avaliar:

Condiçoes medico-sanitarias: A primeira coisa que eu observo è: se eu precisar de um medico ou de um hospital, quais sao as opçoes que esse lugar me oferece?  Preciso tomar alguma vacina? E’ um lugar com doenças endemicas (malaria, por exemplo)?

Lingua: procuro visitar lugares onde sei que boa parte da populaçao fala e/ou entende alguma lingua que eu falo e/ou entendo. Apesar de nao falar alemao, sei que na Alemanha todo mundo fala ingles (e se nao fala, tem sempre alguem por perto que fala!). Por outro lado, nao me arriscaria a fazer novamente uma viagem pro interior da Russia : prefiro evitar explicaçoes sobre o meu estado de saude atraves de mimicas…

Geografia: lugares remotos ou com condiçoes climaticas ou territoriais extremas tambem convem evitar. Pra mim, essa foi a recomendaçao da medica mais complicada de assimilar, principalmente pq cada um tem um conceito diferente do que seja remoto e extremo. Pelo o que eu pude entender, nada de viagens em lugares muito frios, muito quentes, muito altos, muito dificeis de chegar… Em outras palavras: vou ter que esperar um bom tempo para fazer outras viagens nos mesmos moldes das viagens que fiz para o Ice Hotel, para o deserto do Sahara, para Machu Picchu (por causa da altitude)…

ESTILO DA VIAGEM:

Nao foi sò a escolha do destino que tive que adaptar nas minhas viagens, mas tambem tive que privilegiar determinados tipos de viagem em detrimento de outros e tudo em camera lenta.

Tipos de viagem: Viagens muito, digamos, “esportivas”, foram canceladas totalmente: nada de trekking, esqui, cavalo, rapel… Viagens muito “natureza” tambem foram limitadas: nao tem nada de mais em passear tranquilamente num parque, mas pelo menos agora tenho uma boa desculpa para nao me submeter mais àqueles tipicos programas de indio que o marido inventa de vez em quando! A regra agora è privilegiar viagens urbanas.

Ritmo: querendo ou nao, o ritmo das viagens diminuiu bastante. Nao consigo mais fazer tudo o que eu fazia antes no mesmo tempo que eu fazia antes: a barriga pesa, tenho que parar varias vezes para ir ao banheiro, me canso mais facilmente… Definitivamente maraturismo nao tem mais espaço nas minhas viagens e tenho que calcular a quantidade de dias em cada lugar de um modo muito mais tranquilo e condizente com a minha gravidez.

ALIMENTACAO:

Essa è a parte que a minha medica mais pega no meu pè, porque sou muito boa de garfo e adoro experimentar de tudo quando viajo. Eis os meus principais problemas:

Peso: nao tem jeito, eu sempre voltava com 1 ou 2 quilos a mais das viagens que fazia, comia o que tinha vontade sem me preocupar com o peso. Daì era sò fazer uma dietinha basica e tudo voltava ao normal atè a proxima viagem… Agora tenho que controlar direitinho o que como para nao engordar demais e fazer dieta tambem està fora de cogitaçao. O controle do peso tem que ser continuo e nao tira ferias!

Qualidade da comida: o problema aqui è o risco de uma infecçao causada por alimentos velhos, estragados, crus, etc… Tenho que conferir 10 vezes se o restaurante è limpo, se a comida foi bem cozida e preparada ao momento… Ainda bem que fiquei gravida sò depois de ter me esbaldado nas comidas de rua da Tailandia!

Avisar sobre a gravidez: minha medica havia sugerido de avisar sempre os restaurantes de que eu estou gravida, principalmente quando a barriga ainda nao è tao evidente, para que o restaurante possa avisar de possiveis ingredientes que usa em seus pratos e que podem causar problemas. Nao deu outra: na França, o garçom de um restaurante todo chiquetoso veio me dizer que nao poderia servir os queijos que eu havia pedido, pq os queijos nao eram pasteurizados.

De repente tudo isso pode parecer excesso de zelo, mas sao sò 9 meses… Passa rapido!

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Tour mais do que exclusivo

Pra nao perder a viagem ao Lago de Prespa,  resolvemos visitar a Igreja de Sveti Gjorgji, que se localiza ali nas redondezas…

Quando vc le no guia que essa igreja possui uma coleçao dos mais raros e importantes afrescos da Macedonia, feitos no ano de 1191, e que ainda por cima, um desses afrescos està representado na nota de 50 dinares, vc imagina que o lugar seja turistico e bem vigiado, nao?

Entao… chegamos na tal igreja e demos com a cara na porta. Tudo fechado! Mas a Lonely Planet tinha avisado de que a igreja “poderia” estar fechado e que bastava procurar o responsavel no centro da cidadezinha, que ele abriria pra nos.

Eu jà estava me achando super VIP! Um lugar turistico – importante o suficiente para constar no dinheiro local – aberto especialmente pra nòs seria o maximo do luxo!

Mas o centro da tal cidadezinha estava vazio como todo o resto daquela regiao do lago. Encontramos sò alguns meninos que jogavam bola e na base da mimica perguntamos pelo responsavel pela igreja.

Um dos meninos pediu que aguardassemos um pouco, pegou sua bicicleta e sumiu. Cinco minutos depois ele volta e nos entrega uma chave, fazendo uma cara de “Se virem!”

Voltamos à igreja, abrimos a porta, vimos todos os afrescos que gostariamos, deixamos a nossa contribuiçao na bandeja destinada para receber ofertas (jà cheia de dinheiro!), fechamos a porta da igreja, voltamos ao centro da cidadezinha, devolvemos a chave ao menino, agradecemos e fomos embora.

Surreal! Isso è o que eu chamo de visitar um lugar por conta propria!

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Ilha das Serpentes

A unica ilha da Macedonia, Golem Grad, è localizada no Lago de Prespa,  bem perto do Lago de Ohrid, mas do outro lado da montanha.  Quando começamos a organizar a viagem para Ohrid, fiz questao de reservar um dia inteiro sò para visita-la.

Marido estava inconformado, onde jà se viu querer visitar uma ilha cujos habitantes sao milhares de serpentes? Mas desejos de mulher gravida sao estranhos assim mesmo, fazer o que…

As unicas coisas que sabiamos sobre essa ilha eram as informaçoes descritas na Lonely Planet e esse site, que possui mais fotos do que informaçao.

Rodamos todo o perimetro do lago Prespa a procura de algum pescador que pudesse nos levar de barco atè là, como sugeria a Lonely Planet e nada! Procuramos agencia de turismo sugerida pela Lonely Planet e estava fechada…

Nunca tinha visto um lugar tao desolado como esse tal Lago de Prespa. Nao sei se era baixa temporada ou se o lugar è assim mesmo, mas as cidadezinhas ao redor do lado consistiam em meia duzia de casas fechadas e nem uma alma na rua.

Eis que da estrada avistamos uma construçao que parecia um bar na beira do lago. Os dois carros parados na frente e Michel Telò a todo volume foram os sinais de vida mais evidentes que encontramos por ali.

Acho que nunca fiquei tao feliz de ouvir Michel Telò na vida! Talvez alguem nesse bar saiba como se faz para chegar na ilha das serpentes, e principalmente: talvez eles tenham algo pra garantir o nosso almoço…

O problema do almoço foi resolvido, mas para chegar na ilha, naquela època do ano, sò mesmo de jet ski privato e, se nòs quisessemos, poderiamos alugar os deles…

Nao preciso nem dizer que nao foi dessa vez que satisfiz o meu desejo e visitei Golem Grad… Sò espero que minha filha nao nasça com cara de serpente… ;)

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Lago de Ohrid

Com essa historia de termos que fazer viagens mais tranquilinhas (na realidade, as nossas viagens sao sempre tranquilas, os destinos è que costumam fugir um pouco do tradicional), aproveitamos um feriadao em junho e fomos visitar o Lago de Ohrid.

A parte mais complicada da viagem foi convencer a mèdica que visitar o Lago de Ohrid è tranquilo… Explicar que Ohrid è mais ou menos um Lago de Como, sò que na Macedonia! ;)

Descemos no aeroporto de Skopje (alias, novinho!), alugamos um carro ali mesmo e dirigimos por uns 200km atè a regiao de Ohrid, (por causa da falta de tempo, nao deu nem pra dar uma espiadinha na capital do pais… Fica pra proxima…)

Estavamos um pouco apreensivos com as estradas da Macedonia, as informaçoes que liamos eram sempre que as estradas sao muito ruins, sem acostamento, com muitas curvas e muitos animais, sem placas…

Nao sei se chegamos ali com muitas expectativas ruins, mas nos surpreendemos. E’ claro que nao se comparam às rodovias alemas, mas estao longe de serem ruins.

Ohrid è o principal destino turistico da Macedonia e està bem dividida em duas partes, que garante o “faça 1 viagem e leve 2″.

A parte historica è toda bonita, com ruas de pedra, um monte de igrejas ortodoxas à beira do lago, porta de ingresso da cidade com os indefectiveis vendedores de souvenir, um castelo estrategico que oferece a vista mais bonita do lago e uma prainha aqui e ali.

E’ a parte da cidade para quem està mais interessado na cultura e na historia do que pegar um bronzeado.

Jà a parte moderna nao tem nada de bonito/interessante para ser visto/visitado, mas tem aquela atmosfera que sò as cidades praianas sabem ter, com uma rua principal cheia de lojas, gente andando com roupa de banho pra cima e pra baixo e bares com musica alta na beira do lago (e dà-lhe Michel Telò!)

E’ a parte da cidade para quem quer aproveitar a vida no lago, pegar uma cor enquanto toma uma cerveja gelada e nao està muito interessado em cultura.

Nòs ficamos na parte historica e em 2 dias, num ritmo muuuuuito tranquilo, rodamos a pè todas as atraçoes de Ohrid sem abrirmos mao da cerveja gelada no final da tarde…

Quer dizer, o marido nao abriu mao da cerveja… eu tive que me contentar com um suco de frutas…

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